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Em setembro deste ano publicamos aqui um texto que tratava do posicionamento da Brigada Militar do Rio Grande do Sul em relação à atuação policial no interior dos estádios de futebol. À época, o Comandante Geral da BMRS declarou o seguinte ao site UOL Esportes: "O futebol é um evento privado, tem ingresso e receita da TV para os clubes. Embora exista compreensão diferente. Apresentamos uma proposta de retirada do efetivo destes locais. Mas diante da primeira proposta, os clubes falaram que não era possível, pela nossa experiência, não teria como os estádios ficarem sem policiamento. Nós, então, apresentamos uma alternativa. Uma segunda proposta. Com custeio pelos promotores do evento". A discussão foi motivada por uma questão quase restrita ao meio policial, mas que é realidade entre as polícias militares brasileiras: há muita dificuldade logística e de pessoal para empregar as PMs nos estádios de futebol, principalmente em grandes jogos. Escalar policiais fora de suas rotinas operacionais, gerando carga horária extra, gastos com alimentação, transporte e outros elementos, é oneroso para qualquer polícia. Se as polícias têm condições restritas para atuar e o torcedor está sofrendo com a falta de segurança, quem é o culpado? Considerar esses pontos, de acordo com a realidade de cada estado e município, é fundamental para chegar a um consenso sobre a atuação das polícias no interior dos estádios (que, sim, promovem eventos privados). A celeuma sobre o tema se intensificou no último final de semana, quando uma briga entre torcidas do Vasco da Gama e do Atlético Paranaense teve consequências trágicas, e repercussão negativa internacional para o país que sediará a Copa do Mundo de 2014. Veja o vídeo: httpv://www.youtube.com/watch?v=8bn17OLPyOY O Comandante Geral da Polícia Militar de Santa Catarina, em entrevista ao Diário Catarinense, comentou o motivo da falta de policiamento no interior do estádio: Diário Catarinense - Foi correta a posição da Polícia Militar em ficar fora do estádio? Marceneiro - Temos a Ação Civil Pública no site do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, dando conta que não cabe a PM fazer segurança em evento privado. Nós somos uma instituição legalista, que faz cumprir a lei. Diário Catarinense - No seu entender, essa interpretação está correta? Marceneiro - O comando da PM em Joinville teve essa interpretação também a partir de conversas com a promotoria local, que move a ação. Ao mesmo tempo, nós estávamos lá com 113 homens, porém, na área pública. Na hora da briga, e depois na retomada do jogo, estávamos presentes para que o jogo continuasse com segurança para os torcedores. O fato é que não há organização pública ou privada que tenha mais experiência, doutrina operacional e competência para exercer a segurança no interior dos estádios de futebol brasileiros como as polícias militares. Mas se é assim, a questão é saber o que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), os clubes e os administradores dos estádios, que movimentam o milionário mercado da bola no país, podem fazer para que as PMs tenham todas as condições para exercer esse papel fundamental. O que não pode continuar ocorrendo é que policiais sejam aplicados em condições precárias de serviço, com excesso de carga horária, em um evento que arrecada milhões. Tampouco o torcedor (que paga caro para assistir os jogos) pode ser afetado com a falta de segurança. Se as polícias têm condições restritas para atuar e o torcedor está sofrendo com a falta de segurança, quem é o culpado?
