Ingenuidade é aprofundar tudo que está aí 
Vídeo: policial é ajudado pela população para imobilizar suspeito 
Só o Estado pode interromper o ciclo de tragédias 
A criança chora no colo da mãe, que impaciente não sabe o que fazer para cessar o desespero do filho. Eis que avista dois policiais militares. “Se você não parar de chorar a polícia vai te prender e te levar”. Implantar o medo é uma forma de exercer poder. O desespero do outro é muito útil para quem se interessa em tomar muito em troca de pouco ou nada. Quem tem medo facilmente terceiriza sua capacidade de decisão, se apega ao suposto protetor, e admite extremismos, por mais que eles expressem contradições. O medo do inferno justifica muitos fundamentalismos religiosos. A ameaça comunista garantiu a emergência de diversos regimes autoritários. O temor à fome já fez com que diversas ditaduras se estabelecessem no mundo, nos mais diversos espectros políticos-ideológicos. Em período eleitoral, como o que vivemos no Brasil, a oposição tenta propagandear que as deficiências dos governos serão aprofundadas. A situação, por sua vez, costuma ter como estratégia ameaçar o eleitor com a possibilidade de perda do que foi conquistado. A lógica eleitoreira é uma disputa sobre quem vai incutir mais medo em quem vota. Não é outro o fundamento de programas e publicações sensacionalistas com pauta violenta senão implantar o medo, custe o que custar. Medo é poder. É com medo dos vândalos que leis draconianas contra as manifestações de rua são criadas. É porque deve-se temer homens armados se manifestando que policiais militares não têm direito à liberdade de expressão. É por temer o avanço do crime que proclamamos que “bandido bom é bandido morto”. Não é outro o fundamento de programas e publicações sensacionalistas com pauta violenta senão implantar o medo, custe o que custar. Medo é poder. Então os riscos não existem? Vivemos sob uma estabilidade que não autoriza sobressaltos? Não. Trata-se de perceber que, sob o império do medo, as complexidades são ignoradas para dar lugar a uma simplicidade que parece ser mais confortável, redentora. E toda redenção pressupõe a existência de um redentor, e suas “boas intenções”. Ao ver a mãe ameaçar o filho com sua presença, o policial militar se aproximou da senhora e orientou-a. “Nós não prendemos nem levamos um menino bom como ele, senhora. Fique tranquilo, garoto, nós só prendemos pessoas que fazem o mal com outras pessoas”. Precisamos nos comprometer a não ser instrumento de intimidação e implantação do medo.
O Jornal de Brasília divulgou uma denúncia que tem gerado polêmica sobre o método de treinamento utilizado em um Curso de Operações Especiais da Polícia Militar do Distrito Federal. Segundo a publicação, policiais militares participantes da instrução deviam ingerir o vômito de colegas de curso: O Curso de Operações Especiais (COEsp) da Polícia Militar tem o objetivo de preparar os participantes para as mais variadas situações. Mas qual o limite entre a capacitação e o desrespeito aos direitos humanos? Em um dos treinamentos, o PM é obrigado a ingerir o vômito do colega de farda. Uma denúncia feita ao JBr. questiona a necessidade das atividades. Quem responde é a Comunicação Social da PM. De acordo com a corporação, o objetivo é deixar o policial pronto para lidar com situações complexas e extremas, "como salvamento aquático, onde o policial pode se deparar com o socorro de afogados, sendo que o treinamento serve para quebrar qualquer barreira para salvar uma vida”, informa a nota enviada ao JBr.. A PM justifica ainda que “o treinamento é feito de maneira técnica e profissional realizada por especialistas de diversas áreas como psicólogos, médico etc". Denúncia Revoltado com o suposto excesso, um policial enviou mais de 20 imagens do curso. O treinamento ocorrido no DF contou com policiais da Colômbia e Argentina. A atividade ocorre no refeitório da corporação. Ali, aparecem homens vestidos com camiseta preta e bonés - a maioria com a bandeira do DF. Panelas e garrafas de refrigerante são colocadas na boca dos participantes. Uma das sequências das fotos mostra um militar de boné vermelho vomitando em uma grande panela. Na cena seguinte, o recipiente é derramado em uma jarra de alumínio que passa de boca em boca. Cada um dos aspirantes ingere um pouco do vômito liberado pelo policial de boné vermelho. Muitos não aguentam e vomitam também. O instrutor sorri. Em seguida, força o mesmo policial a tomar mais uma vez o vômito do colega. Um policial chega a colocar as mãos no joelho, como se não aguentasse mais aquilo. Como se não bastasse a tarefa anterior, muitos militares são forçados a passar o vômito com a boca para o companheiro. Eles sabem que estão sendo fotografados. Mesmo assim, não esboçam reação, em sinal de obediência. O curso tem carga horária aproximada de 1.164 horas e já preparou policiais de outros estados. Via Marcos Rolim
Entrevista com o Chefe de Estado Maior da PMERJ 
PMERJ implantará carreira única: Soldado chegará a Coronel 
