A quantidade de PMs da reserva no Brasil 
Pernambuco tem alta histórica de homicídios 
Maioria das apreensões de maconha no Rio é de 10 a 15 gramas 

CESeC

A notoriedade conquistada pelo Ministério Público brasileiro nos últimos anos, herança do grande aumento de poder que lhe foi conferido pela Constituição de 1988, tem gerado dúvidas e curiosidade acerca de sua composição, atribuições e limites de atuação. Afinal, o órgão não só conquistou uma posição de independência dos demais poderes da República, como recebe amplos recursos para o cumprimento de suas tarefas e atua em diferentes áreas que atingem diretamente a vida dos cidadãos. Ao traçar um perfil a partir de informações dos próprios integrantes do Ministério Público, a pesquisa “Ministério Público: Guardião da democracia?”, realizada pelo CeSec, vem ajudar a preencher esta lacuna e revela que membros do MP constituem um segmento fortemente elitizado da sociedade, além de apresentar uma clara sobrerrepresentação masculina: 70% dos promotores e procuradores são homens e 77% são brancos. A origem social elevada se mede pela alta escolaridade dos genitores: 60% dos pais e 47% das mães dos entrevistados tinham curso superior, enquanto no conjunto da população brasileira com 50 anos de idade ou mais, essa proporção é de 9% para homens e 8,9% para mulheres. “A dificuldade do concurso para ingresso no órgão e a exigência de 3 anos de trabalho prévio em atividades jurídicas funcionam como fortes barreiras à entrada de pessoas de estratos sociais mais baixos nos quadros do Ministério Público”, avalia Julita Lemgruber, coordenadora da pesquisa. Atuação distorcida A Constituição Federal de 1988 delegou ao Ministério Público vastas atribuições, muito além da sua tarefa tradicional de atuar como parte acusatória nos processos penais. Algumas prioridades de atuação, no entanto, foram traçadas – supervisão da pena de prisão, defesa de direitos coletivos e controle externo das polícias (neste último caso, com exclusividade). Para que pudesse dar conta dessa extensa missão, garantiu-se a independência do órgão em relação aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, assim como a autonomia funcional dos seus membros, com poucos mecanismos de controle interno e externo tanto sobre a instituição quanto sobre as atuações individuais de promotores e procuradores. Esta independência funcional conferida aos membros do MP parece ser uma faca de dois gumes: segundo 90,6% dos entrevistados, ela é imprescindível para garantir a isenção do trabalho dos promotores. Mas para quase metade dos entrevistados, pode também servir de escudo para a omissão. “Essa independência torna muito difícil o controle e a cobrança sobre as atividades-fim e as decisões dos membros do MP, mesmo quando equivocadas, seletivas, morosas ou ineficazes”, analisa Lemgruber. No que diz respeito às linhas de atuação, a única prioridade citada por mais da metade dos entrevistados foi combate à corrupção (62%). Em seguida, os temas mais mencionados foram: investigação criminal (49%), criança e adolescente (47%), meio ambiente (45%) e serviços de relevância pública (educação, saúde, comunicação etc.). A pesquisa mostra que o MP deixou em plano secundário a tarefa de controle externo da atividade policial: apenas 7% dos entrevistados disseram ocupar-se unicamente dessa tarefa e 24% disseram desempenhá-la parcialmente, isto é, junto com outras linhas de trabalho. Sendo assim, as demais instituições que poderiam desempenhar esta função (como as ouvidorias de polícia, por exemplo) não têm autoridade nem independência suficientes para isso. O resultado é a permanência de modelos arcaicos e autoritários de polícia, em que campeiam a corrupção e a extrema violência. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, as polícias brasileiras mataram 3.345 pessoas em 2015, uma média de nove por dia. “Mais do que omissão do MP, há certa ‘cumplicidade’ entre o órgão e as polícias, sobre tramitação de processos penais iniciados com prisão em flagrante, na qual promotores repetem na denúncia a versão policial dos fatos, sem averiguar sua veracidade, nem a legalidade do flagrante, nem tampouco a possível ocorrência de tortura ou maus tratos”, denuncia a coordenadora da pesquisa. Em resumo, essa área de atuação do MP, tão importante para a promoção da legalidade, de direitos fundamentais e do aperfeiçoamento democrático, não é sequer mencionada em 15 dos 27 websites do órgão; não é percebida como prioritária por 88% dos promotores e procuradores, e não faz parte das atividades de 70% dos