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Prêmio Polícia Cidadã 2015 premiará ações contra roubos 

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A primeira notícia que se tem do acesso por concurso na Polícia Militar baiana data de 1904. Nas leis de fixação de força e organização do Regimento para os anos seguintes, não há criação de unidade escolar nem a previsão de novas condições para o acesso hierárquico. Até 1920 as instruções na Polícia Militar da Bahia (então denominada Brigada Policial) eram restritas aos recrutas e soldados. O conteúdo envolvia apenas assuntos mínimos que a Corporação julgava imprescindíveis: noções policiais e princípio de hierarquia e disciplina. Mas foi a partir deste ano que as aulas se estenderam às outras praças, quando houve então a necessidade de um estabelecimento de ensino capaz de promover com regularidade os Cursos de Formação, não só de cabos e sargentos, mas também de Oficiais, a fim de que pudessem ter melhor desempenho nas instruções e na administração da Instituição. Solenidade conduzida por Oficiais. À direita: mestre-de-cerimônia (Emmanoel Almeida) Sob o contexto nacional em que se ouvia rumores da Revolta Comunista e, regionalmente, as ações do Banditismo no Nordeste, em 1935, o Cel Liberato de Carvalho, Comandante-Geral, criou o CENTRO DE INSTRUÇÃO MILITAR (CIM), com publicação no Boletim 162 de 18 de julho, em caráter provisório, no Quartel de S. Lázaro, sob a Direção do Maj Arlindo Gomes Pereira. Criação ratificada pelo Decreto Estadual 9731, publicado no dia seguinte. Segundo o Decreto, a partir de 1º de janeiro de 1936, nenhuma promoção se daria ao posto de Aspirante e não se fariam graduações de 3º Sargento e Cabo d'Esquadra, sem que os candidatos possuíssem o respectivo Curso. O aspirantado era pré-requisito à promoção ao posto de 2º Tenente, mesmo os da Administração, obedecidas as exigências legais. A formação dos quadros não começou imediatamente após a criação do CIM: tratou-se primeiro de regulamentá-lo e organizá-lo. O CIM compreendia uma Escola de Soldados, uma Escola de Graduados e uma Escola de Oficiais o qual previa matérias como Português, Aritmética, Geografia, História do Brasil, Francês, Desenho e Higiene, além de disciplinas de cunho militar. Não havia cadeiras de assuntos policiais-militares. Persistia a preocupação na formação de bons infantes. Continuava-se sob a influência da doutrina do Exército Brasileiro. Oficiais de outras PM's que fazem Curso de Especialização na APM-BA Os concursos para praças continuaram sendo realizados, mas também para as especialidades de enfermeiro, mecânico, motorista, radiotelegrafista, padioleiro e veterinário. O funcionamento normal só passou a ocorrer a partir do ano de 1937, quando foi iniciada a formação de fato, com a contratação de professores de Direito Penal e Polícia Administrativa e Judiciária. Em 1940 o CIM passou a denominar-se CENTRO DE INSTRUÇÃO TÉCNICO PROFISSIONAL (CITP) que passou a ter uma Escola de Candidato a Oficial, uma Escola de Graduados e uma Escola de Especialistas e aumentou de dois para três anos o Curso de Formação de Oficiais. Após mais oito anos, em 1948, o CITP foi renomado para Centro de Instrução da Polícia Militar (CIPM). Em 1953 o novo regulamento do CIPM foi aprovado quando da denominação de ESCOLA DE FORMAÇÃO DE OFICIAIS (EsFO). Mas foi em 1972, por Decreto 22.902, de 15 de maio, a Escola foi definitivamente denominada ACADEMIA DE POLÍCIA MILITAR (APM). Trata-se atualmente de uma unidade administrativa de ensino de nível superior que goza de significativo respeito social, cuja porta de entrada para o Quadro de Oficiais Policiais-Militares se dá por meio de vestibular anual realizado em convênio com a Universidade do Estado da Bahia – UNEB – que promove o processo seletivo que visa a selecionar candidatos aptos para serem considerados Alunos-a-Oficiais do Curso de Formação de Oficiais (CFO). Estes, ao serem aprovados em avaliações durante seis semestres, são declarados Aspirantes-a-Oficial