PMBA cria iniciativa semelhante a “Doutores da Alegria” 
PMs doam tablet a garota vítima de roubo (de um tablet) 
Durante a crise, empresas de segurança privada crescem no Brasil 

PMBA

  Seria muito bom se a ação da polícia pudesse eliminar todos os danos causados por um ato criminoso. Como isso não é possível, cabe ao policial ter o máximo de sensibilidade e dedicação àqueles que foram lesados em seus direitos. Nesta semana, policiais militares baianos, do município de Paulo Afonso, tiveram uma bela iniciativa por entender justamente a dor de uma garota de 14 anos que foi roubada. Com o desespero da jovem que perdeu seu tablet, os PMs resolveram surpreendê-la doando um novo. Entenda melhor os detalhes, publicados na página do Facebook da PMBA: Quando uma equipe do Grupamento Tático Móvel do 20º Batalhão de Polícia Militar (Paulo Afonso) foi chamada para constatar uma ocorrência de roubo na Sexta-feira Santa (3), no bairro Tancredo Neves II, não imaginava que a vítima seria uma adolescente de 14 anos, com problemas cardíacos. A jovem estava muito nervosa devido ao roubo de um tablet usado para estudo e lazer. Sensibilizado com a situação, um grupo de policiais militares deu de presente à vítima um novo equipamento. “Os policiais fizeram buscas na região, com o objetivo de capturar o assaltante, mas não obteve êxito. Como a garota estava emocionalmente abalada, não conseguiu passar informações do criminoso (altura, cor da pele, porte físico, vestimentas, entre outras) com clareza”, explicou o comandante do 20º BPM, tenente-coronel Bruno Lopes Sturaro. De acordo com ele, “as equipes ostensivas estão em alerta” e “o pessoal da inteligência se encontra atento para a possibilidade do tablet ser vendido no mercado negro”. O comandante também parabenizou a atitude da equipe, ressaltando que “essas ações aproximam a polícia da comunidade e ampliam a credibilidade da instituição”. Algumas pessoas até brincaram perguntando se, no caso de um roubo de carro, haveria policiais para doar um novo. O certo é que, caso tivessem condições financeiras para isso (como alguns figurões brasileiros), boa parte dos policiais que se sensibilizassem com situações parecidas fariam questão de ajudar a qualquer vítima. Algo maior - a vida - a tropa já coloca em risco.
A PMBA volta às telas dos cinemas em mais um filme.  Há alguns anos foi retratada no clássico “Ó paí, ó” como instituição composta por homens que são “como papel higiênico: quando não estão enrolados, estão na m...”, nas palavras de um personagem. O roteiro apresentava um PM que aceitou recompensa de comerciantes para matar menores infratores que agiam no Centro Histórico. Tempos depois, “À beira do caminho” mostra uma abordagem da CIPE-Caatinga onde, na busca feita em um caminhão, um revólver deixa de ser apreendido, pois estava sendo portado por uma criança que não foi revistada. Chegou a vez de “Trampolim do Forte” mencionar a Polícia Militar da Bahia. Encarnada nas figuras do Cabo Cassiano e Cabo Consciência, a corporação surge logo no início do filme, não sendo simbolizada por viatura padrão ou brasão institucional, mas valendo-se da inconteste representação do uniforme. A primeira cena mostra o Cabo Consciência dormindo no comando de uma guarnição, com seu parceiro encontrando alguma dificuldade para acordá-lo e atender a ocorrência envolvendo um menor. Instantes depois, a dupla espanca uma criança e subtrai o dinheiro que ela havia obtido por via criminosa. Após algum tempo, os dois são vistos novamente juntos, fardados, negociando um volume de maconha com um criminoso. Há tempo ainda para uma nova aparição, em abordagem violenta contra o infrator mirim, e o gran finale fica por conta da imagem de falso herói do Cabo Consciência. O enredo gira em torno do suspeito Tadeu, que violentava menores em Salvador. Um dos infratores o encontra em flagrante, atira contra o acusado, mas quem recebe homenagens como autor da façanha na mídia é o Cabo Consciência. Antes que o fervor das paixões tome conta das discussões, defendendo cegamente a honra da instituição ante ao que, para alguns, é uma ofensa grave, é preciso observar se o modo como a corporação foi retratada não é algo sintomático. A arte imita a vida, colhe-se dessas formas de expressão uma referência de como o órgão tem sido visto por muitos de fora, algo imprescindível para escapar da questionável impressão que a propaganda oficial acaba induzindo a crer. Quantos são os Cabos Consciências em meio à tropa? O que tem sido feito para combatê-los, livrando os bons servidores do comparativo com uma referência tão desprestigiosa? Em vez de encarar a realidade, vai ter gente querendo retaliar os produtores, como se estivessem encenando um devaneio.
Não há razão para manter Marco Prisco, vereador de Salvador-BA e coordenador da Aspra-Bahia preso. Aliás, é preciso se questionar inclusive qual a justificativa para a prisão ter sido realizada após o acordo firmado entre o Governo e a categoria policial-militar da Bahia, dando fim à greve. A medida radical passou a impressão de que o acordo foi desfeito, e gerou mais animosidade e inquietação. Lembro o que disse em recente texto aqui no blog, sobre a possibilidade da prisão ter sido fruto de alguma estratégia política: De qualquer modo, no fim das contas, a prisão de Prisco foi a maior propaganda eleitoral que um candidato a deputado poderia ter. Se houve alguma pretensão política na prisão, o tiro saiu pela culatra, pois o maior beneficiado foi o próprio Prisco – apesar de todo o constrangimento e traumas que uma prisão impõe. A situação piorou, beirando à exposição da vida do ex-policial militar, que foi encarcerado no presídio de Segurança Máxima da Papuda, em Brasília, onde estão vários autores de crimes comuns. Segundo a Aspra, Prisco passou por um princípio de enfarto após ser ameaçado por presos: O vereador diretor da ASPRA, soldado Prisco infartou após tentativa frustrada de fuga de internos do Presídio Federal de Papuda, no início da noite deste sábado (03/04). Conforme informações do advogado Leonardo Mascarenhas, o edil sentiu fortes dores no peito e está sendo tratado pela médica plantonista da UPA, São Sebastião, como vítima de infarto, após ser ameaçado de morte pelos internos e ser …acusado de “informante”. Os agentes federais conseguiram impedir a iniciativa e, conforme informações, outros presos passaram a ameaçar o edil por acreditar que, por ser representante de policiais militares, teria indicado a iniciativa de evasão para os federais. Temendo ser vítima de violência, o vereador ficou nervoso e passou a sentir fortes dores no peito, sendo encaminhado à UPA, São sebastião. Na unidade médica, o advogado Leonardo Mascarenhas foi informado pela médica plantonista de que o vereador está sendo tratado como caso de infarto e a unidade médica não tem condições e atendê-lo da forma adequada. “Mais uma prova de que o local onde ele está custodiado não é adequado. Ele precisa ser transferido urgente”, afirmou o advogado Leonardo Mascarenhas. No mínimo, é preciso que a Justiça conceda prisão domiciliar ao vereador, em respeito à sua condição de saúde e ao fato de ser uma liderança entre os policiais, algo que pode gerar riscos em uma prisão com autores de crimes comuns. Se o receio da Justiça, ou de quem quer que seja, é que a Polícia Militar da Bahia pare durante os jogos da Copa do Mundo, esse parece ser um temor leviano, pois não há no cenário força estratégica para realizar um movimento como este último. Ao contrário, manter Prisco preso, possibilitando uma tragédia a qualquer momento, isso sim pode ter consequências desestruturantes e sem controle. Que a Justiça tenha essa sensibilidade...
