Campanha denuncia ineficiência da política de drogas no Brasil 
6 motivos para a utilização do Policiamento Montado 
5 profissões que policiais exercem indiretamente 
À medida em que a "poeira vai baixando" após as batalhas travadas no Rio de Janeiro, naturalmente, como era de se esperar, surgem as queixas sobre excessos e inadequações de conduta durante o desdobramento das ações. De fato, seguramente ocorrem erros em meio a tantos procedimentos tomados, mas é de bom grado prescrever alguns alertas para o público menos escolado no tema, evitando que se torne massa de manobra, tangida de um lado a outro pela oscilação de posicionamento da imprensa. A um, é preciso admitir que certamente alguns policiais e/ou militares aproveitaram a oportunidade para praticar ilicitudes a que estejam acostumados ou na expectativa de proceder. Mas é tecnicamente confiável apostar que nessa operação a probabilidade do cometimento de tais transgressões era muito inferior ao constatado em ações de rotina. Em meio a tantos "diferentes", PMs, PCs, PFs, militares da Marinha, Exército e Aeronáutica, o clima costuma ser amistoso, às vezes em competitividade salutar, onde desconhecidos tentam provar que são melhores que os demais, exaltando virilidade e virtudes do homem da guerra. Se há cumplicidade corporativista em alguns atos de corrupção, é difícil crer que isso surja tão rapidamente entre indivíduos desconhecidos, ainda mais de instituições diferentes. Enfim, ninguém gostaria de ver seu mito quebrado em meio a tantos holofotes, e supor que tão facilmente tenham sido montadas "quadrilhas" para isso é arrojado demais. (mais…)
O que querem mudar no Estatuto do Desarmamento 
PMs doam tablet a garota vítima de roubo (de um tablet) 
Sempre mantive com jornalistas uma relação de respeito e cooperação. Em alguns casos, o contato profissional evoluiu para amizade. Quando as divergências são muitas e profundas, procuro compreender e buscar bases de um consenso mínimo, para que o diálogo não se inviabilize. Faço-o por ética - supondo que ninguém seja dono da verdade, muito menos eu -, na esperança de que o mesmo procedimento seja adotado pelo interlocutor. Além disso, me esforço por atender aos que me procuram, porque sei que atuam sob pressão, exaustivamente, premidos pelo tempo e por pautas urgentes. A pressa se intensifica nas crises, por motivos óbvios. Costumo dizer que só nós, da segurança pública (em meu caso, quando ocupava posições na área da gestão pública da segurança), os médicos e o pessoal da Defesa Civil, trabalhamos tanto –ou sob tanta pressão - quanto os jornalistas. Digo isso para explicar por que, na crise atual, tenho recusado convites para falar e colaborar com a mídia: (1) Recebi muitos telefonemas, recados e mensagens. As chamadas são contínuas, a tal ponto que não me restou alternativa a desligar o celular. Ao todo, nesses dias, foram mais de cem pedidos de entrevistas ou declarações. Nem que eu contasse com uma equipe de secretários, teria como responder a todos e muito menos como atendê-los. Por isso, aproveito a oportunidade para desculpar-me. Creiam, não se trata de descortesia ou desapreço pelos repórteres, produtores ou entrevistadores que me procuraram. (2) Além disso, não tenho informações de bastidor que mereçam divulgação. Por outro lado, não faria sentido jogar pelo ralo a credibilidade que construí ao longo da vida. E isso poderia acontecer se eu aceitasse aparecer na TV, no rádio ou nos jornais, glosando os discursos oficiais que estão sendo difundidos, declamando platitudes, reproduzindo o senso comum pleno de preconceitos, ou divagando em torno de especulações. A situação é muito grave e não admite leviandades. Portanto, só faria sentido falar se fosse para contribuir de modo eficaz para o entendimento mais amplo e profundo da realidade que vivemos. Como fazê-lo em