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Desarmamento

Enquanto os olhos do Brasil se voltam para a possibilidade do filho ter matado o casal de policiais em São Paulo é no mínimo polêmica a afirmação da psicóloga do Centro de Apoio Social da PMESP, que entende que policiais devem amenizar a curiosidade dos filhos em relação à arma de fogo ensinando-lhes procedimentos de segurança e procedimentos de manuseio. Discordo. Arma de fogo, parece-me, é equipamento exclusivamente policial, que exige não apenas conhecimento procedimental, mas psicológico, legal etc. Para que serviriam os exames psicológicos que a Polícia Federal aplica em pretendentes ao portar arma de fogo? Crianças e adolescentes possuem características comportamentais e emocionais que impedem que se admita qualquer contato delas com este tipo de equipamento. Em momentos extremos, em uma briga na escola, por exemplo, será que a arma de fogo dos pais não passa a ser uma possibilidade de resolução do problema (mesmo que o jovem não saiba onde está a arma)? Mantê-la em contato com a arma não aumenta o entendimento de que ele pode utilizá-la? É o que acho, embora não seja psicólogo. Segue a opinião da especialista: Para a soldado Rosângela Francisca da Silva Penha, 47, psicóloga do CAS (Centro de Apoio Social) da Polícia Militar de São Paulo, crianças podem manusear armas de fogo, desde que acompanhadas pelos pais. "O filho do policial tem curiosidade sobre o instrumento de trabalho do pai, assim como o filho do médico tem com o estetoscópio", afirmou a psicóloga, que atende PMs na corporação há 14 anos. A opinião não é unânime entre psicólogos. Rosângela diz que a curiosidade sobre os instrumentos de trabalho é natural. "O policial não pode ignorar. Tem que mostrar noções de segurança e responsabilidade, ou a criança vai ficar com essa necessidade." Na semana passada, o estudante Marcelo Pesseghini, de 13 anos, se tornou o principal suspeito das mortes do pai, da mãe --ambos policiais militares--, da avó e da tia-avó, na Brasilândia (zona norte de SP). A polícia acredita que Marcelo se matou com um tiro em seguida. Para a professora Maria de Lourdes Trassi, supervisora da área de crianças e adolescentes da Faculdade de Psicologia da PUC-SP, a analogia com o trabalho médico "é complicada". "O cirurgião pode até dar o estetoscópio, a luva, mas não vai apresentar o bisturi ao filho", diz. Ela afirma que elementos associados à violência devem ficar longe do universo infantil. "O argumento dela tem a ver com a corporação na qual ela está, que naturaliza muitas práticas agressivas." Em entrevista à Folha publicada na última quinta, o psiquiatra Daniel de Barros, chefe do núcleo forense do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, disse que ter armas em casa eleva em 30 vezes as chances de um adolescente se matar. "PUNITIVO E OPRESSOR" Durante oito anos, a pesquisadora Henriette Morato, do Instituto de Psicologia da USP, trabalhou no 16º batalhão da PM para avaliar o nível de estresse dos policiais. Segundo a professora, o trabalho dos psicólogos da corporação tem "caráter punitivo e opressor", porque "se resume a avaliar se os policiais têm ou não condições de continuar trabalhando". Henriette diz que seu trabalho ia "na contramão dessa proposta". "O policial militar de São Paulo é estigmatizado: ele é um defensor encarado como ameaça. A maior preocupação desses policiais é não levar o peso da farda para a família." O tenente-coronel Alberto Tamashiro, chefe do CAS, disse que estatísticas sobre os atendimentos psicológicos na PM são confidenciais. Segundo a PM, os psicólogos do CAS e de 22 núcleos no Estado atuam em três frentes. A primeira é no recrutamento, com testes psicológicos que confirmam ou não a aptidão à profissão. Os policiais também podem ser encaminhados aos profissionais por seus superiores, após traumas, ameaças ou situação violenta. A terceira via é a apresentação voluntária para acompanhamento psicológico. Leia na Folha...
