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Prêmio Polícia Cidadã 2015 premiará ações contra roubos 
Um novo Abordagem Policial 

Eventos

Volta e meia especialistas que se propõem a analisar as causas da violência no Carnaval de Salvador repetem conclusões que por vezes destoam do que é percebido por quem vivencia o calor das ocorrências no terreno. As ideias, repetidas ano a ano, podem ser refutadas com argumentos, talvez não de forma absoluta, mas com fundamentos bem alicerçados. É engano atribuir a violência entre os foliões à falta de espaço resultante da limitação estabelecida pelas cordas e camarotes. Notadamente a grande aglomeração é um fator a ser considerado na deflagração de confrontos, mas não absolutamente determinante. Há blocos sem cordas cuja passagem eleva a níveis alarmantes o número de lesões corporais, como a banda Psirico ou o Príncipe do Guettho, Igor Kannário. As letras das músicas, que incitam coreografias patentemente violentas, aliadas a um público habituado com a resolução violenta de seus conflitos cotidianos, são os ingredientes explosivos para as insaciáveis demandas operacionais que a passagem de atrações como essas provocam. Os cantores simplesmente estimulam o confronto de um público disposto a se agredir, e o resultado não tem como ser diferente. Já o trio de Armandinho, Dodô e Osmar, para exemplificar, também sem cordas, costuma percorrer todo o circuito sem qualquer briga, afinal as composições musicais não fomentam a violência e seu público está disposto a se divertir sem o uso da força contra os demais. Grande parte dos casos de violência bruta filmados pela imprensa e por particulares ocorrem entre indivíduos que já se conhecem e pertencem a grupos rivais, então a avenida surge como arena ideal para o início do combate. O folião do Chiclete com Banana, em qualquer dos 3 blocos em que a banda é atração, possivelmente é quem mais sofre pressões de todos os lados por conta do volume de pessoas em pouco espaço, mas são raros os casos de vias-de-fato entre integrantes do bloco. Logo ao lado, são corriqueiras as contendas, embaladas pelo agito do ritmo que motiva "cordeiros e pipocas" a se agredirem mutuamente, não tanto pelo espaço, escasso para todos, mas, novamente, pelos seus hábitos cotidianos e também prazer em aplicar golpes de artes marciais sobre outros indivíduos, com ou sem critério. Não é elitismo afirmar que o público mais violento é sem dúvida o das camadas sociais inferiores, boa parte inclusive com fichas policiais e antecedentes criminais, e com a presença crescente de mulheres. Onde esses grupos estão, com ou sem cordas e camarotes, a violência estará presente, e determinadas músicas e cantores serão o ponto de ignição para a reação em cadeia de agressões entre as pessoas. Um policiamento atuante, planejado e em quantidade suficiente contribui para prevenir e reprimir tais ocorrências, mas insistir que o maior problema seria o espaço físico é prova de um conhecimento limitado sobre o que ocorre no ombro a ombro entre os foliões nas ruas. Há outros clichês, como o das estatísticas no período, que geralmente não correspondem de fato à realidade, o que pode vir a ser tema de novas discussões em breve. Por enquanto, essa é a ideia sugerida.