e depois de um ano, promovidos ao posto de 1º Tenente, os quais, na mesma Academia, serão aperfeiçoados em Cursos como o Curso de Gestão em Segurança Pública, Curso de Gestão Estratégica de Segurança Pública, Atualização Administrativa, Feitos Investigatórios e Metodologia de Ensino. A tropa desfilando na comemoração dos 73 anos da APM O poeta Salomão, antigo rei de Israel, já dizia que mais vale um bom nome do que muitas riquezas. E o trabalho desta APM tem valorizado o nome de nossa Polícia, colocando-a no lugar de destaque em âmbito nacional, a ponto de outros Órgãos como a Polícia Civil, Polícia Técnica, Ministério Público e Magistratura solicitarem seus serviços na consecução de vagas nos cursos disponibilizados. Em função da sequência dinâmica com que acontecem os fatos na sociedade, a Casa do Saber está se atualizando. "In posterum", o seu cenário prospectivo certamente contará com um processo educacional ainda mais contextualizado e oportuno, aquiescendo as palavras do poeta e educador baiano Maurício Bastos Almeida: A educação se dá com valores pretéritos e atuais, contudo olhando para o porvir. Por isso, os Curso de Formação desta Casa, são hoje ajustados a uma matriz curricular em consonância com as diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Justiça, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP). Com integrantes das Polícias Militares co-irmãs, a Academia traduz "seus garbosos alunos daqui e de terras irmãs" num corpo discente diversificado, reunindo pessoas de diferentes Estados, tornando-os "amigos"... mas o dia-a-dia os tem tornado "irmãos". Como disse o famoso jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano, "A memória guardará o que valer a pena". E é na lembrança eterna da Academia, que se faz mencionar que por aqui passaram muitos Oficiais, os quais deixaram na história de nossa Polícia, sua contribuição como Comandantes da Escola. Parabéns Academia de Polícia Militar Cel PM Antônio Medeiros de Azevedo, que no último dia 18 de julho completou 73 anos promovendo a formação, o aperfeiçoamento, a habilitação, a adaptação e a especialização de Oficiais da Briosa Centenária Milícia de Bravos.
Da esquerda para a direita: Victor, Emmanoel, Danillo, Luiz Eduardo Soares, Daniel, Washington e Marcelo. A apreciação de uma produção humana é válida quando nos sentimos pequenos diante dela. Foi assim que me percebi na palestra ministrada na última terça-feira pelo professor-doutor Luiz Eduardo Soares, na Faculdade Baiana de Direito. Autor do livro Elite da Tropa, Luiz Eduardo foi secretário nacional de segurança pública e atualmente é professor convidado da Harvard University. Mas voltando ao "sentir-se pequeno", explico que essa pequenez possui duas acepções: a primeira, quando percebemos o quanto é preciso de aprofundamento técnico, científico e teórico para entendermos o panorama da segurança pública brasileira – desde leituras nas mais diversas áreas (psicologia, antropologia, etc.) até a realização de pesquisas e interpretação de dados. A segunda acepção de "pequeno", se refere ao ínfimo, mas não desprezível, papel que nós, profissionais que trabalham com segurança pública, exercemos no nosso dia-a-dia. Ou melhor, o poder que cada um de nós temos, isoladamente, para transformar o atual estado de coisas é mínimo. Não conseguiremos, e isso esteve claro na palestra, sozinhos, reverter esse quadro de insatisfação geral que toma conta de todas as partes envolvidas: sociedade, policiais, políticos, judiciário, etc. O esforço conjunto é condição sem a qual não chegaremos ao mínimo aceitável de paz social. Além dessa constatação básica, outras tantas foram explicitadas e discutidas pelo palestrante. Dentre elas, destacamos: - A fragmentação do Estado em virtude de interesses políticos de seus representantes, onerando a tomada de decisões que visam a melhora do sistema; - O culto da mídia ao imediato, despreocupada com ações e problemas de médio e longo prazo; - O fato de que as mortes ligadas à violência e aos tráficos