Em muitos estados da federação, ainda ocorre dos policiais militares terem suas escalas de serviço "apertadas" e ainda trabalharem em condições não adequadas em eventos esportivos e outras modalidades de eventos especiais (shows, festas de rua etc). Isto porque as polícias se veem encurraladas entre a necessidade de manutenção do serviço ordinário (o patrulhamento das ruas) e a dedicação a esse tipo de segurança - que em certas circunstâncias, como a Copa do Mundo, é feita por seguranças particulares. O Comando da Brigada Militar do Rio Grande do Sul resolveu dar um "basta" na relação mantida pelos organizadores dos eventos desportivos e o policiamento: ou os times pagam pela segurança oferecida, ou a polícia não atuará mais no interior dos estádios: A segurança dos jogos de futebol no Rio Grande do Sul como se conhece está ameaçada. Preocupada com os gastos e considerando as partidas como eventos particulares, a Brigada Militar – em conjunto com a Secretaria de Segurança do Estado, quer empregar uma nova realidade. Onde os agentes públicos não estejam no interior dos estádios. Ou então passar a exigir o pagamento de despesas aos clubes para seguir executando o policiamento. O tema gerou debate entre clubes, órgãos de segurança e a Federação Gaúcha de Futebol. E sem um acordo, é possível que o caso venha a ser definido apenas na Justiça. BM não quer mais 'desviar seu foco' A discussão do assunto nasceu após a manifestação da Brigada Militar, que usou a Copa do Mundo como exemplo. O argumento da instituição é que no maior torneio de futebol do planeta a segurança é privada. Assim, o policiamento em outros campeonatos também tem que ficar por conta dos organizadores. "O futebol é um evento privado, tem ingresso e receita da TV para os clubes. Embora exista compreensão diferente. Apresentamos uma proposta de retirada do efetivo destes locais. Mas diante da primeira proposta, os clubes falaram que não era possível, pela nossa experiência, não teria como os estádios ficarem sem policiamento. Nós, então, apresentamos uma alternativa. Uma segunda proposta. Com custeio pelos promotores do evento", afirmou o cel. Fábio Duarte Fernandes, comandante-geral da Brigada Militar, ao UOL Esporte. De acordo com levantamento feito pela BM, em 2012 a corporação gastou aproximadamente R$ 8 milhões com o policiamento em jogos no Rio Grande do Sul. E é este o número inicial apresentado na chamada 'segunda proposta' aos clubes. Este é o valor estimado para um possível custeio do serviço de segurança. O que acham da medida? Se os recursos oferecidos pela organização dos jogos for destinado à aplicação do policiamento - inclusive pagamento de horas extras aos policiais - parece ser razoável. Admirável a postura não tradicional do Comando da BMRS.
A elaboração, publicação e interpretação das estatísticas policiais é sempre cercada de variáveis que acabam sendo desprezadas, seja propositadamente ou por desconhecimento. Diz-se, entre outras máximas sobre a ciência, que a estatística é a arte de torturar os números até que eles confessem o que se quer que seja dito, por isso uma análise crítica é tão necessária. No tocante ao Carnaval de Salvador, na publicação do volume de ocorrências pode-se aplicar um modelo pronto de divulgação a favor do governo. Simples: se os números decrescem, a violência foi reduzida, e se os números aumentam, a atuação e os registros foram mais eficientes. De tal ponto de vista, qualquer resultado se torna positivo, mas essa não é a única faceta dúbia. Uma eventual pane na rede que interliga o sistema de registro de ocorrências, suspendendo por 1 hora e meia todos os registros em horário de pico, por exemplo, seguramente traria reduções de pelo menos 10% no volume de dados computados naquele dia. No final, não seria exatamente uma redução dos crimes, mas sim dos registros dos crimes. Registros esses que são sempre distantes da realidade, em proporção muito menor do que o que aconteceu efetivamente. Talvez só o número de vídeos flagrando brigas postados no YouTube já supere o número apresentado como sendo de lesões corporais e vias-de-fato. Inúmeras contendas ocorrem sem que a Polícia tome conhecimento, além dos casos que não são conduzidos até a delegacia, gerenciados no local. Por sinal, basta que seja repassada uma determinada diretriz para as tropas no terreno que os números vão variar bastante, para mais ou para menos. Se as patrulhas são instruídas para aplicarem tolerância zero, conduzindo aos postos quaisquer contravenções, se terá um indicador muito diferente de quando se recomenda a conduta de solucionar o quanto for possível as situações no terreno, evitando-se o deslocamento até as centrais, onde a permanência dos PMs durante longos minutos ou horas pode representar a lacuna do policiamento ostensivo, que acarreta em mais crimes sem qualquer repressão. Outro aspecto são os furtos, neste ano foram registrados 829, além de 94 roubos. Parece um número elevado, mas quando se pensa que mais de 7 mil documentos foram encontrados e estão cadastrados para serem devolvidos, percebe-se que eles não pularam sozinhos dos bolsos e carteiras dos foliões, os quais às vezes só se dão conta da situação ao chegar em casa, ou percebem no circuito e não se dispõem a registrar o ocorrido, seja por indisposição ou descrença nas instituições. Aspectos fartos como os acima elencados, além de muitos outros que cada indivíduo, analisando criticamente, é capaz de levantar, mostram que os números apresentados, apesar de devidamente amparados pelos ritos burocráticos, não devem ser vistos como retrato definitivo da paisagem da festa.
