Vídeo: mulher presa e algemada “rouba” carro da polícia 
Vídeo: policiais militares salvam bebê engasgado 
Como evitar que seu filho seja vítima de violência 
Recebi um email de um leitor (que não identificarei) mostrando preocupação com a "moda" das páginas policiais no Facebook que fazem apologia à violência policial. Leiam: "Olá, Danillo. Sou policial civil e tenho observado que o número de "páginas policiais" no Facebook tem aumentado de forma considerável. Essas páginas, via de regra, trazem conteúdo violento mostrando, quase sempre, bandidos feridos/mortos. Outro tipo de conteúdo que tem crescido nessas páginas são vídeos onde policiais colocam bandidos para pedirem desculpa por ofensas feitas também em redes sociais, pixados com suas próprias tintas e até se beijando na boca. E cada dia que passa arrasta mais admiradores. É visível que quem mantém essas páginas não está preocupado com as consequências que essa postura pode trazer. Eu entendo que esse tipo de postura do policial torna a guerra contra o crime pessoal, onde o bandido não mais sente raiva do Estado nem da polícia, mas do policial. Talvez esse comportamento seja a causa de tantos policiais mortos ao irem ao supermercado, por exemplo. O que para mim é bem diferente de ser morto em troca de tiros durante o serviço. Não sei se consegui ser claro, mas se fui, o que você acha dessa nova moda?" Compartilho das preocupações do colega e considero gravíssimo esse incentivo à violência por parte de policiais - principalmente em mídias sociais, dado o poder de viralização e consequente propagação dessa cultura. Por ingenuidade, falta de profissionalismo e incapacidade de pensar seu ofício acima das mesmas práticas pequenas típicas dos autores de crimes, muitos policiais proclamam essa "guerra particular" que traz danos a si próprios, e incentiva o fortalecimento da sensação de "inimigo" para setores bem específicos da sociedade. Não há mal, e até é desejável, analisar ocorrências policiais à luz da técnica e da legalidade. Mas incentivar violências, debochar da morte e enaltecer a ilegalidade é trágico. O cotidiano tem nos mostrado isso.  
Muito está se falando sobre a recente pesquisa realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública com a opinião dos policiais brasileiros sobre vários temas, mas ainda não vi comentários sobre um dado importante, que reflete bem como a atual política de drogas está na mão errada: segundo a pesquisa, 86,6% dos policiais brasileiros entendem que há uma "Ênfase desproporcional das políticas de segurança na repressão ao tráfico de drogas". Número expressivo e digno de análise. Isso não indica qualquer tipo de "benevolência" ou "conivência" com a atividade do tráfico de drogas - como querem afirmar os confusos defensores da atual política. Na verdade, os números dizem o que se constata com pouco esforço: os policiais brasileiros estão "enxugando gelo" em relação ao objetivo de evitar a comercialização e consumo de drogas. É nítido que a extensão econômica do tráfico, que conta com centenas de milhares de clientes em todo o país, inviabiliza qualquer poder dissuasório da atividade (inclusive o bélico). Mesmo entre os policiais que se abstém de opinar sobre políticas alternativas ao atual modelo é quase consensual que o que temos não está funcionando, trazendo danos principalmente aos policiais que estão com os coturnos na rua e/ou à parcela da população economicamente menos favorecida. Essa discussão diz menos respeito ao hedonismo de quem quer ter o prazer de usar qualquer tipo de droga (embora entenda que esse seja um direito legítimo a se reivindicar, já que é permitido o uso de álcool e tabaco) e mais sobre a morte em série das classes inferiores da sociedade, policiais incluídos. Ao que parece, há larga janela para discutir o tema com os policiais brasileiros.
