Equipamento: quais as reclamações dos policiais dos EUA?

Policiais de Nova York

Policiais de Nova York: viaturas e comunicação são as maiores reclamações dos policiais dos EUA. Foto: NYPD

Acostumados com as necessidades logísticas que a maioria das polícias e guardas brasileiras sofrem, os policiais brasileiros geralmente imaginam um cenário ideal em países mais desenvolvidos, como os Estados Unidos. Mas isso não é necessariamente verdadeiro, como mostra uma pesquisa feita por um site norte americano com conteúdo voltado para policiais.

Segundo a publicação, há, no mesmo país, casos de polícias onde os equipamentos de proteção individual são usados em revezamento por mais de um policial enquanto há corporações com viaturas que custam centenas de milhares de dólares. Para ter uma noção do que mais incomoda os policiais norte americanos, o site fez uma pesquisa com seus leitores policiais, chegando ao seguinte resultado:

As reclamações dos policiais norte americanos

Fonte: PoliceOne

E no Brasil, qual deve ser a maior reclamação dos guardas e policiais?



Bancos no interior: um convite ao crime!

Assalto a banco no interior do Piauí

Assalto a banco no interior do Piauí

Cientes das limitações a que são submetidos os policiais civis e militares, comerciantes da zona rural costumam evitar crimes contra os seus estabelecimentos colocando grades e portões de ferro nas portas e janelas. É assim o cenário de lojas e armazéns nas cidades interioranas, com um reforço crescente conforme a grandeza da firma. Mas justamente o prédio que acumula o maior volume de dinheiro costuma se mostrar vulnerável a ações delituosas. Quem é ele?

O banco! As agências bancárias se inserem nas praças como se viessem de uma realidade muito distante. Enquanto todos se resguardam da cobiça, a frente do banco costuma ser um grande vitral, uma vitrine convidativa, que atrai investidas criminosas pela facilidade que representa. Nada de grades, trancas, portões rígidos ou paredes reforçadas – vidros tão frágeis, que podem ser quebrados com um simples chute, dão acesso aos terminais de auto-atendimento.

“Falta encarar a realidade e deixar de oferecer facilidades ao crime, que dificilmente se interessa por investidas cheias de complicações”

Nos caixas eletrônicos ficam guardadas quantias superiores à casa da centena de milhar. Nos pequenos municípios, seu funcionamento é interrompido no intervalo entre 22 e 06h. Até trancam uma porta, a qual, de tão sensível, pode ser violada mesmo por crianças travessas. Parece impossível, para a logística, esvaziar os caixas ao final do expediente, o que possivelmente seria eficaz, afinal, não se vêem explosões que dêem acesso ao cofre principal da agência.

Deste modo, fica subentendido que há uma preocupação com a aparência em detrimento da segurança, e quem paga o preço são os policiais, que se vêem obrigados a enfrentar quadrilhas com crescente poderio bélico. Se falta sensibilidade aos magnatas banqueiros para rever essa questão, que surja dos políticos uma iniciativa tornando obrigatória a instalação de mecanismos suficientes para dificultar em muito o acesso aos caixas durante a noite.

Saques e depósitos a altas horas já são evitados por pessoas em cidades grandes, e nas pequenas não há a menor necessidade, até por isso os terminais são desligados. Falta encarar a realidade e deixar de oferecer facilidades ao crime, que dificilmente se interessa por investidas cheias de complicações. Que se faça o teste em uma região específica, comparando com uma área equivalente – certeza de que a incidência será expressivamente reduzida, representando mais sossego para a população, e sobrevida aos agentes de segurança que são forçados a se expor por conta de uma vaidade estética irresponsável.



Pesquisa sobre reforma nas polícias

Pesquisa Fórum Brasileiro de Segurança Pública

Desde a semana passada, a Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP) disparou convites para que todos os policiais cadastrados em sua rede EAD respondessem à pesquisa sobre reformas das polícias e modernização da segurança pública no Brasil, que é um projeto conjunto da FGV e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Trata-se de uma importantíssima consulta aos policiais brasileiros em relação às possíveis mudanças na estrutura das corporações. Se você ainda não respondeu, busque fazer o quanto antes, pois o prazo para se posicionar está próximo de encerrar. O prazo inicial para responder seria até o dia 13 de julho, mas esta data foi adiada e você tem até o dia 18 para se manifestar.

Caso não tenha recebido o email da SENASP, entre em contato através do email pesquisa@forumseguranca.org.br solicitando acesso ao formulário.

Depois não vale reclamar por não ver sua opinião sobre mudanças nas polícias sendo contemplada.