Volta e meia especialistas que se propõem a analisar as causas da violência no Carnaval de Salvador repetem conclusões que por vezes destoam do que é percebido por quem vivencia o calor das ocorrências no terreno. As ideias, repetidas ano a ano, podem ser refutadas com argumentos, talvez não de forma absoluta, mas com fundamentos bem alicerçados. É engano atribuir a violência entre os foliões à falta de espaço resultante da limitação estabelecida pelas cordas e camarotes. Notadamente a grande aglomeração é um fator a ser considerado na deflagração de confrontos, mas não absolutamente determinante. Há blocos sem cordas cuja passagem eleva a níveis alarmantes o número de lesões corporais, como a banda Psirico ou o Príncipe do Guettho, Igor Kannário. As letras das músicas, que incitam coreografias patentemente violentas, aliadas a um público habituado com a resolução violenta de seus conflitos cotidianos, são os ingredientes explosivos para as insaciáveis demandas operacionais que a passagem de atrações como essas provocam. Os cantores simplesmente estimulam o confronto de um público disposto a se agredir, e o resultado não tem como ser diferente. Já o trio de Armandinho, Dodô e Osmar, para exemplificar, também sem cordas, costuma percorrer todo o circuito sem qualquer briga, afinal as composições musicais não fomentam a violência e seu público está disposto a se divertir sem o uso da força contra os demais. Grande parte dos casos de violência bruta filmados pela imprensa e por particulares ocorrem entre indivíduos que já se conhecem e pertencem a grupos rivais, então a avenida surge como arena ideal para o início do combate. O folião do Chiclete com Banana, em qualquer dos 3 blocos em que a banda é atração, possivelmente é quem mais sofre pressões de todos os lados por conta do volume de pessoas em pouco espaço, mas são raros os casos de vias-de-fato entre integrantes do bloco. Logo ao lado, são corriqueiras as contendas, embaladas pelo agito do ritmo que motiva "cordeiros e pipocas" a se agredirem mutuamente, não tanto pelo espaço, escasso para todos, mas, novamente, pelos seus hábitos cotidianos e também prazer em aplicar golpes de artes marciais sobre outros indivíduos, com ou sem critério. Não é elitismo afirmar que o público mais violento é sem dúvida o das camadas sociais inferiores, boa parte inclusive com fichas policiais e antecedentes criminais, e com a presença crescente de mulheres. Onde esses grupos estão, com ou sem cordas e camarotes, a violência estará presente, e determinadas músicas e cantores serão o ponto de ignição para a reação em cadeia de agressões entre as pessoas. Um policiamento atuante, planejado e em quantidade suficiente contribui para prevenir e reprimir tais ocorrências, mas insistir que o maior problema seria o espaço físico é prova de um conhecimento limitado sobre o que ocorre no ombro a ombro entre os foliões nas ruas. Há outros clichês, como o das estatísticas no período, que geralmente não correspondem de fato à realidade, o que pode vir a ser tema de novas discussões em breve. Por enquanto, essa é a ideia sugerida.