membros da instituição. Além disso, recebe dos próprios membros do MP a avaliação mais baixa entre todas as áreas de atuação: 42% dos entrevistados reconhecem que o desempenho do órgão no controle externo da polícia é ruim ou péssimo e 35% consideram-no regular. Na área de supervisão da execução penal, a atuação do MP não é melhor. Cabe ao órgão, nessa área, fiscalizar as prisões e garantir a observância dos direitos dos presos durante o cumprimento da pena. Mas só uma minoria dos seus membros se ocupa dessas tarefas: 4% exclusivamente e 14%, parcialmente. A situação do sistema carcerário brasileiro é calamitosa e tem-se agravado nos últimos anos com o vertiginoso crescimento do número de presos no país, superando 620 mil pessoas em 2014. Superlotação; condições de vida degradantes; violência interpessoal e institucional; corrupção endêmica; flagrante descumprimento das regras mais básicas de tratamento das pessoas presas – são problemas que caberiam ao Ministério Público enfrentar, mas que não recebem sua devida atenção. Vista em conjunto, a defesa de direitos difusos e coletivos, que a Constituição de 88 também atribuiu ao MP, parece mais bem sucedida que as duas áreas mencionadas anteriormente: 39% dos membros entrevistados disseram ocupar-se exclusivamente e 24%, parcialmente de temas relacionados a direitos coletivos. Entretanto a enorme abrangência dessa linha de trabalho leva a que se privilegiem algumas áreas de atuação em detrimento de outras, deixando a descoberto muitos direitos fundamentais e contribuindo bem menos para a consolidação da democracia do que o idealizado pela Constituição. As escolhas de que tipos de direitos privilegiar e que linhas de ação adotar (judiciais ou extrajudiciais) resultam em grande medida da ação voluntarista e fragmentária de indivíduos e grupos, não de regulamentação legal específica nem de orientações institucionais padronizadas ou de pressões da sociedade civil. As linhas de trabalho na área de direitos coletivos mais citadas nos websites dos MPs são também aqueles em que os entrevistados avaliam melhor o desempenho do órgão: defesa dos direitos de crianças e adolescentes (72% consideram boa ou ótima a atuação do MP); proteção do meio ambiente (68%); defesa do consumidor (66%); defesa da saúde pública (59%) e da educação (57%). Defesa dos direitos de portadores de necessidades especiais também recebeu boa avaliação da maioria dos entrevistados (58%), embora seja citada expressamente como linha de trabalho num número menor de websites estaduais (16 dos 27). Em resumo, o balanço feito pela pesquisa do CESeC, mostra que o trabalho do MP tem-se concentrado mais na sua tradicional tarefa de acusação penal, no combate à corrupção e em algumas outras áreas específicas. E negligenciado tarefas imprescindíveis à garantia de direitos básicos, como o controle externo das polícias e a fiscalização das punições legais. Os resultados do estudo sugerem a necessidade de se repensar o arranjo institucional concebido pelos constituintes de 1988, no sentido, não de restringir a independência funcional dos promotores e procuradores, mas de assegurar uma padronização mínima das suas áreas e formas de atuação, de modo a garantir que a defesa de direitos ocorra por via institucional, que favoreça os segmentos mais vulneráveis e que o cumprimento das atribuições do MP possa ser efetivamente conhecido, cobrado e avaliado pela população. Sobre a pesquisa Realizada pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CeSec) da Universidade Candido Mendes, com apoio do Fundo de Investimento Social da Família A. Jacob e Betty Lafer, a pesquisa “Ministério Público: Guardião da democracia brasileira?” levantou informações em um questionário online respondido por uma amostra de 899 promotores e procuradores em todo o Brasil, com o apoio do Conselho Nacional do Ministério Público e da Secretaria de Reforma do Judiciário do Ministério da Justiça. A amostra é representativa dos 12.326 membros dos MPs federais e estaduais existentes no país em janeiro de 2015. O envio das respostas estendeu-se de fevereiro de 2015 a fevereiro de 2016. Além disso, foram coletados dados nos websites dos MPs de todas as unidades da federação sobre número de membros ativos e linhas de trabalho desenvolvidas em cada um. Realizaram-se também entrevistas e grupos de discussão com promotores, policiais, agentes penitenciários e ativistas de direitos humanos no RJ e em MG, tendo como foco a avaliação das linhas de atuação do MP. Os resultados completos do estudo estão disponíveis no site do CESeC.
