Durante a crise, empresas de segurança privada crescem no Brasil 
Governo Temer planeja endurecimento de penas no Brasil 
Como as crianças brasileiras percebem a violência? 
Um dos adágios mais populares na nossa sociedade é o que diz mais ou menos assim: a vingança é um prato que se come frio. Essa máxima popular, ou parte dela, serve de mote para um filme denso, forte e violento, mas nem por isso menos belo e sensível. O diretor francês Daniel Grou, inspirado no também ótimo livro de Patrick Senecal, reaviva dando imagens e cores (nem tantas cores assim...) ao romance. Les 7 Jours Du Talion - 7 Dias (2010), é um filme que com certeza não faz parte da filmografia policial tradicional, com tiros pra todos os lados, perseguições desenfreadas e efeitos especiais que só Hollywood sabe fazer, aliás, este nem ao menos é um filme americano, apesar de não correr no circuito independente/alternativo aos quais costumo garimpar filmes, ele não deixa de ter uma pecha indie. Na verdade esse thriller francês fala de vingança! Vingança cega, vingança colérica, vingança fria... Vingança. Estou-o citando aqui mais pela lição que passa do que por ser propriamente um filme policial. Nele veremos a história de Bruno Hamel, um bem sucedido cirurgião que mora em uma bela e confortável casa com a sua esposa Sylvie, e a sua filhinha Jasmine de oito anos. Eles vivem uma vida normal, até a tarde em que sua filhinha é estuprada e brutalmente assassinada. Daí segue-se as acusações de praxe, as perguntas corriqueiras e invariavelmente sem respostas, e o inconformismo silencioso com a situação quando da prisão do assassino, Hamel passa a lidar diferente com sua dor. Então planeja a captura do "monstro" e a forma de fazê-lo pagar pelo que fez a sua garotinha. (mais…)
30% dos brasileiros acham que mulher é culpada por estupro 
Os problemas com as armas Taurus 
No Brasil, quando se fala na crescente violência que assola o territóro, uma das primeiras causas apontadas para o desenfreio é o quantitativo policial, logo os politicos, governos e a imprensa creditam como solução o aumento do efetivo policial. Talvez seja verdade, talvez não, ou talvez seja verdade em partes e/ou em termos. Segundo estudos recentes, o Brasil encontra-se na sexta posição mundial em relação às taxas de homicídio por 100 mil habitantes. Mortes provocadas majoritariamente por armas de fogo, e que atingem mormente a população jovem (15 a 25 anos) do sexo masculino (Mapa da Violência, 2011). Em 2010, o Estado do Alagoas liderou o ranking do país em número de homicídios, com mais de 2.000 mortes violentas, algo em torno dos 70/71 pra cada 100 mil habitantes. O índice de homicídios em nossa São Salvador é de 61 por 100 mil habitantes - para a ONU, o aceitável é de 12 para cada grupo de 100 mil. Acima disso, a OMS classifica tal percentual como de violência-epidêmica... Quando noticiou-se sobre o descalabro de Alagoas, divulgou-se também que o Estado sofre com o déficit policial (tenho a impressão que todos os estados da federação devem sofrer com isso...). Doutra banda, o Estado de São Paulo, na mesma época, registrou sua menor taxa de homicídios, diga-se de passagem, a menor dos últimos tempos. Foram pouco mais de 4.300 assassinatos, ou seja, cerca de 10/11 homicídios por 100 mil pessoas. E neste diapasão, continuamos, é no Estado de São Paulo que está o maior contingente policial do país. Por aí dizemos o óbvio, Alagoas possui bem menos policiais que São Paulo, logo, o índice de mortes em Alagoas, em detrimento ao de São Paulo, maior, óbvio! Mas não é bem por aí não... Um olhar clínico desfaz de pronto toda essa mística em torno do policiamento ostensivo; e o enfrentamento a partir dele como única forma de combate à criminalidade e na erradicação da violência. Foi o que fez o sempre perspicaz Luiz Flávio Gomes, que estudou a fundo essa máxima, e chegou à conclusão contrária, exatamente contrária: não é precisamente o número de policiais fardados que coíbe ou elimina (ajudando na prevenção) o crime. (mais…)