Na última terça-feira os policiais militares baianos decretaram um movimento grevista que fez paralisar a prestação do serviço de policiamento em grande parte do estado. Diferentemente do que ocorreu em 2012, o movimento teve ampla divulgação na imprensa, com direito a cobertura ao vivo por parte de alguns veículos e pronto reconhecimento por parte do Governo do Estado assim que a greve foi declarada. Dessa vez, além dos praças, os oficiais representados pela Associação Força Invicta aderiram à paralisação. Como de costume em eventos trabalhistas que geram danos à sociedade, principalmente quando se trata de policiais militares, as justiças (Estadual e Federal) decretaram a ilegalidade do movimento, estabelecendo multas para as entidades representativas. Apesar disso, o Comando da PM, representantes do Governo e da Assembleia Legislativa permaneceram em diálogo com as lideranças. Em uma dessas negociações, o Tenente Coronel PM Edmilson Tavares, presidente da Associação dos Oficiais, expressou sua contrariedade em relação ao tratamento dispensado pelo Governo aos policiais militares: httpv://www.youtube.com/watch?v=dPqYuIVfIqQ Após idas e vindas no processo de negociação, na quinta-feira, um consenso foi alcançado, e um acordo foi firmado entre o Governo e as Associações em torno das seguintes medidas: -  Aumento da CET dos praças na proporção de 25% para os praças em função administrativa, 45% para os praças operacionais e 60% para os praças motoristas e RTI para os oficiais, com atualização da Lei; - Retirada, para nova discussão, da proposta do Código de Ética e rediscussão das propostas do Estatuto e Plano de Carreira, os quais devem ser encaminhados com a máxima urgência à Assembleia Legislativa da Bahia; - Rever os processos administrativos disciplinares relacionados à mobilização de 2012 com vistas a reforçar o acordado naquele momento e suspender as possíveis apurações que visam apurar as faltas administrativas que não se constituem crime decorrentes da paralisação de 2014; - Regulamentar o artigo 92 do Estatuto dos Policiais Militares (direitos dos policiais militares) nas bases a serem negociadas com o Governo do Estado, Associações e PM; - Manter as conquistas já anunciadas pelo Governo. O acordo foi ratificado pela categoria, que aprovou em assembleia geral tudo o que foi oferecido pelo Governo. Após a tempestade, o momento era de olhar para frente e permanecer em negociação produtiva em torno dos pontos em aberto. Como afirmou o Comandante Geral da PM, uma semente estava plantada: httpv://www.youtube.com/watch?v=zmg6T_5BVlo Nesta Sexta-Feira da Paixão, entretanto, uma desastrada decisão judicial foi cumprida contra o vereador de Salvador Marco Prisco, um dos líderes do movimento reivindicatório. A decisão determina a prisão preventiva de Prisco em presídio de segurança máxima: Como o mais ingênuo analista político poderia prever, a prisão de uma das lideranças do movimento em presídio de segurança máxima (o mesmo em que está preso José Dirceu) acirrou os ânimos da tropa, e até se fala em nova greve  e na quebra do acordo firmado pelo Governo. Neste momento a categoria precisa ter calma e analisar estrategicamente a viabilidade de uma nova paralisação. Sem a articulação das lideranças, sem organização logística, jurídica e política corre-se o risco de expor aqueles que se arvorarem emotivamente pela libertação de Prisco. Talvez a simples solicitação do habeas corpus seja a medida mais adequada para findar o impasse. Iniciar uma nova greve significa ter que reivindicar novas anistias, algo mais difícil com as lideranças desarticuladas. De qualquer modo, no fim das contas, a prisão de Prisco foi a maior propaganda eleitoral que um candidato a deputado poderia ter. Se houve alguma pretensão política na prisão, o tiro saiu pela culatra, pois o maior beneficiado foi o próprio Prisco - apesar de todo o constrangimento e traumas que uma prisão impõe.
