Os problemas com as armas Taurus 
Mulheres com medidas protetivas poderão acionar botão para chamar a polícia em Pernambuco 
Jovens são presos por desacato após comentar ações de policiais 

CTDC

Atuar em manifestações populares é um dos maiores desafios operacionais para um policial. É muito difícil, para não dizer impossível, manter total controle dos movimentos coletivos na rua, dada a variedade de intenções (tanto de integrantes das manifestações quanto de infiltrados que, muitas vezes, tem intenções políticas ao causar algum distúrbio num movimento a princípio pacífico). O ideal é atuar de maneira pontual, cessando cirurgicamente a prática de alguma violência, reagindo apenas contra o responsável por ela. Mas isso é o ideal. Nem sempre há treinamento e equipamento para isso. Às vezes simplesmente não é possível identificar responsáveis. Às vezes falta paciência, preparo psicológico e controle das emoções. Considerar todos esses elementos é essencial para analisar qualquer atuação policial em manifestações, como a que ocorre agora em Curitiba, onde mais de 200 manifestantes (a maioria professores) já foram feridos por conta da ação policial no Paraná. Os professores estão se opondo a um pacote de austeridade do Governo Estadual, suprimindo direitos trabalhistas e previdenciários. Para quem não lembra, o atual Governador do Paraná é o mesmo que, ano passado, declarou que "uma pessoa com curso superior muitas vezes não aceita cumprir ordens de um oficial ou um superior, uma patente maior", se opondo à exigência de curso superior para os policiais militares. Na operação para reprimir a manifestação dos professores, o efetivo utilizado é maior que o aplicado na capital curitibana diariamente! Para ter uma noção do clima que se encontra a cúpula do Governo paranaense com a repressão aos professores, segue um vídeo divulgado pelo Blog do Esmael, recebido de um integrante do primeiro escalão do executivo estadual, onde o clima de "oba oba" é escandaloso: https://youtu.be/Ram0jFobI2s Sobre as condições de trabalho em que se encontram os policiais militares, o Abordagem Policial recebeu algumas manifestações de PMs reclamando dos turnos de trabalho e das instalações a que estão submetidos. Em um caso específico, a própria imprensa divulgou que policiais militares do interior convocados para atuar na capital foram expulsos de um hotel por falta de pagamento das diárias por parte do Governo. PMs punidos por se recusarem a atuar Não bastassem todos esses detalhes que mostram como a situação está sendo conduzida com o fígado, e não com o cérebro, adiciona-se o fato de policiais militares estarem presos por se recusarem a participar do cerco contra professores. Outra fonte informa que cerca de 50 policiais militares teriam sido presos. De quem é a culpa? Está claro que há uma orientação política irresponsável do Governo para a utilização do aparato policial (composto por trabalhadores) para reprimir trabalhadores se manifestando. Aliás, é o que parece, desrespeitando até mesmo condições básicas para a atuação dos policiais. Estando os policiais subordinados a um Governo que se comporta desta forma, é preciso ter muita inteligência e moderação para conduzir esse tipo de ação, pois não é o governador que responde objetivamente pelo tiro disparado, pelo bastão lançado e pelo agente químico utilizado. Todo policial sabe que entre a ordem e a execução existe a capacidade de ser razoável no cumprimento da missão. Depois não adianta dizer que "só estava cumprindo ordens", ainda mais em uma operação para conter professores, colegas de funcionalismo público, reivindicando direitos.
