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Prêmio Polícia Cidadã 2015 premiará ações contra roubos 

Eventos

Boa notícia para os policiais paulistas: o Instituto Sou da Paz está lançando a 7ª edição do Prêmio Polícia Cidadã, que vai premiar e dar visibilidade às boas ações de policiais do Estado de São Paulo. Entre 01/06 e 24/07 policiais civis, militares e técnico-científicos poderão inscrever ações que tenham reduzido os índices do crime de roubo. Segundo o Instituto, o tema foi novamente escolhido (como no ano passado)  por ainda representar um dos principais desafios atuais da segurança pública do Estado de São Paulo, na medida em que impacta fortemente a sensação de segurança da população, atinge todas as classes sociais, regiões e segue em patamares muito elevados tanto na Capital quanto em todo Estado, com aproximadamente 310 mil registros anuais. Os projetos inscritos serão avaliados por uma comissão formada por especialistas em segurança pública e policiais de outros estados. Dentre os itens que serão valorizados estão a redução efetiva do crime de roubo, a estruturação do projeto, a criatividade e inovação da ação, além da integração entre as forças de segurança e o potencial de replicação. As três iniciativas mais bem avaliadas receberão prêmios em dinheiro, nos valores de: R$ 20 mil, R$ 12 mil, R$ 8 mil, além de homenagens às menções honrosas e “Escolha Popular”. Mais de 40 ações já foram premiadas nas seis edições anteriores. ParaIvan Marques, diretor executivo do Instituto Sou da Paz, “além de reconhecer bons policiais, o objetivo desta edição é disseminar ações capazes de reduzir o roubo. Acreditamos que com o reconhecimento e a merecida visibilidade essas boas práticas possam influenciar um novo padrão de policiamento e estimular novas iniciativas”. Uma boa oportunidade para os policiais paulistas destacarem boas práticas e serem premiados por isso. Conheça as ações premiadas no último ano! Inscrições: As inscrições deverão ser feitas pelo site www.soudapaz.org/premiopolicia a partir do dia 1º de junho. Acesse o site para ter mais informações do Prêmio e seu regulamento. Dúvidas e outras informações: E-mail: premiopolicia@soudapaz.org Telefone: (11) 3093-7333 (das 9h às 18h)
Saudações a todos e todas que acompanham o Abordagem Policial! Após um 2014 de muitas realizações, e um breve período de férias, retornamos com um blog renovado, com muitas potencialidades, com um identidade visual mais agradável e funcional. Mas não é só isso. O Abordagem Policial passou por uma reestruturação editorial, e agora vamos expandir a gama de assuntos que abordaremos, sempre com a perspectiva de integrar os múltiplos atores interessados em segurança pública e polícia: policiais, acadêmicos, profissionais de justiça criminal ou mesmo o cidadão curioso pelo tema. Na nova versão do blog os seguintes temas terão prioridade: Boas práticas Pretendemos destacar iniciativas positivas realizadas por polícias e policiais em todo o mundo, mas com foco no Brasil. Nosso interesse é enaltecer os profissionais que estão fazendo a diferença em suas áreas de atuação. Além de fortalecer a autoestima dos policiais a ideia é mostrar que é possível atuar com criatividade, ética e profissionalismo contra a violência que assola o país. Conhecimento sobre as polícias Assim como já fizemos algumas vezes, vamos publicar artigos mostrando as realidades vividas por polícias nacionais e internacionais. Entendemos que é importante conhecer o funcionamento, a estrutura e a forma de trabalhar das diversas corporações. O que é feito em outros países ou em outra região do Brasil pode ser modelo para a corporação do seu estado (ou município). Vídeos de ações policiais Continuaremos publicando vídeos de ações policiais no Brasil e no exterior, para que sirvam de estudo de caso para os policiais que acompanham o blog. Os comentários dos diversos policiais, e dos demais leitores, podem servir para esclarecer qual a melhor forma de atuar em situações de risco, e evitar complicações nas ocorrências. Discussões sobre fatos do cotidiano Mesmo que não tenhamos a pretensão de escrever sobre tudo que acontece no país sobre polícia e segurança pública, iremos discutir alguns fatos de grande repercussão que precise de uma visão mais aprofundada, e que provoque a reflexão e participação dos nossos diversos leitores. Artigos de Opinião O Abordagem