Publico abaixo o texto de Julita Lemgruber, Bruno Torturra e Paulo Orlandi Mattos, originalmente publicado no Folha de São Paulo, falando sobre a proibição à campanha que promove o debate sobre a política de drogas vigente no país. Proibir o debate sobre qualquer questão de interesse público é tenebroso para um país que tem pretensões democráticas. Leiam com atenção:   "Algumas drogas são ilegais no Brasil, mas São Paulo parece não se conformar apenas com a repressão às substâncias e quer estender o proibicionismo também ao debate sobre ele. Sem qualquer amparo constitucional, esse Estado procura vetar o simples questionamento público da eficácia e dos danos provocados pela guerra às drogas. Foi o que ocorreu na última quinta (28), quando fomos informados pela imprensa, não por algum órgão oficial, que os anúncios da campanha "Da Proibição Nasce o Tráfico", do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania, seriam removidos dos ônibus intermunicipais. A mesma série de cartuns que circulou em "busdoors" do Rio de Janeiro por 30 dias, não completaria 48 horas nas vias paulistas. Obter uma explicação objetiva mostrou-se impossível para nós e para a imprensa, que reportou o caso. A Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo, a Intervias e o Palácio dos Bandeirantes foram evasivos ao apontar motivos ou a origem da decisão. Assertivo apenas foi o dono da empresa Panorama, que nos vendeu o espaço publicitário dos ônibus. Ele disse ter recebido um telefonema com a ordem de retirar os "busdoors", com o argumento de que se fazia "apologia às drogas". Tão falso quanto previsível, apologia às drogas sempre foi o mote favorito dos que se esforçam para interditar o debate. O momento escolhido para essa cínica censura é significativo. Enquanto os cartuns eram removidos, acontecia no salão nobre da Faculdade de Direito da USP um evento importante. Era o lançamento da Plataforma Brasileira de Política de Drogas, uma associação inédita de organizações e notáveis de todo o país para propor alternativas à política de drogas vigente. São juristas, médicos, ativistas, pacientes, jornalistas, políticos, professores, alunos, cultivadores, usuários que, juntos, reconhecem que o atual modelo repressivo está falido. Por isso, e para descobrirmos alternativas, é preciso abrir a discussão com a sociedade a partir de novas premissas. "Vimos a emergência de grandes organizações criminosas que vão das favelas aos gabinetes de políticos." É esse o objetivo da campanha, que não encoraja o uso de drogas, mas estimula o senso crítico do cidadão. Além disso, traduz um diagnóstico grave: a repressão às drogas como fim em si mesma é irracional, pois causa mais danos e cria mais riscos à sociedade do que as próprias substâncias que busca erradicar. Temos uma das polícias que mais matam e mais morrem no mundo. Vimos a emergência de grandes organizações criminosas que vão das favelas aos gabinetes de políticos. Prendemos cada vez mais e vivemos um colapso no sistema carcerário, aumentando a vulnerabilidade e estigmatização de comunidades, testemunhando uma escalada da violência que ceifa vidas, sobretudo de jovens pobres e negros do Brasil. Lutamos por uma sociedade mais justa, pacífica, lúcida e segura. Por isso desejamos uma nova política de drogas. Mas se consideramos irracional uma lei que proíbe certas plantas e substâncias, o que dizer de um governo que proíbe o discurso? O que dizer de um governo que determina a que tipo de mensagem os cidadãos podem ou não ter acesso? O que dizer de um governo que, refém de sua ideologia, sequestra o debate? E, com ele, o princípio fundamental da democracia: a livre circulação de ideias. E se dizemos na campanha que "da proibição nasce o tráfico", São Paulo deixa cada vez mais claro: do autoritarismo nasce a proibição."   JULITA LEMGRUBER, 70, socióloga, BRUNO TORTURRA, 36, jornalista, e PAULO ORLANDI MATTOS, 56, farmacêutico, são coordenadores da campanha "Da Proibição Nasce o Tráfico", do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania
Quero compartilhar com os leitores do Abordagem Policial um artigo incisivo e ao mesmo tempo sensato e crítico escrito por Julita Lemgruber, Socióloga, diretora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes, no Rio de Janeiro. Julita, em um só golpe, admite avanços, acusa a tragédia e cobra movimento - do Poder Público e da hipocrisia geral de nossa sociedade. Como bem disse Luiz Eduardo Soares, "É triste que artigos como este tenham de ser escritos, mas, infelizmente, ainda precisam ser escritos": Yasmin, Bruna, Rosileia... Yasmin não morava em Ipanema. Yasmin morava no Conjunto das Casinhas, em Guadalupe. Tinha 6 anos de idade e morreu com um tiro de fuzil na nuca enquanto brincava numa festa de seu bairro, no dia 19 de agosto. Moradores afirmam que a polícia entrou no local atirando. Policiais do 41º BPM (Irajá) dizem que deslocaram um blindado para a área e foram recebidos a tiros. Bruna tinha 11 anos e morreu no dia 26 de julho, com um tiro na barriga. Morava na Favela da Quitanda, em Costa Barros, e foi atingida quando o Bope entrou na favela atirando. Neste caso, moradores revoltados fizeram um protesto violento na Avenida Martin Luther King e depredaram cinco ônibus. E tem mais. No dia 26 de junho, uma mulher de 19 anos morreu supostamente atingida por uma bala perdida dentro de casa, no Morro do Chapadão, na Pavuna. Ela se chamava Rosiléia da Silva e morreu carregando no colo sua filha de um ano e seis meses. De novo, policiais do 41º BPM (Irajá) alegadamente faziam uma operação na favela e teria havido um tiroteio. Este último caso mereceu apenas uma nota de jornal. A morte das crianças, espaço um pouco maior, mas a notícia, como as crianças, morreu logo. Imaginem se Yasmin e Bruna estivessem brincando com suas babás na Praça Nossa Senhora da Paz, em Ipanema. Quantas páginas de jornais, por quantos dias, estampariam a tragédia? Quantas vozes indignadas se levantariam? A verdade é que já está mais do que na hora de se imprimir uma política de segurança pública consistente e articulada, que sirva a todos os cidadãos fluminenses. Não é possível que algumas áreas da cidade, ainda dolorosamente partida, estejam protegidas, e outras vivam sob o terror dos tiroteios entre policiais e bandidos, que fazem vítimas como Yasmin, Bruna e Rosiléia. Nas áreas das UPPs não há mais tiroteios, houve queda dos índices de violência letal e, de um lado, moradores de favelas aliviados por se verem livres de balas perdidas e, de outro, moradores do asfalto acreditando que vivem em Paris, de tão seguros que estão seus bairros. Não se está contra as UPPs, que isto fique bem claro, embora se acredite que ainda haja um longo caminho a percorrer para que a estratégia das UPPs possa se transformar em policiamento comunitário, ou de proximidade, que faça jus ao nome. Pesquisa do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania mostrou que ainda há muita hostilidade dos moradores das favelas em relação aos policiais das UPPs, e mais da metade desses policiais preferia estar trabalhando em outro lugar. Mesmo assim, ainda há espaço para que as UPPs se transformem em genuína estratégia de policiamento comunitário. No entanto, já não se pode mais esperar que as autoridades que comandam a segurança pública determinem, com absoluta clareza e energia, aos batalhões da Polícia Militar, ao Bope, à Policia Civil e à Core que não se entra em favela atirando, e confrontos devem ser evitados a qualquer custo. A prisão de meia dúzia de bandidos não justifica a morte de uma única criança. More ela em Ipanema ou em Guadalupe.