A notícia é da semana passada, mas vale a pena colocar em discussão o tema: dois tenentes da Polícia Militar do Estado de São Paulo foram absolvidos da acusação de se recusarem a cumprir ordens de superiores durante protestos ocorridos em São Paulo. Entenda o caso: O Tribunal de Justiça Militar absolveu dois tenentes da Polícia Militar que foram acusados de desobediência durante a repressão aos protestos de junho do ano passado. Eles se recusaram a cumprir ordens do Comando da PM, que, segundo a avaliação deles, podiam ferir civis que não cometiam crimes. Até o momento, nenhum caso de PM que agrediu civis durante as manifestações chegou à Justiça Militar. O Tribunal de Justiça Militar absolveu dois tenentes da Polícia Militar que foram acusados de desobediência durante a repressão aos protestos de junho do ano passado. Eles se recusaram a cumprir ordens do Comando da PM, que, segundo a avaliação deles, podiam ferir civis que não cometiam crimes. Até o momento, nenhum caso de PM que agrediu civis durante as manifestações chegou à Justiça Militar. Segundo a denúncia contra os PMs, feita pelo promotor de Justiça Militar Adalberto Danser de Sá Júnior, um grupo de PMs havia sido encurralado na Rua Direita, no interior de uma loja, onde "estavam sendo agredidos a pedradas", nas palavras do promotor. Para resgatar os PMs, o Comando de Policiamento Metropolitano deu ordem ao capitão Rogério Lemos de Toledo para "dispersar a multidão com forças integradas, com uso de viaturas da Força Tática à frente". Para a missão, foram destacadas três viaturas. O primeiro acusado, tenente Paulo Barbosa Siqueira Filho, ainda segundo a denúncia, "se recusou a cumprir a ordem (repassada por Toledo), dizendo que a manobra que lhe fora ordenada poderia machucar os manifestantes", diz a denúncia. "A ordem não encontrava previsão no Manual de Controle de Distúrbios Civis da Polícia Militar. Ela expunha os policiais que conduziriam a viatura a risco, uma vez que os manifestantes atiravam pedras. Havia risco também, por isso, de um policial perder controle da viatura caso fosse atingido", afirmou o advogado de Siqueira, Fábio Menezes Ziliotti. A recusa de Siqueira fez com que o capitão Toledo desse ordem de prisão ao tenente. Ele mandou o tenente Alex Oliveira de Azevedo, que também estava na operação, prender Siqueira. No entanto, "o tenente Azevedo decidiu ‘passar por cima’ da autoridade do capitão Toledo e decidiu telefonar para um oficial, o coronel Reynaldo (Rossi, então comandante da área), para saber o que deveria fazer", diz a denúncia. O coronel mandou o tenente passar o telefone para o capitão, "pois não tinha sentido conversar com um subordinado sobre a conduta do superior", ainda de acordo com a denúncia do caso. Azevedo acabou sendo denunciado junto. Aquela manifestação ficou marcada pela demora do comando em usar a Tropa de Choque para dispersar a multidão. No fim, 49 pessoas foram presas e duas ficaram feridas. Já em novembro, durante as investigações do caso, o sargento Iberê Mattei, que testemunhou a confusão entre os oficiais, acabou sendo acusado com os colegas de farda, supostamente por falso testemunho contra o capitão Toledo. No dia 18 deste mês, ao analisar o caso, o Conselho Especial do Tribunal de Justiça Militar, composto por cinco juízes (quatro deles militares), avaliou que a ordem era um "improviso", que não estava prevista nos manuais da PM e que tinha "um potencial lesivo considerável". Assim, Siqueira foi absolvido do crime de desobediência. Azevedo e o sargento ligado ao caso também escaparam de condenação. O trio trabalha normalmente. O Comando da PM alegou que o Manual de Controle de Distúrbios Civis da PM é sigiloso, por isso se negou a comentar o descumprimento às regras presentes ali. Disse que o abuso não foi punido por falta de testemunhas. "Estranhamente, nenhuma das partes supostamente agredidas por policiais auxiliou a investigação", disse, em nota. Fonte: Estadão. Os fatos abrem campo para discutir a forma de atuação das polícias militares em protestos, e o quanto a doutrina para esses eventos é discutida internamente. Dica do Capitão Rosuilson