Policial continuará aberto aos policiais (e não policiais) que queiram manifestar sua opinião sobre os diversos assuntos na área de segurança pública e polícia. Nesse sentido, entendemos que garantir a liberdade de expressão de policiais é fundamental para construir polícias melhores, e uma sociedade menos violenta. Técnica e Tática Uma das áreas que pretendemos nos aprofundar no novo blog é a discussão técnico-policial. Seja no que se refere à técnica jurídica, seja no que se refere à análise de equipamentos e posturas operacionais adequadas. Obviamente, para isso contaremos com especialistas nesses assuntos. *** Torcemos para que vocês, leitores e leitoras, gostem do nosso novo espaço, e façam bom uso dos recursos que ele oferece. Após mais de 16 milhões de visitas em nosso blog, queremos continuar crescendo e possibilitando crescimento. Muito obrigado a todos que nos acompanharam até aqui. Sigamos em frente!
E o Abordagem Policial começa a superar as fronteiras nacionais: a partir de amanhã, a convite da Washington Office on Latin America (WOLA), organização norte-americana que lida com Direitos Humanos, Democracia e Justiça Social trabalhando com parceiros da América Latina e do Caribe para a elaboração de políticas nos Estados Unidos e no exterior, estaremos na cidade de Los Angeles, capital da Califórnia, para discutir, entre outros temas, o impacto da política e da opinião pública sobre a eficácia dos controles internos e externos das polícias. Iremos conhecer a experiência da polícia de Los Angeles (LAPD) na luta contra a corrupção policial, e como a instituição lida com os controles internos e externos. Além deste policial vos escreve, estarão presentes nas reuniões: - Zaira Navas, Diretora-Executiva do Conselho Nacional para a Infância e Adolescência e ex-Inspetora Geral da Polícia Nacional Civil, El Salvador; - Manuel Boluarte, ex-Diretor Geral do Departamento de Comunicação Social do Ministério do Interior, Peru; - Israel Santizo, Asessor de Segurança da Myrna Mack Foundation e ex-Coordenador Geral do Processo de Reforma da Polícia, Guatemala; - Alejandro Espriú, Coordenador dos Observatórios de Segurança e Supervisão Externa de Polícia, México; - Jairo Delgado, Brigadeiro General aposentado da Polícia Nacional, Colombia; - Ana Maria Sanjuan, Executivo Sênior do Banco de Desenvolvimento da América Latina. Agradecemos a Adriana Beltrán e Ashley Davis, da WOLA, pelo convite e a Elizabeth Leeds (WOLA e FBSP), Renato Sérgio de Lima (FBSP) e Silvia Ramos (CESeC-RJ e FBSP) pelo apoio. Nos próximos dias publicaremos aqui no blog detalhes sobre nossa participação. :)
Em setembro deste ano publicamos aqui um texto que tratava do posicionamento da Brigada Militar do Rio Grande do Sul em relação à atuação policial no interior dos estádios de futebol. À época, o Comandante Geral da BMRS declarou o seguinte ao site UOL Esportes: "O futebol é um evento privado, tem ingresso e receita da TV para os clubes. Embora exista compreensão diferente. Apresentamos uma proposta de retirada do efetivo destes locais. Mas diante da primeira proposta, os clubes falaram que não era possível, pela nossa experiência, não teria como os estádios ficarem sem policiamento. Nós, então, apresentamos uma alternativa. Uma segunda proposta. Com custeio pelos promotores do evento". A discussão foi motivada por uma questão quase restrita ao meio policial, mas que é realidade entre as polícias militares brasileiras: há muita dificuldade logística e de pessoal para empregar as PMs nos estádios de futebol, principalmente em grandes jogos. Escalar policiais fora de suas rotinas operacionais, gerando carga horária extra, gastos com alimentação, transporte e outros elementos, é oneroso para qualquer polícia. Se as polícias têm condições restritas para atuar e o torcedor está sofrendo com a falta de segurança, quem é o culpado? Considerar esses pontos, de acordo com a realidade de cada estado e município, é fundamental para chegar a um consenso sobre a atuação das polícias no interior dos estádios (que, sim, promovem eventos privados). A celeuma sobre o tema se intensificou no último final de semana, quando uma briga entre torcidas do Vasco da Gama e do Atlético Paranaense teve consequências trágicas, e repercussão negativa internacional para o país que sediará a Copa do Mundo de 2014. Veja o vídeo: httpv://www.youtube.com/watch?v=8bn17OLPyOY