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Concurso Policial

Desconheço se existe qualquer estudo sobre as motivações dos candidatos que almejam ingressar nas instituições policiais militares através do Curso de Formação de Oficiais (CFO). Tendo em vista a atual demanda por emprego, não é demais supor que muitos tratam o concurso como "mais um", uma chance, dentre várias, de adquirir um emprego. Com a estabilidade oferecida pelo cargo público e pela idéia de que o Aluno-a-Oficial "recebe para estudar", a atratividade do concurso é grande. Não apenas por necessidades financeiras, mas também por precisar dar uma "resposta social" (à família, amigos, vizinhos...), muitos indivíduos prestam o vestibular para o CFO ao mesmo tempo que concorrem a outros tantos (Correios, Ministério Público, INSS, etc.). "No que passar está bom", é o raciocínio. Há quem veja o ingresso na polícia como algo transitório, um meio para estabilizar-se e galgar condições tidas como melhores, geralmente para chegar a outros cargos públicos financeiramente mais rentáveis (delegado, juiz, promotor, etc.). O personagem Rambo: há quem ache que a atividade policial se assemelhe com seu espírito "selva". Foto: Imagem do filme. Dessa análise surge-nos o primeiro e muito ocorrente tipo de candidato: o que ignora a natureza da função PM, despreza as responsabilidades a que estará submetido, pois seu interesse inicial é gozar do status de funcionário público, mais do que tornar-se, no sentido literal da palavra, um servidor público PM. Tais indivíduos podem tornar-se frustrados e infelizes como policiais, mas devem entender o comprometimento exigido pela profissão. O segundo tipo de candidato quer ser policial, mas engana-se quanto ao que é, verdadeiramente, a profissão. Uns almejam ser algo como o famoso personagem do cinema norte-americano, Rambo, com suas aventuras na selva. Outros desejam participar de investigações mirabolantes, no estilo FBI, e, citando um fenômeno recente, há quem queira incorporar a arbitrariedade do Capitão Nascimento. A falta de procura por conhecimento é que leva essas pessoas a enxergarem erroneamente a profissão. Um oficial da polícia pode trabalhar numa repartição administrativa, numa unidade operacional especializada (o BOPE da PMERJ por exemplo), numa unidade de policiamento comunitário, etc... A dica é que o candidato se inteire das peculiaridades da função PM, ou corre o risco de ver seus anseios desacatados. Por fim, o vocacionado. Este é aquele que deseja dedicar-se à causa comum, atuando como gestor de segurança pública, mantenedor da ordem. É o indivíduo que quer garantir os direitos humanos, quer adquirir a inteligência emocional de negociar mesmo quando agredido. É aquele disposto, comprometido, probo, corajoso e proativo. O policial vocacionado é aquele que tem o cidadão como pupilo dos seus objetivos profissionais. Obviamente que há variações neste panorama de intenções dos candidatos, duas ou mais dessas características podem combinar-se, outras tantas podem existir. O certo é que, independentemente de quais são os motivos iniciais dos candidatos ao CFO, a busca por informações relativas à sua futura profissão é essencial para evitar desenganos.
Pegando carona na série de posts que o Tenente Alexandre vem fazendo sobre os cursos e os concursos de ingresso na PM, resolvemos tratar aqui do concurso para o Curso de Formação de Oficiais (CFO) da PMBA, que é realizado anualmente através da Universidade Estadual da Bahia (UNEB), concomitantemente aos demais vestibulares da universidade (direito, enfermagem...). Desde já os candidatos se preparam para o vestibular do CFO, que ocorre no final deste ano ou no início do próximo. No último concurso (2008), quando se extinguiram as cotas destinadas a praças da PMBA e aos formandos do Colégio da Polícia Militar (CPM), as concorrências foram de 39 candidatos para cada vaga (masculino) e 68 candidatas para cada vaga (feminino). O candidato deve ter no mínimo 18 e no máximo 30 anos de idade, possuir estatura mínima de 1,60m, para candidatos do sexo masculino e 1,55m, para candidatos do sexo feminino e ter o ensino médio completo. Vale lembrar que a prova escrita é apenas a primeira etapa do concurso, restando outras quatro, todas de caráter eliminatório: - 1ª ETAPA - EXAME VESTIBULAR - 2ª ETAPA - EXAME PSICOLÓGICO - 3ª ETAPA - EXAME MÉDICO-ODONTOLÓGICO - 4ª ETAPA - TESTE DE APTIDÃO FÍSICA - 5ª ETAPA - SINDICÂNCIA SOCIAL Clique aqui para acessar o edital do CFO 2008 e entender cada uma dessas etapas. Esse é o primeiro de uma série de posts que faremos sobre o assunto, logo publicaremos outros mais aprofundados.

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