O policial que se coloca em uma bolha 
O extremismo no debate da segurança pública no Brasil 
Polícia Militar usa WhatsApp para interagir com a Comunidade 

Comunicação e Polícia

E o Abordagem Policial começa a superar as fronteiras nacionais: a partir de amanhã, a convite da Washington Office on Latin America (WOLA), organização norte-americana que lida com Direitos Humanos, Democracia e Justiça Social trabalhando com parceiros da América Latina e do Caribe para a elaboração de políticas nos Estados Unidos e no exterior, estaremos na cidade de Los Angeles, capital da Califórnia, para discutir, entre outros temas, o impacto da política e da opinião pública sobre a eficácia dos controles internos e externos das polícias. Iremos conhecer a experiência da polícia de Los Angeles (LAPD) na luta contra a corrupção policial, e como a instituição lida com os controles internos e externos. Além deste policial vos escreve, estarão presentes nas reuniões: - Zaira Navas, Diretora-Executiva do Conselho Nacional para a Infância e Adolescência e ex-Inspetora Geral da Polícia Nacional Civil, El Salvador; - Manuel Boluarte, ex-Diretor Geral do Departamento de Comunicação Social do Ministério do Interior, Peru; - Israel Santizo, Asessor de Segurança da Myrna Mack Foundation e ex-Coordenador Geral do Processo de Reforma da Polícia, Guatemala; - Alejandro Espriú, Coordenador dos Observatórios de Segurança e Supervisão Externa de Polícia, México; - Jairo Delgado, Brigadeiro General aposentado da Polícia Nacional, Colombia; - Ana Maria Sanjuan, Executivo Sênior do Banco de Desenvolvimento da América Latina. Agradecemos a Adriana Beltrán e Ashley Davis, da WOLA, pelo convite e a Elizabeth Leeds (WOLA e FBSP), Renato Sérgio de Lima (FBSP) e Silvia Ramos (CESeC-RJ e FBSP) pelo apoio. Nos próximos dias publicaremos aqui no blog detalhes sobre nossa participação. :)
Em setembro mostramos aqui o áudio de um programa de rádio da Band News onde o apresentador Ricardo Boechat chama de idiotas "soldados, cabos, sargentos, tenentes, capitães, majores e coronéis".  da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Não demorou muito e uma saraivada de ações judiciais foram impetradas por PMs paulistas, medida adotada inclusive pela própria instituição. Para quem não lembra, eis o áudio da matéria, que tratava da ação da polícia militar no trânsito, e a posterior réplica ao vivo de um Coronel PMESP: "Imagine-se o contrário. Um Policial Militar, ao se valer de um programa de televisão, chamasse todos os Apresentadores de telejornal de 'idiotas'" (TJ-SP) No último dia 26 de novembro, uma sentença sobre o caso foi publicada, e a Band News, juntamente com o apresentador, foi condenada a pagar R$5 mil reais a um policial militar que ficou ofendido com as palavras do jornalista: "Alegou o autor que é Policial Militar e que ficou ofendido com as declarações do requerido no momento em que este, em uma programação jornalística, ofendeu toda a hierarquia da Polícia Militar de São Paulo ao chamar todos de idiotas. Pleiteia indenização por danos morais. Na contestação a parte requerida afirmou que seu profissional fez  apenas uma manifestação genérica, em razão do que não teve o condão de ofender o autor. Quando um jornalista chama toda a cadeia de hierarquia da Policia Militar de “idiota”, acaba por ofender todos os integrantes da mesma. Claro, um Policial Militar, que tem orgulho de sua carreira, ao ouvir estas palavras, certamente ficou magoado, principalmente porque acaba por perder respeito perante as pessoas próximas e na comunidade em que vive. Respeito este essencial ao próprio exercício da função. Imagine-se o contrário. Um Policial Militar, ao se valer de um programa de televisão, chamasse todos os Apresentadores de telejornal de “idiotas”. O requerido certamente e com razão se ofenderia