Durante a crise, empresas de segurança privada crescem no Brasil 
Governo Temer planeja endurecimento de penas no Brasil 
Como as crianças brasileiras percebem a violência? 

Cidadania

No Brasil ninguém suporta mais tanta violência. Não existe um só cidadão que não reclame. Das diversas formas de violência, nos preocupa mais os homicídios. Nos roubos, assaltos, muitas vezes o assaltante não se conforma só em arrancar à força os pertences da vítima. A vida da vítima sempre está em perigo. Sempre assistimos cenas de assassinatos a troco de nada em assaltos. A disputa por “mercado” entre traficantes de drogas resulta em muitos homicídios sem contar com os usuários assassinados por dívidas com os traficantes. No trânsito, motoristas embriagados matam milhares de pessoas inocentes. O fazem ao invadir sinal vermelho, ao abusarem do excesso de velocidade, etc. Em comum, interligando esses assassinatos, temos o veículo automotor, que confere eficácia a essas práticas delituosas, seja transportando os criminosos, vítimas, drogas e armas ou tendo o veículo como instrumento do assassinato como nos casos de atropelamento. As pessoas, com toda a razão, reclamam, criticam e protestam contra a ineficiência das polícias. Realmente as polícias são dez: desestruturadas, desmotivadas, desmobilizadas, destreinadas, desaparelhadas, desmuniciadas, desarmentadas, desrespeitadas e desprestigiadas. Por tudo isso, as polícias são sim ineficientes. Quando somamos com a ineficiência da Justiça, do Sistema Penitenciário, da baixa qualidade do ensino, o problema se agrava. Por isso tem que protestar mesmo. Cidadania é isso: exigir respeito aos nossos direitos. Mas, cidadania tem outra face: o cumprimento dos deveres. Direitos e deveres são irmãos gêmeos. Não existe direito sem dever e nem dever sem direito. Muitos dos que reclamam seus direitos, com razão, perdem a razão quando não cumprem com seus deveres e alimentam a violência, mesmo que sem querer. Na internet, por exemplo, faz sucesso o aplicativo WAZE, que dentre várias informações aos condutores, divulga a localização exata de policiais, radares e blitzem. O WAZE funciona muito fácil: um condutor que avista um policial, radar ou uma blitz, avisa pelo próprio celular aos demais usuários do aplicativo. Para uns, essa delação pode parecer espírito de solidariedade, de companheirismo, de preocupação com os outros, mas não é bem assim. As blitzem são instrumentos eficientes de prevenção criminal, quando nas abordagens aleatórias, muitos criminosos são identificados e presos. Assim quando um cidadão que se acha “do bem”, informa de uma forma geral, motoristas bêbados, traficantes, assaltantes e assassinos, também são avisados sobre a localização das blitzem e se desviam. Dá para imaginar motoristas bêbados, assaltantes, assassinos e traficantes sendo ajudados por motoristas comuns, com informações dessa natureza? O engraçado para não dizer trágico, é que quando um bêbado desvia de uma blitz e mata alguém mais adiante ou um assaltante ao receber essa “generosa” informação consegue driblar a polícia e continua ameaçando as pessoas, esse mesmo informante do WAZE coloca a culpa nos políticos, na polícia e no governo. É fácil achar que só os outros são culpados.
