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Livros e Pesquisas

O Canal Futura, em parceria com a Fundação Ford e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, criou o programa Nota 10 Segurança Pública, uma série de 5 episódios onde temas de relevância na área são discutidos pelos vários envolvidos e interessados – policiais, moradores das periferias, pesquisadores etc. Leiam o release: A série Nota 10 Segurança Pública apresenta um painel dos principais temas debatidos no campo da segurança pública: a relação entre civis e policiais, a identidade das nossas polícias, o trabalho realizado por elas, sua eficiência, o protagonismo da juventude nas questões relacionadas à violência, a participação cidadã. Num passeio por esses assuntos, conheceremos experiências bem sucedidas de combate a violência e ouviremos todas as vozes interessadas na produção de políticas segurança pública. A partir desta semana, e nas próximas quartas, vamos trazer aqui no Abordagem Policial um episódio por semana, para que seja assistido e discutido por nossos leitores. É só meia hora por episódio, e vale MUITO a pena assistir. O primeiro episódio trata de Abordagem Policial: O primeiro episódio da Série Nota 10 Segurança Pública trata de abordagem policial. A abordagem policial costuma ser a situação mais delicada, e também a mais emblemática, da relação entre polícia e população. Nesse momento, o cidadão comum, fora da situação de crime, tem uma experiência pessoal com a polícia. Para o policial, é o momento em que ele tem que estar preparado para todas as possibilidades; para o abordado, é o momento em que ele se descobre percebido como suspeito. Por que um procedimento tão corriqueiro e previsto por lei, tornou-se tão polêmico? Clique e assista aos vídeos!
A Revista Época desta semana traz uma matéria de fundamental importância para policiais e todos aqueles que se interessam pelo debate em torno da segurança pública brasileira. Com o título "Nossos policiais estão sofrendo", a matéria discute os dados de uma pesquisa feita com mais de 60 mil policiais brasileiros, onde foram questionadas suas opiniões sobre temas fundamentais para o trabalho de polícia, como relacionamento entre superiores e subordinados, condições de trabalho, relacionamento com o público externo etc. Dentre os índices publicados por Época, ressalto os seguintes: - A maioria dos policiais brasileiros (35% desejam a unificação das polícias civis e militares); - 44% dos policiais entendem que o Ministério Público tratam com indiferença o trabalho policial, enquanto 42% dizem o mesmo do Judiciário; - 66% dos policiais entende que a hierarquia de sua instituição provoca desrespeito e injustiça profissional; - 78% dos policiais entendem que as instituições policiais precisam combater a corrupção para serem mudadas; - 64% acham que a polícia deveria dar prioridade a ações preventivas em lugar das reativas; - 81% acham que os policiais devem ter direito a greve. Trata-se de uma importante radiografia do querer dos policiais brasileiros - não necessariamente a matéria da Época, mas o estudo. O trabalho foi realizado pelos pesquisadores Marcos Rolim, Silvia Ramos e Luiz Eduardo Soares, que reconhece na matéria a grande descoberta da pesquisa: "A pesquisa demonstra que há um sofrimento psicológico muito intenso. Essa experiência de vida acaba deformando esses policiais, que tendem a despejar sobre o público essa violência" Clique na imagem acima para ler a matéria.
por Danillo FerreiraSei que logo que tomarem conhecimento, ou assim que tomaram, do disposto no recém-divulgado Relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), produzido pelo seu Relator Especial de execuções extrajudiciais, sumárias ou arbitrárias, Dr. Philip Alston, muitos irão desqualificar as constatações ali presentes, primeiro, com o fato do relator não ser brasileiro, segundo, com os chavões que glorificam o "banco da viatura" e a "incursão na favela" como atestados de competência dos entendidos em segurança pública e polícia. Sem entrar no mérito do conteúdo do relatório, antes de fazê-lo, faz-se necessário dar a atenção necessária ao entendimento que uma organização como a ONU tem do Brasil. Por dois motivos básicos: a ONU é politicamente isenta quanto aos diagnósticos que realiza, ou seja, não está comprometida com qualquer partido político brasileiro, o que implica numa maior credibilidade. Além disso, suas diretrizes traçam padrões internacionalmente aceitos como ideais para os países membros, com um mínimo de balizamento nos tratados e convenções que tratam de Direitos Humanos. Só por isso já se justifica a relevância do relatório.O relator da ONU, Philip Alston, recebendo miniatura do caveirão dum PM carioca - Foto: Hipólito Pereira / Agência O GloboBasicamente, o relatório expõe dados alarmantes relacionados às mortes ocasionadas por policiais em serviço e fora de serviço, além de tratar (com menos ênfase) das faltas existentes no Ministério Público, no Judiciário e no sistema prisional como um todo. Segundo o relatório, 48.000 pessoas são mortas no Brasil a cada ano. Em São Paulo, em 2007, os policiais em serviço mataram uma pessoa por dia. No Rio de Janeiro, três pessoas a cada dia foram mortas pela polícia. São dados preocupantes trazidos pelo relatório, sejam legais ou não as mortes em questão, apesar do Dr. Alston