Nós, policiais, que temos sérias restrições em relação ao direito de manifestação sabemos bem o quanto é danoso ter essa possibilidade negada. Esse é um primeiro elemento para reconhecer que é prejudicial criminalizar protestos e manifestações. No momento de grande comoção frente à lamentável morte do cinegrafista da BAND, há setores da imprensa, das polícias e dos governos que estão militando direta ou indiretamente em prol da anulação da legitimidade de protestos no país. É interesse claro da estrutura de poder dominante que não haja discordância pública em relação a suas medidas (ou ausência delas). Quando o povo conectado vai às ruas e se afirma enquanto organização – independentemente de causa central e liderança – faz tremer o mais aberto dos governantes. Isso porque governar, na maioria das tradições políticas, é encerrar-se num gabinete e manter-se nele o máximo de tempo possível. É nesse contexto que são proferidos conceitos como o de “ordem pública”, “governabilidade” e até mesmo “segurança pública”. "Criar leis draconianas que atemorizam a participação dos cidadãos em protestos é um passo em direção à inviabilização das manifestações" E a violência nas manifestações, como a que vitimou o cinegrafista da BAND? Ela é explicada pela ingenuidade de alguns, arrogância e más intenções políticas de outros e erro estratégico quanto aos objetivos das manifestações. Curiosamente, os policiais que cometem violência também estão enredados em problemas semelhantes: muitas vezes o fazem por ingenuidade, arrogância, manipulação política e erro estratégico, quando pensam estar praticando algo com desdobramentos positivos. (Sobre a violência policial é preciso considerar, entre outros diferenciais, a investidura pública das nossas funções, o que exigiria discussão mais extensa). O que cabe refletir sobre a relação entre a polícia e as manifestações é justamente o modo de contenção preventiva da violência, e, quando a prevenção não for possível, a intervenção tópica e qualificada em manifestantes predispostos ao abuso (o que tecnicamente tem suas complicações, mas deve ser perseguido). Isso não pode se confundir com a inviabilização da manifestação, sob pena de praticarmos autoritarismo. Criar leis draconianas que atemorizam a participação dos cidadãos em protestos é um passo em direção à inviabilização das manifestações. Momentos de comoção como o atual são ideais para medidas antidemocráticas visando a preservação dos gabinetes. Discutir leis sobre as motivações dos protestos ninguém quer.   PS: O secretário de segurança do Rio, José Mariano Beltrame, está militando em prol de leis mais duras contra manifestantes que praticam violência. Ele lembra: "temos a Copa do Mundo à nossa porta".
No dia 1º de julho de 2013, este que subscreve foi responsável pela publicação do texto cujo título era “O lugar do repórter na manifestação” aqui no Abordagem Policial. Nele, resumidamente, foi criticada a visão unilateral e parcial de meios de comunicação que adotam um posicionamento quase sempre contra a Polícia, direcionando os trabalhos para esse ponto de vista. O pensamento foi ilustrado através do local onde se posicionam as câmeras durante os conflitos. Eis que ontem (06/02/2014), no Rio de Janeiro, o que indiretamente foi lançado como profecia nas entrelinhas daquele texto, aconteceu. O cinegrafista Santiago Ilídio Andrade, da Band, ficou no fogo cruzado entre “manifestantes” e policiais. Um artefato explosivo atingiu sua cabeça, fazendo-o cair ferido. Com precipitação e má intenção, a Globo News divulgou o depoimento de um dos seus profissionais acusando categoricamente a Polícia de ter praticado a agressão. Só que diversas fotos e filmagens evidenciaram, sem margem de dúvidas, que a violência partiu de um dos “cidadãos”, possivelmente integrante da facção Black Bloc. A teimosia foi peremptoriamente desconstituída pelo especialista procurado pela equipe de reportagem do Jornal Hoje, algo nem tão necessário, pois as características do artefato levam até um leigo a duvidar que tenha sido atirado por policiais. Coube então à dupla Sandra Annenberg e Evaristo Costa se desculparem, no Jornal Hoje deste 07/02/2014, disfarçando o constrangimento, pelo falso testemunho sustentado incisivamente pelo colega de trabalho. Ficou feio para um jornalismo tão influente como o da Rede Globo. Contribui para o aumento do descrédito na seriedade do trabalho do canal, principalmente em meio aos policiais e classes mais críticas que não se convencem imediatamente com o que os apresentadores falam na televisão. A Band, que, através de figuras como Ricardo Boechat, muitas vezes se posiciona deliberadamente contra a Polícia, sofre mais um revés. Em 2011, o cinegrafista Gelson Domingos foi alvejado por um tiro de fuzil disparado por marginais quando cobria um (suposto?) confronto no RJ. Agora foi a vez do repórter cinematográfico sofrer as consequências da realidade que resistem a encarar com lucidez. “O pior cego é aquele que não quer ver”.
