Durante a crise, empresas de segurança privada crescem no Brasil 
Governo Temer planeja endurecimento de penas no Brasil 
Como as crianças brasileiras percebem a violência? 

Estádio

Tal qual Victor, não estava muito disposto a comentar o fato envolvendo o Tenente PM Anderson de Oliveira no Estádio Municipal de Madre de Deus, Bahia. Por ter como envolvido um oficial superior hierárquico, e pela apuração não estar concluída, de modo que qualquer julgamento ou especulação pode tornar-se injustiça, preferia não tocar no assunto. Entretanto, recebi alguns emails e sugestões de colegas para que pelo menos citasse o caso aqui. Pois bem. Para quem não sabe do que se trata, leiam um resumo do que supostamente ocorreu, de acordo com matéria do Estadão: Segundo testemunhas, a confusão entre as torcidas, flagrada pelas câmeras da TV Bahia - retransmissora da Globo no Estado -, começou depois que um torcedor do Fluminense atirou um copo de cerveja no rosto de um integrante da torcida rival. Um policial, identificado como o tenente Anderson de Oliveira, tentou, sozinho, apartar os brigões. Sem sucesso, sacou sua arma e ameaçou os torcedores. Em seguida, um outro homem, de bermuda e camiseta, ainda não identificado, também sacou uma arma de fogo. Quando o reforço policial chegou ao local da briga, os PMs passaram a agredir os torcedores. Oliveira chegou a chutar e a bater com um cassetete nas costas de um homem que caiu da arquibancada. Três pessoas ficaram feridas durante a confusão. Duas foram atendidas no local com hematomas e escoriações, e liberadas em seguida. O homem agredido com o cassetete, identificado como Marco Antônio Xavier, chegou a desmaiar no estádio. Saiu carregado pelos próprios policiais e levado ao Hospital Municipal de Madre de Deus, onde foi medicado. Segundo a direção do hospital, porém, ele se recusou a fazer exames para averiguar a gravidade das lesões e deixou o local depois de assinar um termo de responsabilidade. Clique aqui e leia toda a matéria do Estadão. Como se vê, o caso repercutiu nacionalmente, e o Tenente já foi afastado das suas funções, acertadamente, pelo Comando da Corporação, até que suas atitudes fossem apuradas. Clique aqui e assista ao vídeo da ocorrência. Há quem diga que houve descontrole emocional, outros afirmam que o oficial se envolveu pessoalmente com a ocorrência, outros tantos acusam a falta de policiais em apoio no momento como causa do evento. Falta de técnica? Problemas pessoais afetaram a atuação? Problemas na formação? O fato é que a filmagem é valioso material para estudo de caso para todos os policiais, principalmente os que estão nos cursos de formação. O aparente erro do Tenente pode servir de oportunidade para repensarmos nossas posturas como policiais, mas não sob o argumento do "não se age assim quando se está sendo filmado". Existem dois grandes espectadores do trabalho policial: a sociedade, que já não se contenta com atuações remendadas do poder público, baseadas na atenção da mídia, e a consciência do próprio policial, que é onipresente, e punirá sempre todo aquele que comete abusos e perversidades.