Um novo desafio se avizinha para o ideal de uma sociedade desarmada: através de impressoras 3D, máquina que constrói peças plásticas a partir de um modelo formulado no computador, já há quem produza peças de armamentos e até armas de fogo inteiras "artesanalmente". Assim como podemos baixar uma imagem na internet e imprimi-la no papel em uma impressora (neste caso, a impressão é "2D"), as impressoras 3D permitem que o mesmo seja feito, mas construindo o objeto de fato. Este vídeo mostra como esta possibilidade está gerando polêmica nos Estados Unidos. Leiam a matéria tratando do assunto: Desde que as impressoras 3D chegaram, temos visto coisas incríveis serem desenvolvidas com elas, desde peças simples até mesmo objetos mais complexos. Recentemente, surgiu em um blog especializado em armas uma postagem de um dos usuários, em que um homem alega ter construído armas de verdade com uma impressora 3D. E o mais impressionante: elas funcionam perfeitamente, inclusive atirando balas de verdade. Esse é o primeiro registro de uma arma funcional criada com uma impressora 3D. O equipamento usado foi uma Stratasys 3D Printer e as armas criadas foram uma pistola .22 e uma .223, ambas perfeitas réplicas em tamanho real. O atirador alega que disparou mais de 200 vezes e as armas funcionaram perfeitamente. O atirador disponibilizou o projeto dos equipamentos na internet para quem quiser tentar. Entretanto, é sempre bom alertar que esse projeto é algo que deve ser feito somente por especialistas em armas. Além de ser muito perigoso manusear tais equipamentos, o plástico não é exatamente o material mais adequado para a construção de armas de fogo. Elas podem explodir e causar sérios ferimentos ao atirador, podendo, inclusive, levá-lo à morte. É realmente maravilhoso ver o que as impressoras 3D podem fazer. Em breve, poderemos fazer o download de praticamente qualquer coisa e construir tudo em casa. Que tal baixar um carro de verdade na internet? Em um futuro não muito distante, pode ser que isso seja possível. Leia no Tecmundo... Difícil enxergar o futuro da segurança pública onde organizações criminosas, tais quais as existentes no Brasil, possuam cacife financeiro para bancar minifábricas de armamentos, e a distribuição destes artefatos se torne mais popularizada. Começar a discutir esta possibilidade é urgente.
Armas de fogo estão espalhadas por qualquer canto do mundo, e o seu emprego provoca, no mínimo, uma quebra do equilíbrio aparente da sociedade. O anseio belicista parece ser instintivo da humanidade, principalmente no gênero masculino, sendo um atrativo usualmente correlacionado com um status de virilidade. Aqui a temática será tratada em síntese sob essa ótica, das implicações e conseqüências junto à coletividade. Sobre conhecimentos técnicos, análise avaliativa, considerações sobre calibres e similares pode ser sanado conhecendo-se o blog Campo de Batalha Terrestre, boa referência no assunto. Revólveres foram criados visando a perturbação da ordem natural, no sentido de modificar o resultado de disputas, e assim ocorreu, permitindo a vitória do fraco contra o forte, do indivíduo isolado contra um grupo. Não é à toa que remete-se a uma frase, que dentre suas variáveis pretende afirmar: "Deus fez os homens desiguais, o coronel Colt tornou-os iguais", retratando o caráter de compensação e desequilíbrio que se pode promover com esses elementos. Samuel Colt foi responsável pela criação do modelo básico de revólver que conhecemos hoje, a esse fato deve ser atribuída a popularização desse instrumento, já que armamentos em geral já existiam, nos mais diversos calibres, modelos e tamanhos, porém sem obter a propagação que esse invento trouxe. A sociedade brasileira viveu há alguns anos um momento de discussão sobre porte de armas de fogo, à época do referendo vinculado ao Estatuto do Desarmamento. Muito foi dito sem que se chegasse a uma solução consensual, medidas