O Comandante Geral da Polícia Militar de Santa Catarina, em entrevista ao Diário Catarinense, comentou o motivo da falta de policiamento no interior do estádio: Diário Catarinense - Foi correta a posição da Polícia Militar em ficar fora do estádio? Marceneiro - Temos a Ação Civil Pública no site do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, dando conta que não cabe a PM fazer segurança em evento privado. Nós somos uma instituição legalista, que faz cumprir a lei. Diário Catarinense - No seu entender, essa interpretação está correta? Marceneiro - O comando da PM em Joinville teve essa interpretação também a partir de conversas com a promotoria local, que move a ação. Ao mesmo tempo, nós estávamos lá com 113 homens, porém, na área pública. Na hora da briga, e depois na retomada do jogo, estávamos presentes para que o jogo continuasse com segurança para os torcedores. O fato é que não há organização pública ou privada que tenha mais experiência, doutrina operacional e competência para exercer a segurança no interior dos estádios de futebol brasileiros como as polícias militares. Mas se é assim, a questão é saber o que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), os clubes e os administradores dos estádios, que movimentam o milionário mercado da bola no país, podem fazer para que as PMs tenham todas as condições para exercer esse papel fundamental. O que não pode continuar ocorrendo é que policiais sejam aplicados em condições precárias de serviço, com excesso de carga horária, em um evento que arrecada milhões. Tampouco o torcedor (que paga caro para assistir os jogos) pode ser afetado com a falta de segurança. Se as polícias têm condições restritas para atuar e o torcedor está sofrendo com a falta de segurança, quem é o culpado?
Há cerca de dez anos tenho participado quase todos os anos da Conferência Executiva de Segurança Pública para a América do Sul da IACP – International Association of Chief of Police, realizada em diversos estados do Brasil, tendo ocorrido no último ano na cidade do Rio de Janeiro – RJ. Fundada em 1893 e com sede na cidade de Alexandria, Virgínia, nos Estados Unidos da América, a IACP é integrada por cerca de 15 mil executivos de polícia de diversos países e tem por missão, resumidamente, desenvolver a arte e a ciência dos serviços policiais.  Já no primeiro ano de fundação da IACP foi realizada sua primeira conferência na cidade de Chicago. Mas foi em 2009, designado pelo Comandante-Geral da PMSC para acompanhar a comitiva do Presidente Chief Michael Carrol, durante conferência realizada na cidade de Florianópolis, Santa Catarina, que me associei e no ano seguinte passei a frequentar também a conferência nos EUA, naquele ano na cidade de Orlando, Flórida. Depois participei ainda das conferências de Chicago (2011), San Diego (2012) e Philadelphia (2013). O primeiro contato com a Conferência nos EUA deixa qualquer policial, muito mais do Brasil, absolutamente perplexo. Em média participam do evento cerca de 15 mil policiais de 60 países. Na feira que ocorre simultaneamente são centenas de stands sobre os mais diversos temas, destacadamente equipamentos, armamentos e ensino. E acontece paralelamente quase uma centena de palestras sobre os mais diversos temas disponíveis aos participantes. São tantas as possibilidades de se adquirir algum conhecimento ou estabelecer algum contato, seja comercial, seja de intercâmbio com policiais, que o neófito, que não seja orientado por um policial que já tenha participado, pouco proveito inicialmente tira do evento. Na Conferência temos a oportunidade de testemunhar o serviço policial trabalhado em seu mais alto grau profissional, testemunhar o respeito que os norte-americanos tem por seus policiais, constatar os laços de irmandade que une os policiais e perceber o quanto nossos serviços se assemelham, independentemente do país de origem, além de trocar experiências e fazer amigos. Fiz muitos amigos, adquiri muito conhecimento, nesses poucos anos de participação. Participar de uma conferência mundial da IACP é uma experiência única para um policial, que pretendo repetir enquanto me for permitido. Já estou organizando minha participação na Conferência de 2014, que será na cidade de Orlando, Flórida, EUA, e espero poder encontrá-lo por lá. Para mais informações a respeito da IACP e das conferências acesse a página www.theiacp.org.