Sempre fui um entusiasta de eventos que possibilitem a discussão da segurança pública no Brasil, sob as várias perspectivas possíveis. É uma das mais eficientes formas de renovar ideias, encontrar companheiros de ponto de vista e até mudar os entendimentos no caso de encontrar boas discordâncias. A próxima oportunidade que os brasileiros terão de discutir o tema pautados em horizontes de quem tem vasta experiência na área é no I Congresso Brasileiro de Direito e Política de Segurança Pública, que ocorre de 24 a 26 de Outubro, em Belo Horizonte. Participarão do evento estudiosos e profissionais como o jornalista e pesquisador Marcos Rolim, o ex-secretário nacional de segurança pública Ricardo Balestreri, o ex-comandante geral da PMERJ, Coronel PM Mário Sérgio, entre outros. O Congresso tem como foco o tema "Responsabilidade social e os desafios da segurança cidadã" e pretende ser um marco no debate jurídico da segurança pública no país. Uma das inovações é a possibilidade de pessoas de todo o país participarem on-line através de webconferência. Com isso, o evento tem maior visibilidade e estimula o sentimento de brasilidade e de não exclusão de interessados impossibilitados da participação presencial. Face aos desdobramentos educacionais proporcionados, o IDESP.Brasil, apoiadores e patrocinadores colaboram com a promoção da cidadania por meio de um Congresso essencialmente democrático. Vejam no banner abaixo todas as informações. Clique para fazer sua inscrição (presencial ou virtual):
- O pai policial é aquele que sai de casa sem saber se vai voltar, e não deixa de fazê-lo, pois correr este risco já faz parte do seu impulso natural, e da necessidade de sobrevivência; - O pai policial é aquele que até sente vontade de permanecer na cama quando sua esposa o abraça de manhã cedo, mas não consegue, nem pode se atrasar no cumprimento da missão; - O pai policial é aquele que vê seu filho chorar quando o vê calçando o coturno, mas precisa deixá-lo, pois os filhos dos demais cidadãos também precisam de sua proteção; - O pai policial é aquele que, apesar das ausências, tem em sua família admiradores, embora todos os dias os noticiários acusem generalizadamente sua profissão; - O pai policial é aquele que precisa explicar ao filho que, embora possa precisar matar em sua profissão, é uma pessoa boa, sensível e moderada; - O pai policial é aquele que não conta em casa as ocorrências arriscadas por que passou, mesmo que todos os problemas domésticos lhes sejam lançados à cara; - O pai policial é aquele que até admite represálias contra si mesmo, mas vive com medo de atentarem contra seus filhos e esposa; - O pai policial é aquele que tem que explicar aos filhos que a escola será interrompida, por ter sido transferido de uma cidade para outra por necessidade do trabalho; - O pai policial é aquele que vê cotidianamente filhos de outras pessoas sendo degradados, o que lhe leva a pensar no que vem fazendo para resguardar seu próprio filho; - O pai policial é aquele que geralmente não tem as melhores condições para dar a sua família - as melhores roupas, a melhor moradia, o melhor transporte etc; - O pai policial é aquele que precisa adiar o passeio com os filhos, por causa do serviço extraordinário que surgiu na última hora; - O pai policial é aquele que, após se aposentar, se arrepende de não ter dado a atenção necessária a sua família, mas mesmo assim sente uma falta enorme do seu trabalho. Parabéns a todos os pais policiais e bombeiros brasileiros, que acabam doando um pouco de sua dedicação à família para proteger a sociedade e garantir a paz!
Durante o 6° Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ocorrido entre 16 e 18 de julho de 2012, seus associados produziram a Carta de Porto Alegre com o objetivo de sensibilizar os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário em todas suas esferas para a necessidade de mudanças no Sistema Nacional de Segurança Pública: "A violência urbana persiste como um dos mais graves problemas sociais no Brasil, totalizando mais de 800 mil vítimas fatais nos últimos 15 anos e tendo um custo econômico superior a 5% do seu PIB anual. A manutenção destes altos patamares de violência traz impactos profundos na qualidade de vida da população, reforçando a perversa desigualdade social do país. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública, organização não governamental que agrega policiais, acadêmicos, gestores públicos e sociedade civil, entende que a história recente da segurança pública no Brasil tem sido de demandas acumuladas e mudanças incompletas. As instituições policiais e de justiça criminal não experimentaram, com a transição democrática, reformas significativas, sejam orientadas ao ganho de eficiência ou às exigências do regime democrático. Avanços eventuais no aparato policial e reformas na legislação penal têm se revelado insuficientes para reduzir a incidência da violência urbana. O FBSP acredita que resultados sobre este problema só podem ser obtidos mediante reformas estruturais do sistema de segurança pública e justiça criminal, bem como do efetivo comprometimento político dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Essas reformas devem envolver a construção de um verdadeiro Sistema Único de Segurança Pública no Brasil, atualizando a distribuição e a articulação de competências entre União, Estados e Municípios e criando mecanismos efetivos e perenes de cooperação entre eles; a reforma do modelo policial estabelecido pela constituição federal de modo a promover a sua maior eficiência; e o estabelecimento de requisitos mínimos nacionais para as instituições de segurança pública no que diz respeito à formação dos profissionais, produção e disponibilização de informações, uso da força e controle externo. O FBSP entende que a discussão destas reformas deve ser protagonizada pelo Congresso Nacional. Nesse sentido, sugerimos a criação de uma comissão de especialistas para propor mudanças legislativas necessárias à sua viabilização e estruturação de um pacto de prefeitos, governadores e Governo Federal em torno da efetivação prática dessas mudanças." Acesse o site do Fórum e saiba mais sobre o 6º Encontro...  