Devemos soltar fogos pela extinção da detenção como sanção disciplinar na Polícia Militar da Bahia. Já comentei muito sobre o assunto aqui no blog, principalmente neste post, e disse que "prender profissionais por faltas administrativas é antidemocrático, ineficiente, oneroso e tem conseqüências nefastas para o presente objetivo de formar polícias cidadãs". Também sugiro o texto do Capitão PMBA Rosuilson, "O corpo como alvo da sanção disciplinar e suas consequências" para entender porque prender profissionais por falhas profissionais em pleno século XXI é um erro. Se o fim da prisão administrativa foi um grande avanço, algumas transgressões disciplinares incluídas no Código de Ética estão bastante desalinhadas com aquela medida, e precisam ser rediscutidas e reconsideradas. Alguns exemplos são transgressões que se referem à liberdade de expressão, desconsiderando a condição cidadã dos policiais - que podem votar mas, caso o código seja aprovado tal como está, não podem criticar autoridades políticas: LXXII - desconsiderar ou desrespeitar, em público ou pela imprensa, os atos ou decisões das autoridades civis ou dos órgãos dos Poderes Executivo, Legislativo, Judiciário ou de qualquer de seus representantes (Se esse inciso estivesse em vigor uma apuração disciplinar poderia considerar esse post, por exemplo, uma transgressão, por "desrespeitar" alguma autoridade). Alguns outros incisos tem o mesmo teor e devem ser urgentemente colocados em discussão: XXII - divulgar comentários maliciosos e criticas indevidas em desfavor de militar estadual, seja verbalmente, por escrito, pela internet, por telefonia ou qualquer outro meio eletrônico; (Qual o conceito de "crítica indevida"?) LXIX - autorizar, promover ou participar de petições ou manifestações de caráter reivindicatório, de cunho político-partidário, religioso, de crítica ou de apoio a ato de superior, para tratar de assuntos de natureza militar, ressalvados os de natureza técnica ou científica havidos em razão do exercício da função militar estadual; (Confesso que fiquei confuso com o real significado desse trecho. Seria preciso esclarecê-lo). Outras transgressões são desnecessárias e draconianas, como a que fala sobre "fumar em local proibido" e "contrair dívida ou assumir compromisso superior às suas possibilidades expondo o nome das Instituições Militares Estaduais", como se a contração de dívidas fosse sempre uma inclinação leviana por parte de quem acaba não podendo cumprir certo compromisso financeiro. Por meu posicionamento ideológico me coloco veementemente contra esses dispositivos, e acredito que os representantes da categoria devem rediscutir e propor mudanças ao projeto de Código de Ética apresentado pelo Governo. O Deputado Estadual Capitão Tadeu, que recepcionará qualquer projeto de lei na Assembleia Legislativa, afirmou em seu perfil no Facebook que "O Comandante apresentou a proposta dele; Nós representantes da classe policial apresentamos a nossa proposta; O governo apresentou a proposta dele. Vamos agora exigir novo encontro para ajustes gerais". O próprio Comandante Geral já afirmou que mudanças podem ser feitas no que foi apresentado. Vamos acompanhar e discutir cada ponto desse.
Após meses a fio se debruçando sobre as possibilidades arquiteturais da estrutura da Polícia Militar da Bahia, o grupo de trabalho de modernização da instituição teve a resposta do Governo a respeito do que foi aprovado ou não, para posterior encaminhamento para a Assembleia Legislativa. Em resumo, tendo como fonte um texto publicado pelo Comandante Geral da PMBA no Facebook, as seguintes propostas estão no pacote aprovado pelo Governo: "CARREIRA E PROMOÇÃO - As atuais normas para promoção serão extintas, centralizando os dispositivos que tratam do tema em uma nova Lei de Promoções, com diminuição dos interstícios e garantia da regularidade e transparência no processo de promoção; - Visando valorizar e bem empregar as formações acadêmicas dos policiais militares, será criado um Quadro Especial, em substituição paulatina ao QOAPM, com promoções ocorrendo até o posto de tenente coronel, com a abertura de 670 vagas para 1º Tenente PM, 184 vagas para capitães PM, 24 para majores PM e 09 para tenente coronéis PM – vagas que serão preenchidas exclusivamente por praças de carreira da Polícia Militar; - As vagas de promoção para cabo PM não terão mais a exigência do Curso de Formação, sendo que teremos mais 6.400 vagas para cabo PM, 648 de sargento PM e mais 500 de subtenente PM; - Passaremos a ter reserva compulsória com 35 anos de serviço, com regra de transição em 5 anos; - As policiais e bombeiras militares femininas alcançarão o direito de ir para a reserva com vinte e cinco anos de efetivo serviço prestado, uma medida pioneira que destaca a PMBA entre as polícias militares brasileiras. ÉTICA E DISCIPLINA - Será criado o Código de Ética, tendo como uma das principais mudanças a exclusão do rol de punições disciplinares a pena de detenção administrativa, que será substituída pela suspensão por até 90 dias; REESTRUTURAÇÃO - Será feita a desvinculação do Corpo de Bombeiros em relação à Polícia Militar, garantindo sua independência administrativa e financeira, um grande sonho do efetivo BM há anos almejado que, finalmente, vai ser realizado; - Serão criadas mais unidades administrativas e operacionais, entre elas as Bases Comunitárias de Segurança, que passarão a ser efetivamente unidades orgânicas da Polícia Militar." Não há como negar que mudanças históricas estão incluídas entre as propostas, principalmente a emancipação do Corpo de Bombeiros - medida já adotada na maioria dos estados do Brasil -, a concessão da reserva remunerada às policiais militares femininas aos 25 anos de serviço - algo que, ao que parece, apenas o estado de Goiás já implementou - e a extinção da detenção como medida disciplinar administrativa, que concede dignidade à prática disciplinar na corporação. As entidades representativas emitiram seu parecer a respeito de cada um dos tópicos (os presentes no que foi divulgado pelo governo e os ausentes): Após a apresentação das propostas  feitas pelo Governo do Estado da Bahia acerca do projeto de Modernização e Restruturação da Polícia Militar da Bahia na noite desta quinta-feira, 10, as entidades representativas dos policiais militares baianos e parlamentares representantes da Segurança Pública, vêm a público fazer os seguintes esclarecimentos: PONTOS NEGATIVOS: 1. Infelizmente o governo não apresentou a proposta sobre remuneração; 2. A lei continua sendo desrespeitada em relação aos policiais e bombeiros militares inativos e viúvas, no que se refere a paridade salarial entre ativa e reserva; 3. O art. 47 da Constituição Estadual que estabelece isonomia entre as carreiras do sistema de Segurança Pública não está sendo respeitado; 4. As vagas criadas para dar fluidez à carreira dos oficiais e praças não são suficientes para atingir os objetivos propostos pelas associações; 5. Aumento do interstício do posto de Ten de 04(quatro) para 05(cinco) anos; 6. Quadro Especial de Oficial (atual QOAPM), para Sgt e ST da forma proposta, não atende aos anseios da tropa; 7. Suspensão por até 90(noventa) dias. (É muito tempo para deixar um trabalhador sem salário). PONTOS POSITIVOS: 1. Independência e emancipação do Corpo de Bombeiros; 2. Reserva remunerada aos 25 anos para as militares estaduais e policiais civis, (não ficou explicitado se contará o “posto imediato” e a contagem em dobro da licença premio não gozada); 3. Fim do curso de formação de cabo; 4. Fim da penalidade de cerceamento da liberdade. Desta forma, como o governo apresentou apenas um resumo das propostas e comprometeu-se apresentá-las detalhadamente nesta sexta-feira, 11, às 10h,  ressaltamos que iremos  aguardar  o término das explanações para fazermos uma análise mais aprofundada a qual será divulgada imediatamente. Por fim, destacamos que a modernização debatida e apresentada pelas associações durante o GT-PMBA,  não foram atendidas. Salvador, 10 de abril de 2014. ENTIDADES REPRESENTATIVAS DE POLICIAIS E BOMBEIROS MILITARES. PARLAMENTARES REPRESENTANTES DA SEGURANÇA PÚBLICA. Todo o processo de proposição do Governo e reação das entidades representativas gerou repercussão na mídia: - Bocão News - Governo apresenta propostas, entidades militares se mostram insatisfeitas; - Bahia Notícias: Associação de PMs e Governo negociam para não haver paralisação; - A Tarde: Governo apresenta plano de modernização da PMBA; - G1: Plano avança com emancipação de bombeiros; salário da PM não é foco. Como seria de supor, a questão mais delicada é a salarial, não tocada diretamente pelo Governo, que sugeriu a criação de um novo grupo de trabalho para discutir a possibilidade de implantação do subsídio, alternativa remuneratória que acabaria com os penduricalhos nos vencimentos da categoria. O Governo segue afirmando que o diálogo está aberto, e as entidades representativas pretendem discutir os temas com seus representados. A Força Invicta, por exemplo, marcou Assembleia com os oficiais no dia 14 de abril, um dia antes da Assembleia Conjunta do Wet'n Wild, com todas as associações e associados. Que a ponderação prevaleça entre as partes, e que a tropa e a sociedade tenha o mínimo de desgaste possível em todo esse processo que, desde já, é histórico.
