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Comando

Diferentemente de outras carreiras e funções públicas, a trajetória do oficial de polícia militar não possibilita que inexperientes alcancem funções de destaque e de grande responsabilidade. Desde o primeiro posto, geralmente como segundo tenente, o oficial se depara com vivências das mais comezinhas até complexos desafios que exigem capacidades múltiplas, aos poucos desenvolvidas nos 30 anos de carreira. Ao chegar ao último posto, como coronel de polícia, lá nos últimos anos da sua escala profissional, não resta qualquer indício da inexperiência característica dos novos soldados. Comparativamente, percebe-se que certas responsabilidades e poderes são dadas ainda cedo a boa parte dos juízes brasileiros, que no início de suas carreiras já lidam com questões onde majores e até tenente-coronéis são inseridos para deliberação conjunta. Majores e tenente-coronéis às vezes com mais de vinte anos de serviço. É claro que incompetência e ingenuidade são coisas distintas: há coronéis incompetentes, embora mesmo esses incompetentes não possam alegar ingenuidade, após mais de duas décadas atuando no contexto policial militar. Dificilmente coronéis são levados pela emoção, o que garante que façam calculadamente o que querem fazer. Discutir o mérito do que querem fazer já é outro tema. Dirão alguns que não há diferença entre a experiência dos coronéis e a de outros profissionais, mas é preciso que se diga que a profissão policial lida com circunstâncias críticas, onde os sentimentos e os valores são profundos e multifacetados, diferentemente das experiências de outros profissionais. Neste sentido, talvez os médicos entendam bem o que se quer dizer, sem a peculiaridade do risco de vida que os policiais correm no seu cotidiano. Da próxima vez que vir um coronel falar, ou calar, julgue como uma manifestação acertada ou equivocada, maldosa ou bem intencionada, imoral ou honesta. Mas nunca pense que há ali ingenuidade.
Já sabemos que o novo Comandante-geral da Polícia Militar do Rio de Janeiro, o Coronel Mário Sérgio, é blogueiro desde 2006. Aproveitando essa intimidade que o Coronel tem com a internet, e com os blogs, o jornalista e blogueiro Jorge Antonio Barros, do Repórter de Crime, resolveu perguntar ao Secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, qual a opinião dele sobre a criação de um blog institucional da PMERJ. Vejam a resposta: "O secretário Beltrame disse até que permitiria que o novo comandante da PM tivesse um blog institucional para incrementar a comunicação da corporação. "O único problema é o conteúdo", ponderou o secretário." Aproveitando a positiva do Secretário, o Jorge resolveu fazer uma campanha: "Pois aproveito o fato de o novo comandante ser um blogueiro para lançar neste blog a campanha em defesa de um blog institucional da Polícia Militar, que poderia ser tocado pelo próprio comandante com a ajuda de seus auxiliares diretos. Se você acha que é importante os chefes das Polícia Civil e Militar terem blogs para se comunicar melhor e mais rapidamente com os contribuintes, mande um email para reporterdecrime@globo.com dizendo que tipo de dúvida você teria para tirar com eles." Gostei da campanha, e deixo abaixo quatro sugestões e justificativas para a criação do blog: - Interação público x polícia: existem estereótipos da sociedade em relação à polícia e vice-versa. Se um blog escrito por um policial informalmente já cria uma visão diferente do "ser" policial para as pessoas, imaginem se a polícia, ou um Comandante-geral, tivesse seu próprio blog?; - Esclarecimento de fatos: com a descentralização da informação que a internet trouxe, não faz mais sentido uma organização com a dimensão de uma polícia militar ficar a reboque de um meio extra-institucional para esclarecer fatos que o público deseja saber. Num blog a verdade pode ser dita de maneira rápida e prática, sem ruídos; - Respondendo perguntas: o blog seria um ótimo meio da polícia orientar os cidadãos em relação a posturas de segurança. Tutoriais do tipo "como agir", "onde encontrar" e "como fazer" seria um modo de deixar a população mais preparada e informada para as situações de insegurança do dia-a-dia; - O policial falando: Imaginem os policiais militares interagindo com o público não-policial na caixa de comentários do blog... Isso seria uma revolução dentro da perspectiva de aproximação polícia-cidadão. Poderia escrever um texto enorme sobre as grandes vantagens dum blog institucional para uma polícia, mas prefiro deixar por conta dos leitores, que certamente têm mais opiniões e representam melhor o público-alvo do trabalho policial. Criar um blog institucional de polícia, além de todas as vantagens, traz a responsabilidade de estar disposto a discutir até mesmo as falhas da corporação, pois se assim não for, o blog perde o sentido. A PMERJ possui grandes blogueiros policiais, como o próprio Comandante. O ideal seria convocar alguns deles para opinar e/ou administrar a página. Invista nessa idéia, mande um email para o Jorge com suas opiniões: reporterdecrime@globo.com
O Secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro comunicou em nota oficial a exoneração do Comandante-geral da PMERJ, o Coronel Gilson Pitta Lopes, que estava no comando da Corporação desde janeiro de 2008, quando substituiu o Coronel Ubiratan,  à época das reivindicações dos chamados Coronéis Barbonos. Abaixo, a nota emitida pela Secretaria de Segurança, na íntegra, que encontrei no blog do Ruan Sousa: GOVERNO DO RIO DE JANEIRO SECRETARIA DE ESTADO DE SEGURANÇA COMUNICAÇÃO SOCIAL Fazendo valer o exercício pleno de seus poderes como principal responsável pela pasta da Segurança Pública do estado, o secretário José Mariano Beltrame comunica que o coronel Gilson Pitta Lopes deixou o posto de Comandante-Geral da Polícia Militar na manhã de hoje. O secretário gostaria de aproveitar a oportunidade para agradecer publicamente ao Comandante Pitta pela seriedade e correção com que conduziu sua corporação desde o início. Foram 17 meses de sacrifícios pessoais e de dedicação exclusiva, meses que somam aos mais de 30 anos de carreira a serviço da sociedade fluminense. Que a história do Comandante Pitta sirva de exemplo para os oficiais mais novos da ativa. Assume o comando geral da Polícia Militar o atual diretor-presidente do Instituto de Segurança Pública, coronel Mário Sérgio de Brito Duarte. O coronel Mário Sérgio está habituado a missões difíceis. Foi comandante do BOPE, do batalhão da Maré e teve passagens pelo interior do estado. Mais recentemente, na atual gestão da Seseg, foi superintendente da sub-secretaria de Planejamento e Integração Operacional (SSPIO). O coronel Mário Sérgio tem agora o duro desafio de cultivar a seriedade e dedicação da equipe que sai e ainda avançar mais profundamente nos processos de gestão da PM. Maior aproveitamento de efetivo nas ruas; adequação ao modelo das RISPs; foco nas metas criminais estabelecidas; celeridade no aparelho correcional; ampliação do intercâmbio com outras instituições; ampliação das UPPs; e principalmente preparar a PM para as exigências do século XXI. Estas são tarefas para a equipe que chega. Estruturantes e necessárias. O secretário, em nome do Governo, deseja sucesso ao novo comandante. ASCOM / SESEG Novo Comandante-geral é blogueiro Para quem não sabe, o novo Comandante-geral da PMERJ é o autor do blog Segurança Pública - Idéias e Ações, e isso significa que, se mantido o blog, ele será o segundo Comandante-geral brasileiro blogueiro (o pioneiro é o Cel. Antonio Elias, da PMGO). Criado em 2006, o blog dele é atualizado quase que duas vezes ao mês, trazendo textos de cunho reflexivo, voltados a temas ligados à Segurança Pública. Além de blogueiro, o Coronel Mário Sérgio é autor do livro "Incursionando no Inferno - A Verdade da Tropa", escrito em 1993, que conta histórias do período em que ele serviu o Batalhão de Operações Especiais da PMERJ, o BOPE, unidade na qual foi comandante. O novo Comandante foi ex-Comandante da Academia da Polícia Militar, ex-Comandante do Batalhão da Maré, como disse, ex-Comandante do BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais), ex-Superintendente de Planejamento Operacional da Secretaria de Estado de Segurança do Rio de Janeiro. Bacharelando em Filosofia pela UFRJ, articulista (JB e O GLOBO), ex-assessor da Prefeitura do Rio de Janeiro para assuntos de Dependência Química, ex-Diretor de Inteligência da Subsecretaria de Inteligência da SSP, conferencista e palestrante. O Coronel Mário Sérgio, quando começávamos a atuação no Abordagem, nos incentivou muito com comentários aqui. Na verdade, à época, ele ainda era tenente-coronel. O "Caveira 37" do BOPE, como ele mesmo assina, já chegou até a me ajudar num trabalho de Gerenciamento de Crises da Academia, de modo que o considero uma pessoa prestativa e diligente, além de ser um bom comunicador — características necessárias a um bom Comandante. Necessárias, mas não suficientes, já que o contexto político, cultural e social do Rio de Janeiro (a vitrine da Segurança Pública brasileira) é dos mais complexos do mundo. Torcemos pelo sucesso do novo Comandante, que representa o sucesso da PMERJ e da sociedade. PS1: Vejam os vídeos numa matéria do O Globo, em que o Cel. Mário Sérgio discute a PMERJ e o filme Tropa de Elite com o Capitão Rodrigo Pimentel; PS2: Não deixem de conferir as visões de quem está mais próximo da mudança: o Jorge Antonio Barros e o Coronel Paúl.
