Pesquisa no Rio estuda rejeição ao “Bandido Bom é Bandido Morto” 
Rio de Janeiro bate recorde de homicídios 
256 cidades do Estado de São Paulo não possuem Delegado 

Facebook

Recebi um email de um leitor (que não identificarei) mostrando preocupação com a "moda" das páginas policiais no Facebook que fazem apologia à violência policial. Leiam: "Olá, Danillo. Sou policial civil e tenho observado que o número de "páginas policiais" no Facebook tem aumentado de forma considerável. Essas páginas, via de regra, trazem conteúdo violento mostrando, quase sempre, bandidos feridos/mortos. Outro tipo de conteúdo que tem crescido nessas páginas são vídeos onde policiais colocam bandidos para pedirem desculpa por ofensas feitas também em redes sociais, pixados com suas próprias tintas e até se beijando na boca. E cada dia que passa arrasta mais admiradores. É visível que quem mantém essas páginas não está preocupado com as consequências que essa postura pode trazer. Eu entendo que esse tipo de postura do policial torna a guerra contra o crime pessoal, onde o bandido não mais sente raiva do Estado nem da polícia, mas do policial. Talvez esse comportamento seja a causa de tantos policiais mortos ao irem ao supermercado, por exemplo. O que para mim é bem diferente de ser morto em troca de tiros durante o serviço. Não sei se consegui ser claro, mas se fui, o que você acha dessa nova moda?" Compartilho das preocupações do colega e considero gravíssimo esse incentivo à violência por parte de policiais - principalmente em mídias sociais, dado o poder de viralização e consequente propagação dessa cultura. Por ingenuidade, falta de profissionalismo e incapacidade de pensar seu ofício acima das mesmas práticas pequenas típicas dos autores de crimes, muitos policiais proclamam essa "guerra particular" que traz danos a si próprios, e incentiva o fortalecimento da sensação de "inimigo" para setores bem específicos da sociedade. Não há mal, e até é desejável, analisar ocorrências policiais à luz da técnica e da legalidade. Mas incentivar violências, debochar da morte e enaltecer a ilegalidade é trágico. O cotidiano tem nos mostrado isso.