PM de Pernambuco testa Jeep Renegade como viatura 
Coletes da PMPR passam por “recall” 
Como anda o banco de dados brasileiro com DNA de criminosos? 

Equipamentos

Quem é militar - seja federal ou estadual - sabe a importância que tem o uniforme no dia-a-dia operacional. Extendo a afirmação a outros profissionais de segurança, guardas municipais, policiais civis e seguranças particulares, que muitas vezes precisam se proteger de intempéries comuns ao serviço de rua. Boa parte desses profissionais já precisaram rastejar, transpor muros ou cercas, ajoelhar em asfaltos e calçamentos etc. Ainda há os pilotos de aeronaves e bombeiros, que se vêem com o risco iminente de ter contato com fogo em qualquer ocorrência (incêndios, acidentes), notadamente os últimos. Para todas essas possibilidades e riscos, é preciso estar com um uniforme resistente e especialmente preparado para esses tipos de situações - levando em consideração o conforto, a flexibilidade e a temperatura minimamente ideais para o desempenho da atividade. Atualmente, existem dois tecidos com ampla aceitação entre os militares, dotados de peculiaridades que ajudam a enfrentar os problemas citados acima. O primeiro é o Ripstop, popularizado na maioria das polícias brasileiras (institucionalmente ou não), por sua resistência aos rasgões, que não são raros nos uniformes comuns. O segundo é o tecido de Nomex, fibra fabricada pela empresa DuPont, que é utilizado por profissionais como pilotos de aeronaves e de carros de automobilismo, sendo altamente resistente ao calor. Neste post vamos explicar de maneira rápida qual a composição desses materiais, e o porquê de utilizá-los... O Ripstop Ripstop ("rip" é rasgão em inglês, e "stop" é parar) é todo tecido que tem em sua composição fios de nylon dispostos de maneira quadriculada, impedindo que ele seja desfiado quando rasgado. Como se vê na figura abaixo, o tecido ripstop tem fibras largas (em preto) intercaladas às fibras mais finas do tecido: O que faz do Ripstop um tecido ideal para a atividade policial é que os rasgões que por acaso ocorram no uniforme, não se alastram, ou seja, quando encontram as fibras mais largas o rasgão "pára". As fibras são feitas de um polímero que é esticado ao máximo até se tornar duro. Neste ponto o material está na sua tensão máximao, sendo então cortado em fatias muito finas para se fazer fios, e posteriormente o tecido. Furar com um prego, por exemplo, um tecido ripstop é até fácil, mas o dano ao tecido não passará do furo, já que as fibras não permitem que mais do que isso ocorra. Abaixo, veja um tênis feito de Ripstop, que também é utilizado para fabricar fitas adesivas, mochilas e balões: A Nomex A Nomex é uma fibra produzida pela DuPont, e é resistente a altas temperaturas e a descargas elétricas. O site da DuPont descreve a íntima relação do produto com a atividade militar: O tecido feito de Nomex, da DuPont, foi utilizado pela primeira vez por militares em 1965, quando a Marinha dos EUA fez um macacão de vôo utilizando nossa fibra. Hoje, a fibra Nomex é parte integrante de acessórios de pilotos e tripulantes de aeronaves, como macacões, balaclavas, coletes e luvas. Seus benefícios são inúmeros. Resistente à chama, o tecido feito de Nomex só queima enquanto houver contato imediato com a fonte da chama. Além de criar uma barreira isolante, impedindo a queima do material, a fibra de Nomex também diminui consideravelmente a transferência de calor, aumentando o tempo de permanência do usuário em um ambiente de alta temperatura. Leia todo o texto no site da DuPont (em inglês) Abaixo, uma bombeiro utilizando roupa feita de Nomex: Tecidos de Nomex são caros e geralmente são adquiridos por corporações policiais ou de bombeiros. Trata-se de uma grande invenção, primeiro pela segurança que oferece, segundo por ser um material leve e flexível. Assista este vídeo de poucos segundos, que mostra a incrível resistência do tecido de Nomex à chama. * * * É preciso que os policiais atentem para a importância da utilização de um bom uniforme, que serve não apenas para a boa apresentação pessoal, mas principalmente para a segurança e resistência ao dia-a-dia com intempéries de todos os tipos. O uniforme de Ripstop, por exemplo, respeitadas as peculiaridades regulamentares do uniforme de cada corporação, é de preço acessível, podendo qualquer profissional adquirir algumas peças. Às polícias cabe perceberem isso, e entender que este é um aspecto muito ligado à auto-estima e à motivação do policial - como algumas já fazem.