ocorrem em lugares (periferia/favelas) e com pessoas (negros/pobres/jovens) específicas; - Os crimes perpetrados pelo Estado (principalmente nas ações policiais); - A segurança pública como preocupação marginal na transição democrática por que passamos historicamente; - A inviabilidade dum ciclo incompleto de polícia; - A polícia como um "tema menor" na curiosidade dos intelectuais; - A estrutura organizacional das polícias como um entrave ao desenvolvimento dos bons profissionais; - A falta de uma cultura organizacional comum entre as polícias; - A "babel" que atualmente as polícias são: "as polícias são ingovernáveis!"; - A invisibilidade por que passam os indivíduos marginalizados: vítimas do descaso ou do preconceito; - O recrutamento desses indivíduos pelo tráfico como uma maneira de suprir essa invisibilidade, dando-lhe auto-afirmação que lhe é negada pela sociedade. * * * Todos os colaboradores do Abordagem Policial compareceram à palestra (ver foto acima). O Victor também tratou do assunto no Blitz Policial. Visite o site de Luiz Eduardo Soares, onde há uma seção de artigos. E, se possível, não deixe de ler os livros Cabeça de Porco, Elite da Tropa, Segurança tem saída e Meu casaco de general, todos do autor, onde se encontra o panorama geral do seu pensamento e suas pesquisas.
As Academias de Polícia Militar do país costumam preservar a todo custo a tradição de promover jogos estaduais e nacionais envolvendo diversas modalidades esportivas, prática positiva que gera integração e costuma agradar a quem participa, seja pelo reconhecimento do seu potencial, pela oportunidade de conhecer novas cidades e também pela recompensa financeira que costuma estar envolvida nestas aplicações. Será que não seria oportuno criar algo semelhante no campo didático? A permuta de informações e conhecimentos ainda carece de maior aplicabilidade entre as corporações, e uma categoria sugestiva para procedê-la é a dos alunos-a-oficial (ou cadetes). Nos idos finais do curso já é possível conceber certas opiniões sobre diversos assuntos, mediante leituras, estágios e todo o aprendizado acumulado, além disso a afinidade com os estudos rotineiros favorece uma condição para a realização de debates produtivos e formação de novas idéias. A constatação de diferentes formas de atuação em circunstâncias parecidas serve como exemplo para demonstrar a tese aqui defendida. Vejamos o exemplo do último domingo, no qual aconteceram em algumas capitais jogos de futebol decisivos para os campeonatos estaduais, demandando atenção especial dos comandantes de policiamento. A intercomunicação das doutrinas não deve estar próxima aos níveis ideais, distanciando o modus operandi das forças policias. Fotos: PMBA, PMESP e PMERJ em ação, diferenças quanto ao equipamento - 1 Edson Ruiz/FootPress, 2 NI e 3 Marcelo Ferrelli /Gazeta Press Nas transmissões pela televisão, pode-se constatar que na Bahia e em São Paulo os militares envolvidos na segurança dentro da praça desportiva fazem uso de capacete, enquanto no Rio de Janeiro o procedimento não é percebido. Somente na Bahia as patrulhas que ocupam as arquibancadas do estádio utilizam colete com numeração ostensiva como forma de assegurar a fácil identificação dos homens, bem como não se constata no sudeste a prática de escoltar o trio de arbitragem com cães e escudos ao final de cada tempo nas partidas como um todo, independente da relevância da disputa ou clima de tensão. Por que outros comandantes não adotam o mesmo procedimento? Foto: BPChq e a escolta "sagrada" dos árbitros - PMBA São observações simples mas que não devem passar despercebidas, servindo de base para argumentação e contestação, na tentativa de chegar a um consenso. Seminários, simpósios e colóquios neste âmbito seriam bastante produtivos, além de valorizar a capacitação intelectual. Tem que haver tempo para conciliar o fervor na torcida pelo time ou os treinamentos esportivos competitivos com análises pertinentes sobre a gestão policial militar, o que mais interessa.
