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Comunicação

Todo policial brasileiro provavelmente já recebeu uma mensagem com a última notícia do momento que inicia com os termos "segundo informações". Essas duas palavras são usadas para justificar a autoria de alguma narrativa. Por exemplo: "Segundo informações, o policial fulano de tal realizou a prisão de um autor de roubo na rua tal". Como se "informações" fosse um ser humano, uma fonte legítima e confiável que sustentasse o que está sendo "repassado". Em tempos de WhatsApp está cada vez mais difícil lidar com conceitos como segurança da informação, sensação de segurança, credibilidade da informação etc. A quantidade e a rapidez tem ganhado prioridade sobre a qualidade. No contexto policial isso se agrava porque informações sobre ocorrências ou problemas internos às polícias geralmente estão ligadas a direitos individuais ou coletivos, o que possibilita o dano a reputações ou a desnecessárias mudanças de comportamento pautadas no medo. "Não é pequena a possibilidade de aproveitadores manipularem a manada dos desavisados para garantir a propagação de inverdades" Se qualquer organização do mundo atual precisa orientar seus integrantes sobre a forma de lidar com informações, nas polícias isso é condição indispensável para o exercício da profissão. Não é pequena a possibilidade de aproveitadores manipularem a manada dos desavisados para garantir a propagação de inverdades. Diferentemente do que pensam alguns, esse não é um problema para lidar de maneira disciplinar, mas através de orientação e esclarecimento. Sem ter a ambição de controlar o incontrolável, vale a pena ensinar a tropa a usar os meios de comunicação à sua disposição com inteligência.
É o que os Ministros do Tribunal Superior do Trabalho (TST) estão discutindo, buscando um posicionamento jurídico uniforme sobre a cada vez mais frequente necessidade profissional de estar disponível através de telefone e email para tratar de assuntos do trabalho com o chefe. Em um momento em que muitas corporações policiais cobram com rigor o cumprimento da carga horária semanal trabalhada - que nem sempre é "trabalhada", mas apenas permanência no trabalho - a discussão é muito pertinente: BRASÍLIA - Os ministros do Tribunal Superior do Trabalho (TST) iniciaram nesta segunda-feira um mutirão para tratar, entre outros assuntos, do pagamento de horas extras para funcionários que tratam de questões de trabalho com suas chefias, por e-mail e celular, fora do horário de trabalho. Recentemente, um chefe de almoxarifado que ficava à disposição da empresa no celular conseguiu ganhar na Justiça o pagamento de um terço da hora extra por esse período. A Primeira Turma do TST manteve decisão que reconheceu o direito ao recebimento de horas de sobreaviso ao funcionário. Na ocasião, o Tribunal ressaltou que, embora a jurisprudência do TST estabeleça que o uso do celular por si só não caracteriza o regime de sobreaviso, concluiu-se que o empregado permanecia à disposição da empresa, que o acionava a qualquer momento, limitando sua liberdade de locomoção. O chamado "teletrabalho" — quando um funcionário continua despachando com o chefe fora do horário de expediente pelo celular, ou recebe e executa tarefas por e-mail — é considerado um tema polêmico. Neste caso, os magistrados debaterão em que situações cabem as regras trabalhistas já existentes, como, por exemplo, o pagamento de hora extra. Obtido um consenso a respeito dessas regras, o TST deverá fazer recomendações aos tribunais de instâncias inferiores sobre o entendimento da corte. Há poucas dúvidas sobre o fato de que "estar à disposição" é trabalho, a curiosidade fica apenas quanto à consideração do TST sobre a forma de contabilização desta carga horária.