Quando se fala em bola e esporte no Brasil, logo lembramos de futebol, ou até, vá lá, vôlei. Mas existe uma modalidade esportiva que a cada dia que passa atrai mais adeptos no Brasil e no mundo: o paintball. explorando a fixação que as pessoas têm pelo combate com arma de fogo - grande parte dela oriunda dos filmes de ação/policiais -, o paintball já possui uma comunidade de admiradores, praticantes e entusiastas que chega ao incrível número de 15 milhões de pessoas. A vantagem do paintball é a possibilidade de atingir um alvo sem ferir o oponente, mas tendo a certeza de que o acertou, pois a tinta logo o denuncia. O Nascimento do Paintball Mas o paintball não surgiu como uma brincadeira, ao contrário, foi a partir da necessidade do Serviço Florestal dos Estados Unidos marcar árvores a longa distância (localizadas em margens de rios que não podiam ser transpostos, por exemplo), que a empresa Nelson Paint Company foi contratada. As pistolas de spray utilizadas à época para tal fim não resolviam o problema, dada a distância a ser alcançada nesses casos: "A idéia das bolas de tinta era que poderiam ser disparadas pelas obstruções do caminho e também uma bola de tinta disparada de um equipamento marcador de tinta teria um alcance bem maior que o de uma pistola de spray. Fazendeiros poderiam também usar as bolas para marcar gado da mesma forma. Charles Nelson matutou sobre essa idéia e inventou um projétil de tinta que pudesse ser disparado de uma arma de pressão. O projétil foi criado injetando-se tinta dentro de cápsulas de gelatina normalmente usadas como drágeas de um remédio para cavalos." Leia mais sobre a história do Paintball no site Paintballbrasil.com.br A arma de Paintball Nascida de uma idéia simples, mas genial, a arma de Paintball funciona com um mecanismo de ar comprimido, expelindo bolinhas com tinta em seu interior que, ao atingir o adversário "explodem" e sujam de tinta o alvo. A depender da arma que o praticante está utilizando, há a possibilidade de portar inúmeras munições, facilitando a realização de um confronto mais demorado. O HowStuffWorks explica bem o funcionamento das armas de Paintball: "As diferentes armas possuem diferentes sistemas de descarga, mas a idéia básica de todas elas é a mesma. Ela é armada de maneira que uma bolinha de paintball possa cair do depósito alimentador e entrar no cilindro. Então uma pequena explosão de gás comprimido é lançada no cilindro, bem atrás da bolinha de paintball. O ar comprimido empurra a bolinha de paintball por trás com muito mais força do que o ar que está do outro lado da bola, e assim ela é impulsionada para frente. Para fazer com que o jogo seja seguro, a força das armas de paintball é regulada com precisão. As armas em jogo são ajustadas para que a velocidade máxima da bola atirada seja de 91m por segundo." Leia mais no HowStuffWorks. Como praticar Paintball Para praticar Paintball, é preciso que você possua um local com espaço e segurança suficientes. Existem vários campos no Brasil (todas as grandes cidades brasileira já possuem). Geralmente o objetivo do jogo é capturar o maior número de bandeiras dispostas no campo, sem ser atingido, claro. Caso o participante de um time seja alvejado, ele ficará fora da partida momentaneamente, até que a próxima rodada se inicie. Todo o jogo é fiscalizado por um árbitro, que marca o tempo da partida e observa se algum participante foi alvejado ou não. É óbvio que existem variações no uso do paintball, ficando a cargo dos participantes, e das regras de cada campo, criar novos parâmetros para se divertir. Conheço alguns campos onde para que um time vença é preciso eliminar o maior número de componentes do time adversário. Como se vê, as possibilidades são enormes. O Paintball e a técnica policial Um uso do Paintball que particularmente nos interessa é sua aplicação no treinamento policial. A primeira grande vantagem em se treinar com armas de Paintball é o grau de realidade que elas dão à instrução policial. Realizar simulação de ocorrências com esse "brinquedo" é algo fantástico, e pode servir para avaliar bem o desempenho de um policial na prática. Já participei de treinamentos do tipo, e o nível de stress que a simulação alcança é muito próximo do real. O instrutor pode, para economizar no número de armas de paintball e para aumentar o realismo, colocar alguns componentes da ocorrência portando armas de verdade, com munições de festim. Imaginem um tiroteio onde se ouve os estampidos da munição de festim e se tem a sensação de ser atingido pelas bolinhas de tinta... Muitas polícias e forças armadas do mundo já utilizam as armas de paintball em suas academias, algo que não é muito comum aqui no Brasil. Mesmo assim, isso não impede de policiais reunirem um grupo de interessados e, sob a coordenação de um líder, realizar treinamentos que simulem possíveis ocorrências. É uma maneira interessante de se aperfeiçoar e ter contato com uma realidade que geralmente não pode ser bem simulada. Até mesmo criminosos já atentaram para as possibilidades do Paintball como ferramenta de treinamento. Em fevereiro deste ano, no Rio de Janeiro, foram apreendidas máscaras e coletes de proteção, e a polícia carioca divulgou que traficantes do Complexo do São Carlos têm um campo de treinamento de tiros no morro. Veja a matéria do Estadão: Polícia acha campo de paintball para traficantes no Rio A segurança no Paintball Assim como numa instrução de tiro comum, todo desportista de Paintball deve estar ciente dos procedimentos de segurança para a prática do esporte. Apesar de não ter poder perfurante, as bolas de paintball, caso atinjam o olho do participante, podem cegar, por isso a utilização incondicional da máscara de proteção. Além disso, é exigível a utilização de uma espécie de rolha na extremidade do cano da arma enquanto o jogo não se inicia. Ao ser atingido por um tiro, é possível que o participante fique com marcas avermelhadas no corpo, em virtude da velocidade com que as bolas atingem o alvo (quanto mais perto, maior a marca e a dor). Por isso, é importante a utilização de luvas, pescoceiras, tênis, calças, blusões etc. A maioria dos campos de Paintball possuem bares, lanchonetes ou até miniclubes em suas dependências. Trata-se de uma prática muito divertida e saudável, exigindo preparo físico e mental dos participantes. Desde as crianças de pouca idade até idosos, homens ou mulheres, podem participar da prática, bastando para isso ter disposição, espírito de competitividade e respeito aos procedimentos de segurança. Sou um entusiasta do esporte, e indico a todos como um bom programa para o final de semana.