Por mais que se assemelhem, shows, festas de largo, prévias, micaretas e demais eventos não conseguem agregar as peculiaridades do Carnaval. É o clímax da exacerbação, o momento de extravasar, esperado durante um ano inteiro. Época em que muita gente costuma fazer coisas que não teriam coragem de repetir em outras circunstâncias, a exemplo da vasta quantidade de homens travestidos, que saem às ruas em blocos ou de modo avulso, a fazer gracejos e provocar com irreverência; outros que não incorporam o espírito da festa acabam se incomodando com a arrelia. É preciso se adequar ao momento, aumentar a tolerância, o conservadorismo é o menor possível nessas horas. Tolerância à nudez: e se fosse homem? – Foto: Terra Carnaval é a festa da carne, hora de abusar no prazer antes do sacrifício. Alguns homens exibem corpos trabalhados durante meses, mulheres expõem com ousadia suas formas, há uma forte conotação sexual, que desperta instintos primitivos involuntariamente na multidão. Os tambores africanizados ressoam a ritmar a psicologia da massa, que se mistura, mas sem tanta homogeneidade. Diversas drogas à disposição, quase todos consumirão uma ou mais delas, envolvendo-se em relações casuais, duradouras de segundos, em locais inusitados. Há quem vá se manifestar de modo violento, expurgando suas mazelas. Nesses casos, mais cedo ou mais tarde, a PM vai chegar, para controlar os excessos. É difícil estabelecer limites nessas horas, haja sapiência para diferenciar coreografias embaladas das vias de fato ou rixas, interceptar conjunções sem ser tão inoportuno, mas não há como ter vistas grossas em alguns casos. O uso de drogas ilícitas, por exemplo, inevitavelmente será combatido, dados os males que elas provocam durante a festa e principalmente fora dela, nas redes de tráfico que se estabelecem. Os limites da integridade física deverão ser respeitados, a mínima moral nos locais abertos precisa ser mantida. Termina a dança, começa a briga – Foto: Terra Nessas horas a polícia é o pai, o síndico, o diretor da escola, o "chato" que constrange, mas que precisa estar presente para conter os excessos. Pode se embriagar, se depravar, desinibir, contudo sem provocar escândalo ou perturbação excessiva. O momento é para isso, "radicalizando, mas com limite". *Victor Fonseca também escreve no blog Blitz Policial
"Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu". A lógica do carnaval de Salvador é praticamente esta, uns poucos ficam alheios à festa (ou pelo menos tentam) e uns tantos, daqui e mundo afora, se entregam ao clima singular desta época. Há espaço para tudo e para todos, dentro do panorama econômico da sociedade. Quem dispõe de melhores recursos, goza de conforto e benesses; quem de pouco ou nenhum, suporta o sufoco e sacrifício. A estrutura de trios e camarotes está consagrada, anualmente há um reclame sobre a carência de espaço físico gratuito, e realmente não há dimensão física suficiente para garantir mordomia à população; fosse a festa em um descampado, ainda assim haveria problema. Dito isto, fica claro que os mais abastados desfrutarão dos camarotes all inclusive, open bar, dos abadás vips de certos blocos, enquanto as classes médias ficarão no meio termo, condizente com as limitações, e enfim os menos favorecidos ao sabor do que lhes estiver ao alcance. É tão somente o retrato do que ocorre o ano todo, e durante os 7 dias de festa acaba por concentrar-se no espaço da avenida. Quem está sempre bem, continua bem, e quem já ia mal, assim permanece. Atente para a “ilha branca” do Chiclete com Banana – Imagem: Captura do DVD “De um lado esse carnaval, do outro a fome total”. Os estigmas raciais vêm de longa data, séculos, e não serão mudados repentinamente. Conforme é a realidade da população, a parcela afro descendente e carente, em sua maioria, manter-se-á marginalizada, ocupando-se com a catação de recicláveis, manutenção da segurança, comércio ambulante; funções secundárias, esporadicamente ladeadas por delitos. Serão vistas crianças exercendo essas atividades, um "êxodo urbano" provocado pela folia trará dos guetos, subúrbios e periferias diversas pessoas que habitarão o espaço da festa de modo precário na busca pela participação neste evento universal, saindo em parte da invisibilidade que o dia-a-dia corriqueiro as impõe. Aos privilegiados, serão assegurados lucros em dividendos e usufruto de prazer extremo, a qualquer custo, pelas drogas, lascívia e libertinagem. A polícia surgirá em alguns casos para manter o cordão de isolamento, controlar as tensões, equilibrar o status quo. É assim o ano todo, no carnaval não teria porque mudar repentinamente, talvez nem sempre seja possível ver como se estrutura a realidade hodierna e de que forma seria possível reajustá-la.