Mais do que outras categorias, os militares parecem inexperientes, inabilidosos e até indispostos a discutir questões financeiras. O tema não é tratado como devia pela categoria, o que acaba resultando em perdas coletivas e danos institucionais. Talvez alguns enxerguem nos regulamentos um artigo invisível que transforme o assunto em indisciplina, ou estão interpretando ao pé-da-letra a passagem bíblica onde é dirigida a soldados a frase “Contentai-vos com vosso soldo” (Lucas 3:14). Desde o curso de formação, quer seja para praça ou oficial, o aspecto salarial é relegado a último plano. Um possível sinal que prenuncia essa realidade é o fato do edital para admissão de oficial PM não constar o valor em reais dos rendimentos, enquanto para a Polícia Civil os dados são detalhados para os candidatos a delegado. Nas salas de aula, é mais fácil discutir qualquer assunto aleatório do que falar sobre dinheiro, talvez por isso quase todos se formem sem entender o seu contracheque. Muita gente não tem ideia de quanto vale sua hora de trabalho, quanto pagam por uma hora-aula, qual o valor diário do auxílio alimentação, qual a base de cálculo para adicional noturno, hora extra... Enfim, o normal é observar o total bruto das vantagens e o líquido, sem entender devidamente os porquês. "Ao se reunir com pares, superiores e subordinados, o militar precisa se ver como um cidadão trabalhador, sujeito de direitos" Não há disciplinas destinadas a esmiuçar o salário que o militar percebe, tampouco para tratar de recomendações a respeito de gestão de um orçamento familiar, investimentos, aplicações... O resultado é a realidade que se vê nos quartéis, visitas constantes de profissionais oferecendo empréstimos e militares muitas vezes sufocados por dívidas. Por um lado, não entendem bem quanto ganham e nem controlam o quanto gastar, mas por outro, podem até estar recebendo menos do que o devido. Talvez a falta de sindicato contribua para o estranhamento com o tema. Na medida em que quem pergunta sobre dinheiro é taxado de mercenário, como se a conjuntura atual fosse de voluntários da pátria em tempos de guerra, todo um coletivo de servidores públicos concursados acaba sendo preterido em seus direitos. Tome-se como exemplo a realidade baiana, onde há previsão legal de isonomia entre carreiras de policiais civis e militares, escalonada de forma correspondente entre níveis, classes, postos e graduações (artigo 47 da Constituição do Estado da Bahia). Ao ser formado, o oficial PM possui nível superior e tem condições de registrar um Termo Circunstanciado, Auto de Resistência, apurar Inquérito Policial, lavrar Auto de Prisão em Flagrante, entre outras habilidades comuns às do delegado, sendo que a autoridade de um é diante dos crimes militares, e do outro nos demais casos. Ao galgar o posto de major, em média com mais de 20 anos de carreira, o oficial PM comanda unidades com até mais de 200 homens e é responsável pela segurança de várias cidades. Na carreira do delegado, ele pode iniciar em uma pequena delegacia, sem ter meia dúzia de policiais sob seu comando, cobrindo a área de apenas um município inexpressivo, e com atribuições parecidas, como visto acima. Onde está a grande diferença? Conforme a tabela de reajuste divulgada recentemente, o delegado recém-formado é mais bem pago que um tenente, capitão ou major. Os valores apresentados já são calculados com a gratificação. O desafio é compreender quais as razões convergem para esse quadro inquietante, se as acima relatadas no texto, ou tantas outras que possam contribuir para uma situação distante do ideal. Fica o pensamento para reflexão, e a esperança de que em breve algo seja modificado nesse quadro. Ao se reunir com pares, superiores e subordinados, o militar precisa se ver como um cidadão trabalhador, sujeito de direitos, que pode e deve tratar, de modo sereno e racional, dos assuntos relativos ao bolso.
Após uma reunião entre secretários membros do Governo, o Comando da PM e todos os presidentes de associações, a Assembleia conjunta de oficiais e praças marcada para a próxima sexta no Wet'n Wild foi adiada para o dia 15 de abril, visando aguardar o posicionamento do governo sobre as propostas encaminhadas pela Comissão de Modernização da PMBA. Confiram a nota conjunta das associações: Depois de uma semana de negociações das associações representativas dos policiais e bombeiros militares do Estado da Bahia com técnicos da Procuradoria Geral do Estado, Saeb e SSP, na tarde desta quarta-feira, dirimiu-se importante questão acerca do prazo legal de encaminhamento à Assembleia Legislativa dos projetos de lei de interesse  da categoria. Durante esta reunião, o Governo se comprometeu a apresentar a proposta final até o dia 10 de abril de 2014. Diante do exposto, as Associações  entenderam que a lei vigente não inviabiliza o dia 10 de abril para a aprovação das propostas sobre subsídio,  plano de carreira,  Código de Ética, aposentadoria especial de 25 anos para mulheres, autonomia para o Corpo de Bombeiros, LOB, dentre outras importantes melhorias construídas durante o Grupo de Trabalho e Modernização da PMBA. Assim, as entidades representativas de classe decidiram adiar a assembleia-geral conjunta, anteriormente prevista para o dia 21 de março,  remarcando-a para dia 15 de abril (terça-feira). Juntos, somos fortes! Unidos, somos imbatíveis! 15 DE ABRIL É O DIA "D". A decisão me parece a mais razoável e ponderada, uma vez que uma Assembleia anterior à manifestação formal do Governo poderia resultar em energia gasta desnecessariamente. De qualquer modo, o importante é o esclarecimento de que não há impedimento legal para propostas e projetos de interesse da categoria. A expectativa agora é pelo dia 10 de abril. Aguardemos!