por estar incluído neste todo. Assim, presente está o dano moral em virtude de as declarações do requerido ter ofendido o autor. A questão da ofensa direta ou indireta, contudo, serve para quantificar o valor, pois, quando a injúria é feita de maneira direta, por certo o dano é maior . O valor de R$ 5.000,00 parece ser mais prudente do que o pleiteado, já que de certa maneira repara o dano sofrido pelo requerente, sem acarretar enriquecimento indevido, e de certa forma coíbe novas práticas abusivas da parte requerida. Desse modo, deve ser o acolhido. JULGO PROCEDENTE a ação para condenar os requeridos RADIO E TELEVISÃO BANDEIRANTES LTDA E RICARDO EUGÊNIO BOECHAT, de forma solidária, em danos morais no valor de R$ 5.000,00 (Cinco mil reais)." Confira a decisão completa do Tribunal de Justiça de São Paulo (DJE 1547) A tendência agora é que outras ações sejam colocadas, pelo menos para quem, entre os policiais militares, se sentiu ofendido. Como se vê, não se pode sair por aí falando o que quer e bem entende das polícias e dos policiais (vide o caso do jovem preso por desacato após postar impropérios contra policiais em uma mídia social na internet).
Não é de hoje que se fala que a internet favoreceu o acesso à informação e, ao mesmo tempo, precipitou uma enxurrada de produção duvidosa de conteúdo, que muitas vezes se massifica quase irreversivelmente, gerando ondas de desconhecimento. É o que parece estar ocorrendo em torno do super badalado vídeo da reação de um policial militar do estado de São Paulo contra um assaltante de moto - muitas vezes como forma de encontrar um encaixe entre a realidade e nossos próprios preconceitos. Primeiro, milhares de pessoas divulgaram um post de um blog com intenções humorísticas(?) que tinha a seguinte manchete: O tal texto se referia à Ministra da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, e dizia que, entre outras coisas, ela tinha declarado que "O pior não é nem o ato em si, a violência gratuita praticada pelo policial. O que é mais chocante é a reação das pessoas, habituadas à cultura da violência, acabam reproduzindo o discurso elitista, reacionário, neo-liberal e fascista de que bandido bom é bandido morto". Tudo mentira, que muita gente compartilhou como verdade, adicionando comentários de revolta contra esse tal "Direitos Humanos". A Ministra, e sua assessoria, esclareceram a difamação: A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) informa que a ministra Maria do Rosário solicitou à Polícia Federal criteriosa investigação e responsabilização dos autores da notícia mentirosa publicada no blog http://joselitomuller.wordpress.com/ e amplamente repercutida na internet desde ontem (15). Da mesma forma, estamos solicitando à empresa que hospeda o site que retire o conteúdo difamatório do ar. Ao atribuir falsas declarações à ministra, o blog comete um ato criminoso e fere princípios éticos fundamentais. “Sou defensora plena da liberdade de expressão, mas a manipulação é inadmissível”. O blog inventou declarações da ministra sobre o caso de um assaltante que foi baleado por um policial. “No caso específico, minha opinião é clara: o policial agiu dentro da lei”, disse a ministra. A ministra alertou ainda que a internet tem, na maioria das vezes, se tornado uma aliada essencial para democratização da informação. No entanto, não pode converter-se em um território de espionagem nem tampouco de difusão de informações que violem os direitos das pessoas. Brasília/DF, 16 de outubro de 2013. O outro "boom" de desinformação está se dando, também em relação ao vídeo da motocicleta, por causa de uma declaração prestada por um Deputado Estadual e major da PMESP, afirmando que o policial que agira no assalto ao motociclista tinha sido "punido", quando, na verdade, o policial foi encaminhado para uma avaliação