Na doutrina policial, há uma classificação de eventos denominados especiais, e nessa categoria estão incluídos os jogos de futebol, que no Brasil adquirem repercussão ainda maior, dada a tradição do esporte. Analisar as variáveis envolvidas é tarefa árdua, em virtude do universo de peculiaridades que envolvem esses eventos, os quais têm como sendo um dos sinônimos, para fins policiais, o de "serviço diferenciado", que "... consiste na execução de tarefa afeta à atividade de segurança pública, com usuário determinado, não listada como atribuição ordinária de qualquer dos órgãos referidos no 'caput' e desincumbida mediante solicitação que implique no emprego de pessoal e meios deslocados de seus locais ou horários de atuação por força de alteração do planejamento ordinário da Unidade considerada.", conforme a LEI Nº 6.896 DE 28 DE JULHO DE 1995, estabelecedora do FEASPOL, Fundo Especial de Aperfeiçoamento dos Serviços Policiais. Abordagens preventivas nas entradas do estádio – Foto: A TARDE Há movimentação financeira significativa, a começar pela arrecadação das bilheterias, que em jogos de maior porte chega a girar em torno de meio milhão de reais, chegando a necessitar de escolta policial no transporte desses valores. A quantia, muitas vezes, acaba sendo multiplicada nas mãos dos cambistas, que até pouco tempo costumavam arriscar-se em busca de alguns trocados, valendo-se da vantagem de evitar que o torcedor enfrentasse tumultos ou longas filas na aquisição. Hoje há sinais de possível envolvimento com pessoal infiltrado em processos de produção e distribuição dos bilhetes, conforme noticiado pela imprensa ultimamente, em partidas nas quais o esgotamento deu-se no primeiro dia de vendas, sem que houvesse aparente movimentação de público suficiente para alcançar tal proeza de adquirir todas as entradas em tempo recorde. Mecanismos de cadastramento e limitação de quantidade têm sido aplicados no intuito de combater tal prática, mas o êxito pleno ainda não foi alcançado. A atividade dos cambistas não é exclusividade local, há registro nos grandes eventos mundiais, como copa do mundo e olimpíadas, o que, entretanto, não justificaria tolerância ou leniência. Sugere-se a adoção de medidas como a antecipação e descentralização das vendas, com cabines em shoppings, estações e outros locais de fácil acesso. A LEI No 10.671, DE 15 DE MAIO DE 2003, denominada Estatuto do Torcedor, que será citada ainda em outros trechos, garante no parágrafo 5º do artigo 20 que “Nas partidas que compõem as competições de âmbito nacional ou regional de primeira e segunda divisão, a venda de ingressos será realizada em, pelo menos, cinco postos de venda localizados em distritos diferentes da cidade.”. Há lugares em que as bilheterias não funcionam no dia do jogo, ou pelo menos no turno ou dia da partida, medida polêmica que exige antecipação do público, mas contribui com a segurança no local. Essa organização é de responsabilidade dos clubes, mas constantemente a PM é chamada para estabelecer a ordem nesses locais. Policiais da ROTAMO controlam movimento na fila para compra de ingressos – Foto – A Tarde Na economia em torno de uma partida predomina a informalidade, há o confronto constante dos guardadores de carro devidamente sindicalizados contra os “biscateiros”, sendo que os chamados “flanelinhas” chegam a envolver-se em brigas entre si na disputa por espaço, cobrando quantias cada vez mais polpudas e inclusive antecipadamente para estacionar veículos sobre canteiros, jardins, em contra mão, fila dupla e outras dispositivos