Não é raro que ao se detectar um problema nas rotinas das polícias alguém tente minimizar a situação dizendo que "só" ocorreu uma "falha na comunicação". Um documento que deixou de ser enviado, uma determinação não cumprida, uma providência não tomada: basta pôr na conta da "falha de comunicação" que o problema está quase justificado, podendo todos se resignar com isto que parece ser natural e aceitável. Talvez este seja um peculiar sintoma de que as polícias brasileiras carecem de uma remodelagem administrativa. Com a dimensão do sistema de segurança pública brasileiro, onde estão inseridas as polícias civis e militares, as federais e as guardas municipais, é quase trágico se descuidar da comunicação, principalmente se consideramos os policiais como atores de mediação e negociação comunitária. Como conceber que estas corporações não dialoguem, para que, conjuntamente, a partir de informações e preocupações comuns, cheguem a soluções mais eficientes dos problemas que enfrentam? O pior é que esta barreira entre as polícias é apenas o aspecto mais flagrante de um desleixo que, internamente, parece ocorrer em boa parte das organizações policiais do Brasil. Tal qual ilhas, unidades de uma mesma corporação acabam não dialogando, deixando de padronizar procedimentos e evitando que um ambiente de colaboração mútua seja consolidado. A "falha de comunicação" chega a se inserir na cultura das polícias como uma desobediência velada: "se não fiquei sabendo, não posso cumprir", diz o policial da operacionalidade, diz o comandante ou chefe de unidade. Talvez, os governos pudessem utilizar sua força política para fomentar a clareza comunicativa nas polícias, evitando boatos e desordens. Mas as secretarias de comunicação estão por demais aterefadas em fazer propaganda político-eleitoral, alheias a um dos pontos nevrálgicos na gestão da atividade policial. Da próxima vez que você ouvir que este ou aquele problema ocorreu "só por falta de comunicação", não minimize a situação, pois é o mesmo que dizer que alguém "só" morreu porque sua veia estourou. Se os vasos sanguíneos conduzem o oxigênio indispensável à vida, a comunicação faz o mesmo com informações indispensáveis à manutenção da eficiência institucional. Se comunicar é condição primeira de qualquer organização - ou estamos falando de um conjunto de entidades desconexas. Por isso, falhar na comunicação é destruir a própria corporação. Algo grave e inaceitável.  
As concepções atuais de gestão de empresas, sejam elas públicas ou privadas, buscam consolidar a qualidade na prestação de serviços e ou produtos como fator primordial para o sucesso de qualquer empreendimento. São apresentadas metodologias, ferramentas, gráficos, concepções avançadas, entretanto, muitas vezes, mesmo com todo esse aparato, a organização não consegue desenvolver bem as suas metas e objetivos. Creio que as respostas se encontram justamente relacionadas com o baixo nível de prioridade nos campos da comunicação, liderança e motivação. Observamos que estas três palavras guardam uma relação harmônica. Para Eltz (2005), a origem da palavra comunicação está no latim "communicare" , ou seja, "pôr em comum", o que pressupõe entendimento das partes envolvidas. Nesta mesma linha, Ribeiro (1992) acentua que, depois da sobrevivência física, a comunicação é a mais básica e vital necessidade humana. Assim, não se pode falar em qualidade de relacionamento sem um bom desenvolvimento da comunicação. Infelizmente, e vale ressaltar isso, na maioria das vezes entendemos comunicação apenas como projeção de mensagens pelos mecanismos disponíveis. O escritor Rubens Alves faz um alerta interessante quando relembra que temos muitos cursos de oratória e, nunca se ouviu falar em um curso de "escutatória". Essa capacidade de escutar o outro dentro do espectro da comunicação é a habilidade que mais enobrece um líder. As organizações têm sofrido de uma carência de lideranças dispostas a ouvir os sentimentos, os anseios, as sugestões e mesmo os reclames dos seus colaboradores. E assim, lembrando de Maslow e de sua pirâmide das necessidades, as organizações vivenciam a crise de motivação, ou melhor, da falta dela. Chefes que nunca se aventuram no universo da escuta, possivelmente sofrem de miopia no que diz respeito à visão estratégica da organização. Neste ponto, concordo com SENGE (2006, P.239) quando assevera que: "As organizações que tencionam criar visões compartilhadas estimulam continuamente seus integrantes a desenvolver suas visões pessoais. Se não tiver sua própria visão, restará às pessoas simplesmente 'assinar em baixo' a visão do outro. O resultado é a aceitação, nunca o comprometimento" Concluo retomando essa palavrinha mágica, tão ausente em nosso vocabulário organizacional: COMPROMETIMENTO. Pessoas comprometidas são motivadas, inovadoras, criativas e lideram mesmo em momentos de crises. Esse tripé organizacional formado pela comunicação, liderança e motivação, necessita ter como base a busca desse comprometimento, dessa visão compartilhada, pois juntos, podemos enxergar mais longe e com maior nitidez. *José Carlos Vaz é policial militar, poeta, especialista em Comunicação Social com Ênfase em Ouvidoria (UNEB – 2006) e Especialista em Polícia Comunitária (UNISUL - Santa Catarina - 2009).