Como já dissemos neste blog em oportunidades recentes, a Polícia Militar da Bahia vive um momento histórico, em que foi amplamente discutida a estrutura da instituição, com foco nos pressupostos de valorização dos policiais militares, que sofrem de um déficit significativo em virtude do descaso de sucessivos governos. A novidade é que, pela primeira vez na história da corporação, através da Comissão de Modernização da PM, fomos ouvidos com a oportunidade de expor razões técnicas, motivacionais e legais. Agora, surgem as expectativas: de tudo o proposto, o que será realidade? Seria um grande erro estratégico do Governo tomar a iniciativa de formar uma Comissão com o caráter propositor e ignorar as intenções dessa mesma Comissão por ele formada, com a participação, inclusive, de membros do próprio Governo. Essa é uma das razões pelas quais vale a pena estar atento ao que está ocorrendo, e, por parte dos representantes diretamente envolvidos, marcar posições visando uma negociação que chegue aos interesses coletivos. Mesmo com a pouca experiência que nós, militares, temos com as lutas sindicais, consequência da proibição legal a que estamos submetidos - em 5o anos a PMBA não realizou sequer 10 movimentos reivindicatórios - não podemos correr o risco de perder a atual oportunidade. Nesse sentido, o conceito tão conhecido de Uso Progressivo da Força é didático para entendermos como nos comportar em momentos como esse. É bom não louvar a radicalização pela radicalização, para não correr o risco da antipatia da sociedade nem a realização de um movimento reivindicatório caótico que acaba por gerar prejuízos gerais à categoria e específicos àqueles que "colocam o pescoço na forca", servindo de bodes expiatórios, como a história mostra. Por outro lado, é preciso que seja mantido o respeito aos posicionamentos e às posturas reivindicatórias dos representantes da categoria, como tem ocorrido até aqui. Atitudes repudiáveis como a tomada pela Rede Record, que censurou o vídeo publicitário que as Associações tentaram anunciar na emissora tratando do atual momento são contraproducentes e antidemocráticas. Mesmo porque o vídeo não exibe nada de "explosivo", pelo contrário: httpv://youtu.be/yOwp3hdwlls Fruto do momento de união vivido pelos policiais militares baianos, no próximo dia 21 de março, sexta-feira, às 15h, as Associações representativas realizarão uma Assembleia histórica, onde praças e oficiais estarão juntos no Wet'n Wild, em Salvador, para tratar das propostas apresentadas ao governo e rumo das reivindicações. Todos devem estar atentos aos acontecimentos, pois certamente teremos momentos históricos na Corporação nas próximas semanas.
Passado o período momesco, naturalmente o Governo anuncia sua propaganda, e sabe-se que é grande o risco de existir uma Infidedignidade das estatísticas da violência no Carnaval de Salvador, pelos motivos já expostos no texto do link em 2013. Em 2014, uma variável importante, cuja discussão é antipática a muitas pessoas, deve ter interferido de alguma maneira nas agressões físicas e atendimentos médicos: os preços baixos da cerveja no circuito. A consagração das latas de 269 ml, que são apreciadas como vantajosas por evitar que haja tempo da cerveja esfriar, não foi acompanhada por uma manutenção dos preços, mas por uma queda. Enquanto no Carnaval anterior era mais comum a venda do “latão”, com 473ml, neste ano as “periguetes” eram unanimidade, até por conta dos privilégios concedidos às cervejarias que conquistaram a exclusividade da venda nos circuitos da festa. Assim, nos primeiros dias, três latinhas de Itaipava ou Nova Schin eram vendidas por cinco reais, mas no terceiro dia começaram a ser comercializadas quatro pelos mesmos cinco reais. Alijada da disputa, a Skol foi mais além, sendo ofertada por apenas 1 real. Chegou-se ao extremo de ter tumulto em um supermercado onde a lata saía por 49 centavos apenas. Mas em que esse aspecto econômico interfere na segurança pública? Os agentes de segurança mais experientes sabem que as festas geralmente começam tranquilas, e à medida que o tempo passa (e o teor de álcool na corrente sanguínea dos participantes aumenta), as confusões acontecem, juntamente com casos de coma alcoólico. Isso é visto facilmente ao se diferenciar eventos ou camarotes onde a bebida é oferecida à vontade (open bar) ou a preços módicos (mais barato do que água e refrigerant), como o incompatível um real por lata. Assim, mais pessoas se embriagam, já que a barreira financeira praticamente deixa de existir, e o trabalho da Polícia e dos médicos aumenta bastante. Será que o lobby das cervejarias será sempre tão poderoso ao ponto de impedir que lhes seja dado o mesmo tratamento do cigarro, que tem impostos elevados, publicidade proibida e consumo desestimulado nos rótulos das embalagens? Os danos do álcool são mais do que conhecidos, é um problema crônico de saúde pública, mas nem mesmo isso evita que seja um assunto negligenciado. A venda de bebidas no interior dos estádios, por exemplo, é discutida com base nas finanças, e não na segurança. Os preços praticados não estão sujeitos a limites mínimos, o que estimula o consumo excessivo e irresponsável, trazendo danos à coletividade e prejuízo para o próprio Governo, por um lado. Não dá para se supor que a questão levantada acima seja pouco relevante. A falta de regulamentação mínima nesse sentido é o estopim para a ocorrência de cenas desagradáveis do enfrentamento entre foliões e as imagens deploráveis de indivíduos extremamente alterados chegando aos postos médicos. Difícil é ver alguma postura firme dos governantes no intuito de trabalhar para que essa parte da festa seja mais bem organizada, sujeita a limites mínimos que estimulem uma moderação.
