3 vídeos sobre corrupção e cotidiano policial no Brasil 
Exercício Lógico sobre a redução da Maioridade Penal 
5 textos para entender o momento político do Brasil 
As últimas eleições para deputado estadual e federal destacaram um fenômeno claro: cada vez mais policiais são eleitos para as assembléias legislativas nos estados e para a Câmara Federal. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, iniciam o mandato em 2015 cerca de 15 deputados federais e 40 deputados estaduais ex-policiais, que de algum modo atuarão discutindo polícia e segurança pública. É um sinal claro de que há uma mobilização entre os integrantes da categoria visando defender seus interesses. Tão logo esse crescimento eleitoral dos policiais foi detectado, surgiram polêmicas, críticas e discursos manifestando medo sobre a orientação conservadora que esses deputados levariam ao debate político. Alguns questionam, desesperados, por que essas pessoas estão recebendo votação tão expressiva. Ao analisar esse contexto, desconsideram os policiais como trabalhadores, como carentes de representação política que lutem pelos seus anseios e necessidades. Não há nada de negativo em policiais escolherem seus representantes. Quem reivindica polícias e policiais conscientes do seu papel democrático deveria entender que a participação ativa do cidadão policial no mais simbólico dos eventos da democracia, as eleições, é algo importantíssimo. Para efeito de curiosidade, apenas em 1988 isso foi possível para os praças das polícias militares, antes proibido por todas as demais constituições. Policiais que votam e são votados e têm direito à liberdade de expressão (ainda não garantida pela legislação brasileira aos PMs) são pressupostos básicos para que as polícias se compreendam cidadãs. "Considerar que policiais elegerem seus representantes é negativo é pregar polícias menos democráticas" Em grande parte das polícias brasileiras há um sentimento de abandono entre os policiais em relação às suas necessidades trabalhistas. Às vezes faltam condições básicas e segurança para a realização das missões. Como qualquer outro servidor público sabe, há limites institucionais até mesmo para fazer valer a lei, principalmente quando isso gera ônus financeiro para os governos. Neste cenário, não adianta apelar para a bondade dos patrões (os governos), mas sim ter maneiras efetivas de reivindicação e exposição dos problemas. Uma pergunta: quais candidatos e candidatas não policiais se ocupam de maneira efetiva com essas questões? Concordo plenamente com as críticas feitas a candidatos policiais que demagogicamente sustentam o discurso do "bandido bom é bandido morto", que defendem políticas de segurança recheadas de repressão arbitrária e trágica (para os próprios policiais, inclusive). Mas ao mesmo tempo é bom lembrar que esse discurso tem sido vendido não apenas a policiais, mas também a outros setores da sociedade que defendem políticas de "mão dura" - e também votam nesses pregadores do faroeste. Do ponto de vista democrático, não seria justificável negar o direito ao voto à população brasileira por eleger candidatos como Collor ou Sarney. Da mesma forma, boa parte dos futuros deputados policiais brasileiros não me representa, mas é democrático que a tropa os eleja. Considerar que policiais elegerem seus representantes é negativo é pregar polícias menos democráticas, e é da mesma orientação de quem critica os nordestinos por escolherem este ou aquele candidato.
O tema da sindicalização de policiais e militares sempre gera controvérsias no Brasil. Por se tratarem de forças armadas o entendimento é que esses profissionais não podem se sindicalizar como o fazem os demais cidadãos. Na Europa, a Corte Europeia de Direitos Humanos decidiu o seguinte sobre o tema: A Corte Europeia de Direitos Humanos decidiu que a liberdade de associação é um direito que deve ser garantido para toda e qualquer pessoa, independentemente da profissão que exerça. Por isso, integrantes das forças armadas de um país têm o direito de formar um sindicato, disse o tribunal. O julgamento ainda não é definitivo e pode ser revisto. Os juízes avaliaram que, dadas as particularidades das forças armadas, os países podem aprovar leis que restrinjam esse direito de olho na segurança nacional. Não podem, no entanto, simplesmente eliminar a previsão e proibir os militares de formar um grupo sindical. O direito de as categorias profissionais se unirem está previsto no artigo 11 da Convenção Europeia de Direitos Humanos. O dispositivo prevê a possibilidade de restrições da garantia quando necessário numa sociedade democrática. E ainda estabelece: “O presente artigo não proíbe que sejam impostas restrições legítimas ao exercício destes direitos aos membros das forças armadas, da polícia ou da administração do Estado”. Na França, um militar foi obrigado por seu superior a se desassociar do sindicato que ele mesmo criou. Depois de tramitar pela Justiça nacional, a discussão chegou à corte europeia. O tribunal avaliou que é aceitável que os Estados restrinjam o direito de se associar para algumas categorias, desde que essas restrições sejam estritamente necessárias para a vida em sociedade e para a proteção do país. Para isso, os parlamentares precisam aprovar uma lei que especifique claramente quais são essas limitações do direito. Isso não quer dizer, no entanto, que o Estado pode simplesmente retirar a garantia de determinadas profissões. O direito de se associar deve ser garantido para todos, ainda que em escalas diferentes. Fonte: Conjur Dica do Cathalá
