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Discriminação

Vira e mexe vejo colegas fazendo trocadilhos tidos como espirituosos com a expressão "Direitos Humanos", esta expressão tão dolorosa aos ouvidos de alguns policiais que não se percebem partícipes de seu significado e acabam por macular qualquer coisa que se associe a estes princípios. Na piadinha, aparentemente inteligente e criativa, substitui-se "humanos" por "dos manos", mantendo a sonoridade da expressão mas mudando seu significado. Em vez de "direitos compartilhados por todos os seres humanos", passamos a entender outra coisa. Vale dizer que "mano" é uma clara alusão a uma gíria utilizada principalmente por jovens das periferias paulistanas, e significa "irmão", "companheiro". Não parece que os autores do trocadilho queiram dizer outra coisa, por isto vou admitir que seja esta a intenção dos piadistas. Caso alguém tenha uma tese distinta, favor manifestar-se (com alguma sinceridade, peço). Com isso, o que querem dizer? Que "os manos" precisam ter seus Direitos Humanos reconhecidos, ao contrário do que historicamente vem se fazendo no país? Acho que não. Ao contrário, é preciso ter pouca lucidez para entender que a intenção é chacotear com a prática da defesa aos direitos humanos dos "manos", aqueles que geralmente têm cor de pele e condição econômica específica. É uma pena que os policiais não percebam o quanto a defesa de princípios humanitários pode garantir a prática de excessos e abusos contra os próprios policiais, que acabam aderindo a discursos rancorosos pouco produtivos à nossa evolução. Enquanto implicamos com os "direitos dos manos" e esquecemos nossos direitos há quem tenha não só direitos, mas muitos privilégios garantidos.