alguns parcos minutos, entrecortados por intervenções de locutores e debatedores? Como fazê-lo no contexto em que todo pensamento analítico é editado, truncado, espremido - em uma palavra, banido -, para que reinem, incontrastáveis, a exaltação passional das emergências, as imagens espetaculares, os dramas individuais e a retórica paradoxalmente triunfalista do discurso oficial? (3) Por fim, não posso mais compactuar com o ciclo sempre repetido na mídia: atenção à segurança nas crises agudas e nenhum investimento reflexivo e informativo realmente denso e consistente, na entressafra, isto é, nos intervalos entre as crises. Na crise, as perguntas recorrentes são: (a) O que fazer, já, imediatamente, para sustar a explosão de violência? (b) O que a polícia deveria fazer para vencer, definitivamente, o tráfico de drogas? (c) Por que o governo não chama o Exército? (d) A imagem internacional do Rio foi maculada? (e) Conseguiremos realizar com êxito a Copa e as Olimpíadas? Ao longo dos últimos 25 anos, pelo menos, me tornei "as aspas" que ajudaram a legitimar inúmeras reportagens. No tópico, "especialistas", lá estava eu, tentando, com alguns colegas, furar o bloqueio à afirmação de uma perspectiva um pouquinho menos trivial e imediatista. Muitas dessas reportagens, por sua excelente qualidade, prescindiriam de minhas aspas - nesses casos, reduzi-me a recurso ocioso, mera formalidade das regras jornalísticas. Outras, nem com todas as aspas do mundo se sustentariam. Pois bem, acho que já fui ou proporcionei aspas o suficiente. Esse código jornalístico, com as exceções de praxe, não funciona, quando o tema tratado é complexo, pouco conhecido e, por sua natureza, rebelde ao modelo de explicação corrente. Modelo que não nasceu na mídia, mas que orienta as visões aí predominantes. Particularmente, não gostaria de continuar a ser cúmplice involuntário de sua contínua reprodução. Eis por que as perguntas mencionadas são expressivas do pobre modelo explicativo corrente e por que devem ser consideradas obstáculos ao conhecimento e réplicas de hábitos mentais refratários às mudanças inadiáveis. Respondo sem a elegância que a presença de um entrevistador exigiria. Serei, por assim dizer, curto e grosso, aproveitando-me do expediente discursivo aqui adotado, em que sou eu mesmo o formulador das questões a desconstruir. Eis as respostas, na sequência das perguntas, que repito para facilitar a leitura: (mais…)
O volume de imagens veiculadas sobre os combates no Rio de Janeiro nos últimos dias impressiona, está sendo visto um aparato inédito. A fuga desabalada de um sem-número de traficantes bem armados não tem precedentes na história recente, bem como as cenas de sua chegada no morro vizinho. As imagens dos fuzileiros nos blindados da Marinha do Brasil e dos policiais civis e militares realizando incursões são arrepiantes para quem tem nas veias o sangue combatente. Diria que, em especial, é motivador o modo como se apresentam o comandante geral da PMERJ e o comandante do BOPE. Mais do que pelas palavras, as atitudes e apresentação pessoal demonstram, ao menos aparentemente, a intenção de se solidarizar com os tantos corajosos homens (afinal, polêmicas à parte, não se veem mulheres nos confrontos do RJ, já repararam?) que estão lá, arriscando suas vidas no front. Sabe-se que a realidade da PMERJ, de cima a baixo, como em tantas outras, senão todas as PMs do Brasil, ainda não chegou ao ideal - as versões de Tropa de Elite assim divulgaram em larga escala. Mas há muita gente boa nos mais diversos graus hierárquicos, e o comandante fez questão de dizer que, voluntariamente, houve policiais de folga, de férias e até da reserva se apresentando para participar das ações. Que não sejam tantos, podem ser exceções, ainda assim é algo inusitado em uma sociedade tão capitalista e com fraco civismo. (mais…)