PMGO aposta em apito e WhatsApp para prevenir crimes

Inusitada a iniciativa da Polícia Militar de Goiás para evitar crimes na comunidade do Jardim Novo Mundo, em Goiânia. Os moradores do bairro receberam apitos para alertar os vizinhos sobre a presença de um suspeito na região. Além disso, de acordo com a metodologia da PMGO, o primeiro morador a perceber alguma atitude suspeita deve entrar em contato com a viatura da área para que a abordagem seja realizada:

Projeto Vizinho Amigo da Polícia Militar

O projeto não é novo no Brasil, embora seja a primeira vez que uma Polícia Militar tenha abraçado esse conceito. Desde 2012 algo semelhante já é feito no Paraná apenas pela comunidade:

Vizinhos se unem para evitar assaltos

 



A complexidade da atuação policial em protestos

Texto que postei há pouco, no Facebook, e acho importante pontuar aqui no Abordagem:

Vale a pena ver o vídeo do post abaixo para entender ainda melhor essas complexidades.



A ação policial desnecessária em manifestações

O vídeo abaixo é bem ilustrativo em relação às reclamações que vêm sendo feitas sobre a atuação policial em manifestações. Primeiro, não está clara a motivação da utilização de agentes químicos que gerou a correria e a tensão em um momento claramente pacífico (havia mais policiais militares do que manifestantes). Segundo, o vídeo mostra a ação desnecessária e abusiva de um PM que agride uma manifestante e felizmente foi contido pelos colegas. Em que estado de espírito estamos assumindo nosso serviço? Em que estado de espírito somos colocados para assumir o serviço?

RIO: PM AGRIDE MULHER DURANTE PROTESTO

 



Uma Polícia (104)

Policiais de Berlim, Alemanha.

Policiais de Berlim, Alemanha.

A seção “Uma Polícia” traz fotos e vídeos que apresentem ao leitor do Abordagem Policial imagens de polícias em todo o mundo.



4 tipos de atuação policial que devem ser (mais) valorizados

De maneira geral, as polícias brasileiras e as mídias dão peculiar atenção às ações e à estética das unidades policiais responsáveis por realizar ações repressivas – aquelas que resultam em prisão e/ou apreensão. Obviamente, operações de repressão a práticas criminosas, quando realizadas de maneira qualificada e legal, merecem elogio e suporte positivo, entretanto, não deveriam anular o fortalecimento, a afirmação e a prioridade das ações preventivas, que constituem a razão de ser da atividade policial.

Considerando essa falta, destacamos aqui quatro tipos de atuação policial que merecem atenção midiática e investimento por parte das polícias, pois possuem significativo potencial de fomentar a interação produtiva entre policiais e demais cidadãos. Ao garantir espaço prioritário a essas ações é possível posicionar os policiais muito além da condição de quem nega comportamentos, mas de quem orienta, compartilha e incentiva práticas:

Policiamento Ambiental

Educação Ambiental realizada por policial militar de São Paulo. Foto: GOV/SP

Ação de Educação Ambiental realizada por policial militar de São Paulo. Foto: GOV/SP

Realizar policiamento ambiental é orientar a atuação policial para o respeito à vida de maneira ampla. Unidades de policiamento ambiental, além de coibirem ações criminosas contra o meio ambiente, também podem se relacionar com a comunidade realizando educação ambiental e ações lúdicas/interativas tendo como foco o respeito à vida. Todos os ingredientes necessários para fortalecer a condição do policial como liderança comunitária.

Policiamento Ciclístico

Policiamento Ciclístico da Polícia Militar do Mato Grosso

Policiamento Ciclístico da Polícia Militar do Mato Grosso

São vários os motivos pelos quais o Policiamento Ciclístico é muito interessante para a atuação preventiva das polícias (clique aqui e leia nosso post sobre o assunto). Dois pontos a se destacar:

1. “A tendência é que policiais em bicicletas interajam mais com a população, que terá mais facilidade de reconhecer o policial que faz policiamento naquela região, bem como poderá solicitá-lo com muito mais facilidade do que em uma viatura motorizada. Em unidades policiais que se interessem por aproximação e relacionamento profícuo entre a comunidade e o policial, bicicletas são muito vantajosas”;

2. “Policiais de bicicleta nas ruas incentivam também o próprio uso da bicicleta como meio de transporte e a criação de uma unidade especializada, colocaria em relevo a própria discussão acerca da mobilidade urbana: as ruas tomadas por policiais de bicicleta poderia ser o início de uma conscientização quanto ao uso exagerado do automóvel, forçando a infra-estrutura municipal a se adaptar ao modelo de ciclovias. Policiamento ciclístico não é só segurança, é antes de tudo educação!” (comentário de Orlando Junior em nosso post).