parecem ter sido tomadas sem a devida análise das implicações e conseqüências correspondentes. É tradição a superficialidade e a soberania do senso comum quando se trata de discutir algo sério no Brasil, assim foi com o desarmamento, está sendo com o filme Tropa de Elite, e continuará em novos capítulos. Senhoras devolvem armas no Rio de Janeiro - Foto: Tasso Marcelo/AE Houve imagens de devolução e destruição de armas, em sua maioria velhas e representando um percentual baixo diante do universo existente nas mãos do povo. Proibição de venda não compromete as remessas do mercado negro, seja por contrabando ou desvio. Essas e outras afirmações podem ser constatadas com facilidade na obra Freakonomics, no capítulo 4. Arsenal apreendido e destruído, no Rio de Janeiro – Fotos: Jorge Willian e Michel Filho/Ag. Globo Igualmente importante é apontar o dito por Cesare Beccaria em sua obra Dos Delitos e Das Penas, quando no capítulo XXXVIII – De algumas fontes gerais de erros e de injustiças na legislação, versa-se o seguinte: "Podem considerar-se igualmente como contrárias ao fim de utilidade as leis que proíbem o porte de armas, pois só desarmam o cidadão pacífico, ao passo que deixam o ferro nas mãos do celerado, bastante acostumado a violar as convenções mais sagradas para respeitar as que são apenas arbitrárias." Notadamente, não se pretende aqui apologizar a distribuição de armas a todo e qualquer cidadão brasileiro, a questão a ser tratada são as dificuldades financeiras e burocráticas que acabam por forçar indivíduos técnico e psicologicamente preparados para posse e porte a enveredar por descaminhos, em virtude das limitações impostas por lei, especialmente a Nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003, o supracitado Estatuto, que entre outras providências determina a necessidade de ocupação lícita, residência certa, idoneidade e idade superior a 25 anos para os que pretendem adquirir as de uso permitido, sem falar na forçosa comprovação da efetiva necessidade e custeio de taxas periodicamente. As exigências não parecem excessivas, mas o devido processo legal é de tal complexidade e lentidão que acaba por provocar desestímulo nos policiais e indivíduos interessados na matéria. O endurecimento das leis e restrições impostas para o ato da aquisição não farão desaparecer a abundância atual; o arsenal que se encontra à disposição dos homens, se bem manutenido, perdurará por diversas décadas, sem que se conheçam modalidades eficientes para redução desse número. Apreensões como as realizadas constantemente pela Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro são valiosas no combate à criminalidade, porém modestas quando avaliadas em panorama geral. Livros Freakonomics, Dos Delitos e Das Penas, e Mais armas, menos crimes – Foto: Divulgação Há ainda outro livro de referência no assunto, é o "Mais armas, menos crimes", escrito por John R. Lott Jr., porém a indisponibilidade do mesmo tanto na internet quanto em biblioteca ou livrarias locais impossibilita comentários mais aprofundados sobre seu conteúdo. Todavia, o exemplo clássico da Suíça, onde todo homem adulto recebe um rifle podendo tê-lo em casa, sem que, definitivamente, isso torne o país violento, infere a asserção de que os elementos provocantes dos caos advêm de outros fatores. Por fim, é possível concluir que, baseado nas evidências, armas nas mãos das pessoas certas tendem a trazer mais benefícios que prejuízos, o entrave maior para a concretização disso é a aparente incapacidade do Estado em avaliar com eficácia e eficiência o processo de entrada de cada arma legítima na sociedade versus a infinidade à disposição do mercado negro e do comércio ilegal, oriunda de contrabando, desvio de quartéis e delegacias ou até a fabricação doméstica desses artefatos, práticas que têm sido noticiadas constantemente, resultando na quebra da tranqüilidade necessária ao corpo social.