O Abordagem Policial é um blog romântico. Antes de ingressar nos quadros da corporação que hoje sirvo, apesar de nunca ter cursado qualquer escola de ensino superior, fui ávido leitor da história daqueles que podemos chamar de grandes guerreiros sociais. Não me refiro aos sanguinários cruzados, tampouco aos bravos soldados de Napoleão, mas àqueles homens com o ímpeto de doar um tanto da sua individualidade para o bem comum. Não com armas ou guerra, mas com argumentos, reflexões e idéias.  Em uma palavra, conhecimento. Com essa convicção, cheguei à Polícia Militar, onde me reuni com outros guerreiros, despretenciosamente, e criamos este espaço. Durante esses mais de dois anos, mesmo com a inconstância e falta de parte dos colaboradores, chegamos mais próximo do que nunca do nosso ideal: promover discussão de segurança incluindo os vários interessados, tendo como foco e única beneficiada a coletividade. Podemos dizer que estamos no caminho dos exemplos daqueles "grandes guerreiros sociais". O sinal mais concreto disso se manifestou esta semana, com a publicação do estudo "Blogosfera Policial no Brasil: do Tiro ao Twitter", realizado pela Unesco em parceria com o CESeC, tendo como condutoras do estudo as pesquisadoras Silvia Ramos e Anabela Paiva, do CESeC. O estudo é a primeira publicação da Série "Debates CI: Comunicação e Informação", fato que tem uma simbologia ímpar, reconhecendo nós, blogueiros policiais, como protagonistas duma nova postura na discussão da temática no Brasil, como disse o coordenador do Setor de Comunicação e Informação da UNESCO no Brasil, Guilherme Canela: "O estudo apresenta uma contribuição concreta para se trilhar o caminho na direção de uma esfera pública capaz de levar adiante uma reflexão robusta sobre políticas da mais alta relevância para promoção de uma cultura de paz e, por conseguinte, para a redução da violência." Junto com o Tenente Alexandre, do Diário de um PM, o Soldado Niedson, do Diário do Stive e o Roger Franchini, do Cultcoolfreak, participei de conversas virtuais maravilhosas sobre a blogosfera e sobre temas como liberdade de expressão policial, abertura institucional, hierarquia nas polícias etc., sempre sob o estímulo da Silvia e da Anabela, que colheram muito bem nossa visão e intenções enquanto autores de blogs policiais. Ressalte-se também nossa participação no III Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e na 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública, ambientes que souberam valorizar os blogs como uma extensão permanente da discussão democrática que propunham. O estudo está dividido nas seguintes partes: Apresentação; Resumo executivo; Introdução; Perfil do blogueiro policial; Perfil dos blogs policiais; O impacto dos blogs policiais nas polícias, na mídia e a sociedade; Conclusões; Bibliografia. Podemos dizer que essa é a radiografia do impacto dos blogs nas corporações policiais brasileiras, e no sistema de segurança pública como um todo. Assim como é exagero afirmar que temos grande influência, também é acertado dizer que mudanças significativas já foram implementadas em virtude de nossa atuação. Não somos, nem mesmo juntos, um grande jornal, mas já podemos falar sem amarras que antes existiam. As queridas Anabela Paiva e Silvia Ramos, e todos aqueles que apoiaram o estudo, revitalizaram nossos ânimos, e mostraram que podemos construir muito. Parabenizo e agradeço a ambas por nos provar que vale a pena investir nos argumentos, nas reflexões, nas idéias... Enfim, no conhecimento. Continuamos por aqui, como disse, românticos. PS1: Veja a matéria que o Observatório da Imprensa publicou sobre o estudo: Pesquisa mostra que blogosfera policial tornou-se um grupo de pressão dentro da estrutura de segurança pública. PS2: Lembrem-se: estamos apenas começando! :D