Qualquer novidade torna-se uma estrutura ambígua: por vezes desejada, querida, exigida, por outras repelidas, temida, odiada. A novidade é um paradoxo interessante também por, ainda que viva esta ambigüidade, tornar-se necessária a própria evolução. À cultura, a novidade surge como temor, pois ela tende a desequilibrá-la; a retirar a suposta paz existente naquele meio social, naquela forma de atuar frente ao mundo. Assim podemos iniciar um estudo sobre o ingresso da mulher na Polícia Militar da Bahia (PMBA), ao saber que após 165 anos de convívio exclusivamente masculino, a Corporação recebe a determinação do Governo do Estado de inserir em seu quadro mulheres para atuar como policiais militares, a penúltima Polícia Militar do país a abrir suas portas a este segmento. O jornalista Gastão Faria, citado no texto de Moreira (1998), quando escreveu sobre o ingresso das mulheres nas corporações militares, indicou que Vá que a mulher triunfe em matéria de direitos políticos, vá que ela chegue a ser deputado, senador, cabo eleitoral. Nunca cabo das fileiras marciais (...). O sexo forte não suportaria tamanha afronta aos seus brios... Não. (...) não” (...) No dia em que ela, como soldado, formar ao lado do homem, nesse dia então o mundo não terá mais poesia. Tudo desmoronará: ambição, sonho de glória, vertigem das alturas, tudo desabará ao choque violento do desânimo. O homem não será mais o homem. (GASTÃO FARIA APUD MOREIRA, 1998). Ainda que escrito no início do século passado, o Jornalista recria uma situação atual. O ingresso feminino na PMBA se dá por uma imposição externa, não por um estudo ou desejo da Corporação, os homens que ali estavam iniciam um processo de planejamento deste ingresso, e, talvez, neste momento iniciam-se também nossos maiores problemas. São os homens com suas impressões culturais e seu adestramento militar, voltado a uma experiência sem mulheres em seus quadros, que vão decidir e planejar a “vida” da mulher PM. É possível que isto tenha auxiliado no processo de identificação da mulher na corporação. É possível que ao atrelar a suas perspectivas de desempenho às representações que culturalmente entendem como femininas, tenham prejudicado a mulher na PMBA a encontrar “seu lugar”. Ora éramos/somos tratadas como bibelôs ou as “meninas” do quartel; ora como as incapazes profissionalmente para o serviço operacional Para Campos e Rouquette (2003), representações sociais atuam como um sistema que interpreta as relações dos indivíduos com seu meio social, um guia dos comportamentos e das práticas sociais, em paralelo com a realidade da sociedade em que esta está inserida, atua também como uma função justificadora, ou seja, a representação social tem por função preservar e justificar a diferencia social, e ela pode estereotipar as relações entre os grupos, contribuindo para a discriminação ou para a manutenção da distância social entre eles. Assim, invariavelmente, uma Corporação policial militar que se compõe de pessoas que tem origem e destino na sociedade será formada e construída através das marcas culturais que permeiam aquele coletivo. Considerando que as representações sociais tendem a vir atreladas a um processo discriminatório, nesse caso, a discriminação de gênero, esta pesquisa tem o interesse de estudar a formação desta representação na PMBA nos 21 (vinte e um) anos das mulheres em suas fileiras, e as discriminações de gênero decorrentes desta trajetória, inclusive, e em especial, àquelas que este segmento vivencia de forma perceptível ou não. Como componente das primeiras turmas de Sargento e Oficial da PMBA sempre me inquietou a forma como éramos/somos tratadas. Ora como bibelôs ou as “meninas” do quartel; ora como as incapazes profissionalmente para o serviço operacional, logo precisávamos ser protegidas por todos os colegas em qualquer situação. E, talvez a minha maior inquietude é de saber que muitas de nós absorvem esse lugar (frágil) e passam a acreditar-se como tal. Como ponto de partida uma experiência singular por sua sutileza: como dito, o processo de planejamento do ingresso feminino na corporação, já que obviamente não havia mulheres em seu quadro, foi feito por homens. O uniforme, os códigos de conduta, a estrutura física de abrigo da Unidade e a atividade fim foram idealizadas e revistas por oficiais masculinos. A escolha do código fonético para identificação das comunicações via rádio para a Companhia de Polícia Militar Feminina (Cia P Fem) também foi assim. O código “Atena” foi escolhido com o argumento de tratar-se da deusa grega da sabedoria, do ofício, da inteligência e da guerra justa, logo uma imagem forte, guerreira e audaciosa que em muito se assemelhava a proposta midiática da inserção feminina nesta carreira. A companhia tornou-se a Base Atena, as policiais, conhecidas em meio aos demais, de forma coincidente ou não, como mulheres da base de Atena, as “Mulheres de Atenas”. Atenas é uma cidade grega conhecida na história por ter em seus habitantes homens fortes e guerreiros, um dos mais importantes exércitos da Grécia antiga e pela negação de suas mulheres. As mulheres gregas em geral eram despossuídas de direitos políticos ou jurídicos e encontravam-se inteiramente submetidas socialmente (Gomez, 2000). A ateniense casada vivia a maior parte do tempo confinada às paredes de sua casa, detendo no máximo o papel de organizadora das funções domésticas, estando de fato submissa a um regime de quase reclusão. Chico Buarque de Holanda e Augusto Boal, na música “Mulheres de Atenas” (1976) poetizam que estas mulheres “elas não tem gosto ou vontade, nem defeito, nem qualidade, tem medo apenas”. Considerando a possibilidade de coincidência, também se torna possível não ignorá-la: ao atrelar àquelas profissionais um simples código fonético é possível que tenha potencializado uma idéia (representação social) contida no pensamento e opinião daqueles homens que as formaram. A fragilidade, sensibilidade, resignação feminina, representada socialmente através da escrita masculina da história do mundo, constituíram-se em estratégias usadas em corporações militares possivelmente como uma ferramenta de recalque das mulheres. A força física era idolatrada e tida como impossível às mulheres; a suposta idéia de sensibilidade e a racionalidade as empurravam dia a dia a serviços de somenas importância e de pouca visibilidade. A idéia de que o emprego ostensivo da mulher era arriscado aos seus parceiros era o discurso preferido indicado nos corredores e, por vezes, introjetado nas mulheres. Um fato emerge: as policiais militares, ainda que integradas e com cargos técnicos (denominação militar) iguais ao masculino, não atuam como estes em sua plenitude De acordo com Shaffer (2005, pg 212), a adolescência pode ser entendida biologicamente como um estouro hormonal que forma o corpo adulto, é o que diferencia a forma física do homem e da mulher, antes só possível com a verificação dos órgãos sexuais externos. É nesta fase do desenvolvimento humano que a mulher arredonda suas formas e o homem enrijece seus músculos, fruto de uma adaptação biologicamente cultural da espécie humana. Indica ainda este autor que esta talvez seja a diferença central entre a força, dita masculina, e a fragilidade atrelada ao feminino, já que é nesta fase que os hormônios formulam a possibilidade de formação de músculos nos homens e desenvolvem características exclusivas da mulher (seios, menarca etc). Mas não é no corpo que se fundamenta esta diferenciação, pois ainda que a mulher tenha características físicas diversas do homem, esta mantém em si a possibilidade – tal qual o homem – de desempenhar quaisquer atividades assim que treinadas, assim como ao homem é possível o aprender dos trabalhos domésticos. Como indica Simone de Beauvoir: Os dados biológicos são de extrema importância: desempenham na história da mulher um papel de primeiro plano, são um elemento essencial de sua situação. (...) Pois sendo o corpo o instrumento de nosso domínio do mundo, este se apresenta de modo inteiramente diferente segundo seja apreendido de uma maneira ou de outra (...) são chaves que permitem compreender a mulher. Mas o que recusamos, é a idéia de que constituem um destino imutável para ela. Não bastam para definir uma hierarquia entre os sexos; não explicam porque a mulher é o Outro; não a condenam a conservar para sempre essa condição subordinada. (BEAUVOIR, 1980, 52) Logo, não é na biologia que esta discussão se encerra, o que a consolida são as impressões culturais que a circunda, são as representações sociais que a justificam. Representação Social é uma maneira em que nós, sujeitos sociais, aprendemos os conhecimentos da vida diária, as características de nosso meio ambiente, as informações que nele circulam, as pessoas de nosso relacionamento.  Este conhecimento se constitui a partir de nossas experiências, de nossas informações, conhecimentos e modelos de pensamentos que recebemos e transmitimos através da tradição, da educação e da comunicação social. Desse modo o conhecimento é, em muitos aspectos, um conhecimento socialmente elaborado e compartilhado: uma representação de nossa sociedade (SÁ, 1993) Se o meio sócio-cultural insere na mulher a fragilidade e as atribuições do cuidar doméstico, é possível entender que a representação social deste gênero estará também atrelada a estas impressões; são as experiências que vivemos que vão indicar a idéia que temos de algo. Em nossa cultura a mulher aparece como a cuidadora, a responsável pela criação dos filhos, a sensível, o sexo frágil. Historicamente a suposta inferioridade feminina encontra suas raízes exatamente nessa diferença sexual estendendo a todo seu ser e em especial a suas faculdades intelectuais, como indica Soihet (1997, p.9) ao citar que para as mulheres a inferioridade da razão era um fato incontestável, e que a estas bastava o entendimento necessário a execução de seus deveres naturais (como obedecer ao marido, ser-lhe fiel, cuidar dos filhos), sendo estas incapazes de ultrapassar o mundo da domesticidade que a natureza lhes concedeu como legado. De acordo com Moscovici citado por Sá (1995), ao se representar alguma coisa não se sabe se o que é mobilizado é um índice do real ou um índice convencional, social ou afetivamente significante; para que entendamos melhor esta idéia do objeto é importante que comecemos do começo, ou seja, que analisemos a formação cultural e os critérios sociais existentes naquela sociedade para assim entendermos porque criamos esta representação.  Para tanto, definir a submissão imposta às mulheres como violência simbólica ajuda a compreender como a relação de dominação, entendida como uma relação histórica, cultural e linguisticamente construída é sempre afirmada como uma diferença de ordem natural, radical, irredutível, universal. Este discurso trouxe efeitos devastadores à história, e não poderiam deixar de forjar a idéia do feminino hoje existente (SOIHET, 1997, 11). Esta tendência de acolhimento no mercado de trabalho das mulheres de extensão do espaço doméstico foi mantida na PMBA já no Decreto de criação da Cia P Fem – marco do ingresso feminino na corporação – que indica a prática profissional dessas mulheres, dando “ênfase à proteção de crianças, mulheres e idosos (...) suplementando ou complementando a atuação de policiais militares masculinos” (DOE 19 de outubro de 1989, DEC Nº 2905). Um fato emerge: as policiais militares, ainda que integradas e com cargos técnicos (denominação militar) iguais ao masculino, não atuam como estes em sua plenitude, não são inseridas em atividades e ações policiais, por vezes, ainda que de forma velado, por serem mulheres. Uma prática cruel ao se pensar em autonomia profissional que infelizmente também aparenta estar legitimada em algumas mulheres ao preferir estarem na condição “doméstica” da corporação que sinaliza mais de 80% do efetivo feminino[3] em atividade administrativa. Salienta-se também o processo seletivo para ingresso na Corporação que reserva apenas 10% de suas vagas ao público feminino[4], sem que exista um embasamento legal que indique isto. Um conclame à reflexão. Uma possibilidade de análise. Uma angustia profissional. Uma vontade de fazer o diferente. É assim que se consubstancia esta inquietude acadêmica despertada através dos estudos da disciplina Administração de Recursos (humanos e materiais), ao podermos vislumbrar a proposta do instituir a discussão sobre o lugar da mulher na corporação e de como esta (a PMBA) não se preparou para seu ingresso e permanência. Em um curso como de Especialização em Segurança Pública, que tem como missão preparar os futuros comandantes de unidades operacionais da corporação torna-se imprescindível prepará-los também para lidar com esta especificidade do feminino na corporação, fazendo-os pensar na mulher não como no ambiente civil (sua mãe, irmã, companheira), sim como profissional e, em assim o sendo, com os deveres técnicos idênticos aos dos homens. É este Comandante que deverá inserir esta mulher em todas as atividades, em especial a operacional, retirando aqui a estatística existente de que a mulher policial militar só atua no administrativo. É hora de refazer e fazer história. De reconstruir a trajetória feminina, mas, passando intrinsecamente pela trajetória do masculino no lidar com este segmento. Igualdade para todos como prevê a nossa Constituição, mas igualdade não pode nunca ser pensada como privilégios de gênero. Assim como o homem policial militar a mulher faz o juramento, e, em assim o sendo, sua missão é única: servir a sociedade. [2] Códigos fonéticos são códigos criados para dar celeridade nas comunicações via rádio e são escolhidos como uma forma de melhor identificação da origem das mensagens, remetendo-o a uma palavra que represente seja significativa à região ou atividade desempenhada pela Unidade Operacional da PMBA, nomes que indicam e que representam às especificidades de cada organização Trabalho Apresentado no CESP 2013. [3] Fonte: Departamento de Pessoal da PMBA, dados em 2011. [4] Idem REFERÊNCIAS SHAFFER, David R. Psicologia do Desenvolvimento: infância e adolescencia. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2005. 221p MOSCOVICI, Serge. Representações sociais: investigação em psicologia social. Petrópolis/RJ: Vozes, 2003