O Jornal Hoje desta terça trouxe uma matéria tratando da 9ª Interseg, uma feira internacional de tecnologia, serviços e produtos para segurança pública, que vai até o dia 27 de agosto, em Brasília-DF. Da Taser a um equipamento que permite identificar a presença de pessoas através de paredes, a Interseg tem o intuito de promover produtos e serviços de vanguarda na área de segurança pública. Veja a descrição: "A Interseg — 9ª Feira Internacional de Tecnologia, Serviços e Produtos para a Segurança Pública é o maior evento de negócios da área de segurança pública da América do Sul e o grande palco de lançamentos do setor. Tradicionalmente a Interseg oferece aos profissionais de segurança pública uma oportunidade única para conhecer, avaliar, comparar e tirar dúvidas sobre novas metodologias e equipamentos destinados à modernização e melhor operação de suas organizações. Em 2009 o evento retorna à Brasília, centro das decisões do setor. O evento é uma vitrine importante para a sua empresa e uma oportunidade ímpar de apresentar o seu produto a quem decide. Em todas as suas edições, a Interseg é realizada em parceria com o Governo do Estado sede; neste nono ano de realização, a feira conta com a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal." São dezenas de expositores, que aproveitam o clima que a capital do país está vivendo em função da CONSEG para mostrar os lançamentos tecnológicos nos diversos segmentos da segurança. Além disso, simultaneamente à mostra de produtos, ocorre o Seminário Internacional de Segurança Pública para a América do Sul: O Seminário Internacional de Segurança Pública para a América do Sul é uma oportunidade única de atualização profissional, intercâmbio de ideias e experiências. Realizado em paralelo à Interseg, maior feira do setor na América do Sul, o seminário vai reunir em Brasília lideranças policiais, autoridades governamentais e instituições de todo o continente para discutir tecnologias e métodos mundialmente bem sucedidos. Os temas apresentados são de extrema importância para o público: ensino e gestão policial, repressão qualificada e prevenção. Com uma abordagem atual e abrangente, as palestras vão tratar de situações fundamentais para a Segurança Pública. Algumas apresentações do seminário já estão definidas. Dentro do tema de gestão policial, estão confirmadas "Gestão em Segurança de grandes eventos", "A Criminologia Ambiental" e "Geoprocessamento de Informações de Segurança Pública". Já em ensino policial, o seminário traz "Segurança Pública como disciplina autônoma" e "O Ensino Superior em Segurança Pública". Um encontro imperdível para os profissionais da área. Notem que a mostra realizada na Interseg está em sintonia com o Eixo 4 do Texto-base da CONSEG: Repressão qualificada da criminalidade. Caso você esteja em Brasília, apareça na Feira, e presigie o esforço dos expositores em desenvolver produtos e serviços voltados para a segurança pública. A Interseg acontece no Centro de Convenções Expo Brasília, Parque da Cidade, Asa Sul.
Atualmente, é muito discutido o uso de armas não-letais, especialmente agentes químicos, na atividade policial, como maneira de melhorar a atuação do agente da lei, garantindo-lhe eficácia e preservando a integridade física daqueles indivíduos a que se destina o uso da força policial. Quando falamos em gás (pimenta, lacrimogêneo, CS, OC, etc.), logo lembramos dos seus efeitos: irritação na pele, nos olhos, insuficiência respiratória e a dispersão que o mesmo causa em tumultos e confusões. Para quem é policial (especialmente policial militar), outras lembranças também surgem: as advertências do comando contra o seu uso, casos em que foram usados indevidamente e a dificuldade de se obter instrução sobre o uso adequado dos artefatos que veiculam agentes químicos. Antes de continuar, vejamos dois conceitos essenciais ao esclarecimento do assunto. Primeiro o significado de agente químico de guerra, pois nessa classe incluem-se dois dos agentes mais usados em artefatos de interesse policial (ortoclorobenzalmalononitrila - CS e pimenta líquida ou oleoresin capsicum - OC). Agente químico de guerra é substância em qualquer estado físico (sólido, líquido, gasoso ou estados físicos intermediários), com propriedades físico-químicas que a torna própria para emprego militar e que apresenta propriedades químicas causadoras de efeitos, permanentes ou provisórios, letais ou danosos a seres humanos, animais, vegetais e materiais, bem como provocar efeitos fumígenos ou incendiários. O segundo conceito é o de produto controlado pelo Exército, caso dos agentes químicos já citados. É controlado pelo Exército qualquer produto que, devido ao seu poder de destruição ou outra propriedade, deva ter seu uso restrito a pessoas físicas e jurídicas legalmente habilitadas, capacitadas técnica, moral e psicologicamente, de modo a garantir a segurança social e militar do país. Os conceitos expostos encontram-se no Decreto 3.665/00 (Regulamento para a fiscalização de produtos controlados – R-105). As reservas que muitas vezes encontramos sobre o uso do gás têm seus fundamentos, pois o seu uso, se inadequado, ou até sua posse e aquisição, quando sem licença da autoridade