"Faça seu trabalho, mas não espere ser reconhecido por isso": já ouvi muitas vezes esse bordão na minha breve carreira policial. Não estão de todo errados os que assim pensam - apesar de existir os que justificam sua inércia com tais argumentos. Mas o fato é que as organizações do sistema de segurança pública ainda são amadoras em reconhecer os relevantes trabalhos prestados por grande parte de seus profissionais, seja não reconhecendo de fato ou  reconhecendo o que não deveria ser reconhecido, numa nociva inversão de valores para se definir o "bom" policial, o "bom" trabalho. Nesse sentido, é louvável ver iniciativas como o I Prêmio Polícia Cidadã - Rio, uma homenagem do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), da Universidade Candido Mendes (UCAM) e do Grupo Cultural AfroReggae às práticas de policiais civis e militares do Rio de Janeiro que, de modo criativo e inovador, ajudaram na redução da violência no Estado. Ao todo foram selecionadas 08 iniciativas, quatro de cada polícia, de um total de 183 ações e quase 500 policiais inscritos. A seleção ficou por conta de três coronéis da PMERJ e dois delegados da PCERJ, além de cinco pesquisadores/ativistas da sociedade civil. Todos os dez jurados são membros do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Os vencedores, que elencamos abaixo, reberão o prêmio de R$5.000: - Favela Tavares Bastos: um Major do BOPE acredita que o policiamento comunitário pode aproximar os moradores do batalhão. Há vários anos lidera as ações de integração entre polícia e comunidade na Favela Tavares Bastos - Curso de Apefeiçoamento e Capacitação Policial: há nove anos, 21 Sargentos da PM acreditam na capacitação de Praças como ferramenta para construir uma PM melhor - GPAE do Cavalão: o reconhecimento do CESeC ao trabalho do Capitão Romeu e sua equipe - CIA de Cães: oficiais e praças usam recursos modernos e criativos para substituir a força letal e os riscos dos policiais envolvidos em operações especiais - DEAT e a Internet como ferramenta de contato com as vítimas: dois investigadores criaram um sistema de contato continuado com as vítimas, turistas que fazem registros de ocorrência e em seguida viajam para seus países de origem. - Corregedoria mais moderna: delegado e corregedor da PC, criou e implantou um sistema de redução de inquéritos não concluídos. Com isso, aumentou as correções aplicadas - Equipe da 15a. DP: integração, aproximação com a comunidade, redução da criminalidade. A Delegada Barbara e sua equipe passaram a trabalhar de forma integrada no sistema de metas e resultados, o que levou à aproximação de líderes da Rocinha, estudantes do DCE da PUC e Associação de Moradores da Gávea e a redução da criminalidade - Carceragem Cidadã: o Delegado Zaccone e três agentes da 52a. DP, Nova Iguaçu, criaram diversos programas de humanização na carceragem baseados no respeito ao preso provisório. Além disso, três projetos serão homenageados com menção honrosa: - Papo de Responsa: o Inspetor Beto Chaves, juntamente com Norton Guimarães, do AfroReggae, vão às escolas conversar com jovens sobre suas experiências na polícia e no mundo do crime. A Delegada Patrícia e o assistente Fábio viram nessa iniciativa um modelo a ser replicado em escala e estruturaram um projeto para ampliá-lo, o escola Segura - Batalhão Cidadão: a Delegada Jéssica e três PMs implantaram ações de cidadania nos Batalhões situados nas áreas que estão entre as mais conflagradas do Rio, o 16° (Olaria), o 14° (Bangu) e o 22° (Maré). Milhares de moradores entraram nos BPMs nos fins de