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Cinema Policial

"O que pensou? Que é um policial comum? Você é nosso produto. E nosso produto não pode se voltar contra nós, pode?" Um policial perfeito, exato, que não se excede nem se esquiva de suas funções, um policial que não se cansa nem possui necessidades emocionais, um policial que não precisa de salário e que não morre. Enfim, este é o Robocop, o policial do futuro, uma criação cinematográfica clássica, lançado em 1987, que divertiu muitos espectadores atentos às suas três versões (Robocop, 1987, Robocop 2, 1990, e Robocop 3, 1993). Ao reassistir a primeira versão da trilogia, me dei conta da grande metáfora policial trazida pelo filme, que é mais profundo do que o que pensa o público que procura meramente diversão em Robocop. Na verdade, o filme antecipa uma discussão trazida atualmente pelos brasileiros Tropa de Elite e Tropa de Elite 2, não sendo à toa o convite ao Diretor José Padilha para direção da quarta versão de Robocop. Robocop, com a citada perfeição, é o modelo de policial escolhido para solucionar a questão da criminalidade em Detroit. A empresa gestora da polícia, a OCP, sigla de "Omni Consumer Products", pretende criar um empreendimento para refundar as estruturas da cidade, mas só poderão fazê-lo após reduzirem o problema da criminalidade. Na ânsia das suas intenções capitalistas, a OCP testa soluções imediatas para a violência, e acaba chegando ao Robocop, um robô meio-humano criado a partir do corpo de um policial tido como morto em uma ocorrência, Murphy. (mais…)
Um dos adágios mais populares na nossa sociedade é o que diz mais ou menos assim: a vingança é um prato que se come frio. Essa máxima popular, ou parte dela, serve de mote para um filme denso, forte e violento, mas nem por isso menos belo e sensível. O diretor francês Daniel Grou, inspirado no também ótimo livro de Patrick Senecal, reaviva dando imagens e cores (nem tantas cores assim...) ao romance. Les 7 Jours Du Talion - 7 Dias (2010), é um filme que com certeza não faz parte da filmografia policial tradicional, com tiros pra todos os lados, perseguições desenfreadas e efeitos especiais que só Hollywood sabe fazer, aliás, este nem ao menos é um filme americano, apesar de não correr no circuito independente/alternativo aos quais costumo garimpar filmes, ele não deixa de ter uma pecha indie. Na verdade esse thriller francês fala de vingança! Vingança cega, vingança colérica, vingança fria... Vingança. Estou-o citando aqui mais pela lição que passa do que por ser propriamente um filme policial. Nele veremos a história de Bruno Hamel, um bem sucedido cirurgião que mora em uma bela e confortável casa com a sua esposa Sylvie, e a sua filhinha Jasmine de oito anos. Eles vivem uma vida normal, até a tarde em que sua filhinha é estuprada e brutalmente assassinada. Daí segue-se as acusações de praxe, as perguntas corriqueiras e invariavelmente sem respostas, e o inconformismo silencioso com a situação quando da prisão do assassino, Hamel passa a lidar diferente com sua dor. Então planeja a captura do "monstro" e a forma de fazê-lo pagar pelo que fez a sua garotinha. (mais…)
Com mais de duas décadas de sucesso, Duro de Matar (Die Hard) é um dos grandes nomes do cinema policial. A primeira e clássica versão saiu em 1988, ano em que foi promulgada a atual Constituição Brasileira, e de lá para cá ela foi vista por milhares de pessoas em todo o mundo – só aqui no Brasil, a Globo já exibiu inúmeras vezes nas sessões da tarde e similares. As quatro versões existentes (1988, 1990, 1995 e 2007), mostram a atuação de um dos ícones policiais do cinema: John McClane, interpretado por Bruce Willis, detetive de Nova York que enfrenta terroristas portando sua singela pistola, principalmente quando eles ousam ameaçar sua esposa ou sua filha, Holly e Lucy, respectivamente. McClane faz valer a máxima que afirma que "todo policial é policial 24 horas por dia". Nos dois primeiros filmes ele é surpreendido na véspera de Natal, tendo que enfrentar bandidos logo quando vai encontrar sua família. No terceiro, ele é acionado quando está de ressaca, após uma noite de bebedeira, no quarto, quando está reclamando sua filha por estar namorando no carro. Além dessa característica, os filmes mostram outras que todo policial conhece: o conflito de competências, as vaidades de comandantes, enfim, questões pessoais e políticas que acabam emperrando o desenvolvimento do serviço. McClane se irrita diversas vezes com a ingerência do FBI e de policiais que, apesar de estarem em sua área de atuação, sabem pouco do problema que precisam resolver. (mais…)