PM sozinho e fardado se depara com assaltantes de caixa eletrônico 
Policial faz sucesso após vídeo dublando e dançando Taylor Swift 
Em tempos onde muito se discute a ideia de desmilitarização, algo bastante oportuno e merecedor de reflexões diversas, é preciso considerar as vantagens que existem na manutenção desse aspecto da identidade institucional. A educação militar, através das instituições de ensino nos mais diversos níveis, em boa parte se destaca no panorama nacional. A que se deve esse resultado? O ideal de disciplina que persiste nas fileiras das corporações está em desuso na sociedade. Cada vez mais os paisanos parecem crer que na tolerância leniente, e por que não na impunidade, está embutida uma comprovação de modernidade. A indiferença diante dos erros é vista com naturalidade e incorporada à rotina, de modo a prejudicar qualquer processo pedagócico. Nas instituições de ensino militar, em geral, a pontualidade é uma meta sempre buscada, e muitas vezes alcançada. Já as universidades, em diversos cursos, possuem como marca o descompromisso de alunos e professores para com o relógio. São aulas que começam atrasadas e terminam mais cedo, intervalos com tempo indefinido e estabelecidos de modo irregular, compondo uma aura de anarquia plena. A extinção do civismo, do patriotismo, de tantas outras virtudes na sociedade civil, estão longe de representar avanços para a sociedade. Os processos avaliativos cada vez mais desestimulam a meritocracia. Parece que premiar o bem sucedido é um pecado, e alertar quem permanece em níveis insuficientes é uma ofensa. O remédio aplicado é a extensão de prazos, os métodos de avaliação em grupo, através de atividades que não checam efetivamente a assimilação de conteúdo. Quando o professor distribui o conteúdo da matéria entre grupos e nas aulas seguintes fica sentado assistindo às apresentações, está nada menos do que poupando seu esforço e fragmentando o aprendizado. Tal falha já acomete até algumas escolas militares, mas o estímulo à busca da melhor classificação ao menos estimula uma competitividade saudável. O respeito que se mantém à figura do instrutor, evidenciado no ato de levantar-se e manter o silêncio quando o mesmo adentra a sala de aula, é inimaginável na maior parte das faculdades. Princípios como a necessidade de permissão para sair do ambiente de aprendizado fortalecem o respeito que se deve a todo professor, algo que se perdeu completamente entre os universitários. Dessa ambiência decorre a dificuldade de muitos deles em se submeter a qualquer tipo de poder disciplinar nas ruas, afinal são educados por meio da libertinagem em casa e da subversão na academia. Acabam por crer que são soberanos, absolutos, que suas liberdades não possuem limites. Ledo engano, possuem sim, ainda bem. A extinção do civismo, do patriotismo, de tantas outras virtudes na sociedade civil, estão longe de representar avanços para a sociedade. Nações desenvolvidas não chegaram a índices melhores com base em crenças desse tipo. É claro que o militarismo carrega alguns prejuízos por suas peculiaridades e passa por uma fase onde está sendo repensado. Mas crucificar totalmente uma filosofia que agrega virtudes e valores essenciais, apesar de enfraquecidos na população, é algo inconsequente e repleto de ingratidão.
Na última semana o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), divulgou os resultados de uma pesquisa que ouviu os policiais brasileiros sobre as possibilidades de reformas e modernização nas polícias brasileiras. Essa é a segunda vez que uma pesquisa desse tipo foi feita no Brasil, quebrando o paradigma de histórica desconsideração da opinião dos policiais a respeito do sistema que operam. A primeira vez foi na pesquisa "O que pensam os profissionais da segurança pública, no Brasil", realizada por Marcos Rolim, Silvia Ramos e Luiz Eduardo Soares, em 2009 (cinco anos atrás). Alguns resultados: O curioso é que, cinco anos e centenas de milhares de homicídios depois, os policiais brasileiros continuam pensando de maneira semelhante, com aumento significativo na afirmação de todos os tópicos acima, de acordo com a atualíssima pesquisa realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública: A combinação desses dados com o trágico número de 56.337 pessoas assassinadas por ano, de acordo como o Mapa da Violência 2014, deveriam servir de catalisador para que medidas políticas efetivas fossem tomadas em relação ao tema, principalmente em âmbito federal, já que é limitado o poder dos estados para a implementação de reformas. À beira das eleições, como andam os ânimos das candidaturas presidenciais em relação a isso? O debate entre os coordenadores de campanha que ocorreu na última semana em São Paulo-SP, promovido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e a FGV, mostra bem o quanto o tema é secundário. A Presidenta Dilma Rousseff não mandou representantes, como bem disse Jorge Antonio Barros em seu blog no Globo: Entre os três maiores candidatos à presidência da República, apenas Dilma não enviou representante à reunião do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), que apresentou aos assessores de candidatos a agenda prioritária de segurança -- um documento de consenso entre estudiosos da área. O encontro foi ontem em São Paulo. A reunião ocorreu na mesma hora em que a presidente e sua comitiva visitavam o Templo de Salomão, da Igreja Universal, onde o bispo Edir Macedo resumiu as expectativas em torno da criminalidade: "Só com muita oração pode-se garantir saúde e segurança neste país". Enquanto a questão da segurança pública não for incluída na agenda de políticas públicas da União e dos estados, será preciso mesmo muita oração. Os coordenadores que compareceram ao debate (das candidaturas de Eduardo Campos e Aécio Neves) estavam claramente desautorizados em falar de reformas sistêmicas, limitando-se a afirmar que segurança pública seria prioridade, que os investimentos seriam aumentados e qualificados e que replicariam as políticas que fizeram nos estados (Pernambuco e Minas Gerais). Pelo jeito, teremos uma nova pesquisa em 2019, chegando a mais de 95% dos policiais brasileiros clamando por reformas.