Lideranças políticas de policiais militares de todo o Brasil estarão reunidos amanhã em Salvador-BA, para discutir a modernização das polícias militares brasileiras. O evento será organizado e mediado pelo Deputado Estadual Capitão Tadeu Fernandes (PSB-BA): O exercício da democracia exige das instituições avanços e debates continuados. É inadmissível, por exemplo, que a União (governo federal), abocanhe a maior porção dos impostos e, este por sua vez, não ajude, de forma substancial, as polícias militares de todo o Brasil. Nunca é demais lembrar: as PMs e o Corpo de Bombeiro protegem os dois bens mais preciosos – a liberdade de ir e vir do cidadão e a própria vida humana. Portanto, todos os recursos investidos nas referidas corporações voltam à própria sociedade na forma de serviços públicos de qualidade e, principalmente, na diminuição da violência, que é sem dúvida um dos maiores problemas enfrentado por nosso país. Outro exemplo é o Programa Nacional de Segurança com Cidadania (PRONASCI), que surgiu em 2007, como uma boa iniciativa para fomentar a formação dos profissionais de Segurança Pública. Porém, hoje, tem sua execução bem próxima de zero. Ou seja: existe orçamento e até boas ideias, o que falta é estabelecer a Segurança Pública como prioridade também para o governo federal. Vamos debater esses temas, bem como PEC 300 / PEC 024. Enfim, todos de iniciativa federal que podem e devem ajudar as políticas de Estado no enfrentamento de violência. Abaixo, os palestrantes que estarão presentes no evento: Ótima oportunidade para discutir e entrar em contato com novas ideias na área de segurança pública. Parabéns a todos os envolvidos na organização!