semana da ação, numa demonstração de que é possível aproximar a PM das comunidades - O 11° BPM de Friburgo e as ações de melhoria de desempenho e integração comunitária: o Comandante do 11°. BPM, Tenente Coronel Robson, teve cinco ações incluídas na fase final do prêmio. Juntas, elas dão destaque ao BPM de Friburgo, que prova que criatividade, inovação, abertura e integração com atores locais pode resultar num batalhão ágil e moderno no interior. No dia 14 de setembro (segunda-feira), a partir de 20h, haverá a entrega da premiação e das menções. Apresentado por Johayne Ildefonso e pela atriz Fernanda Lima, o evento, que será realizado no Teatro Carlos Gomes, contará ainda com a participação da Banda AfroReggae e da Banda 190 da Polícia Militar do Rio de Janeiro. O prêmio tem o patrocínio da Fundação Ford, em parceria com o Instituto Sou da Paz e a Unesco. Vejo na iniciativa do I Prêmio Polícia Cidadã um embrião para algo similar nas demais unidades federativas, e, por que não, um prêmio de cunho nacional, similar ao que ocorreu na Feira de Conhecimento da I CONSEG. Ganha a sociedade, com as posturas profissionais voltadas para a paz social, os policiais, com a premiação e o incentivo a seus projetos e as autoridades, por ter destacadas boas práticas em suas gestões.
Acredito que todos os leitores sabem ou já ouviram falar da ONU, Organização das Nações Unidas, e da Unesco, uma agência especializada da ONU que foi criada para acompanhar o desenvolvimento mundial e, ao mesmo tempo, auxiliar os Estados Membros (que são 193) na busca de soluções para os problemas que desafiam nossas sociedades. Suas áreas de atuação compreendem os seguintes temas: Educação, Ciências Naturais, Humanas e Sociais, Cultura, Comunicação e Informação. Segurança Pública, então, é tema de primeira importância para a Unesco, que agora resolveu entender o fenômeno da Blogosfera Policial. Em parceria com o Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), da Universidade Cândido Mendes (UCAM-RJ), a Unesco está realizando uma pesquisa que tem previsão de término para novembro deste ano, com o seguinte tema: "O papel dos blogs no debate da segurança pública e o fenômeno da Blogosfera Policial". A pesquisa incluirá levantamento e análise de blogs, entrevistas com policiais blogueiros e jornalistas e encontros de discussão. Clique aqui e leia a descrição do projeto de pesquisa. O Estadão e o UOL já divulgaram a iniciativa, numa matéria que traz um apanhado geral sobre os blogs policiais, onde alguns blogueiros foram entrevistados, dentre eles, este que vos escreve. Lá também é revelado o critério para a escolha das pesquisadoras responsáveis, ninguém menos que Silvia Ramos, a madrinha da Blogosfera Policial, e Anabela Paiva, que são autoras do livro "Mídia e Violência: novas tendências na cobertura de criminalidade e segurança no Brasil". O coordenador do setor de comunicação e informação da representação da Unesco no Brasil diz na matéria que a Unesco lançou um edital para a escolha do pesquisador que seria responsável por coordenar o estudo, que obteve cerca de 15 a 20 interessados, sendo que "a professora Silvia foi a escolhida por causa do seu currículo e de seus estudos sobre relação entre mídia e violência". Clique aqui e leia a matéria do Estadão. É isso aí, companheiros... eu já tinha dito aqui que 2009 seria um ano e tanto para a Blogosfera Policial. Acredito que estamos no caminho para alcançar a credibilidade e o respeito necessários para discutir segurança pública e polícia, de modo que a visão dos policiais publicadas nos blogs sempre seja levada em consideração nas principais discussões que envolvam o tema no Brasil. Estamos só começando.