de ingresso no Programa de Acompanhamento e Apoio ao Policial Militar (PAAPM), criado para cuidar psicologicamente de policiais que se envolvem em ocorrências traumáticas (principalmente aquelas com efeito morte). Para quem não conhece uma coisa chamada transtorno do estresse pós-traumático, favor acessar esse link. Após a avaliação, a PMESP entendeu que não seria necessária a participação do policial no Programa: A Polícia Militar esclarece que a ocorrência policial registrada em vídeo e amplamente divulgada, envolvendo um capitão, não está relacionada nos casos que determinem avaliação psicológica para inclusão no Programa de Acompanhamento e Apoio ao Policial Militar (PAAPM). Assim sendo, ele não será afastado de suas atividades funcionais, não frequentará o referido programa, nada mudará em sua rotina diária. O Comando da Instituição reforça o posicionamento de que as imagens mostram uma ação legítima, praticada segundo o procedimento operacional padrão. A postura do oficial, em seu horário de folga, pondo em risco a própria vida, demonstra profissionalismo e devoção à causa pública. O pior é que, como disse a professora Silvia Ramos (CESeC-RJ), vi (e estou vendo) muita gente "séria" e "esperta" compartilhando as "notícias" como se tivessem paralelo com a realidade. Infelizmente, a reparação da difamação nunca é proporcional ao agravo. Mas sigamos, pois antes viver com a liberdade correndo o risco de acidentes do que não ter liberdade, não é mesmo?
Não há como negar: as redes sociais são parte do jornalismo do nosso século. E são essenciais para quem deseja se informar para além da hegemonia dos meios de comunicação de todo o país, concentradas nas mãos de seis famílias. Não raro, nestes momentos de manifestações por todo o Brasil a conduta de policiais e manifestantes são questionadas, julgadas, condenadas ou defendidas passionalmente. Um grande Fla x Flu. Mas quem ganha e quem perde com isso? Todos perdem. Caso emblemático, a repercussão imediata dos tweets do perfil da Polícia Militar do Rio de Janeiro em julho passado é um exemplo claro. Em um dia o perfil Institucional da PMERJ “comprou briga” com a OAB, Ministério Público, alguns deputados e parte da população. Fazer críticas é errado? É crime? Obviamente, não. Mas chamo a atenção para o fato de que a PMERJ é uma instituição política, e como tal, enfrenta respostas políticas. Passados alguns dias o Comandante Geral, Coronel Erir Ribeiro, foi substituído. Ele havia assumido que alimentava pessoalmente o perfil @PMERJ. "Há algo que 'Tiago Tiroteio' não poderia se esquecer: ele é o Estado e está a trabalho." Me lembro que à época questionei as frases passionais postadas e de pronto recebi respostas, do tipo “não acho. Eu faria o mesmo. A OAB realmente atrapalha o trabalho da polícia”. Não vou entrar no mérito do certo ou errado porque pra mim, soa óbvio. Como pessoa física, postar isso no seu perfil, é uma coisa. No perfil institucional, há consequências políticas e um desgaste de imagem desnecessário para uma instituição que já anda arranhada há muito. Interessante notar que dentro da própria instituição, o perfil do @Real_BOPE_RJ tem um posicionamento completamente diferente. É alimentando por uma Capitã que tem formação em jornalismo e que responde pela assessoria de imprensa do Batalhão. Eles ponderam e mantém a imagem do batalhão a salvo, apesar da complexidade do trabalho. Policial, pessoa física? Não é tão simples. O policial, pessoa física, claro, pode postar o que bem entende em seu perfil pessoal. Somos uma democracia, por óbvio. Mas lembremos de duas coisas: somos uma democracia cuja imprensa tem poder de juiz, condena e absolve em um plim-plim; e temos corporações que cerceiam a liberdade de seus comandados, punindo-os com prisão administrativa. Lembram dos casos? Leia: Capitão