Em 490 A. C., o Soldado grego Feidípedes saiu correndo de Maratona até Atenas, a uma distância de 40 mil metros, para anunciar a vitória da Grécia sobre a Pérsia. Tal feito ficou marcado na história, pois a tão famosa corrida olímpica denominada de maratona deveu-se a esse feito. Houve uma época que as mensagens enviadas duravam vários dias até que chegassem ao seu destino final. Os mensageiros além de enfrentarem o longo percurso, também contavam com as mais variadas situações adversas como o terreno, que às vezes era íngrime e cheio de obstáculos; o clima, que nem sempre era igual ao de origem; a alimentação, que o próprio mensageiro tinha que providenciar. Tais fatores adversos provocavam um desgaste físico no mensageiro a ponto de nem todos cumprirem a missão. Deveras é de se notar a importância da informação desde os tempos da Antigüidade Clássica. Informações de cunho religioso, político e militar, as quais serviam para que muitos se mantivessem atualizados acerca dos acontecimentos que norteavam os rumos daquela época, contribuindo com a troca de saberes adquiridos pelo homem ao longo de sua existência; saberes esses responsáveis pelo surgimento e aperfeiçoamento dos diversos ramos da ciência, facilitando os afazeres dos homens, tornando os seus instrumentos e maquinários mais adequados para a prática do trabalho. Devido a essa própria capacidade humana de guardar e transmitir informações, os diversos instrumentos de comunicação foram sendo aperfeiçoados, passando de gravuras em pedras, gestos, fala, até os sofisticados sistemas de mensagens eletrônicas com o advento da internet. Hoje, dispõe-se de uma gama de produtos tecnológicos que auxiliam a troca de informações entre as pessoas, sem as dificuldades que Feidípedes teve em sua missão. Tudo isso em tempo real; vemos, ouvimos, escrevemos e falamos ao mesmo tempo que nosso interlocutor. É a rapidez da troca de informações. Rapidez essa que muitas pessoas e instituições vêm se beneficiando para atender as exigências de um mundo globalizado, usando-a para oferecer um serviço de excelência e ao mesmo tempo não deixando seus concorrentes se distanciarem cada vez mais, pois também se trata de uma corrida em que cada um deve estar sempre a um passo a frente procurando o aperfeiçoamento. Portanto, o policial militar engajado nesse mundo globalizado, não pode deixar ser atropelado pela bola de neve e tem que acompanhar a rapidez dessa troca de informações em prol de seu preparo tecnico-profissional, cada vez mais requisitado pelos diversos segmentos da sociedade. É necessário que o profissional de segurança pública não se sinta compelido a se aperfeiçoar, mas que tenha satisfação em fazê-lo. Veja que alguns criminosos mudaram a tática em praticar delitos. São os denominados criminosos virtuais, pois furtam dinheiro pela grande rede, praticam pedofilia e também se aperfeiçoam; a sociedade quer um trabalho mais eficiente, a mídia exige mais e está aí pronta para criticar o profissional de segurança pública caso ele dê um pequeno vacilo. O policial militar tem que estar sempre um passo a frente desses criminosos, tem que estar em constante aperfeiçoamento, levando-se em conta os gostos e as vocações de cada profissional . Mas, para isso, é necessário que o Estado crie mecanismos e condições para atender a essa tendência, ajudando a custear parte ou integralmente, conforme o caso, o aperfeiçoamento do policial militar. Ora, sabe-se que a Polícia Militar é uma corporação. Cada policial militar forma essa corporação. O povo quer uma Polícia Militar de qualidade e não de quantidade. Se cada policial militar procurar se aperfeiçoar com ajuda ou sem ajuda do Estado, então a corporação oferecerá um serviço de qualidade, o qual implicará na satisfação da sociedade. Essa proposição é mais que verdadeira. Lembrem-se: apressemo-nos em nos aperfeiçoar sempre! *Givanildo Miranda do Amaral formou-se Soldado de 1ª classe da PMBA no NFSD do 13º BPM em Teixeira de Freitas no ano de 2000, licenciou-se em Matemática pela UNEB em 2006 e atualmente pertence ao efetivo da 43ª CIPM.