Negar a condição humana para evitar a guerra? 
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Filmes Policiais

Equilibrium (2002) é um filme provocador para quem observa o mundo sob a ótica dos dilemas da segurança pública. Na estória mostra-se uma sociedade que decidiu evitar que as pessoas sentissem, com a intenção de que guerras não ocorressem mais. Para isso foi inventado um medicamento que deveria ser aplicado algumas vezes ao dia em todos os cidadãos (mesmo as crianças), fazendo com que deixassem de cultivar sentimentos. Sem sentimentos não há ódio, raiva, temor, inveja, ambição ou medo - e por isso não há guerra. Mas também não há amor, alegria, entusiasmo, prazer, compaixão. Para que a sociedade funcione nesse modelo, surge a necessidade da extinção de toda e qualquer obra de arte. As relações sexuais resumem-se às necessidades de procriação. As atitudes são padronizadas, os objetos monocromáticos, as relações interpessoais são procedimentos técnicos. Não somos capazes de fazer com que os conflitos não ocorram. Mas temos o potencial de reduzir os danos dessa consequência natural dos sentimentos humanos. No contexto do filme, cabe à polícia identificar e reprimir a manifestação de qualquer sentimento. Para evitar a guerra. É importante refletir sobre o "fazer polícia" a partir dessas premissas, e avaliar o quanto somos afetados pela obsessão de alcançar uma paz inócua, que nega a condição humana em sua essência. Será que, fugindo da complexa e quase artesanal necessidade de mediar os pólos em que oscilam a vivência humana, não estamos orientando o "fazer polícia" como que querendo um "equilíbrio" sem sentido? Em um trecho de Equilibrium uma das personagens diz que "sem sentimentos, respirar é apenas o contínuo 'tic-tac' de um relógio". Se rechaçamos uma sociedade em que as pessoas se reduzem à condição de relógios precisamos pensar a atuação policial como uma presença mediadora, consciente da complexidade do ser humano. Não somos capazes de fazer com que os conflitos não ocorram. Mas temos o potencial de reduzir os danos dessa consequência natural dos sentimentos humanos.
A PMBA volta às telas dos cinemas em mais um filme.  Há alguns anos foi retratada no clássico “Ó paí, ó” como instituição composta por homens que são “como papel higiênico: quando não estão enrolados, estão na m...”, nas palavras de um personagem. O roteiro apresentava um PM que aceitou recompensa de comerciantes para matar menores infratores que agiam no Centro Histórico. Tempos depois, “À beira do caminho” mostra uma abordagem da CIPE-Caatinga onde, na busca feita em um caminhão, um revólver deixa de ser apreendido, pois estava sendo portado por uma criança que não foi revistada. Chegou a vez de “Trampolim do Forte” mencionar a Polícia Militar da Bahia. Encarnada nas figuras do Cabo Cassiano e Cabo Consciência, a corporação surge logo no início do filme, não sendo simbolizada por viatura padrão ou brasão institucional, mas valendo-se da inconteste representação do uniforme. A primeira cena mostra o Cabo Consciência dormindo no comando de uma guarnição, com seu parceiro encontrando alguma dificuldade para acordá-lo e atender a ocorrência envolvendo um menor. Instantes depois, a dupla espanca uma criança e subtrai o dinheiro que ela havia obtido por via criminosa. Após algum tempo, os dois são vistos novamente juntos, fardados, negociando um volume de maconha com um criminoso. Há tempo ainda para uma nova aparição, em abordagem violenta contra o infrator mirim, e o gran finale fica por conta da imagem de falso herói do Cabo Consciência. O enredo gira em torno do suspeito Tadeu, que violentava menores em Salvador. Um dos infratores o encontra em flagrante, atira contra o acusado, mas quem recebe homenagens como autor da façanha na mídia é o Cabo Consciência. Antes que o fervor das paixões tome conta das discussões, defendendo cegamente a honra da instituição ante ao que, para alguns, é uma ofensa grave, é preciso observar se o modo como a corporação foi retratada não é algo sintomático. A arte imita a vida, colhe-se dessas formas de expressão uma referência de como o órgão tem sido visto por muitos de fora, algo imprescindível para escapar da questionável impressão que a propaganda oficial acaba induzindo a crer. Quantos são os Cabos Consciências em meio à tropa? O que tem sido feito para combatê-los, livrando os bons servidores do comparativo com uma referência tão desprestigiosa? Em vez de encarar a realidade, vai ter gente querendo retaliar os produtores, como se estivessem encenando um devaneio.
"O que pensou? Que é um policial comum? Você é nosso produto. E nosso produto não pode se voltar contra nós, pode?" Um policial perfeito, exato, que não se excede nem se esquiva de suas funções, um policial que não se cansa nem possui necessidades emocionais, um policial que não precisa de salário e que não morre. Enfim, este é o Robocop, o policial do futuro, uma criação cinematográfica clássica, lançado em 1987, que divertiu muitos espectadores atentos às suas três versões (Robocop, 1987, Robocop 2, 1990, e Robocop 3, 1993). Ao reassistir a primeira versão da trilogia, me dei conta da grande metáfora policial trazida pelo filme, que é mais profundo do que o que pensa o público que procura meramente diversão em Robocop. Na verdade, o filme antecipa uma discussão trazida atualmente pelos brasileiros Tropa de Elite e Tropa de Elite 2, não sendo à toa o convite ao Diretor José Padilha para direção da quarta versão de Robocop. Robocop, com a citada perfeição, é o modelo de policial escolhido para solucionar a questão da criminalidade em Detroit. A empresa gestora da polícia, a OCP, sigla de "Omni Consumer Products", pretende criar um empreendimento para refundar as estruturas da cidade, mas só poderão fazê-lo após reduzirem o problema da criminalidade. Na ânsia das suas intenções capitalistas, a OCP testa soluções imediatas para a violência, e acaba chegando ao Robocop, um robô meio-humano criado a partir do corpo de um policial tido como morto em uma ocorrência, Murphy. (mais…)
Um dos adágios mais populares na nossa sociedade é o que diz mais ou menos assim: a vingança é um prato que se come frio. Essa máxima popular, ou parte dela, serve de mote para um filme denso, forte e violento, mas nem por isso menos belo e sensível. O diretor francês Daniel Grou, inspirado no também ótimo livro de Patrick Senecal, reaviva dando imagens e cores (nem tantas cores assim...) ao romance. Les 7 Jours Du Talion - 7 Dias (2010), é um filme que com certeza não faz parte da filmografia policial tradicional, com tiros pra todos os lados, perseguições desenfreadas e efeitos especiais que só Hollywood sabe fazer, aliás, este nem ao menos é um filme americano, apesar de não correr no circuito independente/alternativo aos quais costumo garimpar filmes, ele não deixa de ter uma pecha indie. Na verdade esse thriller francês fala de vingança! Vingança cega, vingança colérica, vingança fria... Vingança. Estou-o citando aqui mais pela lição que passa do que por ser propriamente um filme policial. Nele veremos a história de Bruno Hamel, um bem sucedido cirurgião que mora em uma bela e confortável casa com a sua esposa Sylvie, e a sua filhinha Jasmine de oito anos. Eles vivem uma vida normal, até a tarde em que sua filhinha é estuprada e brutalmente assassinada. Daí segue-se as acusações de praxe, as perguntas corriqueiras e invariavelmente sem respostas, e o inconformismo silencioso com a situação quando da prisão do assassino, Hamel passa a lidar diferente com sua dor. Então planeja a captura do "monstro" e a forma de fazê-lo pagar pelo que fez a sua garotinha. (mais…)

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