PMERJ é preso por comentário no Twitter. Vamos nos deter no poder de imprensa. Vimos há pouco dois casos que ganharam grande destaque: o capitão da Polícia Militar do Distrito Federal que virou piada e mene na internet com o “Porque eu quis”, e o policial “Tiago Tiroteio”, que publicou em seu perfil do Facebook uma foto onde aparecia com um cassetete quebrado em mãos, dizendo “foi mal, fessor”. Há crime constituído nas palavras dos dois? Não. É ofensivo? Sim. É desnecessário? Completamente. Quer dizer que ele não pode se expressar? Não. Quer dizer que ele está fardado, representando o Estado, em um período onde todos os ânimos estão exaltados e os holofotes estão concentrados e por óbvio, haverá consequências. E creio, sinceramente, que as pessoas não devam se portar por medo de consequência, mas por seriedade à carreira que escolheram e à sociedade. Há algo que “Tiago Tiroteio” não poderia se esquecer: ele é o Estado e está a trabalho. Imaginem outra situação. Você, cidadão, está na fila do Detran para renovar sua carteira. Horas na fila, calor, descaso e um servidor público ergue o dedo do meio ou dá um sorrisinho – como o de “Tiago Tiroteio” na foto -  como resposta quando você reclama que está perdendo um dia de trabalho por causa da burocracia. Um sorrisinho é crime? Não. Mas você se sente aviltado pelo Estado diante dele? Vale refletir. Há quem questione, “mas na página dos ‘baderneiros’ eles postam isso e aquilo e ninguém fala nada!”. Tais paralelos são infrutíferos. Só mais um tempo do Fla x Flu. Mais uma vez façamos o exercício de pensar. Vale a pena se nivelar? A exposição tem preço? Os holofotes midiáticos estão apontados para a polícia, como deve ser. O genuíno papel da imprensa é exatamente fiscalizar o Estado. Mas lembremos: ela o faz, na maioria das vezes, como bem deseja. Não nos esqueçamos do caso da Escola Base, onde pessoas foram sacrificadas injustamente. Jornalistas que cobriram tal caso continuam trabalhando, como se não tivessem cometido um erro que devastou vidas. E neste caso, não apenas erro, mas crime. Repito, não vou entrar no mérito do certo ou errado porque pra mim, soa óbvio. Mas façamos o exercício diário de refletir sobre o conveniente, o passional, os holofotes e suas consequências. Acontece o mesmo fora do Brasil Isso não é exclusividade da polícia ou redes sociais do Brasil. O perfil da polícia de Sussex (@Sussex_Police), condado localizado ao sudeste da Inglaterra, passou por algo muito semelhante ao que passou a PMERJ, em agosto. Havia protestos e campanha anti-fracking (técnica pata extrair gás natural da terra, questionado por ambientalistas) e a polícia estava fazendo guarda junto à entrada do local da perfuração para extração. Como pode ser visto na imagem abaixo, a polícia postou “Preferimos falar com as pessoas e convencê-las sair dali do que ter de recorrer à força e fazer prisões”. Imediatamente, o internauta David Davis questionou: “Isso quer dizer que vocês estão se infiltrando nos grupos de protesto e fazendo filhos com eles?". David fazia referência às notícias recentes de que policiais ingleses se infiltraram por anos em grupos de protestantes, a ponto de se relacionarem e até terem filhos com eles. É algo como se alguma pessoa perguntasse à PMERJ sobre o uso da P2, como vimos aos montes. A resposta da polícia inglesa foi um simples “=)”. David respondeu: “Vou tomar isso como um sim! Não se preocupe, seu segredo está seguro comigo :)”. O resultado já sabem: repercussão, desgaste e debates. Abaixo segue o diálogo entre twitters: Jess:  Você está sabendo que a Polícia de Sussex apagou o “=)” que enviou a você em resposta, depois de reclamações, por completa insensibilidade? David: na verdade, não, eu não sabia. Rápido! alguém tem que chamar um jornalista do Guardian! Jess: Acho que alguém já fez isso... Jess: Eu disse que alguém tinha chamado o Guardian: http://dlvr.it/3rMvQN Clique e veja todo o diálogo! Ao ler a matéria do Guardian, vimos que os questionamentos são os mesmos, com o mesmo embasamento. "Isto não é apenas sobre causar ofensa", disse Danny Chivers, do Reclaim the Power, que foi criado na semana passada na cidade de West Sussex. "É uma visão da mentalidade da Sussex Police e do quão a sério - ou não - eles levam essas questões." Ele acrescentou: "Se seus oficiais de mídia estão rindo e fazendo piada sobre causar dor física aos manifestantes e a devastação causada ​​à vida das pessoas pelo comportamento dos policiais infiltrados, então o que dizer sobre a cultura e atitude da força policial como um todo? " A diferença está no fechamento da situação. A polícia pediu desculpas pela resposta e considerou o tweet como “inadequado”. "A resposta para este tweet foi claramente inapropriada", disse um porta-voz da força de Sussex. "Foi um erro de julgamento pessoal momentâneo sobre a natureza do cargo e o impacto que estes eventos tiveram". Admitir erros não faz uma corporação, um profissional ou um segmento mais fraco. O faz mais forte, mais respeitado e mais próximo da população.
Finalmente, após algum tempo de planejamento para a criação de um novo conceito estético e instrumental, o "novo" Abordagem Policial está no ar. Uma mudança que teve início com a percepção de que precisávamos crescer, na criação de novas perspectivas e no aprofundamento daquelas que já habitamos. Isso porque, principalmente, vivemos um período de transição na segurança pública do país, um momento em que reformas institucionais e sistêmicas são mais discutidas que nunca, e todo aquele que atua na área deve estar a par dos acontecimentos, discuti-los, critica-los, enfim, dialogar sobre tudo que está aí. Começamos com a mudança do logo, que agora não faz referência a qualquer modalidade de policiamento, mas ao diálogo, à interlocução - pressuposto para a construção de novos modelos: Equipe Agora, nosso blog conta com novos colaboradores e consultores, com diversas linhas de especialidade e experiência, visando tornar possível a produção de conteúdo original e diverso. Além dos autores já conhecidos, contamos agora com uma equipe mais ampla: - Danillo Ferreira - Autor, editor e fundador do Abordagem Policial. É tenente da Polícia Militar da Bahia e associado do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Graduando em Filosofia e porta-voz da Law Enforcement Against Prohibition (LEAP) no Brasil. Também escreve no portal www.globalvoices.org e em outros espaços na internet. - Victor Fonseca - Autor e fundador do Abordagem Policial. É tenente da Polícia Militar e estudante de Comunicação Social. Administrador e autor do blog "Blitz Policial", atualmente inativo. - Marcello Martinez Hipólito - Autor do Abordagem Policial. É tenente coronel da Polícia Militar de Santa Catarina, bacharel em Direito e autor do livro "Superando o Mito do Espantalho: uma polícia orientada para a resolução de problemas". - Luiz Alexandre - Autor do Abordagem Policial. É major da Polícia Militar do Rio de Janeiro, blogueiro e tuiteiro ativo. Por textos publicados em seu blog (hoje inativo), sofreu retaliações corporativas e sanções disciplinares. - Danilo Cerqueira - Autor do Abordagem Policial. É tenente da Polícia Militar da Bahia e fundador do grupo "Ambientanóiko", que discute segurança pública voltada para questões ambientais com policiais e militantes de todo o Brasil. É estudante de Biologia e Oceanografia. - Cecília Oliveira - Autora do Abordagem Policial. Jornalista brasileira residente em Nova York, especialista em Criminalidade e Segurança Pública pela UFMG e Law Enforcement Against Prohibition - LEAP Brasil. Administradora do blog "Arma Branca". - Rosuilson Cardoso - Autor do Abordagem