As solenidades militares são envoltas de toda uma expectativa e entusiasmo por parte daqueles que estão sendo homenageados e seus amigos, familiares e aproximados. Do mesmo tamanho da emoção de quem prestigia uma homenagem é a frustração de quem espera por muito tempo as autoridades que são "imprescindíveis" para o evento: governadores, secretários comandantes etc. Além disso, geralmente, os atrasos também são castigos para a tropa que está em forma, que precisa ficar imóvel até que o mandatário apareça. No caso a seguir, a entrega do Espadim para cadetes da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), os presentes esperaram duas horas: O vice-presidente Michel Temer (PMDB) e o ministro da Defesa, Celso Amorim, foram vaiados neste sábado por grande parte dos parentes e convidados de 476 cadetes durante a cerimônia anual de Entrega de Espadins na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), em Resende, no sul fluminense. Os dois chegaram ao pátio interno da Aman, onde eram aguardados pelo público sob intenso calor, com duas horas de atraso. Muitos parentes de militares estavam em pé desde as 8 horas e usavam guarda-chuvas para se proteger do sol de meio-dia. Alguns mais idosos passaram mal por causa do forte calor - a reportagem perguntou o número de atendimentos no fim da cerimônia, mas não obteve resposta. O bancário Irineu Roque, de 55 anos, que mora no Rio Grande do Sul, viajou até Resende para acompanhar a formatura militar do sobrinho. "Acho que foi um descuido inaceitável", disse ele. "Entendi que (o protesto) foi pelo atraso. Autoridades têm suas limitações, mas têm facilidades também", acrescentou. A estudante de publicidade e noiva de militar Naiara Araújo, de 21 anos, foi uma das poucas a não vaiar. "Não era necessário, a gente tem a rua para fazer isso. O momento aqui é de comemoração", justificou. Em entrevista após a cerimônia, Temer atribuiu as vaias ao atraso e disse que a atitude das famílias era justificável, classificando a reação de "modestíssima". "Esse pessoal está sob sol inclemente. Se eu estivesse aí, não sei se também não me incorporaria", declarou o vice-presidente. Ele disse que pensou em desmarcar sua participação, mas acabou decidindo ir mesmo atrasado. Segundo assessores, Temer saiu de São Paulo de avião e não teve teto para pousar em Guaratinguetá, por isso precisou ir até São José dos Campos, de onde seguiu de helicóptero militar até a Aman. O vice-presidente não mencionou isso na entrevista. "Acho que foi esta a razão (o atraso), não vejo outra", disse Temer, referindo-se ao protesto. "Afinal, os cadetes e suas famílias são pessoas disciplinadíssimas, mas para quem ficou sob calor insuportável por 2 ou 3 horas talvez tenha sido uma modestíssima reação", acrescentou. Amorim saiu de carro do Rio e também chegou atrasado. Indagado se as manifestações haviam chegado à academia militar, o ministro classificou o protesto como "natural" para quem ficou esperando tanto tempo no calor, mas ressalvou que "depois, quando houve referência a mim e ao vice-presidente (nos discursos), não houve nenhuma reação". "Todos somos seres humanos", disse o ministro, atribuindo as vaias "ao sol e a coisas que estão um pouco fora do nosso controle". Vergonhoso.
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública dedica-se há sete anos a promover a cooperação entre policiais, acadêmicos, gestores públicos e atores da sociedade civil de todo o país em favor do aprimoramento e da democratização das nossas instituições e políticas públicas para a garantia do direito à segurança e de resposta efetiva ao crime e à violência. Tendo desde então avançado com seus associados e parceiros no debate de alternativas para a adoção de reformas estruturais no sistema de segurança pública, o Fórum vem por ocasião do seu 7o Encontro Anual, realizado em Cuiabá, renovar o chamado por elas. Para isso, propõe a mobilização de esforços - nos governos federal, estaduais e municipais, no Congresso Nacional, nas demais organizações associativas de policiais e profissionais do setor, nas universidades e na sociedade civil - para a elaboração e adoção de um projeto de reforma que passe pelos seguintes princípios norteadores: - Reforma do modelo atual de