Olhar para a história das constituições brasileiras é um importante exercício para entender dois sintomas da relação entre as polícias militares brasileiras e a política. O primeiro, a dificuldade da formulação de uma consciência política coletiva entre os policiais militares: embora haja avanços, estamos longe do que é preciso em termos de maturidade, autocrítica e coragem. O segundo sintoma é o entendimento ainda existente de que policiais militares não são dignos de escolha política ou ideológica, a não ser aquela a que está submetido circunstancialmente - a do governo no poder. Garantir aos militares o direito de divergir, contradizer e se posicionar (em suma, ter direito de escolha) ainda não é um consenso. Como isto está expresso na história das nossas constituições? Vejam abaixo o tratamento político que cada uma delas deu aos militares, notadamente às praças, que só ganharam o "privilégio" do voto em 1988: Constituição de 1824 Art. 92. São excluidos de votar nas Assembléas Parochiaes. I. Os menores de vinte e cinco annos, nos quaes se não comprehendem os casados, e Officiaes Militares, que forem maiores de vinte e um annos, os Bachares Formados, e Clerigos de Ordens Sacras. Art. 93. Os que não podem votar nas Assembléas Primarias de Parochia, não podem ser Membros, nem votar na nomeação de alguma Autoridade electiva Nacional, ou local. Leia na Constituição Constituição de 1891 Art 70 - São eleitores os cidadãos maiores de 21 anos que se alistarem na forma da lei. § 1º - Não podem alistar-se eleitores para as eleições federais ou para as dos Estados: 1º) os mendigos; 2º) os analfabetos; 3º) as praças de pré, excetuados os alunos das escolas militares de ensino superior; Leia na Constituição! Constituição de 1934 Art 108 - São eleitores os brasileiros de um e de outro sexo, maiores de 18 anos, que se alistarem na forma da lei. Parágrafo único - Não se podem alistar eleitores: a) os que não saibam ler e escrever; b) as praças-de-pré, salvo os sargentos, do Exército e da Armada e das forças auxiliares do Exército, bem como os alunos das escolas militares de ensino superior e os aspirantes a oficial; c) os mendigos; d) os que estiverem, temporária ou definitivamente, privados dos direitos políticos. Leia na Constituição! Constituição de 1937 Art. 117 - São eleitores os brasileiros de um e de outro sexo, maiores de dezoito anos, que se alistarem na forma da lei e estiverem no gozo dos direitos políticos. Os militares em serviço ativo, salvo os oficiais, não podem ser eleitores. Leia na Constituição! Constituição de 1946 Art 132 - Não podem alistar-se eleitores: I - os analfabetos; II - os que não saibam exprimir-se na língua nacional; III - os que estejam privados, temporária ou definitivamente, dos direitos políticos. Parágrafo único. Os militares são alistáveis, desde que oficiais, aspirantes a oficiais, guardas-marinhas, subtenentes ou suboficiais, sargentos ou alunos das escolas militares de ensino superior para formação de oficiais. Leia na Constituição! Constituição de 1967 Art 142 - São eleitores os brasileiros maiores de dezoito anos, alistados na forma da lei. § 1º - o alistamento e o voto são obrigatórios para os brasileiros de ambos os sexos, salvo as exceções previstas em lei. § 2.º - Os militares são alistáveis desde que oficiais, aspirantes-a-oficiais, guardas-marinha, subtenentes, ou suboficiais, sargentos ou alunos das escolas militares de ensino superior para formação de oficiais. Leia na Constituição! Constituição de 1969 Art. 147. São eleitores os brasileiros maiores de dezoito anos, alistados na forma da lei. § 1º O alistamento e o voto são obrigatórios para os brasileiros de ambos os sexos, salvo as exceções previstas em lei. § 2º Os militares serão alistáveis, desde que oficiais, aspirantes a oficiais, guardas-marinha, subtenentes ou suboficiais, sargentos ou alunos das escolas militares de ensino superior para formação de oficiais. Leia na Constituição! *** Atualmente apenas durante o período do serviço militar obrigatório os conscritos não podem votar. Se esse "detalhe" constitucional histórico não explica odo o contexto político-ideológico que vivem os policiais militares, pelo menos dá indícios do que está posto na atualidade.