Núcleos Desportivos

O esporte ensina algo que é muito útil para evitar a violência: estar em pólos opostos, discordar e disputar algo não significa ser inimigo ou ter que usar métodos violentos para alcançar a vitória. As atuações de núcleos desportivos fomentam o “Fair Play” no seio da comunidade e entre a comunidade e os policiais. Quem não entende o que é Fair Play, assistam o vídeo a seguir, e considerem a instalação desse espírito nas relações polícia-comunidade:

The Sport is…..FAIR PLAY…..

Banda de Música Policial

Banda de Música da Polícia Militar do Tocantins

Banda de Música da Polícia Militar do Tocantins

Outra forma de fazer policiamento preventivo é inserindo música entre policiais e a comunidade. As bandas de música, quando consideram a cultura local, têm um potencial enorme de engrandecimento da condição policial em determinada localidade. Já escrevemos sobre o tema aqui:

“Qual seria o problema das bandas policiais formarem subgrupamentos que se dediquem ao rock, ao reggae, ao hip hop, ao samba, ao choro, axé music e outros gêneros que dialoguem de modo eficiente com a população local – principalmente com os jovens?

É um desafio atualíssimo para as polícias brasileiras entenderem, se aproximarem e manterem laços e diálogos permanentes com as comunidades, principalmente as periféricas. A música pode ser um elemento diferenciador e facilitador desse desafio. Que as polícias do povo mais musical do mundo aproveitem nossa característica para fazer policiamento!”

O leitor considera outras formas de atuação policial se encaixam nesses princípios?



Tirinha Policial (104)

*Tirinha Policial é uma série de posts publicados no blog Abordagem Policial, com tirinhas ou charges que se relacionam direta ou indiretamente com o contexto da segurança públicameu ip.



Uma Polícia (103)

Policial Militar atua em desabamento de viaduto em Belo Horizonte

Policial Militar atua em desabamento de viaduto em Belo Horizonte

A seção “Uma Polícia” traz fotos e vídeos que apresentem ao leitor do Abordagem Policial imagens de polícias em todo o mundo.



É preciso cuidar da autoestima dos policiais!

Policiais militares do Paraná em atuação: é preciso reconhecer os policiais. Foto: SECS/PR

De maneira geral os policiais brasileiros sofrem de baixa autoestima profissional, sentindo-se na condição de quem não tem amparo por parte dos governos e da sociedade para a realização do seu trabalho. Não é incomum ver policiais desacreditados sobre a possibilidade de prestar algum serviço que seja reconhecido, aplaudido e elogiado, e então muitos admitem fazer apenas o que não lhes gera ônus.

É inquestionável que as polícias precisam ser fiscalizadas. Os abusos da força e os envolvimentos com o crime devem ser apontados, devassados e solucionados. Mas não basta isso. Assim como acontece na educação familiar, é importantíssimo dizer “não” aos filhos no momento certo, mas também é preciso ser encorajador e propositivo. É preciso reconhecer as boas práticas, indicando o que precisa ser continuado e valorizado.

“Com apenas dedos apontados aos seus erros, os policiais sentem-se acuados, isolam-se, vitimizam-se, negam sua condição e evitam se expor, dialogar e ouvir”

Os casos de brutalidade e corrupção policial que tanto incomodam a sociedade geram tamanho ressentimento que tem inviabilizado o olhar acolhedor às boas práticas (que geralmente são citadas apenas para evitar a generalização). Com apenas dedos apontados aos seus erros, os policiais sentem-se acuados, isolam-se, vitimizam-se, negam sua condição e evitam se expor, dialogar e ouvir.

Nesse sentido carecemos de veículos de comunicação propositivos, que afirmem a importância e a valor dos policiais – obviamente, dentro de uma lógica cidadã, humanitária e legal. O ciclo precisa ser quebrado: pelas polícias que devem buscar a correção nas suas posturas e pelo conjunto da sociedade, que deve reconhecer e elevar a autoestima de seus policiais. Uma coisa tem muito a ver com a outra.



Tirinha Policial (103)

Tirinha do Andre Dahmer

Tirinha do Andre Dahmer

*Tirinha Policial é uma série de posts publicados no blog Abordagem Policial, com tirinhas ou charges que se relacionam direta ou indiretamente com o contexto da segurança públicameu ip.



Uma Polícia (102)

PMERJ atuando em protesto durante a Copa do Mundo

PMERJ atuando em protesto durante a Copa do Mundo. Foto: Agência Brasil

A seção “Uma Polícia” traz fotos e vídeos que apresentem ao leitor do Abordagem Policial imagens de polícias em todo o mundo.



