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Comunicação e Polícia

Discorrendo ainda sobre as relações entre a segurança pública e a imprensa, aqui serão tratadas mais nuanças sobre tema cuja atenção não tem sido proporcional à complexidade e importância. Observações pessoais foram constadas para fins de melhor compreensão. O jornalista não só possui o direito de ter acesso a informações, como também tem a obrigação de repassá-los para a sociedade com imparcialidade e impessoalidade, já que se trata do meio mais eficiente na divulgação de dados, ocorrências, notícias que interessam à coletividade. No dia-a-dia, isso acontece de maneira por vezes conturbada, em decorrência de diversas razões. A Constituição Federal, em seu artigo 220, § 1º, versa que: “Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no Art. 5º, IV, V, X, XIII e XIV.”. Nem leis nem tampouco a Polícia devem obstruir o exercício das funções jornalísticas, o que não significa, porém, que eles gozem de prerrogativa plena e ilimitada para tal. Em outras palavras, citando o recente caso da tragédia na Fonte Nova, pude pessoalmente aplicar a razoabilidade, no tocante a essa questão, em prática: os fotógrafos, repórteres e cinegrafistas tiveram acesso a maiores informações, como também a possibilidade de captar melhores imagens em condições garantidas pela Polícia Militar, que lhes assegurou as vantagens cabíveis para a boa execução do que, como já dito acima, é seu direito e dever. Contudo, quando começaram a haver excessos, como a aproximação indevida ao local do acidente, ultrapassando o cerco de segurança, os jornalistas foram contidos pelo poder de polícia, que se ocupava em limitar aquela liberdade tanto para o benefício dos repórteres, diante do risco ao qual ficariam expostos, quanto em respeito à família das vítimas, que não aprovariam essa invasão. * * * Há repórteres renomados na área de noticiário policial, alguns demonstram interesse e conhecimento suficiente em suas reportagens, outros pecam pela carência dos mais básicos conceitos. O acompanhamento das postagens neste blog faz o leitor saber que grande parte das informações e imagens aqui apresentadas são oriundas de jornais locais, sobretudo do Correio da Bahia e A Tarde, os quais naturalmente são avaliados e pecam em alguns aspectos primordiais. Tomemos como base um fato recente, a contenção de uma rebelião na DTE (Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes) no dia 08 de dezembro de 2007. Recortando-se um trecho de interesse, observar-se-ão as discrepâncias entre o dito em cada um dos jornais, e qual seria a verdade pura: A Tarde: “...e o coordenador do COI, Jardel Peres.” “...policiais civis do COI (Centro e Operações Integradas)...” Correio da Bahia: “...além do delegado Jardel Perez, coordenador do Comando de Operações Especiais (COE)...” É lamentável ter que confirmar essa constatação, mas ambos os trechos demonstram que os jornalistas estão redondamente enganados, e desconhecem o conteúdo a que se referem de modo preocupante. É bem provável que as responsáveis pelo primeiro, e o responsável pelo segundo, o qual já escreve no noticiário policial local há algum tempo, tenham cursado longos anos em faculdades de jornalismo, cumprindo extenuantes cargas horárias, estágios, labutando por vaga em jornais renomados como são, mas pequem pela desatenção. Está à disposição de qualquer pessoa, ao menor esforço, o nome correto da unidade do referido delegado: O CENTRO DE OPERAÇÕES ESPECIAIS - COE, pertencente à Polícia Civil, comumente confundida com A COMPANHIA DE OPERAÇÕES ESPECIAIS – COE, esta da estrutura da Polícia Militar. Pode parecer irrelevante para alguns, mas para aos que atentam no assunto, a leitura fica enfadonha diante dessa demonstração de desídia e incúria. Talvez não haja esse determinismo, mas se quem escreve parece pouco se importar com a sigla, o gênero, número e grau, não basta muito para que se divulguem notícias inverídicas, popularescas ou factóides. E nesse seguimento muitos policiais comprometem suas carreiras ao serem vítimas de acusações e suposições perpetradas pela mídia, sem real direito de defesa ou resposta à altura. CORE e BOPE (RJ) COE´s (BA) Siglas e unidades bem diferentes - Fotos: Site oficial, orkut e casodepolicia É assim por aqui, e no restante do país também. A “moda” de falar sobre tropas especiais fez com que o BOPE fosse citado incontáveis vezes com a sigla errada, suprimindo-se indevidamente o significado do P em Batalhão de Operações POLICIAIS Especiais, da PMERJ, cujo E de Estado também costuma ser esquecido. Variando em ser precedido pelo artigo masculino ou erroneamente pelo feminino, o batalhão chegou a ser confundido com a CORE, Coordenadoria de Recursos Especiais da PCERJ, que também vê seu E ser desprezado indevidamente. O português costuma trazer dúvida em sua escrita, no blog Abordagem Policial não é diferente. Estamos passíveis de errar, porém a atenção não é relaxada, e sempre que se constata falha nesse sentido, a correção é procedida. Mas alguns órgãos de imprensa definitivamente não pensam assim, e prosseguem perpetuando o mau hábito de errar a nomenclatura de unidades, confundir as patentes e graduações militares, desprezar siglas, etc. * * * No tocante à veracidade dos dados, e a certeza das informações passadas, a situação não é muito diferente. Em geral, a imprensa diariamente critica a ação da polícia, sem cumprir com a parte que lhe cabe de modo satisfatório. Notícias mal formuladas podem trazer um clima de tensão e medo desnecessários à sociedade, já a omissão proposital tende a acarretar em falsa sensação de melhoria, quando a situação exigiria mais cautela nas atitudes. A maioria dos crimes que ocorrem diariamente não é noticiada, acabam por chegar ao conhecimento dos indivíduos só os delitos de exceç ão, impossibilitando uma melhor compreensão da realidade, dada a falta de outra maneira para tomar conhecimento. A função do jornalista é tão séria e delicada quanto a do policial, do bombeiro, do médico. É necessário compromisso e seriedade ao noticiar fatos carregados de emoção como os crimes, cuja repercussão pode ser inesperada e indesejada. P.S.: Agora há pouco foi veiculada em jornal local na TV Itapoan - Rede Record a primeira de uma série de reportagens sobre o BPChq, endossando tudo que foi dito acima. Logo de cara, a primeira imagem utilizada para falar sobre a COE, da PMBA, foi a de policias do COE, da PCBA, chegando para conter a rebelião na DTE. Misturaram diversas imagens de outras unidades operacionais da PM como se fossem parte do Choque, semeando a desinteligência com a verdade, propagando a ignorância à massa. A série continua durante a semana, exibida por volta das 18:45h. Contemplemos, pois.