Todo policial brasileiro provavelmente já recebeu uma mensagem com a última notícia do momento que inicia com os termos "segundo informações". Essas duas palavras são usadas para justificar a autoria de alguma narrativa. Por exemplo: "Segundo informações, o policial fulano de tal realizou a prisão de um autor de roubo na rua tal". Como se "informações" fosse um ser humano, uma fonte legítima e confiável que sustentasse o que está sendo "repassado". Em tempos de WhatsApp está cada vez mais difícil lidar com conceitos como segurança da informação, sensação de segurança, credibilidade da informação etc. A quantidade e a rapidez tem ganhado prioridade sobre a qualidade. No contexto policial isso se agrava porque informações sobre ocorrências ou problemas internos às polícias geralmente estão ligadas a direitos individuais ou coletivos, o que possibilita o dano a reputações ou a desnecessárias mudanças de comportamento pautadas no medo. "Não é pequena a possibilidade de aproveitadores manipularem a manada dos desavisados para garantir a propagação de inverdades" Se qualquer organização do mundo atual precisa orientar seus integrantes sobre a forma de lidar com informações, nas polícias isso é condição indispensável para o exercício da profissão. Não é pequena a possibilidade de aproveitadores manipularem a manada dos desavisados para garantir a propagação de inverdades. Diferentemente do que pensam alguns, esse não é um problema para lidar de maneira disciplinar, mas através de orientação e esclarecimento. Sem ter a ambição de controlar o incontrolável, vale a pena ensinar a tropa a usar os meios de comunicação à sua disposição com inteligência.
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8 formas práticas de fazer Policiamento Comunitário 
Já falei muito aqui no blog sobre a importância do Ciclo Completo para as organizações policiais brasileiras. No último texto sobre o assunto disse por que a medida não implica a unificação das corporações policiais estaduais (Polícia Civil e Polícia Militar). Se alguém tem dúvida em relação ao tema, vale ler o texto "Laranjas cortadas não param em pé", de Marcos Rolim, que cito abaixo: "A bipartição do ciclo impede que os policiais encarregados da investigação tenham acesso às informações coletadas pelos patrulheiros. Sem profissionais no policiamento ostensivo, as Polícias Civis não podem contar com um competente sistema de coleta de informações. Não por outra razão, recorrem com tanta freqüência aos “informantes” – quase sempre pessoas que mantém ligações com o mundo do crime, condição que empresta à investigação limitações estruturais e, com freqüência, dilemas éticos de difícil solução. As Polícias Militares, por seu turno, impedidas de apurar responsabilidades criminais, não conseguem atuar efetivamente na prevenção vez que a ostensividade – ao contrário do que imagina o senso comum – não previne a ocorrência do crime, mas o desloca (potenciais infratores não costumam praticar delitos na presença de policiais; mas não mudam de ideia, mudam de local). Patrulhamento e investigação são, na verdade, faces de um mesmo trabalho que deve integrar as fases do planejamento da ação policial, desde o diagnóstico das tendências criminais até a formulação de planos de ação, monitoramento e avaliação de resultados. No Brasil, isto se tornou inviável. Mas, como laranjas cortadas ao meio não permanecem em pé, as polícias intuem que precisam do ciclo completo (da outra metade). Por isso, historicamente, ambas procuram incorporar as “prerrogativas de função” que lhes faltam, o que tem estimulado a conhecida e disfuncional hostilidade entre elas, traduzida pela ausência de colaboração e, não raro, por iniciativas de boicote." Para quem nunca viveu a atividade policial de rua, podemos dizer que ter o ciclo da atividade policial quebrado é o mesmo que obrigar um cirurgião a fazer meia cirurgia, passando para outro profissional o trabalho tão delicado antes do procedimento acabar. Por isso praticamente todo o mundo decidiu garantir o Ciclo Completo da atividade policial, inclusive todos os países da Europa, América do Norte e América do Sul. Em momento eleitoral, com os números da violência no país espantando a todos, era de esperar que o tema fosse abordado frontalmente, já que tem muito a ver com a eficiência das corporações policiais. Mas, considerando os debates e os programas de Governo, não é o que está ocorrendo. Apenas o programa da candidata Marina Silva (PSB) fala sobre o Ciclo Completo, quando defende o seguinte: "Propor reforma do modelo de atuação policial e da gestão das organizações policiais, com implementação de planos de carreira, de formação e de capacitação para o ciclo completo da ação policial (preventivo, ostensivo e investigativo); de avaliação de desempenho por metas e de indicadores combinados para as polícias Civil e Militar a fim de estimular sua atuação conjunta." Ponto para Marina Silva, que considera em seu Programa uma reivindicação praticamente consensual entre estudiosos e a esmagadora maioria dos policiais brasileiros.