competente, constituem crimes, de acordo com os artigos 252 e 253 do Código Penal Brasileiro. Quanto à autoridade competente para permitir diversas atividades com agentes químicos e fiscalizar as atividades realizadas, o decreto anteriormente citado elege o Exército Brasileiro para esta missão. Apesar do embaraço normativo, há de se concordar que privar o policial destes instrumentos de qualificação do seu trabalho é, no mínimo, um caso de cegueira administrativa, até mesmo porque, em contrapartida às normas que restringem o uso de tais meios, também encontramos outras que o incentivam e o definem como imprescindível, como é caso dos Princípios Básicos para o Uso da Força e Armas de Fogo – PBUFAF. Em seu artigo segundo os PBUFAF estabelecem que "Os Governos e os organismos de aplicação da lei devem desenvolver um leque de meios tão amplos quanto possível, e habilitar os funcionários responsáveis pela aplicação da lei com diversos tipos de armas e munições, que permitam uma utilização diferenciada da força e das armas de fogo". O mesmo PBUFAF ainda trata do desenvolvimento de armas não-letais como meio de diminuir o uso de outros recursos que causem morte ou lesão corporal. Atualmente vivemos num contexto em que se busca repensar e qualificar a atuação das polícias, desde as estratégias institucionais até à aplicação da técnica pelo policial nas ruas, sendo que vem crescendo o apelo para dotar o agente da lei de meios que possibilitem efetivamente o uso progressivo da força. Neste viés encontramos cursos à distância muito interessantes oferecidos pela Secretaria Nacional de Segurança Pública, tratando de uso progressivo da força e técnicas e tecnologias não-letais de atuação policial. Da maneira como vemos os policiais atuarem hoje em dia, fica quase impossível agir segundo os princípios do uso progressivo da força, haja vista que geralmente contam apenas com poucos meios à sua disposição, muitas vezes partindo da advertência verbal ao infrator para o uso da arma de fogo, causando prejuízos ao cidadão, a si próprio e à corporação a que pertence. Os embargos normativos estudados não são absolutos e nem constituem, necessariamente, óbice ao emprego ordinário adequado de agentes químicos pelas forças policiais, desde que haja instrução, conscientização, fiscalização e punição de eventuais desvios. Desta maneira, certamente, virá o sucesso decorrente da adoção destes instrumentos, qualificando o trabalho do policial nas ruas e diminuindo possíveis danos decorrentes de sua atuação.
Quando se associa choques elétricos à polícia e aos militares é inevitável a lembrança dos tenebrosos “anos de chumbo” por que passou o Brasil a alguns anos atrás: os militares da Ditadura que iniciou-se em 1964 utilizaram diversos meios de tortura para coagir os inimigos políticos do regime, sendo o choque elétrico um dos mais terríveis e dolorosos processos adotados àquela época. Os tempos são outros, o Brasil aderiu à democracia, temos uma nova Constituição Federal, e a tendência é que os fantasmas da Ditadura passem a ser exorcizados. É o que está sendo feito agora com a adoção, por parte do Governo Federal, de pistolas Taser, que são armas de eletrochoque, distribuídas para polícias de vários estados brasileiros. O que é a Taser A Taser é fabricada pela empresa Taser International, e possui (o modelo a ser utilizado no Brasil, a Taser M26) um mecanismo de disparo similar ao das armas de ar comprimido. Assim que se pressiona o gatilho, a arma aciona um cartucho de gás nitrogênio, que se expande e gera pressão para que eletrodos sejam lançados na direção desejada. Esses eletrodos estão ligados à arma por fios condutores isolados, e possuem ganchos que facilmente agarram nas roupas. Basta os eletrodos se prenderem para que a corrente elétrica seja transferida dos fios ao agressor. Os impulsos elétricos transmitidos são da ordem de 50.000 volts, e afetam o sistema nervoso central do indivíduo, prontamente imobilizando-o, fazendo com que ele fique na posição fetal. Ao atingir a vítima, os eletrodos disparam uma descarga de 5 segundos. Após isso, caso o operador permaneça com o dedo no gatilho, uma descarga é liberada a cada 1,5 segundo. O alcance máximo da arma, a depender do cartucho utilizado, é de aproximadamente 10,6 metros (comprimento do fio da M26), e após um disparo, os fios tem que ser recolhidos para que a arma seja novamente utilizada. Os 50.000 volts citados, são gerados por 8 pilhas AA de 1,2 volts, através de condensadores e transformadores que a arma possui. O fabricante informa que todas as armas possuem uma memória digital que armazena a data e a hora dos 585 últimos disparos, além de expelir confetes identificadores com o número serial do cartucho no momento do disparo. Clique aqui e saiba mais sobre as especificações técnicas da Taser M26. A Taser mata? O termo “Arma não-letal” é um contrasenso. Se tomarmos uma caneta como exemplo (que nem arma é considerada), estudando as possibilidades letais dela, veremos que os prejuízos possíveis utilizando-a como arma levam, sim, à morte — perfurações toráxicas, no pescoço, nos olhos, enfim. Assim, o ideal seria chamar essas armas de “menos letais”, como é o caso da Taser. Os confetes