em desacordo com o artigo 180 da LEI Nº 9.503, DE 23 DE SETEMBRO DE 1997, o Código de Trânsito Brasileiro, trazendo transtornos para o tráfego e até mesmo multas para os proprietários, que ainda temem por arrombamentos, danos ou ter seu carro rebocado. O Estatuto do Torcedor prevê o provimento de transporte coletivo e estacionamento seguro no capítulo VI, e tacitamente é desobedecido por quem deveria cumpri-lo. Os acessos às praças desportivas geralmente são marcados pela grande aglomeração de pessoas: ônibus superlotados chegam com torcedores exaltados ao ponto de pendurarem-se em janelas ou até subirem no teto, provocando caos no trânsito; se aliam a esses fatores os problemas de estacionamento já citados e o clima festivo da maioria dos jogos, onde carros portando bandeiras e som em alto volume contribuem para a agitação do ambiente. Igualmente é no final da partida, com a evacuação muitas vezes marcada pelo empurra-empurra, passageiros transportados do lado de fora dos ônibus, amontoados nas portas de modo precário, ao som dos buzinaços e algazarras. Torcedores em cima do ponto de ônibus – Foto: A Tarde Conta-se ainda com a atividade dos vendedores ambulantes que, entre cadastrados ou não, comercializam diversos tipos de bebidas e alimentos, sem a devida coleta de impostos, fiscalização de higiene ou segurança, possibilitando que se espalhem pela área próxima e até dentro do estádio latas, garrafas de vidro, espetos, facas e outros objetos que facilmente se tornam armas, maximizando lesões corporais. Há a presença de frigideiras, chapas e churrasqueiras em áreas de acesso e circulação, com o risco de provocarem acidentes e queimaduras no caso de algum tumulto ou simples descuido. Destaca-se no contexto a situação do álcool, o qual, vendido livremente, acaba por potencializar o surgimento de conflitos. Certamente o poder de polícia do Estado legitimaria uma proibição do comércio de bebidas alcoólicas dentro do estádio, medida que já esteve em pauta em Minas Gerais, por exemplo. Tal decisão desagradaria grande parte da torcida, mas o benefício trazido pela limitação deve ser avaliado com racionalidade. Nas torcidas a praxe é a descontração, o clima festivo, muitas vezes animado por gritos, cânticos e até grupos percussivos, contudo a aglomeração está sempre sofrendo a ação de fatores psicológicos: o sentimento de grupo, seja das torcidas organizadas, uniformizadas ou de cada indivíduo isoladamente, os faz sentir-se como um corpo, e devido à sua grandeza, passa a crer na detenção de poderes ilimitados; ensejam no desafio para duelo, visando sempre a criação de um inimigo na disputa, seja ele a equipe adversária, representada pelos atletas ou torcida; o próprio time, quando vai mal; os árbitros ou a polícia, com resultado de danos à integridade física de indivíduos ou à estrutura física da área. É o momento do desabafo, da descarga de stress, explosão de emoções, válvula de escape dos dramas cotidianos. A infra-estrutura precisa estar sempre apta a receber tamanho impacto, e no país que sediará a copa de 2014 essa não é uma realidade alcançada. Recentes relatórios condenaram diversos estádios no país, entre eles o Otávio Mangabeira, conhecido como Fonte Nova, que há algumas semanas foi noticiado como o pior estádio do país, entre 29 avaliados pelo Sinaenco (Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva), e neste domingo, 25 de novembro de 2007, foi palco da maior tragédia do futebol brasileiro, superando o ocorrido em 4 de março de 1971, dia da reinauguração, onde acabara de ganhar o