organização policial, com a gradativa adoção de instituições policiais de ciclo completo nos estados, a desmilitarização da natureza e da organização policial no país, a garantia de autonomia funcional e operacional para os órgãos periciais e a consolidação legal das atribuições das guardas municipais como parte do sistema, atuando na manutenção da segurança urbana, na mediação de conflitos e no suporte ao policiamento de proximidade e comunitário. - Implantação de um efetivo Sistema Único de Segurança Pública no país, com o fortalecimento das capacidades do Governo Federal para promover a coordenação e integração de políticas e a difusão de boas práticas no plano nacional, a afirmação das secretarias estaduais de segurança pública e defesa social como condutoras do planejamento estratégico e da coordenação das políticas e instituições policiais nos seus estados de atuação, e a ampliação das responsabilidades dos municípios na adoção de políticas locais de prevenção do crime e da violência, na mediação de conflitos e na promoção da participação social no setor, por meio de órgãos gestores próprios e das guardas municipais. - Criação e consolidação de instâncias permanentes e efetivas de promoção da gestão federativa compartilhada e da integração interinstitucional no sistema, por meio da criação de uma Câmara de Gestão e Articulação nacional do setor, de Gabinetes de Gestão Integrada nos estados e municípios e de outras instâncias gestoras similar. - Aprimoramento dos mecanismos de financiamento do setor, com a adoção de sistemas de transferência de recursos fundo a fundo entre os entes federados e de um piso salarial nacional para as instituições policiais e guardas municipais. - Consolidação do Sistema Nacional de Informações sobre Segurança Pública, Prisionais e Sobre Drogas (SINESP), reunindo informações criminais e institucionais providas por requisito legal por todos os entes federados e órgãos integrantes do sistema, conforme já previsto pela lei no 12.681/2012. - Criação de regulamentação nacional do uso da força pelas instituições policiais e de justiça criminal e atribuição à Câmara Gestora ou a outra instância adequada do Sistema Único a ser legalmente criada da responsabilidade por regular e autorizar a aquisição de armamentos letais e não letais pelos órgãos do sistema e por estabelecer protocolos de procedimentos nas relações das polícias com os cidadãos que sejam publicamente conhecidos. - Aprimoramento da matriz curricular nacional de segurança pública, de modo a torná-la mais orientada à formação para as funções práticas do cotidiano policial, ao desenvolvimento de habilidades de gestão proativa e orientada a resultados e à incorporação de práticas efetivas de cooperação interinstitucional no âmbito do sistema e com outros setores da administração pública e da sociedade, bem como para a compreensão das funções de polícia e o exercício das mesmas em uma sociedade democrática, plural e complexa. - Fortalecimento das instâncias de controle externo da atividade policial e de justiça criminal, com o cumprimento efetivo das atribuições neste sentido por parte do Ministério Público e a ampliação da autonomia e dos meios de ação das corregedorias e ouvidorias em todos os níveis do sistema. - Consolidação de mecanismos permanentes de participação, transparência e controle social como partes integrantes do sistema, por meio da criação de Conselhos de Segurança Pública nos três níveis de governo, com ampla participação da sociedade e mandatos definidos no acompanhamento, proposição e fiscalização das políticas e ações públicas no setor. O Fórum continuará assim trabalhando de maneira contínua na direção desses objetivos, defendendo-os e cooperando por sua implantação junto às instâncias governamentais e legislativas pertinentes, e promovendo a mobilização social em favor deles nos foros diversos de que participa, mantendo sempre em primeiro plano a premência da construção de uma nova realidade de segurança pública democrática e efetiva no país.   FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA   PS: A carta acima foi deliberada e formulada no VII Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em Cuiabá. Clique e saiba quem são os membros do Fórum.