O ser humano merece trato digno por parte de quem quer que seja, mormente pelo Estado, que deve ser o mantenedor dos direitos desses cidadãos, uma vez que tem suas ações guiadas por comandos constitucionais que se lastreiam em ações garantistas. Mas será que todo o povo brasileiro se permite ser tratado de forma digna? Não é novidade afirmar que a população brasileira carece de boa educação, acesso à saúde, saneamento básico, e diversas outras obrigações do Estado. Muito por falta de tais garantias, a maioria dos cidadãos brasileiros é criada dentro de "Guetos de Varsóvia", e para tanto se adaptam às suas realidades, criando, além de mecanismos de auto preservação, o recíproco distanciamento de seus representantes e servidores públicos. Naturalmente se ergue a imagem de um inimigo do povo, o Estado. Dentro de seus guetos, a população vive com o pouco que tem. Aliás, sobrevive. Com tantas carências, quais são as referências de valores sociais desse povo? Com certeza são poucos os exemplos que podem ser listados. E dentre os que podem ser elencados, será que o povo conhece suas histórias? Ora, figura-se então a construção de uma sociedade sem bons exemplos de cidadania. Os problemas que cito são condições de degradação de valores sociais, mas ainda não foram suficientes para desconstruir os valores morais de cada cidadão. Entretanto, qual seria o produto de tal relação? Qual seria o produto de um povo que, apesar de sustentado em alguns valores morais ainda remanescentes, educa o seu semelhante sem qualquer noção de cidadania? Seria uma sociedade que acerta quanto ao conteúdo e peca quanto à forma? Qualquer resposta dada aqui seria eminentemente empírica, mas os diversos relatos de pessoas inseridas em tal realidade dão conta de que os processos de educação pelos quais passaram, sejam eles de cunho familiar, escolar, dentre outros, quase sempre foram acompanhados de injúrias e agressões físicas por parte de seus "educadores". Observo então tal realidade no contexto da prestação do serviço de polícia ostensiva, baseado em minha experiência profissional como policial militar, e percebo que grande parcela da população das áreas carentes reage de maneira resistente em abordagens, chegando a debochar e ou desafiar o efetivo policial quando este lhes trata de maneira urbana e educada. Quase sempre há necessidade de evolução no nível de uso da força. Outrossim, vale salientar que as aversões que relato não são exclusividade das comunidades pobres, mas nesses locais elas ocorrem por razões diversas das comunidades mais abastadas, onde o cidadão também apresenta comportamentos de resistência às intervenções policiais, mas desta vez por se julgarem fora do padrão social daqueles aos quais o serviço da polícia - em seus imaginários - se destinaria. Ao analisar tais resistências sempre me pergunto a razão de tal comportamento. Quanto às comunidades mais abastadas, não nos é forçoso identificar a motivação, uma vez que ela sempre é revelada pelos abordados, conforme já exposto. Mas quanto àqueles de regiões necessitadas? Seria a generalização do descrédito do povo para com seus servidores, ou um choque de realidade tão grande, gerada pela ausência das injúrias e agressões físicas - que sempre estiveram acostumados a suportar quando tinham contato com relações de poder - que lhes impede de reconhecer a figura do Estado em exercício do seu poder de polícia, a ponto de confundir educação com fraqueza? Qualquer que seja a resposta, somente com o fortalecimento dos valores sociais poderemos tirar a nossa sociedade do rumo da auto destruição.
O Major Estrela foi meu professor na Academia. Um dos melhores. Suas aulas descontraidíssimas ajudavam a passar o sono nos dias em que tínhamos aula após uma noite desgastante no serviço de sentinela. Todo mundo gostava - acho até que recebeu menções honrosas de várias turmas por sua habilidade cênica nas aulas. Agora seu bom humor ganhou o mundo. Circula na internet e nos noticiários baianos um vídeo do oficial dançando fardado o "Lepo Lepo", hit de sucesso da banda Psirico, que está quase garantida como música do Carnaval de Salvador. Após ser convidado pela cantora Carla Cristina, que animava a apresentação do Plano de Carnaval da PMBA, ele "se jogou" no palco: httpv://www.youtube.com/watch?v=eULwFbnlDOM Não deu outra: uma horda de defensores da "tradição militar", da "postura e compostura" e outros conceitos que assumem formas diversas de acordo com as vaidades, quimeras e conveniências pessoais, condenaram a atitude do Major, chegando a afirmar que cenas como essa "envergonham a instituição". Coisa de quem está acostumado a policiar o corpo do outro mesmo quando o outro não está atingindo ou violentando ninguém. É a lógica do preconceito, que está em quem enxerga, não em quem é visto. Ou seja: o que faz entendermos que um policial dançando é uma "vergonha"? Qual o desdobramento, para a dimensão profissional, de uma dança? Em que livro sagrado está dito que isso prejudica a prestação do serviço público de qualidade, principalmente considerando as circunstâncias do evento? Outra coisa. A dança do major é consequência natural do contexto em que o evento foi desenvolvido. O Comandante Geral da PM tem razão quando publicou em seu perfil do facebook: "Quantos de nós já não reclamamos de encontros onde nossos superiores falavam sem ouvir, horas a fio, enquanto a tropa em forma, incomodada, apenas aguardava o fim do monólogo? Os tempos são outros". Já tive vergonha de muitos policiais Brasil afora. Sinto isso geralmente quando vejo cenas de constrangimento, violência ou abuso contra o cidadão. O pior é que muitos dos protagonistas dessas cenas vivem de cara fechada, herméticos, durões. Prefiro o "Lepo Lepo" do Major Estrela, que me faz rir e ter acesso a sua humanidade descontraída.

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