A criança chora no colo da mãe, que impaciente não sabe o que fazer para cessar o desespero do filho. Eis que avista dois policiais militares. “Se você não parar de chorar a polícia vai te prender e te levar”. Implantar o medo é uma forma de exercer poder. O desespero do outro é muito útil para quem se interessa em tomar muito em troca de pouco ou nada. Quem tem medo facilmente terceiriza sua capacidade de decisão, se apega ao suposto protetor, e admite extremismos, por mais que eles expressem contradições. O medo do inferno justifica muitos fundamentalismos religiosos. A ameaça comunista garantiu a emergência de diversos regimes autoritários. O temor à fome já fez com que diversas ditaduras se estabelecessem no mundo, nos mais diversos espectros políticos-ideológicos. Em período eleitoral, como o que vivemos no Brasil, a oposição tenta propagandear que as deficiências dos governos serão aprofundadas. A situação, por sua vez, costuma ter como estratégia ameaçar o eleitor com a possibilidade de perda do que foi conquistado. A lógica eleitoreira é uma disputa sobre quem vai incutir mais medo em quem vota. Não é outro o fundamento de programas e publicações sensacionalistas com pauta violenta senão implantar o medo, custe o que custar. Medo é poder. É com medo dos vândalos que leis draconianas contra as manifestações de rua são criadas. É porque deve-se temer homens armados se manifestando que policiais militares não têm direito à liberdade de expressão. É por temer o avanço do crime que proclamamos que “bandido bom é bandido morto”. Não é outro o fundamento de programas e publicações sensacionalistas com pauta violenta senão implantar o medo, custe o que custar. Medo é poder. Então os riscos não existem? Vivemos sob uma estabilidade que não autoriza sobressaltos? Não. Trata-se de perceber que, sob o império do medo, as complexidades são ignoradas para dar lugar a uma simplicidade que parece ser mais confortável, redentora. E toda redenção pressupõe a existência de um redentor, e suas “boas intenções”. Ao ver a mãe ameaçar o filho com sua presença, o policial militar se aproximou da senhora e orientou-a. “Nós não prendemos nem levamos um menino bom como ele, senhora. Fique tranquilo, garoto, nós só prendemos pessoas que fazem o mal com outras pessoas”. Precisamos nos comprometer a não ser instrumento de intimidação e implantação do medo.
O Jornal de Brasília divulgou uma denúncia que tem gerado polêmica sobre o método de treinamento utilizado em um Curso de Operações Especiais da Polícia Militar do Distrito Federal. Segundo a publicação, policiais militares participantes da instrução deviam ingerir o vômito de colegas de curso: O Curso de Operações Especiais (COEsp) da Polícia Militar tem o objetivo de preparar os participantes para as mais variadas situações. Mas qual o limite entre a capacitação e o desrespeito aos direitos humanos? Em um dos treinamentos, o PM é obrigado a ingerir o vômito do colega de farda. Uma denúncia feita ao JBr. questiona a necessidade das atividades. Quem responde é a Comunicação Social da PM. De acordo com a corporação, o objetivo é deixar o policial pronto para lidar com situações complexas e extremas, "como salvamento aquático, onde o policial pode se deparar com o socorro de afogados, sendo que o treinamento serve para quebrar qualquer barreira para salvar uma vida”, informa a nota enviada ao JBr.. A PM justifica ainda que “o treinamento é feito de maneira técnica e profissional realizada por especialistas de diversas áreas como psicólogos, médico etc". Denúncia Revoltado com o suposto excesso, um policial enviou mais de 20 imagens do curso. O treinamento ocorrido no DF contou com policiais da Colômbia e Argentina. A atividade ocorre no refeitório da corporação. Ali, aparecem homens vestidos com camiseta preta e bonés - a maioria com a bandeira do DF. Panelas e garrafas de refrigerante são colocadas na boca dos participantes. Uma das sequências das fotos mostra um militar de boné vermelho vomitando em uma grande panela. Na cena seguinte, o recipiente é derramado em uma jarra de alumínio que passa de boca em boca. Cada um dos aspirantes ingere um pouco do vômito liberado pelo policial de boné vermelho. Muitos não aguentam e vomitam também. O instrutor sorri. Em seguida, força o mesmo policial a tomar mais uma vez o vômito do colega. Um policial chega a colocar as mãos no joelho, como se não aguentasse mais aquilo. Como se não bastasse a tarefa anterior, muitos militares são forçados a passar o vômito com a boca para o companheiro. Eles sabem que estão sendo fotografados. Mesmo assim, não esboçam reação, em sinal de obediência. O curso tem carga horária aproximada de 1.164 horas e já preparou policiais de outros estados. Via Marcos Rolim