As manifestações populares de junho de 2013 foram exaustivamente discutidas nos diferentes meios de comunicação, mas não há como considerar que o tema esteja esgotado. Há uma grande expectativa sobre como esses atos serão praticados durante a Copa do Mundo no ano que vem, e todo policial que atue direta ou indiretamente nesse tipo de ocorrência deve(ria) ter uma noção clara e racional da complexidade que cerca os movimentos. Produzido apressadamente no calor dos fatos e publicado já no mês seguinte, “Cidades Rebeldes – Passe Livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil” é um livro de leitura fácil, composto por 16 artigos distribuídos em 109 páginas enriquecidas com fotos e ilustrações interessantes. O teor, no entanto, apesar da suposta propriedade dos autores, quase todos doutores universitários, inclusive estrangeiros, não contempla um ponto de vista muito distinto daqueles que apoiam as modalidades de manifestação adotadas por grande parte do público. Em outras palavras, poderiam ter deixado espaço para ao menos alguém mostrar o ponto de vista dos órgãos de segurança. A rebeldia é explicada regredindo a Salvador-BA em 2003 (p. 14), na “Revolta do Buzú”, momento que não é reconhecido como origem, mas como um marco importante, posteriormente seguido por Florianópolis-SC em 2004, com a “Revolta da Catraca” até tomar conta de São Paulo-SP e todo Brasil neste ano. À época, também um aumento de 20 centavos nas tarifas de ônibus levou ao trancamento das ruas da capital da Bahia – este que subscreve chegou a participar de alguns atos, onde predominava a diversão decorrente do comportamento transgressor e ousado que facilmente seduz os jovens, muito mais do que as questões ideológicas. Mas a despeito do fato de muitos aventureiros se agregarem apenas pelo status, para poder compartilhar em sites de relacionamentos uma foto do seu cartaz na multidão, como tanto se viu, há sim uma reflexão crucial a ser feita. “O acesso do trabalhador à riqueza do espaço urbano, que é produto de seu próprio trabalho, está invariavelmente condicionado ao uso do transporte coletivo “ (p. 15). À medida que a renda não é suficiente para arcar com os custos do deslocamento da periferia para o centro, esse indivíduo só acessa tal área enquanto força de trabalho, sendo excluído nos demais momentos em virtude da questão do transporte. Por isso, faz sentido combater o crescente aumento das passagens. Talvez não haja como tornar viável a gratuidade plena, grande ideal do Movimento Passe Livre, mas ao menos conter a ganância do empresariado e a inércia dos governantes. Outra ideia a esse respeito é desestimular a aquisição de veículos particulares, que vem sendo facilitada por crediário amplo e isenção de impostos. O carro particular aumenta os acidentes, os congestionamentos e a poluição, em proporção muito superior ao transporte coletivo (p. 61). Esses aspectos legitimam a mobilização, que acerta quanto aos fins, mas peca pelos meios.  A Polícia entra justamente para estabelecer limites, de modo que a condução da massa seja feita através dos limites da lei, impedindo os danos e a depredação exaustivamente comprovados pelas imagens transmitidas na imprensa. Daí não há como prosperar a ideia pregada pela autora do primeiro texto da obra, que transcreve um slogan das ruas “Que coincidência! Não tem polícia, não tem violência!”. Só a paixão cega e inconsequente permite acreditar nessa tese, que os Black Blocs se encarregam de refutar exemplarmente pela via da contradição. Talvez a repressão da PM tenha aumentado a adesão das pessoas (p. 73), sem que isso seja garantia de um alto grau de consciência – pode representar, na verdade, uma atração pela subversão, algo muito provável. Tanto que uma enquete proposta pelo apresentador do Brasil Urgente, José Luis Datena, que dispensa apresentações, provocou surpresa ao demonstrar a predominância da aprovação popular com os protestos. A pergunta foi reformulada, e quando questionado sobre o apoio aos protestos com baderna, o público novamente foi a favor, contrariando a expectativa do programa (p. 54). Novamente, não há como deduzir, por isso, que o desejo da maioria seja o caminho certo. Até porque, para além da questão do transporte, as pautas foram expandidas a diversas questões sociais, incluindo a política eleitoral. E à medida que os partidos eram hostilizados, a democracia se enfraquecia, pois os grupos demonstravam intolerância à legítima representatividade da maioria, ainda que longe do ideal ético - quem fazia menção a partidos era expulso, ou até linchado, pela turba enfurecida. Afinal, “uma das maiores injustiças que se pode cometer é a de impedir que as vítimas da injustiça social e da intolerância tenham voz” (p. 88), prática executada tanto por alguns policiais quanto por participantes daquilo que ficou conhecido como Jornadas de Junho. É com essas e outras abordagens que a obra se desenvolve. Vale para complementar a literatura sobre o assunto e facilitar o entendimento do que vem por aí, mas a proposta segue a linha da Mídia NINJA: talvez independente, mas de modo algum imparcial – enxerga o quadro apenas pelo ponto de vista de uma das partes.