Chamou a atenção do país a operação desencadeada conjuntamente pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, pela Secretaria de Segurança Pública e pela Corregedoria-Geral da Polícia Militar, onde 24 policiais militares foram presos, entre eles o Coronel PMERJ Comandante de Operações Especiais e mais três majores e dois capitães. Confira detalhes da operação, que aponta para a existência de um esquema de corrupção bastante sofisticado: O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, a Secretaria de Segurança Pública e a Corregedoria-Geral da Polícia Militar deflagram, nesta segunda-feira (15/09), em vários pontos do Rio, a Operação Amigos S.A., para desmantelar quadrilha formada por pelo menos 24 policiais militares que integravam o 14° BPM (Bangu), inclusive os integrantes do Estado-Maior, e exigiam pagamento de propina de comerciantes, mototaxistas, motoristas e cooperativas de vans, além de empresas transportadoras de cargas na área do batalhão. A denúncia foi encaminhada pelo GAECO à 1ª Vara Criminal de Bangu, que expediu 43 mandados de busca e apreensão e 25 mandados de prisão preventiva, dos quais 24 são contra PMs. Até o início da tarde desta segunda-feira, foram presas 22 pessoas, das quais cinco oficiais. Foram apreendidos cerca de R$ 300 mil em espécie. Desse total, R$ 287 mil foram localizados na casa do major Edson Alexandre Pinto de Góes e R$ 33 mil na residência de outro PM que integrava a quadrilha. Documentos que demonstrariam a distribuição da propina foram recolhidos e serão analisados para identificar a ocorrência de lavagem de dinheiro. Entre os denunciados estão seis oficiais que eram lotados no 14° BPM (Bangu): o ex-comandante coronel Alexandre Fontenelle Ribeiro de Oliveira, atual chefe do Comando de Operações Especiais (COE), e o ex-subcomandante major Carlos Alexandre de Jesus Lucas – ambos lotados atualmente no Comando de Operações Especiais –, os majores Nilton João dos Prazeres Neto (chefe da 3ª Seção) e Edson Alexandre Pinto de Góes (coordenador de Operações), além dos capitães Rodrigo Leitão da Silva (chefe da 1ª Seção) e Walter Colchone Netto (chefe do Serviço de Inteligência). Também são acusados de integrar a quadrilha 18 praças e um civil. Entre 2012 e o segundo semestre de 2013, os acusados e mais 80 pessoas, entre os quais policiais do 14° BPM, da 34ª DP (Bangu), da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), além de PMs reformados, praticavam diversos crimes de concussão (extorsão cometida por servidor público) na área de atuação do 14° BPM. A quadrilha exigia propinas que variavam entre R$ 30 e R$ 2.600 e eram cobradas diária, semanal ou mensalmente, como garantia de não reprimir qualquer ação criminosa, seja a atuação de mototaxistas, motoristas de vans e kombis não autorizados, o transporte de cargas em situação irregular ou a venda de produtos piratas no comércio popular de Bangu. De acordo com a denúncia, baseada em depoimentos de testemunhas, documentos e diálogos telefônicos interceptados com autorização judicial que compõem mais de 20 volumes de inquérito, “o 14° BPM foi transformado em um verdadeiro ‘balcão de negócios’, numa verdadeira ‘sociedade empresária S/A’, em que os ‘lucros’ eram provenientes de arrecadação de propinas por parte de diversas equipes policiais responsáveis pelo policiamento ostensivo, sendo que a principal parte dos ‘lucros’ (propinas) era repassada para a denominada ‘Administração’, ou seja, para os oficiais militares integrantes ‘Estado Maior’, que detinham o controle do 14º BPM, o controle das estratégias, o controle das equipes subalternas e o poder hierárquico”. Os acusados responderão na 1ª Vara Criminal de Bangu pelo crime de associação criminosa armada, que não consta do Código Penal Militar. A pena é de dois a seis anos de reclusão. Os 24 PMs também poderão ser obrigados a pagar indenização por danos morais à Polícia Militar, pelo dano causado à imagem da corporação. Os integrantes da quadrilha ainda serão responsabilizados pelo Ministério Público pelos diversos crimes de concussão, que serão apurados pela Auditoria de Justiça Militar estadual. Fonte: MP-RJ Ao Jornal O DIA, Fábio Galvão, Subsecretário de Inteligência da Secretaria de Estado de Segurança (Seseg), disse que "a tática era endurecer a fiscalização, justamente para que os trabalhadores fossem obrigados a pagar propina. Todos responderão por formação armada de quadrilha e na Justiça Militar pelo crime de concussão e propina". Sobre a semelhança com a atuação dos acusados e uma milícia o promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Cláudio Caio Souza disse que "a milícia é um grupo paramilitar. Eles não. Eles agiam fardados e na área de atuação do batalhão".
Algo que tem recebido muitas críticas em polícias Brasil afora passará a ser disseminado na Polícia Rodoviária Federal (PRF): mais de 900 cargos comissionados foram aprovados pelo Senado Federal, visando nomear Policiais Rodoviários Federais em cargos de chefia e direção. Os chamados "cargos de confiança" nas polícias costumam ser criticados por submeter seus integrantes a critérios políticos para a ocupação de cargos do alto e médio escalão: A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) aprovou, nesta terça-feira (2), projeto de lei da Câmara (PLC 72/2014) que cria 969 funções gratificadas no Departamento de Polícia Rodoviária Federal (DPRF). A proposta cria ainda 384 funções de confiança e 5 cargos em comissão. Seus ocupantes deverão exercer atividades de direção, chefia e assessoramento e serem titulares de cargos efetivos dentro do próprio órgão. A matéria segue para votação no Plenário do Senado em regime de urgência. De iniciativa do Poder Executivo, a proposta recebeu parecer pela aprovação do relator, senador Vital do Rego (PMDB-PB). Além da remuneração do cargo efetivo ocupado, quem exercer uma destas funções comissionadas terá direito a um adicional, que não será incorporado à remuneração do cargo efetivo nem vai integrar os proventos de aposentadoria. As funções de confiança estão distribuídas por quatro níveis, devendo a maior ser fixada em R$ 5.132,83 e a menor, em R$ 1.336,71, a partir de janeiro de 2015. Ao mesmo tempo em que cria 969 funções gratificadas e 5 cargos em comissão, o PLC 72/2014 extingue 6 funções gratificadas e 53 cargos em comissão. Fonte: Agência Senado. Abaixo, a tabela com os valores das funções comissionadas: Leia aqui o Projeto de Lei Completo.