Além de coordenar o Grupo de Trabalho sobre desmilitarização das polícias, que contou com a participação do Maj PMPA Francisco Celso Machado, do Sd BMPA Sandro Leal da Silva, do professor da UEPI, Jose Cruz Miranda, do representante da Associação dos Delegados do Estado de São Paulo, André Ricardo Hauy, do ex-secretário nacional de Segurança Pública Coronel José Vicente (PMESP) e do ex-secretário de segurança de Minas Gerais Luiz Flávio Sapori, participei da mesa "Criminalidade Urbana Violenta e Facções Criminais", com Camila Nunes Dias (UFABC), Carolina Grillo (UFRJ) e Luiz Cláudio Lourenço (UFBA). Na ocasião, pude transmitir as seguintes reflexões, que, de modo geral, (não) respondem à pergunta: "o que condiciona o modo de agir dos policiais frente à criminalidade violenta no Brasil?". Iniciei a "resposta" fazendo outra pergunta: Qual a relação entre as intenções político-institucionais dos governos (ou dos governantes) e a atuação das tropas policiais? Os governos, que comandam as polícias, têm intenções claras quanto ao modo de atuação das corporações policiais. Mesmo o silêncio (é preciso estar atento a ele) e a omissão frente a desmandos são orientações políticas adotadas. Sobretudo em tempos de crise institucional, onde o capital político do governante está em jogo, não é absurda a hipótese dos governos admitirem avanços autoritários das suas polícias, seja através de incentivos diretos ou indiretos. Esta permissividade geralmente elege demagogicamente um inimigo do Estado (o traficante, o menor infrator, o baderneiro, o criminoso etc), deslocando a responsabilidade por uma série de ausências e desmandos estatais para um ente que geralmente incorpora-se em uma parcela da população de classe social, cultura, sexo e características físicas bem definidas. Os policiais “caem no conto do vigário”, são manipulados pelas intenções governamentais e portanto não têm responsabilidade pelo que fazem? Ao ingressar numa instituição policial, o indivíduo se depara com a real possibilidade de utilizar-se da força contra outrem – inclusive a força letal. Este “desbloqueio” tem implicações para este sujeito, pois a esta possibilidade fundamental, complexa, da potencialidade do uso da força agrega-se toda a experiência particular do indivíduo e mais as condicionantes institucionais (da corporação policial) que serão apreendidas em sua vivência interna corporis. No âmbito da instituição policial, geralmente, no Brasil, alguns elementos influenciam o exercício do mandato policial, e seu maior ou menor alinhamento com as diretrizes governamentais: - A insegurança jurídica dos policiais: através de mecanismos formais e informais os policiais são submetidos a punições e retaliações por desalinhamento do que sua chefia (em última instância, o governo) entender como adequado. Diz o Código Penal Militar: “Art. 166. Publicar o militar ou assemelhado, sem licença, ato ou documento oficial, ou criticar publicamente ato de seu superior ou assunto atinente à disciplina militar, ou a qualquer resolução do Governo: Pena - detenção, de dois meses a um ano, se o fato não constitui crime mais grave.” Além disso, são notáveis, embora silenciosos, os casos de sutis retaliações, como transferências injustificadas, atraso na concessão de promoções etc. - A formação do “guerreiro”: Ainda persistem nas escolas policiais de formação, uma confusão sobre o modo de resolução de problemas durante o exercício do policiamento. Se foram abertos espaços para disciplinas como “policiamento comunitário” e “direitos humanos”, estas iniciativas convivem (não sem prejuízo) com a eleição de um “inimigo” que justifique a lógica belicosa de um ambiente de guerra, com toda uma cultura estabelecida – desde a estética do homem de preto ao tipo de armamento a ser utilizado. - A defasagem técnico-logística: Policiais precisam estar preparados para atirar, imobilizar, conter. Policiais precisam estar preparados para não atirar, não imobilizar e não conter. Para isso precisam de condicionamento técnico, exercícios repetitivos o suficiente para que garantam precisão cirúrgica na utilização do equipamento: que não pode faltar para o treinamento e aplicação da doutrina de uso progressivo da força. - As incongruências burocráticas: Há elementos do ponto de vista da gestão do serviço policial que impedem a consecução dos objetivos institucionais (legais) teoricamente propostos para as polícias. A fratura do ciclo de polícia e certas carências tecnológicas, por exemplo, fazem com que as ações policiais tendam ao amadorismo e à ineficiência. - A confusão na correção institucional: É preciso que as organizações policiais estejam livres de corrupções e semicorrupções. Iniciando dos escalões superiores, é preciso exigir lisura e correção. Permitir a prática de desvios é potencializar novas injustiças. É importante acentuar a necessidade de mecanismos externos de controle efetivos, pois geralmente as corregedorias internas pouco podem proporcionar de autolimpeza. O policial é integrante do corpo social, e como tal, é influenciado pelos elementos que atingem todos os indivíduos, inclusive no que diz respeito às justificações da violência. Neste sentido, há a diferença clara entre o policial e os demais cidadãos: ele precisa modular estas influências culturais pois age em nome do Estado utilizando a força. Um dos elementos notáveis em relação às influências da sociedade mais ampla no fazer policial é quanto aos desdobramentos que o “machismo nosso de cada dia” pode exercer sobre o fazer policial. Uma provocação: em que medida temos em nosso cotidiano um embate entre “machos policiais” e “machos envolvidos com organizações criminosas”? Outro ponto: as mídias são influenciadoras significativas do modo de agir dos policiais. O privilégio que os grandes veículos costumam dar à ação reativa das polícias, fortalecendo a estética e a cultura do “policial guerreiro” favorecem e fortalecem as condições deste status. A tempo: o 7º Encontro foi muito bom! O Fórum se reafirma como instância democrática de discussão sobre o tema, reunindo os diversos setores para um só propósito, construir trajetórias para a construção de um país menos violento.