por Danillo Ferreira"Alguns objetivos da imprensa podem ser coincidentes com os objetivos da polícia, como a orientação de seus esforços para o interesse da sociedade, principalmente quanto à melhoria de sua qualidade de vida. Mas é sempre bom lembrar que os órgãos de imprensa também constituem negócios num mercado competitivo."Cel. José Vicente da Silva FilhoSegurança Pública é um tema constante nos noticiários de qualquer parte do mundo, pela importância do tema, e pela carga de emoções que trazem os fatos a ela relacionados. Podemos dizer que tratar de Segurança Pública e, principalmente, da polícia, é a oportunidade que a imprensa tem de encarar o desrespeito à integridade da ordem pública de maneira sensata, ou até de produzir shows baseados em acontecimentos, ou pseudo-acontecimentos, que chamam a atenção por sua gravidade, não os tratando de maneira responsável. A escolha de uma ou outra maneira de comentar Segurança Pública vai variar conforme as intenções do órgão de divulgação: a primeira quando sua intenção é a "orientação de seus esforços para o interesse da sociedade", a segunda quando puramente se visam os "negócios num mercado competitivo".Não podemos negar que a imprensa possui o papel de reguladora da sociedade, mantenedora duma das principais características da democracia, a expressão de opiniões críticas referentes ao poder vigente, o contraditório político-ideológico. Além disso, os jornais e revistas têm o objetivo de informar, que é descrever fatos de importância pública sem distorções nem artifícios. Para regular esses princípios básicos da atividade de imprensa, existe a Lei no 5.250, de 9 de fevereiro de 1967, denominada Lei de Imprensa, que responsabiliza penalmente aquele que publica ou divulga "notícias falsas ou fatos verdadeiros truncados ou deturpados".* * *Não são raras as vezes em que a atividade policial é retratada de maneira maquiada na imprensa. Exemplos disso são os erros ao designar hierarquicamente ou funcionalmente um policial. Já vi notícias que confundem "Comandante de Batalhão" com "Comandante de Pelotão", o que significa confundir o comandante de mais de duzentos homens com um de mais ou menos trinta. Isto se configura, principalmente, quando se trata de imputar conduta negativa ao policial – trazendo danos ao próprio policial, à instituição policial a que pertence e à comunidade.Outro impasse que se dá na relação Polícia x Imprensa é o não-conhecimento por parte dos repórteres/jornalistas das peculiaridades da atividade policial. Conduções e abordagens tidas pela doutrina policial como legítimas, ensinadas nos cursos de formação, quando aplicadas na prática, podem sofrer retaliação por um ou outro órgão de imprensa, mesmo sem o prévio conhecimento das circunstâncias e das idiossincrasias daquela determinada atitude policial. Parece-me que os jornais deveriam ter jornalistas especialistas nas áreas em que atuam noticiando – evitando gafes e desmandos.Ainda há o problema da não assunção de maneira proporcional, por parte da imprensa, dos erros cometidos em suas matérias. Como bem escreveu Carlos Brickmann: "A acusação é feita em manchete, o desmentido precisa ser lido com lupa.". Como uma das conseqüências, talvez a mais grave, dessas irresponsabilidades que, ressaltemos, são realizadas por alguns jornalistas mais engajados na obtenção do lucro do que na evolução social. Nesse sentido, diz-nos Luiz Eduardo Soares:"[...] uma verdadeira política de segurança tem de incluir uma política de comunicação. [...] Segurança é expectativa estável, positiva e amplamente compartilhada de que há e haverá segurança. Em outras palavras, segurança é confiança."Isso nos leva a entender que pouco adianta que haja ordem pública efetiva, pois com ela deve haver a sensação na sociedade de que há ordem pública. Publicações infundadas e eivadas de erros vão no sentido oposto desta constatação: criam um sentimento de terror por vezes irreversível mesmo por ações e fatos afirmadores da paz social.

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