O Portal Terra produziu uma matéria denunciativa bem elucidadora sobre as condições de trabalho impostas aos policiais militares que vêm atuando em protestos no estado do Rio de Janeiro. Vale a pena ler a íntegra, e perceber contradições, abusos e explorações a que o policial militar muitas vezes é submetido. Triste realidade: O Estádio Maracanã teve, no domingo da final da Copa das Confederações entre Brasil e Espanha, o maior esquema de segurança de um evento esportivo já visto no Brasil - 11 mil homens, entre policiais militares, civis e agentes da força nacional. Mas nem por isso tudo foi perfeito. Em meio aos protestos que reuniram cerca de 7 mil pessoas no entorno do estádio e terminaram em confronto, policiais militares reclamaram do cansaço, das condições ruins de trabalho e mostraram o próprio despreparo. Quando os manifestantes estavam próximos do Maracanã, as forças de segurança cumpriram acordo com o Ministério Público e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB): policiais militares com escudos e capacetes foram postados na primeira fileira do bloqueio. O Batalhão de Choque, com suas bombas de gás lacrimogênio e armas de balas de borracha vinha só num terceiro cordão, atrás da Força Nacional. Alguns PMs, logo na comissão de frente e no contato direto com os manifestantes, deixavam aparente o cansaço - a reportagem flagrou um agente que não mal conseguia manter os olhos abertos logo na primeira linha do cordão de isolamento do estádio - de dias de trabalho redobrado com a segurança da Copa das Confederações, os protestos e os bicos que complementam o salário. “Faz 20 dias que a gente trabalha sem parar. É um turno de 24 horas, aí tem que fazer o bico de segurança na folga e a folga no dia seguinte é cassada por causa de tudo que está acontecendo. Está f...”, disse um PM que pediu para não ser identificado, depois que os ânimos do protesto do Maracanã já tinham se acalmado. Resultado: quando voaram os primeiros coquetéis molotov (13 foram apreendidos antes de serem utilizados) e pedras - parcela dos manifestantes deu início ao confronto -, foi a parte mais frágil da segurança que sofreu primeiro. Pelas imagens do confronto, foi possível perceber que alguns acabaram atingidos por pedras e pelo menos um por um coquetel molotov: o uniforme do policial em questão pegou fogo na altura da perna, mas foi apagado por um colega. A corporação informou que três agentes ficaram feridos. Sem contar os afetados pelo gás lacrimogêneo, já que os PMs não têm máscaras de proteção. Claro que eles não ficaram satisfeitos com esta exposição, principalmente quando um helicóptero do Batalhão de Choque voou baixo sobre a área de confronto, na esquina da avenida Maracanã e da rua São Francisco Xavier, e espalhou o gás, que chegou a ser sentido dentro do estádio, a 500 metros dali. “Esses caras do Choque são uns filhos da p... Para que sobrevoar tão baixo? Só pra jogar gás na nossa cara?”, reclamou uma oficial enquanto sentia a ardência do gás nos olhos. Sem saber o que fazer, foi orientada pelo fotógrafo do Terra a não esfregar as mãos no rosto e cheirar vinagre, métodos que parecia desconhecer em meio ao desespero do confronto. Antes e depois do confronto, cansados, com fome e apertados - não tinham direito a lanche durante o turno de trabalho e precisavam pedir licença aos poucos comerciantes com bares abertos para ir ao banheiro, os PMs ainda tiveram de escutar impávidos provocações variadas. “Falta organização para nossa polícia. A gente é mandado pra cá e, se bobear, não nos dão nem um copo d`água. Vários manifestantes gritaram na nossa cara contra a desmilitarização da PM. Isso eu também quero. A gente concorda com os manifestantes, mas temos de cumprir ordens”, explicou um policial. “A gente sabe que a PM hoje é mal vista pela sociedade. Mas, na hora que o couro come, você vê alguém da polícia civil? Não, né?”, questionou outro policial militar. Pelo Twitter, o comandante da polícia militar, Erir Ribeiro da Costa Filho, agradeceu o esforço da corporação no trabalho de segurança da partida final da Copa das Confederações, no Maracanã. “Eu amo a nossa PM. Eu amo todos os policiais militares”, falou pela conta do Comando de Operações Especiais (COE).