Para quem assimilou somente um traço repressivo da "defesa da ordem" em passado recente no Brasil, os valores da cidadania e dos direitos humanos podem parecer distantes da polícia, até mesmo antagônicos. Mas ocorreu uma rápida e perceptível mudança da realidade social e política no país de jovem democracia, assim como evoluíram na mesma velocidade os órgãos policiais que constituem parcela inseparável de sua sociedade. Apesar disso, por um inexplicável interesse em focar o passado e não mirar o futuro, muitos dos "novos-velhos" cidadãos não despertaram para o alvorecer da cortejada Constituição Cidadã que trouxe direitos e garantias individuais para todos, indistintamente. No longo caminho de uma cidadania plena, diante das dimensões de exercício de direitos civis, políticos e sociais, também os policiais militares enfrentaram tempos difíceis: a maior parte do efetivo (todos os cabos e soldados) não podia votar até 1988 de acordo com a Constituição anterior, de 1967 (artigo 142). Passados os episódios do período de transição e a queda (implosão) "do muro" do famoso presídio da Zona Norte de São Paulo, ocorreram rápidas transformações dentro e fora dos intactos e centenários quartéis. A aproximação da Polícia com a Comunidade, marca da filosofia e também da estratégia operacional da Polícia Militar a partir da década de 1990, trouxe uma nova perspectiva que frutifica no século XXI, coroada por uma bem-vinda redução da criminalidade nos espaços em que se estabeleceu. (mais…)
"O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio depende das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo" - (Bertolt Brecht) Você pode achar que o tema não tem nada a ver com Segurança Pública, mas a sua opinião mudará ao longo do texto. Muitos desconhecem a importância do Grêmio Estudantil na formação do cidadão, ignorando que a escola é um meio de formar eleitores conscientes. Antes de prosseguir é de extrema importância abordar a questão da família. É nela que acontecem as primeiras experiências sociais e são vivenciados valores que influenciarão as futuras relações estabelecidas entre o indivíduo e a sociedade. É uma forma de "I treinamento" para que o indivíduo tenha noção de como a sociedade funciona, sendo a escola o "II treinamento". É na família que o indivíduo, cidadão em formação, tem, ou deveria ter o primeiro contato com regras de convivência. Com minha mãe aprendi a respeitar aos demais, aprendi que há horários e prazos a serem cumpridos, tarefas a serem executadas, aprendi a lidar com perdas, com vitórias, com as limitações no orçamento que impedem que você tenha tudo o que quer. Aprendi a compartilhar os meus brinquedos, lá em casa era um velotrol para três, depois, uma bicicleta para três. Em casa você tem (ou deveria ter) pessoas que te amam e que buscam compreender os seus erros, que são tolerantes até que você aprenda o correto. No "II treinamento" as coisas começam a estreitar. A escola é uma mini-cidade. Na escola você tem que conviver com um número maior de pessoas. Nesse meio é preciso ser cultivado valores como a amizade, tolerância, solidariedade respeito e cooperação. (mais…)
Já tratei aqui de certas falácias que alguns policiais apregoam sem se dar conta do quão ilógicas são essas afirmações. Ei-las: 1. "Bandido bom é bandido morto"; 2. “Fulano não entende nada de polícia, nunca sentou num banco de viatura”; 3. "Os Direitos Humanos só protegem os bandidos"; 4. “No Judiciário, no Ministério Público e entre os políticos há muitos corruptos, e não são condenados como nós, policiais”; 5. “O policial administrativo é preguiçoso, o operacional é arbitrário”. Clique aqui e leia o texto "Falácias apregoadas por policiais (e não-policiais)". Conversando com Marcelo Lopes, também colaborador deste blog, questionávamos o porquê dessas afirmações, e tantas outras, comporem, ainda, a visão que parte dos policiais têm da realidade. O que percebemos é que alguns policiais ainda não pararam para refletir acerca de seus posicionamentos, e acabam repetindo esses chavões feito autômatos, sem perceber a discrepância entre o que defendem e o que é legal, social, ética e moralmente aceitável. "Ainda há muita coisa para se desconstruir. Por isso que as discussões são importantes, pois fazem com que as pessoas parem para pensar", dizia Marcelo. Aproveito para trazer à reflexão mais um posicionamento questionável, que nos leva a um entendimento torto da realidade: "Eu sei que não devemos ser preconceituosos em nossas ações, mas, infelizmente, as estatísticas mostram que jovens, negros e pobres são os responsáveis pelos crimes que combatemos" A assertiva é um perfeito sofisma, pois trás em seu bojo uma assertiva verdadeira: as estatísticas mostram, sim, que jovens, negros e pobres são os responsáveis pelos crimes que as polícias estaduais combatem. Entretanto, ela nos conduz a uma conclusão errada: ora, uma vez admitida a estatística como parâmetro para definir, por exemplo, a suspeição de um criminoso, estaremos pré-condenando cidadãos. O próprio Código de Processo Penal prevê como suspeita a atitude, e não a origem social do indivíduo. O fato de que negros, pobres e jovens estão cometendo mais crimes (ou estão sendo pegos comentendo) não é justificativa para criarmos uma exceção à necessidade da não-discriminação nas atuações policiais. Além disso, esse é o tipo de posicionamento que funciona para retroalimentar o problema: quanto mais a polícia age levando em consideração esses fatores, mais esses fatores irão se tornar relevantes. Se criminalizarmos previamente pobres moradores de favelas, os pobre moradores de favela se tornarão, fatalmente, criminosos. Emprego, credibilidade e aceitação social não serão gerados com essa visão, criando assim um ciclo perverso de exclusão (e vejam que esses argumentos não servem apenas para policiais). Enfim, o que nos cabe é refletir mais e melhor sobre nossa realidade, consultar o maior número de visões possíveis, e não aceitar facilmente argumentos por pura tradição ou pela autoridade de quem fala. Crítica e consciência não faz mal a ninguém...