Durante a crise, empresas de segurança privada crescem no Brasil 
Governo Temer planeja endurecimento de penas no Brasil 
Como as crianças brasileiras percebem a violência? 

AfroReggae

Os grupos sociais desorganizados, que não estabelecem uma consciência nem uma liderança, costumam ser vítimas de injustiças. Isso ocorre, por exemplo, com as mulheres, que já a algum tempo se mobilizam em luta de suas causas, ou com os policiais, que em grande parte do Brasil carecem de representatividade, seja por meio de associações fortes, seja através de representantes políticos. A favela, aqui caracterizada por uma população predominantemente negra, de baixa renda e poucas perspectivas, também se encaixa nesse quadro. Pela extensão da "favela" no Brasil, muitas lideranças e organizações são necessárias para mediar conflitos e criar horizontes para essa significativa parcela do povo brasileiro que está no centro dos impasses existentes na segurança pública brasileira. Dessas lideranças, Celso Athayde certamente está entre os maiores. Um dos fundadores da Central Única das Favelas, a CUFA, ele é responsável, junto com o rapper MV Bill, por sustentar a entidade durante mais de vinte anos, que hoje está presente em 26 estados brasileiros, além do Distrito Federal. A CUFA foi criada no Rio de Janeiro, e proporciona atividades como cursos e oficinas de DJ; Break, Graffiti, Escolinha de Basquete de Rua, Skate, Informática, Gastronomia, Audiovisual e muitas outras para jovens da periferia. Celso é co-autor de três grandes best-sellers, Falcão - Mulheres e o tráfico (2007), Falcão - Meninos do Tráfico e Cabeça de Porco, os dois primeiros com o MV Bill e o últimos com MV Bill e o sociólogo Luiz Eduardo Soares. O Abordagem Policial entrevistou Celso Athayde, que falou sobre a relação entre a favela e a polícia. Leia: (mais…)
"Faça seu trabalho, mas não espere ser reconhecido por isso": já ouvi muitas vezes esse bordão na minha breve carreira policial. Não estão de todo errados os que assim pensam - apesar de existir os que justificam sua inércia com tais argumentos. Mas o fato é que as organizações do sistema de segurança pública ainda são amadoras em reconhecer os relevantes trabalhos prestados por grande parte de seus profissionais, seja não reconhecendo de fato ou  reconhecendo o que não deveria ser reconhecido, numa nociva inversão de valores para se definir o "bom" policial, o "bom" trabalho. Nesse sentido, é louvável ver iniciativas como o I Prêmio Polícia Cidadã - Rio, uma homenagem do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), da Universidade Candido Mendes (UCAM) e do Grupo Cultural AfroReggae às práticas de policiais civis e militares do Rio de Janeiro que, de modo criativo e inovador, ajudaram na redução da violência no Estado. Ao todo foram selecionadas 08 iniciativas, quatro de cada polícia, de um total de 183 ações e quase 500 policiais inscritos. A seleção ficou por conta de três coronéis da PMERJ e dois delegados da PCERJ, além de cinco pesquisadores/ativistas da sociedade civil. Todos os dez jurados são membros do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Os vencedores, que elencamos abaixo, reberão o prêmio de R$5.000: - Favela Tavares Bastos: um Major do BOPE acredita que o policiamento comunitário pode aproximar os moradores do batalhão. Há vários anos lidera as ações de integração entre polícia e comunidade na Favela Tavares Bastos - Curso de Apefeiçoamento e Capacitação Policial: há nove anos, 21 Sargentos da PM acreditam na capacitação de Praças como ferramenta para construir uma PM melhor - GPAE do Cavalão: o reconhecimento do CESeC ao trabalho do Capitão Romeu e sua equipe - CIA de Cães: oficiais e praças usam recursos modernos e criativos para substituir a força letal e os riscos dos policiais envolvidos em operações especiais - DEAT e a Internet como ferramenta de contato com as vítimas: dois investigadores criaram um sistema de contato continuado com as vítimas, turistas que fazem registros de ocorrência e em seguida viajam para seus países de origem. - Corregedoria mais moderna: delegado e corregedor da PC, criou e implantou um sistema de redução de inquéritos não concluídos. Com isso, aumentou as correções aplicadas - Equipe da 15a. DP: integração, aproximação com a comunidade, redução da criminalidade. A Delegada Barbara e sua equipe passaram a trabalhar de forma integrada no sistema de metas e resultados, o que levou à aproximação de líderes da Rocinha, estudantes do DCE da PUC e Associação de Moradores da Gávea e a redução da criminalidade - Carceragem Cidadã: o Delegado Zaccone e três agentes da 52a. DP, Nova Iguaçu, criaram diversos programas de humanização na carceragem baseados no respeito ao preso provisório. Além disso, três projetos serão homenageados com menção honrosa: - Papo de Responsa: o Inspetor Beto Chaves, juntamente com Norton Guimarães, do AfroReggae, vão às escolas conversar com jovens sobre suas experiências na polícia e no mundo do crime. A Delegada Patrícia e o assistente Fábio viram nessa iniciativa um modelo a ser replicado em escala e estruturaram um projeto para ampliá-lo, o escola Segura - Batalhão Cidadão: a Delegada Jéssica e três PMs implantaram ações de cidadania nos Batalhões situados nas áreas que estão entre as mais conflagradas do Rio, o 16° (Olaria), o 14° (Bangu) e o 22° (Maré). Milhares de moradores entraram nos BPMs nos fins de semana da ação, numa demonstração de que é possível aproximar a PM das comunidades - O 11° BPM de Friburgo e as ações de melhoria de desempenho e integração comunitária: o Comandante do 11°. BPM, Tenente Coronel Robson, teve cinco ações incluídas na fase final do prêmio. Juntas, elas dão destaque ao BPM de Friburgo, que prova que criatividade, inovação, abertura e integração com atores locais pode resultar num batalhão ágil e moderno no interior. No dia 14 de setembro (segunda-feira), a partir de 20h, haverá a entrega da premiação e das menções. Apresentado por Johayne Ildefonso e pela atriz Fernanda Lima, o evento, que será realizado no Teatro Carlos Gomes, contará ainda com a participação da Banda AfroReggae e da Banda 190 da Polícia Militar do Rio de Janeiro. O prêmio tem o patrocínio da Fundação Ford, em parceria com o Instituto Sou da Paz e a Unesco. Vejo na iniciativa do I Prêmio Polícia Cidadã um embrião para algo similar nas demais unidades federativas, e, por que não, um prêmio de cunho nacional, similar ao que ocorreu na Feira de Conhecimento da I CONSEG. Ganha a sociedade, com as posturas profissionais voltadas para a paz social, os policiais, com a premiação e o incentivo a seus projetos e as autoridades, por ter destacadas boas práticas em suas gestões.