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Concurso Policial

Já há alguns dias que venho pensando em tratar aqui no Abordagem de dois temas relevantes, mas que, em virtude das reflexões que me trazem, não podem ter uma abordagem meramente informativa. Primeiro, a grande incidência de policiais mortos este ano na Bahia, principalmente em Salvador – a mais recente aconteceu na última terça-feira, quando um PM foi morto com um tiro na cabeça, na Avenida Vasco da Gama. Neste ano, segundo o Correio da Bahia, já foram assassinados 26 policiais militares no Estado. O outro tema palpitante, e que, de certa forma, se relaciona com o primeiro, é a abertura de 200 vagas para o ingresso no Curso de Formação de Oficiais da Polícia Militar da Bahia. O Victor e o Tenente Alexandre trataram bem das peculiaridades do concurso. O soldado Vanilton Nunes Pereira dos Santos acabou falecendo na última terça no HGE, com um tiro na cabeça - Foto: Almiro Lopes/Correio da Bahia Os casos de morte de policiais devem ser abordados sob várias óticas, principalmente quando vamos observar as peculiaridades em que ocorreram cada incidente. O que se percebe é que a maioria das ocorrências se deram principalmente quando o policial estava em horário de folga – o que leva alguns (policiais e não-policiais) a serem tentados a afirmar que, ou o policial estava num segundo trabalho, o chamado "bico", ou estava envolvido com alguma ilegalidade (tráfico de drogas, por exemplo). Há quem relacione as mortes também à postura de "xerife" de bairro, que alguns policiais tomam nas localidades em que moram – principalmente os que residem em localidades com altos índices de criminalidade. Essas causas muitas vezes são alegadas por quem tem interesse de eximir as corporações policiais, o Estado e a sociedade da responsabilidade que têm sobre essas mortes. Naturalmente, pode haver vingança dentre os casos – criminosos que rechaçaram a ação daquele policial em específico através da reação letal, em momento vulnerável. Existe também a execução do policial por ele representar a classe responsável por reprimir e prevenir a prática criminosa, é o caso do policial que é morto ao ser assaltado e é identificado como policial, mesmo sem reagir. Ao se discutir sobre esse tipo de ocorrência também há opiniões equivocadas, e aqui me refiro especificamente aos policiais. Em virtude da reação sentimental que temos quando vemos um colega tombar, o desejo de vingança pode aflorar, a vontade do enfrentamento nos seduz, e pode ocorrer de nos percebermos engajados numa causa irracional, através do mau uso da lógica newtoniana, "a toda ação, uma reação". O que seria reagir a esses delitos? O que seria a necessária resposta a tais lesões? Ao tempo em que policiais vão morrendo, outros estão se formando, e mais tantos aspiram ingressar nas polícias. "Compromisso e lealdade", diziam os majores Fonseca e Edmílson quando tratavam dos atributos necessários a um policial. São palavras tão óbvias, nítidas, que se torna enfadonho tentar explicá-las ou exemplificar seus usos. Mas por que nós, policiais, servidores públicos, temos tanta dificuldade em internalizar o que está tão claro? Qual o grau de culpa das instituições policiais em cada desleixo dum profissional? Onde está a influência da cultura a que nossa sociedade nos impôs em cada deslealdade dos policiais? O certo é que
Desconheço se existe qualquer estudo sobre as motivações dos candidatos que almejam ingressar nas instituições policiais militares através do Curso de Formação de Oficiais (CFO). Tendo em vista a atual demanda por emprego, não é demais supor que muitos tratam o concurso como "mais um", uma chance, dentre várias, de adquirir um emprego. Com a estabilidade oferecida pelo cargo público e pela idéia de que o Aluno-a-Oficial "recebe para estudar", a atratividade do concurso é grande. Não apenas por necessidades financeiras, mas também por precisar dar uma "resposta social" (à família, amigos, vizinhos...), muitos indivíduos