constantemente se referir à atuação da polícia nos seguintes termos:As execuções extrajudiciais são cometidas por policiais que assassinam em vez de prender um suspeito de cometer um crime, e também durante o policiamento confrontacional de grande escala seguindo o estilo de “guerra”, onde o uso de força excessiva resulta nas mortes de suspeitos de crimes e de pessoas na proximidade.O representante da ONU dedica boa parte do seu trabalho tratando das megaoperações realizadas pelas polícias, tomando como exemplo a do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, onde morreram dezenove pessoas e pelo menos 9 foram feridas, segundo o relatório: Ao avaliar a operação no Complexo do Alemão, duas perguntas se destacam. Primeiramente, quais foram os benefícios dessa operação para a prevenção de crimes — a operação de fato conseguiu apreender armas e drogas, prender líderes da facção e abrir a comunidade para serviços do estado? Em segundo lugar, a operação causou danos aos moradores da comunidade? Essas perguntas são especialmente importantes, pois a maioria dos representantes do governo do Rio de Janeiro com quem conversei me disse que a operação tinha sido um sucesso e que seria um modelo para futuras ações policiais.Na realidade, do ponto de vista de controle do crime, a operação foi um fracasso. A polícia apreendeu 2 metralhadoras, 6 pistolas, 3 fuzis, 1 submetralhadora, 2.000 cartuchos, 300 quilos de drogas e uma quantidade não especificada de explosivos. Portanto, o número de pessoas mortas foi superior ao de armas apreendidas e, no dia seguinte, havia apenas uma presença mínima da polícia na favela.Outros aspectos tratados são as "milícias" que, conforme trata o Dr. Philip, "operam em grande parte do Brasil, mas se tornaram um problema peculiar do Rio de Janeiro", além das "condições deficientes das penitenciárias brasileiras" possuidoras de "grave superlotação" e das deficiências das polícias civis e técnicas, onde os "inquéritos não são corretamente registrados e que, eventualmente, as únicas evidências são uma descrição do local do crime e uma declaração da polícia. O uso de DNA e de evidencias de balística são raros e faltam recursos técnicos e humanos".Como se vê, o foco do relatório se encontra nas polícias militares, que atuam diretamente no policiamento ostensivo nas cidades brasileiras. O relator chega a atribuir a conduta corrupta por parte do policial como um fator determinado pelos salários indignos – algo que insisto em não relacionar tão diretamente assim. Eis as medidas que ele sugere nesse sentido: Policiais não devem em, nenhuma circunstancia, poder trabalhar nas suas folgas para empresas de segurança privada. Para facilitar essas mudanças:(a) Os policiais devem receber salários significativamente maiores.(b) As escalas de trabalho dos policiais devem ser alteradas para que os policiais não possam trabalhar por grandes períodos de horas e depois ficarem de folga por vários dias.O Dr. Philip Alston esteve no Brasil entre 4 e 14 de novembro de 2007 – no Rio, São Paulo, Recife e Brasília, onde se encontrou com autoridades governamentais estaduais e federais responsáveis direta ou indiretamente pela preservação da segurança pública. Ele tem a responsabilidade de investigar e relatar supostos assassinatos e as causas que podem ter impedido uma ação judicial efetiva para processar e punir os responsáveis. O mandato do relator é extensivo a todos os países-membros da ONU. Sendo o relatório muito vasto (43 páginas), o apresentado aqui é um mero resumo do trabalho. Abaixo, alguns links para quem quiser se aprofundar:- Downloado do relatório (PDF) - Reportagem do OGlobo- Outras reportagens no Google
por Danillo FerreiraO jornal O Globo divulgou uma pesquisa sobre valores do brasileiro, realizada pela agência Nova S/B em parceria com o Ibope. Dentre vários aspectos, a pesquisa indagou se as pessoas, sendo um policial combatendo o crime, torturariam suspeitos. Vejam o resultado:Assumo que fiquei surpreso com os resultados, pois acreditava que os índices de aceitação da tortura seriam maiores entre as pessoas com menor formação acadêmica. Analisando o poder aquisitivo do público percebemos que quanto mais abastados maior a aceitação. Certamente isso indica que a parcela mais rica da população não se importa muito com os métodos utilizados para acabar com a criminalidade, se respeitarão ou não os direitos humanos, enquanto que os mais pobres, por terem mais contato com esse tipo de desrespeito à Constituição, são mais contrários à prática.Há quem se pergunte: e se a maioria da população passar a apoiar a tortura, como a polícia deve agir? Apesar da óbvia improbabilidade disso ocorrer, sabemos que não apenas o costume é fonte das ações policiais. A lei, reguladora do bem estar social, deve ser a âncora das organizações de segurança pública. Certamente vivemos um momento em que a alta criminalidade torna as pessoas propensas a aderir à tática do "salve-se quem puder", achando que medidas primitivas e irracionais controlarão a delinqüência. Ao contrário, precisamos de racionalidade, observância da lei, estratégias e táticas modernas de gestão, necessário apoio logístico e de pessoal. À população se desculpa tais índices, o que não pode ocorrer no âmbito dos profissionais de segurança pública – os policiais.

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