O fotojornalismo explora bem o valor das imagens na cobertura dos fatos a serem noticiados. Os telejornais dependem em muito de cenas impactantes para o enriquecimento do teor das informações a serem repassadas. A partir dessas premissas, percebe-se o quão importante é o local onde se posiciona um repórter durante manifestações como as que têm acontecido atualmente. Resta saber qual o lugar mais apropriado para uma compreensão real dos fatos. O retrato da tropa de choque atuando é interessante à medida que agrega elementos de uniformidade e ostensividade do fardamento, aliados ao emprego de recursos técnicos como lançadores, granadas, bornais e outros apetrechos típicos da ação de controle de distúrbio civil. Mas estando atrás dos PMs, o jornalista não enxerga bem o que acontece no intervalo entre o pelotão e a multidão, afastando-se assim da zona crítica quando há confronto. Estando em meio aos manifestantes, o cinegrafista ou fotógrafo se aproveita da fumaça provocada pelos gases e até das chamas dos incêndios provocados propositadamente pelos radicais. Dali dá pra ver a tropa de frente, em sua formação tática. Assim também são compostas belas imagens, mas que não exploram a conjuntura por completo do que está ocorrendo. Eis que surge uma alternativa adequada para o perfeito entendimento do que se sucede: colocar a imprensa imediatamente à frente da linha de escudos da PM. Dali, vão poder contar precisamente cada disparo ou arremesso feito pela tropa. Vão identificar também que tipo de agressão os manifestantes direcionam ao efetivo, possibilitando até mesmo uma análise sobre a proporcionalidade dos recursos e da energia empregada. Bem perto dos policiais, estariam livres do risco de serem agredidos por eles ou confundidos com vândalos. É o único jeito de impedir um enquadramento equivocado, sob um ponto de vista deturpado pelo ângulo limitador escolhido. Sem dúvidas a experiência inesquecível agregaria uma nova maneira de fazer a leitura sobre o que realmente é manifestação e repressão.
O amigo Jorge Antonio Barros (O Globo) divulgou em seu blog uma carta incisiva confeccionada por oficiais da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ) em crítica à atuação da corporação nos protestos. Segundo Jorge, "Um grupo de oficiais da PM recorreu ao deputado estadual Altineu Cortes (PR) a fim de que ele seja o porta-voz da crítica feita ao mau uso da Polícia Militar no enfrentamento de manifestantes no Rio". Vejam as oito críticas feitas pelos oficiais: 1 - Falta política de preservação da vida. Foi empregado grande efetivo para proteger a sede da prefeitura do Rio, na quinta-feira, dia 20. Os policiais receberam ordens para defender o edifício a qualquer custo 2 - Emprego errado da cavalaria. Os cavalos foram expostos ao calor da manifestação. E isso ajudou os provocadores a jogar lenha na fogueira. 3- Faltou policiamento ostensivo nas estações do metrô. Em vez disso, os policiais do Batalhão de Choque atacaram quem buscava as estações fechadas pelo metrô. 4 - Despreparo da tropa frente aos manifestantes. Os policiais aceitam facilmente provocações de manifestantes, batem boca com eles e não se dão ao trabalho de prendê-los por desacato, por exemplo. 5 - Os batalhões da PM sofrem um processo de desmonte. Há quartéis sendo colocados a venda. Isso desmotiva o oficialato. 6 - Hipertofia das unidades especiais da PM, em contraposição à falta de investimento nas unidades comuns. 7 - Banalização do uso do Batalhão de Choque. 8- Inchaço do pessoal em atividades burocráticas, especialmente no Quartel-general da PM. Esses policiais não são colocados nas ruas e, quando acontece, sem treinamento suficiente. Os leitores cariocas concordam com as críticas?