prestam o vestibular para o CFO ao mesmo tempo que concorrem a outros tantos (Correios, Ministério Público, INSS, etc.). "No que passar está bom", é o raciocínio. Há quem veja o ingresso na polícia como algo transitório, um meio para estabilizar-se e galgar condições tidas como melhores, geralmente para chegar a outros cargos públicos financeiramente mais rentáveis (delegado, juiz, promotor, etc.). O personagem Rambo: há quem ache que a atividade policial se assemelhe com seu espírito "selva". Foto: Imagem do filme. Dessa análise surge-nos o primeiro e muito ocorrente tipo de candidato: o que ignora a natureza da função PM, despreza as responsabilidades a que estará submetido, pois seu interesse inicial é gozar do status de funcionário público, mais do que tornar-se, no sentido literal da palavra, um servidor público PM. Tais indivíduos podem tornar-se frustrados e infelizes como policiais, mas devem entender o comprometimento exigido pela profissão. O segundo tipo de candidato quer ser policial, mas engana-se quanto ao que é, verdadeiramente, a profissão. Uns almejam ser algo como o famoso personagem do cinema norte-americano, Rambo, com suas aventuras na selva. Outros desejam participar de investigações mirabolantes, no estilo FBI, e, citando um fenômeno recente, há quem queira incorporar a arbitrariedade do Capitão Nascimento. A falta de procura por conhecimento é que leva essas pessoas a enxergarem erroneamente a profissão. Um oficial da polícia pode trabalhar numa repartição administrativa, numa unidade operacional especializada (o BOPE da PMERJ por exemplo), numa unidade de policiamento comunitário, etc... A dica é que o candidato se inteire das peculiaridades da função PM, ou corre o risco de ver seus anseios desacatados. Por fim, o vocacionado. Este é aquele que deseja dedicar-se à causa comum, atuando como gestor de segurança pública, mantenedor da ordem. É o indivíduo que quer garantir os direitos humanos, quer adquirir a inteligência emocional de negociar mesmo quando agredido. É aquele disposto, comprometido, probo, corajoso e proativo. O policial vocacionado é aquele que tem o cidadão como pupilo dos seus objetivos profissionais. Obviamente que há variações neste panorama de intenções dos candidatos, duas ou mais dessas características podem combinar-se, outras tantas podem existir. O certo é que, independentemente de quais são os motivos iniciais dos candidatos ao CFO, a busca por informações relativas à sua futura profissão é essencial para evitar desenganos.
Pegando carona na série de posts que o Tenente Alexandre vem fazendo sobre os cursos e os concursos de ingresso na PM, resolvemos tratar aqui do concurso para o Curso de Formação de Oficiais (CFO) da PMBA, que é realizado anualmente através da Universidade Estadual da Bahia (UNEB), concomitantemente aos demais vestibulares da universidade (direito, enfermagem...). Desde já os candidatos se preparam para o vestibular do CFO, que ocorre no final deste ano ou no início do próximo. No último concurso (2008), quando se extinguiram as cotas destinadas a praças da PMBA e aos formandos do Colégio da Polícia Militar (CPM), as concorrências foram de 39 candidatos para cada vaga (masculino) e 68 candidatas para cada vaga (feminino). O candidato deve ter no mínimo 18 e no máximo 30 anos de idade, possuir estatura mínima de 1,60m, para candidatos do sexo masculino e 1,55m, para candidatos do sexo feminino e ter o ensino médio completo. Vale lembrar que a prova escrita é apenas a primeira etapa do concurso, restando outras quatro, todas de caráter eliminatório: - 1ª ETAPA - EXAME VESTIBULAR - 2ª ETAPA - EXAME PSICOLÓGICO - 3ª ETAPA - EXAME MÉDICO-ODONTOLÓGICO - 4ª ETAPA - TESTE DE APTIDÃO FÍSICA - 5ª ETAPA - SINDICÂNCIA SOCIAL Clique aqui para acessar o edital do CFO 2008 e entender cada uma dessas etapas. Esse é o primeiro de uma série de posts que faremos sobre o assunto, logo publicaremos outros mais aprofundados.

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