A partir da próxima quarta-feira (17 de julho) ocorre em Cuiabá-MT o 7º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o maior evento anual de discussão sobre segurança pública e polícia, que reúne policiais, pesquisadores e representantes da sociedade civil em mesas, oficinas, grupos de trabalho e conferências interessados em temáticas ligadas à área. Neste ano, o tema do Encontro é "Segurança Pública, participação e cooperação regional": Com o tema “Segurança Pública, participação e cooperação regional”, o 7º Encontro do FBSP buscará repetir o sucesso de suas edições anteriores e prevemos a participação de 1000 a 1200 participantes, provenientes de todo o Brasil. Os Encontros dão centralidade ao tema da segurança pública, e em 2013 traremos as temáticas do desenvolvimento e cooperação regional, segurança durante grandes eventos, controle de fronteiras e seu impacto no crime organizado. Confira a programação! Cobertura e participação do Abordagem Policial Além de estar atento aos momentos do evento, participarei como coordenador do Grupo de Trabalho sobre "Desmilitarização das Polícias" e participante da mesa "Criminalidade Urbana Violenta e Facções Criminais", ambos na quinta-feira (18). Quem estiver acompanhando o Abordagem Policial e nossa fanpage terá novidades sobre o evento em tempo real. Ainda dá tempo se inscrever! Se estiver por Cuiabá, não perca...
Hoje nosso blog completa 6 anos de existência. Analisando em retrospectiva, estamos cada vez mais cientes de que nossos objetivos estão sendo alcançados: discutir polícia e segurança pública com um público variado, incluindo policiais, estudiosos do tema e demais interessados. Embora esta seja uma tarefa desafiadora é, também, muito satisfatória. Imprescindível citar o protagonismo dos fundadores: Victor Fonseca, Marcelo Lopes, Washington Soares e Daniel Abreu, além deste que vos escreve. Emmanoel Almeida e Sandro Mendes, inseridos posteriormente na equipe de autores, não foram menos importantes para o engrandecimento deste trabalho. Hoje o Abordagem Policial tem inquestionável destaque nacional, sendo referenciado por diversos veículos de comunicação de grande porte, e uma propagação incrível nas redes sociais. Isto nos rende mais de 10 mil visitantes todos os dias, com picos que chegam a mais de 60 mil pessoas buscando este blog para consumir nosso conteúdo. Estamos ampliando nossas conquistas. Dois novos projetos estão sendo lançados este ano, o Concurso Policial (www.concursopolicial.com.br), que visa colaborar com candidatos à carreira policial, e o Prosopolícia (www.prosopolicia.com.br), uma espécie de blog literário sobre a atividade policial. Gostaríamos muito que os leitores demonstrem nestes espaços o mesmo carinho e colaboração que demonstram ao Abordagem Policial. Finalizando, o mais importante: o agradecimento a cada um de vocês que prestigiam nossos esforços em trazer conteúdo de qualidade aqui no blog. Muito obrigado! Estamos apenas começando... :)

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