anel superior, local do acidente de ontem. Àquele tempo, o motivo foi um falso boato de desabamento; agora veio a tornar-se realidade. Local da arquibancada que cedeu - Fotos: A Tarde Naquela ocasião, 2 torcedores morreram e mais de 2 mil foram feridos; dessa vez a calamidade foi a quantidade de mortos, noticiada em 7, que no momento comemoravam efusivamente a classificação da equipe para a série B. Há pouco mais de um ano, na data de 28 de outubro de 2006, foi registrado tumulto durante a partida do Bahia contra o Ipatinga, jogo decisivo onde o time sofria derrota, razão que desencadeou a invasão do campo por parte da torcida, interrompendo a partida. Houve arrombamentos e depredação generalizada, além de confronto entre policiais e torcedores nas arquibancadas e em campo. Pessoas em cima das traves e acidentadas na invasão do campo – Fotos: Correio da Bahia Neste Bahia e Vila Nova a situação era semelhante, porém oposta quanto aos ânimos, já que a expectativa maior era de comemoração, e assim houve após o jogo, com trios elétricos e artistas na saída do estádio, todavia a festa foi suspensa diante do acontecimento trágico e fatal. Informações indicam que neste domingo havia 472 policiais atuando na segurança, contra 295 naquele sábado de 2006. Mesmo com esse reforço, foi inevitável a invasão de campo, que provocou lesões e fraturas em muitos torcedores quando tentavam pular muros e grades para alcançar o campo; ocorreu ainda a queda de um alambrado nesse ensejo. Torcedores pulam grades e alambrado despenca - Fotos: UOL O que poderia ser uma manifestação alegre virou vandalismo, com torcedores a arrancar placas de grama no campo, rasgando redes e uniformes dos atletas, que chegaram a ficar apenas de cueca na fuga para o vestiário, além de terem pulado em cima do banco de reservas, toldos e até no carrinho-maca. É improvável que forças policiais consigam conter a euforia de 60 mil pessoas em um ambiente como aquele, o melhor possível é tentar a contenção e limitar os excessos. Destruição de carro-maca e toldo - Fotos: A Tarde Nada disso, porém, superou o mal maior: a queda de parte da arquibancada. A cena era chocante para os que passavam próximos, com diversos corpos estendidos sobre degraus da escada, onde escorria muito sangue. Algumas vítimas foram vistas agonizando e entrando em óbito, com deformações e fraturas expostas. Local da queda e corpos estendidos – Fotos: A Tarde Policiais militares foram responsáveis por providenciar o rápido isolamento do local, e dentro da versatilidade e universalidade de funções exercidas, tiveram que acalmar ânimos, conter a agitação, auxiliar a prestação de socorro e consolar os amigos e parentes que surgiam a cada instante, manifestando dor e desespero diante da cena trágica que envolvia as vítimas, algumas socorridas e encaminhadas para hospitais, outras já cobertas à espera da perícia e transporte do Instituto Médico Legal. Alguns cidadãos choraram nos ombros e se confortaram abraçando soldados que os confortavam. Disso tudo, fica a perspectiva de uma reflexão e a tentativa de buscar soluções, como as já citadas em parágrafos acima. Há quem seja favorável pelo aumento do preço do ingresso, em troca de um serviço de melhor qualidade, com reformas e manutenção periódica na infra-estrutura, maior segurança e comodidade. São temas para debate nesse novo rumo que aquela histórica praça desportiva irá tomar, seja pela reconstrução, demolição, reforma ou medida que parecer mais produtiva, de modo que jamais na história registre-se novamente tamanha fatalidade.