Policial. É capitão da Polícia Militar da Bahia. Bacharel em Direito e militante em prol de políticas públicas na área de segurança pública. Além disso, "recrutamos" consultores em todo o Brasil, pessoas referência da área, que irão nos manter informados e esclarecidos sobre questões que ocorram em seus espectros de atuação. Duas organizações não governamentais terão espaço fixo no blog: o Fórum Brasileiro de Segurança Pública e a Law Enforcement Against Prohibition, que congregam policiais e/ou especialistas interessados nos mais diversos assuntos ligados à segurança pública. Funcionalidades Nosso novo layout é responsivo, adaptando-se às diversas resoluções de tela dos usuários - inclusive os que acessam o blog via tablets e smartphones. Para garantir maior interação, adicionamos a funcionalidade "responder" aos comentários dos leitores, de modo que passa a ser possível replicar um comentário em específico. O blog está totalmente integrado às mídias sociais - principalmente o Twitter e o Facebook. Até mesmo se o usuário encostar o cursor do mouse sobre uma imagem ou selecionar um fragmento de texto ele conseguirá compartilhar este pedaço de conteúdo nas diversas mídias sociais. Conteúdo Além do que o leitor já conhece do Abordagem Policial, pretendemos produzir textos mais aprofundados, de cunho técnico e/ou jornalístico, sempre mesclado com o viés opinativo que nunca deixaremos de exercer. Desde já agradecemos a paciência para os erros que provavelmente encontrarão em tudo isso que é ainda experimental. Dúvidas, sugestões e críticas podem ser enviadas para abordagempolicial@gmail.com Use e abuse. Estamos apenas começando! :)
Em conversa com colegas policiais, não é raro que eles denunciem no posicionamento da imprensa, e da opinião pública no geral, certo dualismo quanto aos interesses sobre o papel e o modo de atuação das polícias. Esta reclamação me veio à tona ao ler uma matéria do blog Metro1, do Grupo Metrópole, em uma seção chamada "Você Repórter", onde se vê o seguinte: O que a matéria chama de "andando de lá para cá conversando com os seguranças" costumo ensinar nas aulas de policiamento comunitário que ministro como "interação comunitária" - principalmente com seguranças particulares, que muitas vezes possuem informações relevantes sobre eventuais problemas que atinjam a segurança local. Ainda mais se tratando de um ponto notável, como uma faculdade que provavelmente possui centenas de alunos. E "tempo para um lanche na cantina"? Será que os policiais devem, ou podem, portar-se como espantalhos, sem serem autorizados a realizar suas necessidades básicas? Quando a Polícia Militar da Bahia resolveu conceder ao policial auxílio alimentação e extinguir os refeitórios nos quartéis, o que se fez foi garantir que o policial esteja, durante o serviço, 100% na rua, em interação com a comunidade. Será isto uma falha? É bom frisar que aqui não se defende a privatização do serviço público, mas critica-se a relação entre "índice de violência" e a interação social de policiais no local onde atuam - o que é feito pela publicação do Metro1. Esta relação pacífica e comunitária que parece ser praticada pela dupla de policiais é bem diferente da rispidez que algumas vezes caracteriza a ação de alguns colegas que perdem a cabeça no desempenho do serviço e exageram, como parece ser o caso do vídeo abaixo: É preciso pôr "o ponto nos is", e sermos claros em relação ao que queremos da polícia e de nossos policiais. Neste sentido, os órgãos de imprensa (que prestam serviço de natureza pública) têm fundamental papel. Esta bipolaridade atinge em cheio os próprios policiais, que se veem acuados entre afagos e reclamações em atitudes iguais. Particularmente, entendo que progredir para atitudes interativas, comunitárias, aproximadas, cidadãs e negociadas é o caminho.
