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Elite da Tropa

O campo da segurança pública no Brasil, historicamente, foi pouco explorado tanto academicamente quanto em termos de políticas públicas eficientes. O resultado dessa desídia é o caos que vem se arrastando já faz alguns anos, para o qual eu diria que só viemos nos despertar a pouco tempo (mais academicamente do que nas políticas públicas eficientes). Se me pedissem um nome para definir essa mudança de postura, onde a segurança pública se torna um assunto a ser tratado de modo científico, responsável e realista, eu diria, sem sombra de dúvidas, "Luiz Eduardo Soares". Co-autor do prestigiado "Elite da Tropa", e do recém-lançado "Espírito Santo", Luiz Eduardo Soares, que é antropólogo, tem vasta atuação como pesquisador e gestor de segurança pública. Seu currículo conta com experiências como a de Secretário Nacional de Segurança Pública e Secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro. Hoje é professor da UERJ e da Estácio de Sá, e assessor da prefeitura de Nova Iguaçu-RJ. Na entrevista concedida exclusivamente ao Abordagem Policial, Luiz Eduardo fala de vários temas ligados à segurança, emitindo sua visão sobre o exercício dos direitos humanos pelas polícias brasileiras, a descriminalização das drogas, o militarismo e a unificação nas polícias, o ciclo completo de polícia etc. É uma entrevista fundamental para qualquer interessado em segurança pública. Espero que nossos leitores façam bom proveito: Clique para ler toda a Entrevista!
Da esquerda para a direita: Victor, Emmanoel, Danillo, Luiz Eduardo Soares, Daniel, Washington e Marcelo. A apreciação de uma produção humana é válida quando nos sentimos pequenos diante dela. Foi assim que me percebi na palestra ministrada na última terça-feira pelo professor-doutor Luiz Eduardo Soares, na Faculdade Baiana de Direito. Autor do livro Elite da Tropa, Luiz Eduardo foi secretário nacional de segurança pública e atualmente é professor convidado da Harvard University. Mas voltando ao "sentir-se pequeno", explico que essa pequenez possui duas acepções: a primeira, quando percebemos o quanto é preciso de aprofundamento técnico, científico e teórico para entendermos o panorama da segurança pública brasileira – desde leituras nas mais diversas áreas (psicologia, antropologia, etc.) até a realização de pesquisas e interpretação de dados. A segunda acepção de "pequeno", se refere ao ínfimo, mas não desprezível, papel que nós, profissionais que trabalham com segurança pública, exercemos no nosso dia-a-dia. Ou melhor, o poder que cada um de nós temos, isoladamente, para transformar o atual estado de coisas é mínimo. Não conseguiremos, e isso esteve claro na palestra, sozinhos, reverter esse quadro de insatisfação geral que toma conta de todas as partes envolvidas: sociedade, policiais, políticos, judiciário, etc. O esforço conjunto é condição sem a qual não chegaremos ao mínimo aceitável de paz social. Além dessa constatação básica, outras tantas foram explicitadas e discutidas pelo palestrante. Dentre elas, destacamos: - A fragmentação do Estado em virtude de interesses políticos de seus representantes, onerando a tomada de decisões que visam a melhora do sistema; - O culto da mídia ao imediato, despreocupada com ações e problemas de médio e longo prazo; - O fato de que as mortes ligadas à violência e aos tráficos ocorrem em lugares (periferia/favelas) e com pessoas (negros/pobres/jovens) específicas; - Os crimes perpetrados pelo Estado (principalmente nas ações policiais); - A segurança pública como preocupação marginal na transição democrática por que passamos historicamente; - A inviabilidade dum ciclo incompleto de polícia; - A polícia como um "tema menor" na curiosidade dos intelectuais; - A estrutura organizacional das polícias como um entrave ao desenvolvimento dos bons profissionais; - A falta de uma cultura organizacional comum entre as polícias; - A "babel" que atualmente as polícias são: "as polícias são ingovernáveis!"; - A invisibilidade por que passam os indivíduos marginalizados: vítimas do descaso ou do preconceito; - O recrutamento desses indivíduos pelo tráfico como uma maneira de suprir essa invisibilidade, dando-lhe auto-afirmação que lhe é negada pela sociedade. * * * Todos os colaboradores do Abordagem Policial compareceram à palestra (ver foto acima). O Victor também tratou do assunto no Blitz Policial. Visite o site de Luiz Eduardo Soares, onde há uma seção de artigos. E, se possível, não deixe de ler os livros Cabeça de Porco, Elite da Tropa, Segurança tem saída e Meu casaco de general, todos do autor, onde se encontra o panorama geral do seu pensamento e suas pesquisas.