Segundo tem sido divulgado pela imprensa cearense, a Guarda Municipal de Fortaleza e a Polícia Militar do Ceará estão equipadas com um "canhão sônico", arma não letal que dispara ondas sonoras fortes o suficiente para desnortear aqueles que estejam sob o seu alvo. Segundo se diz, o equipamento é o que aparece na foto a seguir: Apesar das fotos, as corporações negam que possuem o equipamento, e que o tenham utilizado contra manifestantes nos atuais protestos: Apesar de relatos sobre o uso da arma circularem nas redes sociais, tanto o comandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar, major Alexandre Ávila, quanto a assessoria de imprensa da Guarda Municipal negam a informação: A arma não letal, que estaria sendo utilizada pela Guarda Municipal, dispara ruído ensurdecedor que provoca desorientação, náuseas e dores pelo corpo. “Oficialmente, a Guarda Municipal de Fortaleza não dispõe de canhão de som nenhum. Nunca houve essa compra”, afirma a assessoria de imprensa da Guarda, que ainda diz que a notícia de aquisição do equipamento teria sido “plantada”. No entanto, O POVO apurou que a Guarda Municipal de Fortaleza tem um canhão sonoro que está em fase de testes. Não há fontes seguras de que o equipamento tenha sido usado na manifestação desta quinta, 27. O major Alexandre Ávila, que acompanhou a ação, também nega o uso de equipamento de som contra manifestantes. “Eu não usei. Não sei de nada nesse sentido”. Na manhã desta quinta, assessoria de imprensa da Polícia Militar também disse desconhecer a aquisição do equipamento. O canhão sônico, chamado Long Range Acoustic Device (Dispositivo Acústico de Longo Alcance), é apelidade de "Inferno" e ficou famoso ao ser utilizado em 2012 para reprimir manifestação ocorrida durante conferência do G20 nos Estados Unidos. Para quem nunca viu este tipo de equipamento em uso, confiram sua aplicação na manifestação contra o G20, nos EUA: Ora, com a foto sendo mostrada e a informação de que a GM ou a PM utilizou, sim, o equipamento, pergunta-se por que as corporações negam o fato. Talvez por causa do que alertou o Cathalá, no twitter: no Brasil, a utilização deste tipo de equipamento ainda não é regulamentada. Vamos conferir os próximos capítulos da utilização do "Canhão Sônico" no Brasil. [ATUALIZAÇÃO] Segundo este vídeo, a PMERJ saiu na frente, e usou o tal canhão sônico:
Há quem creia, equivocadamente, que dentro do corpo de um policial militar não bata um coração suscetível a emoções voltadas para as questões sociais. Que o PM empregado em uma tropa de choque não tenha mente aberta para aceitar a ideia de que as manifestações, em geral, lutam por melhorias para a coletividade. Mas o que leva à aceitação da missão de reprimir certos grupos? Muitas vezes, apesar de concordarem com os fins, certos policiais não concordam com os meios empregados na tentativa de alcançar o objetivo. Isso vale tanto para o momento em que a classe policial militar luta por melhorias na sua própria categoria, quanto para a situação atual, onde as questões são amplas e abrangentes. Logo, é preciso crer que a intenção de tolerância do combatente empregado em pelotão de controle de distúrbio civil pode ser rapidamente convertida no ânimo para fazer cessar o caráter de desordem de certas mobilizações. O hábito de realizar um trabalho voltado para a preservação da ordem pública faz com que certos PMs resistam a aceitar que vias públicas sejam obstruídas, ou o patrimônio alheio seja depredado diante de seus olhos, sem que nenhuma providência enérgica seja tomada. Alia-se a esse aspecto o fato de, por mais adestrada para resistência à psicofadiga que esteja uma tropa, os inúmeros impropérios dirigidos à corporação, e mais do que isso, à pessoa do servidor ali investido em autoridade, revertem em antipatia a simpatia inicial entre os supostos repressores e os supostos manifestantes. O arremesso de um artefato costuma ser o estopim para o início de um confronto com traços medievais. A ação de choque tem um caráter curioso, o de encorajar o oponente a enfrentar a Polícia. Enquanto ele emprega coquetéis Molotov, pedras de diversos tamanhos e fogos de artifício potencialmente fatais, a tropa se limita a recorrer aos agentes químicos e artefatos testados e aprovados em padrões mundiais de controle de qualidade e segurança, oferecendo baixíssimo risco de morte ou lesões graves. Tal condição peculiar, totalmente diferente de uma troca de tiros com armas de fogo, acaba por estimular em alguns a permanência no terreno, desafiando para um duelo o PM, obrigado a seguir os limites legais e regulamentares da doutrina técnica. Resumidamente por isso é preciso entender que atrás do escudo não há necessariamente um ser alienado e passivo, mas muitas vezes um cidadão consciente e esclarecido, que até concorda com a pauta das reivindicações, mas não aceita o modo como é recebido e tratado pela população. É uma via de mão dupla, se ilude quem acha que os PMs desembarcam com "sangue no olho", desejosos de praticar violência contra estudantes e lutadores pelas causas sociais. Às vezes são as circunstâncias que obrigam e motivam a equipe a empregar a energia necessária para dispersar a multidão e defender sua integridade.