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Estatística

Conter a violência armada representa um enorme desafio no Brasil. Em 2012, 71% das mortes por agressão registradas no país envolveram o uso de armas de fogo, em comparação com 40% no mundo, segundo o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). No entanto, as estatísticas criminais produzidas pelos estados somente indicam o número de vítimas de violência intencional, não quantas foram mortas com armas de fogo. Esse dado é disponibilizado para todos os estados e anos pelo Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS) do Ministério da Saúde na categoria mortes por agressão por armas de fogo. A consulta ao DATASUS permite saber quantas pessoas morreram em decorrência de agressões envolvendo armas de fogo, mas não quais delas foram vítimas de homicídios, latrocínios ou lesões corporais seguidas de morte. Partindo da premissa que informações de qualidade devem ser acessíveis ao público e nortear o desenho e implementação de planos de atuação eficazes no enfrentamento da violência, o Retrato da Violência Armada visa reunir dados e facilitar a análise sobre mortes por agressão com arma de fogo em cada unidade federativa. O Retrato permite a consulta e comparação de informações sobre a violência armada em todos os estados e disponibiliza as médias para o Brasil em todas as consultas realizadas para explicitar como os dados estaduais se comparam à média nacional. Clicando sobre qualquer estado no mapa – e podendo comparar até três estados por vez – o usuário terá acesso aos seguintes dados: MORTES POR ARMA DE FOGO E MORTES POR AGRESSÃO POR ARMA DE FOGO Taxa por 100 mil habitantes de mortes por agressão por arma de fogo de 2003 a 2013; Participação das armas de fogo nas mortes por agressão de 2003 a 2013; Distribuição das mortes por agressão registradas em 2013, por instrumento/meio utilizado: arma de fogo, arma branca, e outros instrumentos/meios; Distribuição das mortes por arma de fogo registradas em 2013, por circunstância: agressão, morte com intenção indeterminada, suicídio e acidente; Perfil das vítimas de agressão por arma de fogo em 2013: gênero, faixa etária, cor. ESTATÍSTICAS CRIMINAIS: OCORRÊNCIAS E TAXAS Homicídio: Números absolutos e taxas por 100 mil habitantes de 2010 a 2013; Latrocínio: Números absolutos e taxas por 100 mil habitantes de 2010 a 2013. Acesse agora o site do Retrato da violência armada no Brasil!
A elaboração, publicação e interpretação das estatísticas policiais é sempre cercada de variáveis que acabam sendo desprezadas, seja propositadamente ou por desconhecimento. Diz-se, entre outras máximas sobre a ciência, que a estatística é a arte de torturar os números até que eles confessem o que se quer que seja dito, por isso uma análise crítica é tão necessária. No tocante ao Carnaval de Salvador, na publicação do volume de ocorrências pode-se aplicar um modelo pronto de divulgação a favor do governo. Simples: se os números decrescem, a violência foi reduzida, e se os números aumentam, a atuação e os registros foram mais eficientes. De tal ponto de vista, qualquer resultado se torna positivo, mas essa não é a única faceta dúbia. Uma eventual pane na rede que interliga o sistema de registro de ocorrências, suspendendo por 1 hora e meia todos os registros em horário de pico, por exemplo, seguramente traria reduções de pelo menos 10% no volume de dados computados naquele dia. No final, não seria exatamente uma redução dos crimes, mas sim dos registros dos crimes. Registros esses que são sempre distantes da realidade, em proporção muito menor do que o que aconteceu efetivamente. Talvez só o número de vídeos flagrando brigas postados no YouTube já supere o número apresentado como sendo de lesões corporais e vias-de-fato. Inúmeras contendas ocorrem sem que a Polícia tome conhecimento, além dos casos que não são conduzidos até a delegacia, gerenciados no local. Por sinal, basta que seja repassada uma determinada diretriz para as tropas no terreno que os números vão variar bastante, para mais ou para menos. Se as patrulhas são instruídas para aplicarem tolerância zero, conduzindo aos postos quaisquer contravenções, se terá um indicador muito diferente de quando se recomenda a conduta de solucionar o quanto for possível as situações no terreno, evitando-se o deslocamento até as centrais, onde a permanência dos PMs durante longos minutos ou horas pode representar a lacuna do policiamento ostensivo, que acarreta em mais crimes sem qualquer repressão. Outro aspecto são os furtos, neste ano foram registrados 829, além de 94 roubos. Parece um número elevado, mas quando se pensa que mais de 7 mil documentos foram encontrados e estão cadastrados para serem devolvidos, percebe-se que eles não pularam sozinhos dos bolsos e carteiras dos foliões, os quais às vezes só se dão conta da situação ao chegar em casa, ou percebem no circuito e não se dispõem a registrar o ocorrido, seja por indisposição ou descrença nas instituições. Aspectos fartos como os acima elencados, além de muitos outros que cada indivíduo, analisando criticamente, é capaz de levantar, mostram que os números apresentados, apesar de devidamente amparados pelos ritos burocráticos, não devem ser vistos como retrato definitivo da paisagem da festa.