por Washington SoaresO Estado de Rondônia passou por relevantes momentos históricos até constituir-se como unidade da Federação, onde antes existia o Território Federal do Guaporé criado em 1943 e posteriormente passou a ser denominado Território Federal de Rondônia no ano de 1956, em homenagem ao sertanista Candido Rondon pioneiro na construção das linhas de correios e telégrafos na região, e só em 22 de dezembro de 1981 passou a ser denominado Estado de Rondônia. Criado do desmembramento de terras dos estados de Mato Grosso e Amazonas, terras estas fontes de disputas no séc. XVII pelas potências Portugal e Espanha em decorrência das jazidas de ouro encontradas na região, um dos fatos culminou na assinatura do tratado de Madri.No séc. XIX o denominado ciclo da borracha impulsionou a economia local atraindo povos de diversas partes do País, em sua maioria nordestinos, que foram chamados de soldados da borracha, importantes protagonistas neste momento, em que a região experimentou forte crescimento, além da construção de uma estrada de ferro (Madeira-Mamoré) oriunda do tratado de Petrópolis, para escoar a borracha entre Brasil e Bolívia.A região teve outros momentos de crescimento populacional nas décadas de 60 com a cassiterita, fonte do minério estanho, onde o Brasil, maior produtor mundial do minério, apresentava Rondônia respondendo por 70% da produção. Logo após são descobertas jazidas de ouro na região, o que colocou de novo a região em evidência, chamada por muitos de El dourado, onde só no ano de 1987 estimou-se a extração de mais de 8.000 toneladas de ouro, atraindo multidões em busca do enriquecimento fácil.Em meio a todos estes acontecimentos e ocupações predatórias, é criada a Polícia Militar, com integrantes da extinta Guarda Territorial, pela Lei Federal 6.270 de 26 de novembro de 1975 e regulamentada através do Dec. Federal nº 79.108 de 11 de Janeiro de 1977, ainda no Território Federal de Rondônia, e com a árdua missão de garantir a ordem, em meio ao ambiente de instabilidade gerada pela ocupação desenfreada da região. A Polícia Militar acompanhou esses momentos e não fraquejou em garantir a paz.Atualmente a Polícia Militar conta com um efetivo de cerca de cinco mil homens, sempre preocupada com a capacitação de seus integrantes e primando pela excelência na prestação de um serviço de qualidade, mantém o policiamento especializado nas áreas de fronteira, local crítico por se constituir ponto de ação de narcotraficantes, em que a missão é incansável além do policiamento ambiental importante devido às características do território, evitando a degradação das matas, tráfico de animais, a caça predatória dentre outras.Realiza o policiamento ostensivo com bicicletas, motocicletas, viaturas, além do policiamento de trânsito, a fim de trazer uma sensação de segurança à comunidade. Composta por indivíduos honestos, dedicados, amantes dos valores da vida militar, os policiais militares do Estado de Rondônia não medem esforços para construir, na medida de suas responsabilidades, uma sociedade mais justa e solidária.* * *Aproveitando a ocasião externo meus sinceros agradecimentos à briosa Polícia Militar do Estado da Bahia, em especial à Academia de Polícia Militar, pela recente homenagem prestada à PMRO, em que a bandeira do Estado de Rondônia foi hasteada junto às da Bahia e do Brasil. Foi lido um texto alusivo à PM co-irmã e a tropa desfilou em continência a maior autoridade presente e aos alunos oficiais daquele Estado em curso na Bahia, que assistiram do palanque de autoridades o desfile da Tropa da APM-BA.Fotos da solenidade:
Com este post de abertura, inauguramos o nosso Blog. O Abordagem Policial nasceu em meio a interrogações, reticências e exclamações que - apesar de nem sempre sabermos ao certo qual o sinal gráfico a ser colocado no final de cada idéia - nos deixavam inquietos. Somos Alunos Oficiais da Policia Militar do Estado da Bahia, e, ao adentrarmos no universo da Segurança Pública, que a princípio se restringia, basicamente, às policias, quer sejam estaduais ou federais, começamos rapidamente a ter noção da amplitude dos diversos problemas que de forma inequívoca se relacionam com este tema. Lidar com o problema no dia-a-dia, ser, de certa forma, investido de poder e responsabilidade para fazer parte da solução dos problemas é uma situação inusitada. A partir do momento em que nos tornamos policiais militares, não podemos mais nos sentar para assistir um simples noticiário, sem que a sensação de responsabilidade pese sobre nossos ombros, mais do que nos outros; a cobrança passa a ser direcionada. E é assim que tem que ser, contudo, esta sobrecarga a mais, esta responsabilidade a mais, nos obriga a fazer reflexões constantes acerca de problemas que orbitam a Segurança Pública. Naturalmente, não somos cientistas. Apenas desejamos explorar este fantástico e abrangente meio para interagir com as pessoas que se preocupam e têm interesse no tema Segurança Pública e todas as suas implicações, como nós.

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