expelidos com o nº de série do cartucho: Segundo o site da Universidade do Porto, Portugal, só nos Estados Unidos, em torno de 330 pessoas morreram, desde 2001, pelos efeitos de armas Taser (número da Anistia Internacional). Lá o uso das Taser são autorizadas em vários estados até mesmo para a sociedade civil. Enquanto entidades como a Anistia Internacional criticam o equipamento, as instituições policiais alegam que as mortes estão associadas ao uso de estupefacientes (cocaína, ecstasy, heroína, etc.) pelos atingidos. Portugal e Canadá também já usam a Taser, sendo que este último registrou o mais notório caso de morte por causa da arma. O fato ocorreu quando o polonês Robert Dziekanski se exaltou no Aeroporto de Vancouver em outubro de 2007. Os policiais canadenses utilizaram a arma, e o turista, de 40 anos, que não usava drogas, acabou falecendo. Clique aqui e assista o vídeo da morte de Robert Dziekanski. A Taser no Carnaval da Bahia 2009 Através do fornecimento das pistolas pelo Governo Federal, as Taser destinadas à Bahia já serão utilizadas no próximo carnaval. O Jornal A Tarde divulgou em recente matéria a novidade, trazendo alguns comentários errôneos de especialistas(?) em relação às armas. Primeiro diz que as descargas são de 120.000 volts, quando o modelo M26 não passa de 50.000. Depois afirma que a distância mínima de utilização é de 15 metros, mas a verdade é que existem cartuchos que vão de 4,5 a 10,6 metros para a M26: Quanto aos custos da reposição de cartuchos, há alguma razão naquilo que diz a matéria, questionando se haverá recursos para realizá-las. A Taser é um passo importante no sentido da aplicação da doutrina de uso progressivo da força, onde o primeiro nível de uso da força é a presença do policial e o último é a força letal da arma de fogo. Cabe às polícias treinarem seus policiais para bem usar o equipamento, e aos policiais resta a consciência das possibilidades, remotas mas possíveis, de letalidade da arma. A Taser traz melhores condições de trabalho, preserva a vida do cidadão e a integridade do policial, mas apenas se não for usada abusivamente, e sim dentro da técnica. Clique aqui e leia a reportagem de A Tarde.
A estatística criminal é um dos fatores determinantes para o grau de tranqüilidade duma sociedade. É baseando-se nela que as organizações policiais, em qualquer lugar do mundo, devem atuar – onde, quando, como e quem empregar em determinada situação. A imprensa constantemente estampa em suas manchetes índices de ocorrências (infelizmente nem sempre confiáveis) que mostram o absurdo da violência e criminalidade no Brasil. Pesquisando na WEB, descobri três ferramentas (duas brasileiras e uma norte-americana) que tratam as estatísticas de criminalidade de maneira interessante, usando a internet como plataforma de divulgação. Em comum, essas três criações têm a peculiaridade de advir de organizações que não fazem parte da estrutura governamental, tendo todas elas a intenção de orientar as comunidades quanto aos locais onde os crimes acontecem, visando a prevenção de novos delitos. Todas usam a ferramenta Google Maps, levando o usuário a identificar de maneira mais precisa onde se deu o fato delituoso. Vejam a seguir uma breve explanação sobre cada uma: - WikiCrimes [www.wikicrimes.org] A WikiCrimes, projeto do professor da Universidade de Fortaleza, Vasco Furtado, é um site onde qualquer pessoa que realize um cadastro pode registrar uma ocorrência, que ficará disponível para visualização num mapa Google. No mapa, em cada ponto em destaque (onde se marca uma ocorrência), há informações sobre a ocorrência: tipo de ocorrência - roubo, furto e outros (homicídio, violência doméstica, abuso de autoridade...) -, data da ocorrência, se a polícia foi informada ou não e a descrição do fato. Além disso, qualquer usuário pode confirmar ou não a existência da ocorrência, caso tenha testemunhado. No momento em que escrevo este post, a WikiCrimes tinha registrado 3136 ocorrências, sendo Fortaleza a cidade que mais contribuiu com registros: 1439. Sendo Fortaleza a cidade do mentor do projeto, certamente foi o local onde houve maior divulgação, onde conseqüentemente mais pessoas aderiram. Salvador possui apenas um registro, em 16/06/2008. A página possui alguns links inativos, e claramente carece de maior divulgação. - CitIX [www.citix.net] O CitIX (City Information Exchange Network) não é exclusivamente um gerador de estatísticas criminais, como a WikiCrimes. Suas estatísticas e informações estão distribuídas nas seguintes categorias: segurança, infra-estrutura, serviços públicos, entretenimento e instituições – cada uma indicada por uma cor no mapa. Também é alimentado por dados de usuários cadastrados. Pode-se ver no CitIX informações sobre características de determinado ponto do mapa como "flanelinhas enchendo o saco" ou "restaurante com preços populares e uma super carne de sol", ou até mesmo a simples localização duma repartição pública. Com 516 usuários cadastrados e 372 relatos adicionados (somando-se todas as categorias), a ferramenta se limita às cidades de Belo Horizonte, Brasília, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. Foi criado pelo