Hoje nosso blog completa 6 anos de existência. Analisando em retrospectiva, estamos cada vez mais cientes de que nossos objetivos estão sendo alcançados: discutir polícia e segurança pública com um público variado, incluindo policiais, estudiosos do tema e demais interessados. Embora esta seja uma tarefa desafiadora é, também, muito satisfatória. Imprescindível citar o protagonismo dos fundadores: Victor Fonseca, Marcelo Lopes, Washington Soares e Daniel Abreu, além deste que vos escreve. Emmanoel Almeida e Sandro Mendes, inseridos posteriormente na equipe de autores, não foram menos importantes para o engrandecimento deste trabalho. Hoje o Abordagem Policial tem inquestionável destaque nacional, sendo referenciado por diversos veículos de comunicação de grande porte, e uma propagação incrível nas redes sociais. Isto nos rende mais de 10 mil visitantes todos os dias, com picos que chegam a mais de 60 mil pessoas buscando este blog para consumir nosso conteúdo. Estamos ampliando nossas conquistas. Dois novos projetos estão sendo lançados este ano, o Concurso Policial (www.concursopolicial.com.br), que visa colaborar com candidatos à carreira policial, e o Prosopolícia (www.prosopolicia.com.br), uma espécie de blog literário sobre a atividade policial. Gostaríamos muito que os leitores demonstrem nestes espaços o mesmo carinho e colaboração que demonstram ao Abordagem Policial. Finalizando, o mais importante: o agradecimento a cada um de vocês que prestigiam nossos esforços em trazer conteúdo de qualidade aqui no blog. Muito obrigado! Estamos apenas começando... :)
Atualmente não é absurdo dizer que a Polícia Militar da Bahia é uma das mais "conectadas" do Brasil: institucionalmente, através dos veículos de informação corporativos online, e informalmente, pela presença da tropa na internet, principalmente nas redes sociais, discutindo assuntos relativos a seu ofício. É difícil que um fato envolvendo a corporação não se desdobre em debate público na rede. O próprio Comando da PMBA vem se apropriando de todas as ferramentas possíveis para manifestar esclarecimentos e posicionamentos públicos: além do site corporativo e da Intranet, a corporação conta com um blog institucional, a Página Oficial do Facebook, atualmente com mais de 27 mil curtidores, e um perfil no Twitter, com mais de 4 mil seguidores. Mais: o próprio Comandante Geral conta com um perfil no Facebook, onde posta mensagens e saudações à tropa, além de receber feedback dos amigos e seguidores (segundo o próprio Comandante Geral vem dizendo publicamente, já chegou a conceder transferências solicitadas através da rede social). As associações e líderes classistas não são menos conectados. A Associação dos Oficiais da PMBA, por exemplo, conta com site corporativo e página no Facebook, e seus dirigentes, como o TC PM Edmilson Tavares e o Maj PM Hilberto Rêgo, são bastante engajados nas redes sociais. Já a ASPRA, associação de praças que tem dominado o espaço político entre a tropa, até comemorou 100.000 acessos em três meses em seu site institucional e 10 mil compartilhamentos em sua fanpage. Os políticos da categoria, naturalmente, se utilizam bastante das novas mídias para promover suas ações/opinões: o Deputado Estadual Capitão Tadeu, com seu site e seu perfil no Facebook, o Vereador Soldado Prisco, com seu blog e perfil no Facebook, além de outros vereadores e lideranças que fazem parte do cenário político da corporação. É claro: há muitos grupos, perfis, páginas e veículos descentralizados, que não são mantidos com fins institucionais - seja para a própria PMBA, seja para uma associação, seja para um mandato político. Iniciativas de policiais militares que resolvem discutir a Polícia Militar e a Segurança Pública por se sentirem provocados com o tema. Este blog, com mais de 10 mil visitas diárias, embora discuta principalmente temas de interesse nacional, faz parte desta "blogosfera policial baiana" independente. É importantíssima toda esta multiplicidade de iniciativas, com interesses, opiniões e alcance diferentes. No passado recente da corporação, ainda era difícil que os policiais militares se afirmassem com a expressão dos seus pensamentos. Felizmente hoje há (muitas!) iniciativas e possibilidades institucionais e informais de comunicação. Que esta evolução alcance - e ajude a alcançar - outras áreas.