Neste sábado, 14 de julho, o Abordagem Policial completou 5 anos de existência. Esta é mais uma oportunidade de agradecermos a todos aqueles que, desde o início desta jornada, vêm contribuindo para consolidar este blog como um dos mais importantes espaços de discussão sobre polícia e segurança pública no país. Felizmente, do primeiro texto publicado para cá, a perspectiva é de crescimento: a cada dia que passa, mais usuários acessam o Abordagem com o intuito de se informar, discutir e entender um pouco mais desse universo complexo e cheio de peculiaridades. Citado em outros blogs, referência em trabalhos acadêmicos, fonte de consulta para veículos da grande mídia, guia para concursandos, noticiário de policiais e demais agentes de segurança pública - o Abordagem Policial está cumprindo missões que sequer passava pelas cabeças de seus idealizadores, eu (Danillo Ferreira), Victor Fonseca, Marcelo Lopes, Washington Soares, Sandro Mendes, Daniel Abreu e Emmanoel Almeida, todos, nos idos de 2007, alunos-a-oficial da turma Coronel PM Antonio Roque da Silva, que tinham como ambição apenas estender para outros públicos as discussões que cotidianamente eram feitas nos corredores da Academia de Polícia Militar da Bahia. Desafios? Muitos. Se manifestar publicamente sobre temas sensíveis no interior de uma corporação militar. Manter o fluxo de atualizações ao tempo em que a vida profissional e pessoal exigem tempo e dedicação. Se firmar como veículo de referência nacional sendo os autores, em sua maioria, exteriores ao eixo Rio-São Paulo. Filtrar conteúdo de qualidade e pioneiro em uma época de ampla disseminação de informações. Ao que parece, temos avançado e administrado estas dificuldades, que são bem menores que o prazer de ser referência para aqueles que são responsáveis por cerca de 12 mil visualizações diárias neste blog: nossos leitores. A todos vocês, agradecemos a confiança e a companhia, sem a qual, seria impossível continuar, com o sentimento de quem está começando, e deseja que mais períodos como o que passamos se repitam. Obrigado a todos vocês!  
Dia da mulher - flores, felicitações e sorrisos. Todos os anos a mesma coisa, é como se num único dia a sociedade se esforçasse em nos agradecer e desculpar por ser quem somos. Embora fique sempre o questionamento: qual a peculiaridade intrínseca a elas possibilita a existência desse dia? Primeiro vamos resgatar um pouquinho da nossa história. Como relacionar luta por direitos políticos, emancipação social e independência financeira a "queima de sutiãs"? O ato de expor nosso corpo foi uma forma de deflagrar direitos, gritar e expor cicatrizes capazes de chocar uma sociedade que preconizava o uso do espartilho em uma mulher muda, cega e burra. A nossa história arde por memórias que nos entristece, pois, onde há falta de respeito há uma vergonha moral pautada em preconceitos. No dia 8 de março de 1857 nos Estados Unidos, na cidade Nova Iorque, mulheres reivindicavam melhores condições de trabalho num contexto em que a sociedade se industrializava e erguia as bases do capitalismo moderno. Diminuição da carga horária, equiparação dos salários e dignidade eram a pauta da luta dessas mulheres que sinalizam a transição de uma sociedade machista para uma sociedade humanizada. O desfecho foi triste - a manifestação foi debelada com violência. As grevistas foram trancafiadas no interior da fábrica e a mesma foi incendiada. Cerca de 130 tecelãs morreram carbonizadas. A adversidade dessa brutalidade decorreu de um posicionamento inesperado e seus efeitos ainda ressoam em nossa experiência feminina coletiva. (mais…)

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