C.E.S.A.R., Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife, um instituto privado pernambucano. - CrimeReports [www.crimereports.com] As duas ferramentas nacionais acima expostas possuem limitações claras: o ainda baixo acesso da população à internet (de acordo com o IBGE menos de 8,3% dos brasileiros possuem acesso a internet em casa) leva-nos à conclusão de que o produtor e o consumidor das informações são um pequeno extrato da sociedade (mais limitado ainda quando se trata de ferramentas tão pouco divulgadas). Mas algumas das limitações do CitIX e da WikiCrime são superadas pelo CrimeReports, ferramenta on-line de divulgação de ocorrências criminais americana. Suas características básicas: - Divulga ocorrências de cidades americanas que tenham a partir de 5000 habitantes, mediante parceria com as "law enforcement agencies" (agências de aplicação da lei – departamentos de polícia, grupamento de bombeiros, etc.), que pagam de $49 a $199 mensalmente pelo serviço do CrimeReports, a depender da população da jurisdição; - Além dos dados fornecidos pelas law enforcement agencies, enviados on-line pelo menos diariamente para o CrimeReports, os administradores do site buscam constantemente informações em órgãos federais, estaduais e municipais. Todos os dados publicados, com data hora e local (mapa Google) explicitados, são de domínio público, divulgados principalmente pelos departamentos de polícia. "Embora a estatística criminal em uma cidade específica possa estar disponível, ela pode não estar acessível"; - Os membros da comunidade poderão então acessar as informações criminais de seu bairro gratuitamente, habilitados, mediante registro, a receber alertas por e-mail, quando houver qualquer ocorrência relevante em sua comunidade; - Recentemente o CrimeReports assinou um acordo com o Estado de Utah para prestar o serviço a todos os responsáveis pela aplicação da lei no Estado. * * * As três ferramentas podem ser aperfeiçoadas, expandidas e corrigidas. O Alvaro Gregorio sugeriu, por exemplo, que os alertas de ocorrência do CrimeReports pudessem ser enviados não apenas por email, mas também via SMS para o celular (leia o que ele escreveu sobre os projetos aqui e aqui). Entendo que a utilização da WEB deixa de fora a grande parte do público que mais sofre com a criminalidade no Brasil, mas mesmo essa limitação é superável: podem ser escolhidas pessoas nas comunidades com acesso a computador que se responsabilizem por interagir com essas ferramentas, alimentando ou consumindo os dados e repassando-os para o conselho comunitário, associação de bairro, ou outra organização comunitária a que pertença. Com o modelo do CrimeReports americano consegue- se sanar os principais problemas: a alimentação do banco de dados é confiável, precisa e instantânea. Para que uma ferramenta do tipo dê certo no Brasil basta expandir os meios de consumo da informação – o uso de outras mídias, enquanto a internet não se democratiza, é fundamental. Eis um tema que deveria ser discutido nas aulas de estatística das academias de polícia estaduais.
Os uniformes não costumam ser devidamente estudados nos cursos de formação, o que acarreta em uma série de distorções no emprego de acessórios e em ajustamentos diversos. A falta de maior conhecimento sobre preceitos do regulamento permite disfunções como o uso de designativos típicos de praças por oficiais e vice-versa, criando uma desuniformidade incômoda, que provoca estranhamento principalmente em militares de outras forças, e até mesmo em paisanos mais atentos. Há uma série de fatores que colaboram para a perpetuação desta prática errônea, e difundir melhor o conteúdo do regulamento, seja via internet, por escrito ou utilizando-se de outras mídias, seria de bom grado na intenção de permitir a todos o acesso facilitado às determinações, para que gradualmente fossem feitos os devidos ajustes, seja de modo consciente ou coercitivo. O que significa cada medalha? Foto: PMBA Enquanto na formação de oficiais o nível de cobrança tradicionalmente é bastante elevado, com verificações diárias de detalhes, vincos, brilho de coturnos e ferragens, além de tantas outras minúcias, por vezes na formação de soldados só é utilizado o uniforme de tênis preto, calça jeans e camisa branca, bem diferente do que será usado futuramente. Ou seja, ainda que o aluno-a-soldado se esmere na sua apresentação pessoal e mantenha um elevado padrão, possivelmente não saberá bem como fazer o mesmo em relação ao uniforme diário de emprego ordinário nas ruas, uma vez que o contato com o referido às vezes só acontece no dia da formatura, impedindo a familiaridade com cada detalhe das peças. Coturno, cinto e equipamentos: pretos ou marrons? Foto: Antonio Fonseca Enfim, urde-se a consolidação de uma padronização mínima em relação à uniformidade e à condição em que as peças se encontram. Discute-se sobre a freqüência com que o uniforme é pago pelo comando, sobre qual o fim ideal do auxílio-fardamento, a desobediência dos preceitos por parte das poucas concorrentes na produção de fardamentos, entre tantos outros problemas neste ramo, que ainda carece de maior conscientização da tropa em geral, a qual sente-se à vontade em customizar modelos ao seu bel prazer.
