Pesquisa no Rio estuda rejeição ao “Bandido Bom é Bandido Morto” 
Rio de Janeiro bate recorde de homicídios 
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AOPM

Na última terça-feira os policiais militares baianos decretaram um movimento grevista que fez paralisar a prestação do serviço de policiamento em grande parte do estado. Diferentemente do que ocorreu em 2012, o movimento teve ampla divulgação na imprensa, com direito a cobertura ao vivo por parte de alguns veículos e pronto reconhecimento por parte do Governo do Estado assim que a greve foi declarada. Dessa vez, além dos praças, os oficiais representados pela Associação Força Invicta aderiram à paralisação. Como de costume em eventos trabalhistas que geram danos à sociedade, principalmente quando se trata de policiais militares, as justiças (Estadual e Federal) decretaram a ilegalidade do movimento, estabelecendo multas para as entidades representativas. Apesar disso, o Comando da PM, representantes do Governo e da Assembleia Legislativa permaneceram em diálogo com as lideranças. Em uma dessas negociações, o Tenente Coronel PM Edmilson Tavares, presidente da Associação dos Oficiais, expressou sua contrariedade em relação ao tratamento dispensado pelo Governo aos policiais militares: httpv://www.youtube.com/watch?v=dPqYuIVfIqQ Após idas e vindas no processo de negociação, na quinta-feira, um consenso foi alcançado, e um acordo foi firmado entre o Governo e as Associações em torno das seguintes medidas: -  Aumento da CET dos praças na proporção de 25% para os praças em função administrativa, 45% para os praças operacionais e 60% para os praças motoristas e RTI para os oficiais, com atualização da Lei; - Retirada, para nova discussão, da proposta do Código de Ética e rediscussão das propostas do Estatuto e Plano de Carreira, os quais devem ser encaminhados com a máxima urgência à Assembleia Legislativa da Bahia; - Rever os processos administrativos disciplinares relacionados à mobilização de 2012 com vistas a reforçar o acordado naquele momento e suspender as possíveis apurações que visam apurar as faltas administrativas que não se constituem crime decorrentes da paralisação de 2014; - Regulamentar o artigo 92 do Estatuto dos Policiais Militares (direitos dos policiais militares) nas bases a serem negociadas com o Governo do Estado, Associações e PM; - Manter as conquistas já anunciadas pelo Governo. O acordo foi ratificado pela categoria, que aprovou em assembleia geral tudo o que foi oferecido pelo Governo. Após a tempestade, o momento era de olhar para frente e permanecer em negociação produtiva em torno dos pontos em aberto. Como afirmou o Comandante Geral da PM, uma semente estava plantada: httpv://www.youtube.com/watch?v=zmg6T_5BVlo Nesta Sexta-Feira da Paixão, entretanto, uma desastrada decisão judicial foi cumprida contra o vereador de Salvador Marco Prisco, um dos líderes do movimento reivindicatório. A decisão determina a prisão preventiva de Prisco em presídio de segurança máxima: Como o mais ingênuo analista político poderia prever, a prisão de uma das lideranças do movimento em presídio de segurança máxima (o mesmo em que está preso José Dirceu) acirrou os ânimos da tropa, e até se fala em nova greve  e na quebra do acordo firmado pelo Governo. Neste momento a categoria precisa ter calma e analisar estrategicamente a viabilidade de uma nova paralisação. Sem a articulação das lideranças, sem organização logística, jurídica e política corre-se o risco de expor aqueles que se arvorarem emotivamente pela libertação de Prisco. Talvez a simples solicitação do habeas corpus seja a medida mais adequada para findar o impasse. Iniciar uma nova greve significa ter que reivindicar novas anistias, algo mais difícil com as lideranças desarticuladas. De qualquer modo, no fim das contas, a prisão de Prisco foi a maior propaganda eleitoral que um candidato a deputado poderia ter. Se houve alguma pretensão política na prisão, o tiro saiu pela culatra, pois o maior beneficiado foi o próprio Prisco - apesar de todo o constrangimento e traumas que uma prisão impõe.