A sigla AVC deve ter remetido muitos leitores ao "Acidente Vascular Cerebral", conhecido como Derrame Cerebral, que é uma doença que acomete a circulação sanguínea no cérebro, podendo deixar graves sequelas ou mesmo levar o indivíduo à morte. Mas aqui não trato desta doença, e sim de outra, que também é muito nociva, e tem consequências drásticas para qualquer instituição, notadamente as que prestam serviço público e, pior, serviço de segurança pública. Essa mazela atinge os fins das organizações, deturpando-os e desviando os esforços que deveriam ser orientados para o bem comum. Na verdade, o AVC parece-se mais com um câncer, já que o problema é gerado por uma célula que deveria trabalhar em benefício do corpo, mas, em vez disso, faz o contrário: perpetua-se e cria tumores malignos, sem qualquer função positiva, servindo apenas para se alimentar, com uma consequente destruição do corpo. A "célula" é o chefe, e quando ele está infectado com AVC, temos as seguintes características manifestadas (que explicam a sigla): Autoritarismo, Vaidade e Centralismo. Eles são interdependentes, e geralmente quando encontramos um, os outros também estão presentes. Abaixo, comento cada uma delas, citando inclusive os princípios constitucionais que ferem e dando exemplos históricos em que aparecem... Autoritarismo O chefe autoritário não admite qualquer ponderação a suas ordens e determinações. O que ele deseja tem caráter absoluto e é superior a qualquer contingência, o “querer” é sempre a grande motivação por trás de suas decisões, não obstante muitas vezes justifique elas através de sofismas. Quem é autoritário geralmente faz questão de demonstrar seu poder cotidianamente, mesmo que não tenha necessidade. Características: exclusividade do exercício do poder; arbitrariedades; impulsividade nas decisões; controle do pensamento; agressividade à oposição; censura às opiniões; medidas de perpetuação no poder. Princípio Constitucional que fere: legalidade – o autoritário comete ilegalidades para garantir seu poder. Exemplo Histórico: o ex-governante de Cuba Fidel Castro, que fuzilou dissidentes do seu Governo. Vaidade Vaidade é o desejo de atrair a admiração de outras pessoas. Pessoas vaidosas ao extremo, como as que deixam sua vaidade influenciar o exercício de sua função pública, não se importam muito com o mérito da admiração que as pessoas lhe dispensam, mas sim com o sentimento de superioridade que terá perante os demais. O chefe vaidoso quer ressaltar sempre seu status de superioridade sobre seus subordinados, e entende que ser chefe é ser "melhor" que os demais participantes da organização. O vaidoso não perde a oportunidade de cultuar a si próprio. Características: soberba; ganância; narcisismo; assédio moral ao próximo; ressalta sempre seus pontos positivos; esconde seus pontos negativos; quer sempre causar inveja. Princípio Constitucional que fere: Impessoalidade e Moralidade. Exemplo Histórico: o ex-governante do Iraque, Saddam Hussein, quando afirmou ser ele descendente direto de Nabucodonosor II, autoproclamando-se reencarnação dele. Centralismo O chefe centralizador quer sempre decidir por toda a sua equipe. Não delega funções, pois tem medo de que seus subordinados errem, e acaba tentando fazer tudo por todos, sem conseguir, obviamente. Em vez de educar bem sua equipe, procura cercear suas autonomias, e tenta controlá-los em todos os aspectos. Nada se decide sem passar por ele, tudo que é feito por outros ele procura modificar, mesmo que não tenha razões óbvias para isso. Características: medo exacerbado de errar; falta de confiança na equipe; narcisismo; redução de autonomia dos subordinados; controle ao extremo; lentidão na implementação de medidas; recusa de idéias alheias. Princípio Constitucional que fere: Eficiência. Exemplo Histórico: Adolf Hitler, quando fechou o parlamento na Alemanha Nazista, tornando-se o centro do poder de decisão no Estado. AVC e Militarismo Certamente os militares puderam associar essas características à realidade mais do que os demais. As normas e a cultura que rege as organizações militares favorecem a manifestação de chefes que exerçam o trinômio AVC. Os regulamentos que tratam das continências, por exemplo, é um prato cheio para o chefe muito vaidoso, que certamente perverterá a verdadeira idealização dessas normas. Alguns chavões da caserna dão conta de demonstrar a AVC nas organizações militares: "manda quem pode, obedece que tem juízo"; "o espelho da tropa é o comandante"; "missão dada é missão cumprida". Abrandadas, essas expressões podem ser vistas positivamente, mas, stricto sensu, elas ilustram bem a ocorrência de AVC no militarismo. Direcionando a palavra agora aos policiais militares, lembro que essas idéias não devem permear apenas a conduta dos mais aparentes chefes e comandantes, os oficiais e graduados. Você, soldado, exerce em seu dia-a-dia função de chefe, sim: o trato diário com o cidadão, quando mediado por essas características, leva a absurdos tão grandes, ou piores, do que a manifestação deles em caráter funcional. Se extirparmos essas práticas das instituições públicas, principalmente as policiais, ocorrerá o que diz o Hino 2 de Julho, símbolo da libertação da Bahia: "Nunca mais o despotismo Regerá nossas ações" PS1: Post escrito com a contribuição de Marcelo Lopes (autor da sigla AVC) Este é o primeiro de uma série de textos e posts tratando do militarismo. A idéia é gerar uma discussão ampla e irrestrita a todos os aspectos que envolvem a administração, cultura e as práticas militares nas polícias. Caso tenha alguma contribuição a fazer, mande um email para abordagempolicial@gmail.com que teremos o prazer de publicar.