O uso de armas não-letais vem sendo alvo de discussões entre os especialistas em Segurança Pública no Brasil. Ano passado, por exemplo, houve o “I Seminário Internacional de Tecnologias Não-Letais”, que ocorreu em Brasília, organizado pela SENASP: “Entre os dispositivos não-letais utilizados no país [...] estão os sprays de pimenta, as balas de borracha, as bombas de gás lacrimogêneo e as pistolas elétricas. Mas existem tecnologias mais modernas [...]. No 1º Seminário Internacional de Tecnologias Não-Letais, foram mostradas granadas de luz (que geram uma luminosidade forte), uma pistola que emite microondas capazes de paralisar o motor de um carro e outra que lança uma rede com uma espécie de cola que imobiliza pessoas.” (Clique aqui e leia mais sobre o evento) Dentre esses dispositivos, tratarei aqui do conhecido como spray de pimenta, que tem como princípio ativo o óleo de pimenta, em geral da família Capsicum (pimenta vermelha, pimentão, "dedo de moça"), que contém a capsicina, um alcalóide lipófilo (solúvel em gordura). O óleo de pimenta natural atua com maior força sobre áreas sensíveis da pele, sendo particularmente doloroso em contato com as mucosas e os olhos. O efeito depende em grande parte da quantidade de gás pimenta que entre em contato com a vítima - podendo demorar, em seu efeito mais forte, em torno de trinta a quarenta e cinco minutos, com efeitos secundários ao longo de algumas horas que gradualmente se reduzem, como irritação contínua dos olhos e outros. Policiais paulistas utilizando spray de pimenta em operação de distúrbio civil. Sair da área infectada e do alcance do spray é a primeira grande sugestão para quem não quer sofrer seus efeitos. Dentro do que se conhece, não há neutralização imediata completa para o spray de pimenta - seus efeitos só podem ser minimizados. A água não neutraliza prontamente o efeito, pois, como já foi dito, a capsicina é liposolúvel (solúvel em óleos e gorduras) e dissolve rapidamente no óleo da pele, mas se separa da água. No Brasil, o spray de pimenta é um produto controlado pelo Exército, sendo considerado arma química de uso restrito - o que trás diversas implicações legais. Isso significa que “só pode ser utilizada pelas Forças Armadas, por algumas instituições de segurança, e por pessoas físicas e jurídicas habilitadas, devidamente autorizadas pelo Exército, de acordo com legislação específica”, como diz o Art. 2º, inciso XVIII, do R-105 (Regulamento Para a Fiscalização de Produtos Controlados). Em outros países, como alguns europeus e nos Estados Unidos, o spray de pimenta é utilizado mesmo por civis, como recurso de defesa pessoal. No Brasil, há quem utilize-o ilegalmente, como mostrou há algum tempo uma reportagem do Jornal do Brasil: “A administradora Fernanda Chaves, 23 anos, acabou vítima do spray de pimenta que usava no ônibus. Seguindo a orientação de seu pai, ela sempre levava o spray nas mãos, para reagir a qualquer investida de ladrões. Um dia, entretanto, distraiu-se e colocou o frasco no bolso traseiro da calça. Quando sentou, o spray estourou e queimou a perna. [...] ‘- Foi horrível. Além da dor, fiquei sufocada com o ar. Tive que descer do ônibus - lembra Fernanda, que ainda assim pensa em adquirir outro frasco, do mesmo que certo dia usou dentro de sala de aula para matar umas formigas.'” Como se vê, tal recurso, útil em diversas atuações policiais, pode se tornar perigoso quando manuseado sem a devida técnica. Apesar disso, já existem projetos para a autorização do porte de spray de pimenta pelo cidadão comum aqui no Brasil. Com a medida, as autoridades esperam reduzir a circulação de armas de fogo e, conseqüentemente, o número de homicídios. Mas ainda restam várias questões a serem levantadas, como, por exemplo, se o porte do spray não será uma falsa sensação de potencialidade para reagir a uma agressão a mão armada. Embalagens de gás de pimenta utilizadas no exterior: simulação de chaveiros e batons. Por fim, uma ressalva: nós, policiais militares, não possuímos a autorização para portar e utilizar o spray de pimenta indiscriminadamente. Cabe a cada polícia, autorizada pelo Exército, definir quais das suas unidades têm este aval. Isto varia, obviamente, de Estado para Estado. Geralmente, as unidades de choque e de controle a distúrbios civis são as privilegiadas nesse sentido – algo controvertido, pois, todo policial pode, a qualquer momento, se deparar com uma situação em que o uso do spray se faz mais eficiente do que as armas letais ou outro dispositivo de defesa/ataque. * * * - Clique aqui para saber mais sobre os efeitos do gás de pimenta, aqui para ler a citada reportagem do Jornal do Brasil, aqui para ter acesso ao R-105 e aqui para ler sobre o projeto de liberação da venda do spray de pimenta. - Agradecemos ao Stive.com.br pela publicação de quatro textos outrora publicados aqui no Abordagem (veja na seção “Repercussão”).