Policiais brigam durante escolta da Seleção Brasileira

Ah, a síndrome do “sabe com quem está falando”. Ao que parece, a policial civil da ocorrência abaixo desrespeitou o serviço que a colega estava desempenhando, gerando um escandaloso e desnecessário desentendimento. Nós, policiais, precisamos ser humildes e nos colocar no lugar do outro que está em serviço:

Duas policiais trocam soco no meio da rua durante escolta da Seleção em BH

 



PM do GATE foi alvo de tiro de comprometimento na Copa

Presidenta da República e Presidente da FIFA na Cerimônia de abertura da Copa em São Paulo

Presidenta da República e Presidente da FIFA na Cerimônia de abertura da Copa em São Paulo

Algo muito grave ocorreu no evento de abertura da Copa do Mundo, em São Paulo: por pouco, um policial militar do Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE) da Polícia Militar do Estado de São Paulo não foi vítima de um tiro de comprometimento disparado por um… policial civil. Isso mesmo. A Folha de São Paulo trouxe o caso à tona, e expôs algumas contradições nos procedimentos de segurança do evento:

Uma falha no esquema de segurança quase terminou em morte dentro do estádio do Itaquerão, em São Paulo, durante o jogo de abertura da Copa entre Brasil e Croácia, no último dia 12, visto por mais de 3 bilhões de pessoas em todo o mundo.

Com a bola rolando, um atirador de elite avistou um homem armado próximo à tribuna onde estavam a presidente Dilma Rousseff, chefes de Estado e autoridades da Fifa, e chegou a pedir a autorização de seus superiores para abater o suspeito.

O disparo foi evitado após o homem ter sido reconhecido como um policial, mas o episódio abriu uma crise entre as polícias Civil e Militar, que apresentaram versões diferentes para explicar a presença do agente no local.

Confirmado à Folha pela Secretaria da Segurança Pública paulista, o caso é investigado e resultou num reforço dos protocolos de segurança para os jogos seguintes.

A suspeita foi levantada por um sniper (atirador) do GER (Grupo Especial de Resgate) da Polícia Civil. Ele avistou um homem com um uniforme do Gate (Grupo de Ações Táticas), da Polícia Militar, numa área de acesso proibido.

Além de Dilma Rousseff, estavam lá o vice-presidente, Michel Temer, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, e o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, entre outras autoridades.

TENSÃO

Via rádio, o sniper avisou a seus superiores sobre o suposto intruso. A informação chegou à sala de comando, montada dentro do estádio, de onde veio a resposta de que não havia nenhum PM do Gate na área restrita.

Diante da suspeita de que se tratasse de um criminoso disfarçado de policial, o sniper pediu autorização para fazer o disparo fatal. Temendo causar pânico e tumulto entre torcedores e autoridades, a ordem foi para que o atirador esperasse mais um pouco.

A tensão tomou conta da sala de monitoramento, onde estavam policiais civis, militares e integrantes do Exército, responsável pelo comando das operações no estádio.

Alguns minutos depois, um policial, cuja identidade não foi revelada, analisou as imagens na sala de monitoramento e reconheceu o suspeito como sendo, de fato, um policial do Gate.

O PM que era tratado como suspeito retirou-se do local, provavelmente após receber uma ordem.

EXPLICAÇÕES

O caso fez o secretário da Segurança, Fernando Grella Vieira, pedir relatórios ao comando das duas polícias.

Segundo a Folha apurou, a Polícia Civil diz que o policial do Gate invadiu uma área restrita sem autorização. Já a PM alegou que ele tinha autorização de seus superiores, pois apurava uma suspeita de bomba, que acabou não se confirmando.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública reconheceu que houve um “erro”, mas sem gravidade: “A Secretaria da Segurança Pública esclarece que, no episódio em questão, houve um erro de comunicação que foi rapidamente sanado, sem maiores consequências.”

A pasta não informou se a razão da presença do policial militar no local proibido já foi esclarecida nem confirmou se havia uma suspeita de bomba na área sendo investigada naquele momento. Procurado, o Exército não se pronunciou até a conclusão desta edição.

Ao que parece – segundo se comenta em comunidades policiais – a confusão ocorreu por vaidades corporativas entre membros da Polícia Civil e da Polícia Militar diretamente ligados ao episódio – algo que não costuma ocorrer entre as mesmas polícias em relação à Polícia Federal e às Forças Armadas. O problema é o cotidiano de disputa por espaço nos ciclos incompletos das polícias estaduais, gerando desentendimentos que beiram a tragédia, como no caso em tela.

Felizmente tudo não passou do susto.