Em editorial publicado neste domingo, um dos principais jornais do mundo, o tradicional The New York Times, defendeu a legalização da maconha nos Estados Unidos. Confira a íntegra da publicação, traduzida por Rebeca Lerer: Revogue a Proibição, Outra Vez Levou 13 anos para os Estados Unidos cair em si e encerrar a Proibição, 13 anos nos quais as pessoas continuaram bebendo, cidadãos comuns se tornaram criminosos e sindicatos do crime surgiram e se multiplicaram. Já se passaram mais de 40 anos desde que o Congresso aprovou a vigente interdição sobre a maconha, causando grandes danos à sociedade ao proibir uma substância bem menos perigosa do que o álcool. O governo federal deveria acabar com a proibição da maconha. Chegamos à esta conclusão após muitos debates entre os membros do Conselho Editorial do New York Times, inspirados por um movimento em franca expansão nos estados sobre a reforma das leis que proíbem a maconha. Não existem respostas perfeitas para as preocupações legítimas sobre o uso de maconha. Tais respostas tampouco existem para o consumo de álcool e o tabaco, e nós acreditamos que, em todos os aspectos – efeitos na saúde, impacto na sociedade e aplicação da lei – a balança aponta claramente no sentido da legalização nacional. Isto colocaria as decisões sobre como e se permitiria a produção e o uso para fins medicinais ou recreativos onde elas pertencem – no nível estadual. Nós refletimos se seria melhor que Washington esperasse enquanto os estados continuam a experimentar com a legalização da maconha medicinal, redução de penas ou até simplesmente legalizando todo tipo de uso. Aproximadamente ¾ dos estados americanos já adotaram alguma destas medidas. Porém, isso deixaria estes cidadãos vulneráveis aos caprichos de quem quer que esteja na Casa Branca com o poder de escolher a aplicação ou não da lei federal. Os custos sociais das leis que proíbem a maconha são amplos. Em 2012, de acordo com dados do FBI, 658 mil pessoas foram presas por posse de maconha, comparados à 256 mil detenções por posse de cocaína, heroína e derivados. Pior ainda, o resultado é racista, atingindo de forma desproporcional jovens negros, destruindo suas vidas e criando novas gerações de criminosos de carreira. Já existe um debate honesto no meio científico sobre os efeitos da maconha à saúde, mas nós acreditamos nas consistentes evidências de que o vício e a dependência são problemas relativamente menores, especialmente se comparadas ao álcool e o tabaco. O uso moderado de maconha não aparenta oferecer risco à adultos saudáveis. Acusações de que a maconha funciona como porta de entrada para drogas mais pesadas são tão utópicas quanto o Refeer Madness que associa a maconha a imagens de estupro, assassinatos e suicídios. As preocupações sobre os efeitos da maconha no desenvolvimento cerebral de adolescentes são legítimas. Por esta razão, nós advogamos pela restrição de vendas a menores de 21 anos. O desenvolvimento de sistemas para regular a produção, venda e marketing será complexo. Mas são problemas passíveis de solução, que já teriam sido enfrentados há muito tempo se nós, como nação, não estivéssemos apegados à decisão de tornar o cultivo e uso de maconha um crime federal. Nos próximos dias, vamos publicar artigos de membros do Conselho Editorial e material complementar que examinam estas questões. Convidamos nossos leitores a oferecerem suas idéias e nós reportaremos suas respostas, sejam favoráveis ou contrárias. Reconhecemos que é pouco provável que o atual Congresso aja em relação à maconha, como tem sido com outros grandes temas. Mas já passou da hora de revogar esta versão da Proibição. Leia em inglês no NY Times