Parece que dentro do entendimento de algumas autoridades governamentais, os policiais militares não deveriam ter direito ao voto. Pode parecer exagero a afirmação, mas, de que adianta conceder a um cidadão(?) o direito de escolher um representante político se, ao mesmo tempo, não lhe resta a possibilidade de criticá-lo e cobrar o que julgar pertinente? No Acre, um sargento foi preso por criticar o governo em sua página no Facebook. E quando policiais denunciam que vivem em regime de exceção há quem ache exagerado: O sargento da Polícia Militar do Acre, Isaias Brito, foi preso na manhã desta quarta-feira como punição por comentários considerados ofensivos na página que o governador Tião Viana (PT) mantém no Facebook. A punição de cinco dias de prisão, que será cumprida no Batalhão de Policiamento Ambiental, em Rio Branco, envolve também um comentário contra o senador Aníbal Diniz (PT-AC). Homens da Divisão de Inteligência do gabinete Militar do governador acompanham diariamente os comentários que são postados na fanpage de Tião Viana. Ao receber o "relatório de inteligência", de caráter "reservado", com os comentários do sargento, no começo de março, o corregedor geral da PM, coronel Júlio César dos Santos, determinou a abertura de sindicância para apurar a conduta do policial. O sargento fez três comentários. O primeiro quando o governador agradeceu a Deus por ter visitado o município de Tarauacá para fazer a entrega de equipamentos de trabalho no valor de R$ 5 milhões a indígenas. Isaias Brito então aparece como o oitavo comentarista do post: "bando de idiotas e pu-saco esse cidadão não merece o respeito do povo do acre. se Deus quiser vai ser cassado muito em breve pelo TSE". Posteriormente, quando o governador elogiou pronunciamento do irmão, o senador Jorge Vina (PT-AC), e se referia ao senador Sérgio Petecão (PSD-AC) como "aquele Senador, perdido, em busca de qualificação parlamentar mínima", o sargento reagiu: "Quem é o Aníbal Diniz? um poste colocado em Brasília para defender os interesses da quadrilha". O terceiro comentário do sargento foi feito quando o governador, em Brasília, anunciou que foram aprovados R$ 251 milhões para mobilidade e saneamento e agradeceu à presidente Dilma, ao prefeito de Rio Branco, Marcus Alexandre (PT), e ao senador Jorge Viana. O sargento aproveitou para criticar o programa de calçamento denominado pelo governador de Ruas do Povo. - Mais dinheiro para as ruas do povo? vai precisar mesmo afinal as ruas foram feitas no ano passado este ano já precisam ser refeitas. Eu quero ver o senhor cumprir a promessa de pavimentar todas as ruas do estado até 2014 – desafiou. Durante a sindicância, o sargento Isaias Brito negou a autoria dos comentários e apresentou um sobrinho como responsável. O policial alegou que o perfil dele no Facebook ficava aberto no computador de sua casa e que isso teria facilitado o uso indevido da rede social. O sargento, que é militante do PSDB, esperava o benefício da dúvida para não ser punido. Após a sindicância, os comentários do sargento foram considerada como "transgressões disciplinares de natureza grave", mas foi decidido que sua ficha permanece no comportamento "bom". A prisão ocorre sem prejuízo da escala de serviço. - Enquanto durar a punição será concedido o período de duas horas para cada refeição do punido. Seja posto em liberdade na parada matinal do dia 15 de abril do corrente ano – escreveu o major Roberto Marques da Silva, comandante do 3º Batalhão da Polícia Militar, onde trabalha o sargento.

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