por Daniel AbreuÉ inegável que a maioria das polícias militares do Brasil não têm atingido suas metas, nem tampouco correspondido às expectativas do seu “usuário”, o povo. O serviço tem se tornado cada vez mais difícil e trabalhoso, a sociedade tem colaborado cada vez menos com a paz social, e a responsabilidade pela manutenção da ordem está pesando cada vez mais nos ombros dos agentes de Segurança Pública.Diariamente, novas pesquisas de tecnologia e alguns outros estudos vêm sendo desenvolvidos, visando amenizar a situação precária, diminuir o desgaste da rotina e agilizar o serviço policial militar, tornando as ações e operações mais rápidas e eficazes.Compartilhando das idéias do Aluno Oficial Marcelo Lopes, e partindo da premissa de que uma das principais funções dos gestores e administradores de Segurança Pública é facilitar e melhorar as condições de trabalho no que lhe couber, apresentarei algumas novas tecnologias e estudos realizados, acreditando que a modernização das instituições responsáveis pela ordem pública seja um dos caminhos para atingir o objetivo constitucionalmente proposto.Pesquisando e tentando relacionar as novidades com a realidade financeira do nosso país, cheguei a uma breve conclusão de quê, um dos principais problemas das nossas milícias é criar um quadro estatístico que armazene e organize os registros dos delitos, de modo que uma preparação científica seja elaborada através desses dados, e a distribuição do efetivo seja de certa forma “efetiva”, já que a oferta não tem acompanhado a demanda. No Rio de Janeiro, esse tipo de tecnologia tem funcionado na forma de um banco de dados informatizado que se atualiza com os registros de crimes das delegacias, e os converte em um mapa digitalizado, mostrando detalhes do crime e como eles se desenvolvem.Um grande problema da realidade policial baiana é a precariedade nas comunicações. Atualmente, está dividida entre o HT e o telefone celular. Porém, tem se observado que inúmeros obstáculos circundam esses meios de comunicação, como a defasagem e os defeitos técnicos do HT, e a resposta lenta dos celulares, que só permitem a comunicação entre dois policiais por vez.Visando melhorar a intracomunicação policial, o governo do Estado de São Paulo, através de um convênio com empresas de telefonia celular e afins, conseguiu a instalação do Backbone, que possibilita através de microondas, uma comunicação digital de rádio protegida por senha, bem como videoconferência. Todo esse sistema, combinado com o HPD (High Performance Data), que possibilita a transmissão de dados das ocorrências, pesquisas de dados e imagens, dinamiza a ação policial, tornando-a mais eficaz e eficiente.Apesar de estarmos evoluindo com a questão tecnológica, como a implantação do GRAER (Grupamento Aére) na PM-BA, e ainda que esse projeto seja referência nacional, nossa corporação conta com certa defasagem de aparelhos, das instalações e das viaturas. Nos resta o comprometimento e a esperança de que seguiremos os bons exemplos, nos conscientizaremos da nossa situação como servidores públicos e nos empenharemos cada vez mais no desempenho da nossa função, que acarretará no reconhecimento do serviço prestado à comunidade, e nos trará aquela sensação de dever cumprido, que é para muitos o único motivo para que se acorde cedo, engraxe o coturno e ponha, verdadeiramente, “a mão na massa”.
Grande parte dos uniformes militares prescrevem uma cobertura junto às demais peças. O mais utilizado na Polícia Militar da Bahia segue esse padrão, indicando a boina cáqui escuro em sua composição. O Regulamento de Continências estabelece um procedimento sobre o modo como se deve carregar a boina, e o próprio costume acaba estabelecendo a conduta padrão, quando observado pelos exemplos corretos.Hoje há, entre diversos policiais, o consenso de que a boina seria imprópria para o clima local, que é um empecilho, superaquece a cabeça, atrapalha em vários momentos, enfim, quase não tem utilidade, traz prejuízo. Essa linha de pensamento alcança o quadro da perda de identidade, da dúvida sobre a essência policial militar, e acaba por prejudicar consideravelmente a apresentação pessoal. Recorrendo novamente a um comparativo com o BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais - PMERJ), observa-se nas fotos e filmagens que seus combatentes sempre utilizam a boina preta nas incursões em morros. Sem distinção entre praças e oficiais, muitos policiais pouco se importam em seguir os ditames acerca do uso ou não em locais cobertos ou descobertos, criando um ambiente de “desuniformidade”. Além disso, comumente as boinas são carregadas com desprezo, penduradas nos ombros, amarradas na cintura, sacudidas como bolsas ou trapos que são trazidos com desdém. Alguns a utilizam em número por demasiado grande, o que compromete a aparência, outros em tamanho menor que a cabeça, deixando-a solta sobre os cabelos. Existem aqueles que a colocam tão fixamente que chega próximo à sobrancelha, deixando marcas na testa. Tem as que parecem ser de pintor, de padeiro, de “qualquer coisa”, menos de militar. Não há como deixar de mencionar a disparidade no tocante à localização do brasão, que oscila bastante na lateral direita. O cordão de ajuste às vezes fica para fora, chega a ser trançado, é cortado, desfia, sofre até com a degradação do tempo. Por vezes as cores destoam, desbotam, mancham, rompendo com o conceito de uniforme. Outrossim, é preciso reconhecer, não há somente erros, existem os que colocam corretamente, com a devida angulação, sem falhas notáveis. Mas o ponto crucial deste texto são os policiais militares que fazem uso no modelo popularizado como pára-quedista, com uma queda significativa para a esquerda, chegando a cobrir parte da orelha e/ou do olho. Apesar de estarem, de certa forma, descumprindo o modelo tido como padrão, são estes os que geralmente mais valorizam tal símbolo, que pode contribuir para o trabalho que a PM se propõe a fazer. Porém, essa peculiaridade esbarra no ditame geral, que estabelece uma utilização diferente da preferida por esse grupo específico. Por mais que esse detalhe o atraia, frustra-se a intenção, por incorrer em situação tida como falha.

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