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Força Tarefa

Eis que ocorreu nesta quinta-feira (16) a estréia do seriado Força-Tarefa, da Rede Globo. Ao contrário do que foi divulgado, e conforme suspeitei, por causa das chamadas que a Globo vinha publicando, a série não se propõe a mostrar o trabalho da Corregedoria da PM carioca, mas do serviço reservado de inteligência, a chamada "P2". É a seção da PM que faz o serviço velado, produzindo conhecimento para que o Comando da corporação tome decisões, principalmente em relação a faltas envolvendo policiais da própria instituição. Este é o ofício do Tenente Wilson, interpretado por Murilo Benício, que é comandado pelo Coronel Caetano (Milton Gonçalves). Força-Tarefa tem pontos positivos: mostra problemas por que passam a Polícia Militar e, principalmente, os policiais militares. O Tenente Wilson, por exemplo, se vê constantemente perseguido por um "encosto", um oficial que ele viu se suicidar em determinada ocorrência, com quem dialoga e chega até a receber conselhos. Trata-se de uma cruel realidade profissional, onde pessoas que, por ofício, são obrigadas a tirar a vida de outras, mas que não possuem o devido reparo psicológico para continuarem exercendo suas atividades. Quando esse tipo de conflito ocorre entre colegas de farda (e a expressão "colega de farda" talvez só seja entendida em seu máximo pelos leitores policiais), as consequencias são mais perigosas ainda para o indivíduo. Outra realidade exposta é a indecisão e a fluidez das competências da P2, que vão se misturando e invadindo o que, legalmente, só caberias às polícias civis. Em alguns momentos o Coronel Caetano mostra essa indecisão, mas sempre há o contra-argumento ético: uma vez que já se dispõe de muitas provas referentes a determinado crime, vale a pena transferir a investigação para a Polícia Civil, burocratizando um procedimento que poderia ser realizado mais rápido pela própria P2? É uma das distorções do sistema de segurança pública brasileiro. Por que essa distância entre polícias que poderiam atuar em conjunto? O Capitão Jurandir, o PM criminoso do primeiro episódio, teve seu filho morto por uma "bala perdida" na frente de casa. É um policial desmotivado, e justifica o roubo de R$5.000.000,00 na ausência de ascenção profissional que a polícia lhe proporcionou. Esse é um clichê entre muitas produções policiais brasileiras: a corrupção justificada pelo baixo salário. O Capitão, sendo de uma das polícias que pior pagam no país, acaba se unindo a um colega de curso de formação de oficiais para realizar sua prática criminosa. Gostei do viés alternativo abordado pela série, fora do trivial (mas ainda eficiente) polícia corrupta x tráfico na favela. Mas a aura do policial militar não foi incorporada pelos atores. Gírias, posturas e práticas que beiram o hollywoodiano são adotadas pelo Tenente Wilson, que está longe da perfeição dramática de um Capitão Nascimento (nunca será!). Apesar das diferenças entre o cinema e a televisão, creio que esse "clima" verdadeiramente policial só pode ser ensinado por policiais. E já que os roteiristas de Força-Tarefa "não contam com a ajuda de policiais para escrever a trama", seria demais exigir deles essa perfeição. Ponto positivo também é a ausência de cenas mirabolantes, tal qual ocorre em "A Lei e o Crime", da Record. Não mais que cinco tiros foram disparados no primeiro episódio, todos eles sem barbaridades (salvo o que o Tenente Wilson dispara no Aeroporto, e após isso sua pistola fica aberta, aparecendo fechada posteriormente sem manuseio). No geral, Força-Tarefa agrada, principalmente por mostrar o impasse ético de usar a expressão da música-tema do seriado para os próprios policiais: "Polícia!/Para quem precisa/Polícia!/Para quem precisa de polícia" (Titãs). Vamos acompanhar os próximos episódios, que podem ser assistidos até por quem não assistiu o primeiro, já que não há uma sequencia cronológica no seriado. PS: O Douglas nos esclareceu que na PMERJ é a Corregedoria quem realiza as investigações do seu público interno, tornando, assim, legítima a designação de "corregediria" para o grupo de policiais comandados pelo Coronel Caetano.
Depois de muita espera e especulação, a Globo finalmente começou a divulgar sua minissérie policial: Força Tarefa. Inicialmente, esse nome seria dado a um Reality Show policial, que foi criado pela produtora Medialand, e vendido para a Globo, mas ainda não tem previsão de ir ao ar, conforme o site da produtora. Na verdade, Força Tarefa nasceu a partir da idéia de se transferir para a telinha o sucesso de Elite da Tropa, conforme disse o diretor da minissérie, José Alvarenga Jr. à Revista da TV: "Como as negociações com o José Padilha e o Marcos Prado (diretor e produtor das aventuras do Capitão Nascimento) desandaram depois que eles optaram por um "Tropa 2", a emissora me pediu que pensasse em um seriado policial. Foi aí que tivemos a ideia de chamar o Marçal Aquino (escritor e roteirista de "Os matadores", "O invasor" e dos demais filmes de Beto Brant) e o Fernando Bonassi (dramaturgo, escritor e co-roteirista de "Carandiru"). Os capítulos que eles escrevem em 15 dias, nós filmamos em sete. [...] Como ser incorruptível em uma realidade onde as negociações ocorrem a céu aberto? Como reage uma classe que corre o risco de levar um tiro de armas que seus próprios colegas venderam aos traficantes? A repressão ainda é fundamental para que uma sociedade exista? Era urgente que a Globo falasse disso em um Brasil que virou um país de filme policial - diz Alvarenga" Clique aqui e leia todo o texto da Revista da TV. Apesar das notícias afirmarem que a minissérie vai mostrar o trabalho da Corregedoria da PMERJ, me parece que haverá alguma mistura com o trabalho da Seção de Inteligência, a chamada P2. Vejam: "Seis policiais com a difícil missão de investigar o trabalho da própria polícia. Este é o tema central de Força Tarefa, série investigativa da Rede Globo que tem estreia prevista para abril. Escrita por Fernando Bonassi e Marçal Aquino e dirigida por José Alvarenga Jr., a trama já começou a ser gravada no Rio de Janeiro e traz Murílio Benício, Milton Gonçalves e Hermylla Guedes no elenco." Clique aqui e leia toda a notícia. Me parece que a intenção é mesmo de abordar o que deu certo em Elite da Tropa: os meandros por que passa ética no âmbito policial, onde os conceitos de "certo" e "errado" às vezes chegam a uma delicada diferenciação, fazendo com que a legalidade nem chegue a ser considerada em alguns casos. Esse é o ambiente que policiais novos e/ou honestos muitas vezes se deparam. Mesmo com a divulgação da série, fico ainda na espera do Reality Show, que me parece uma idéia muito mais interessante. De qualquer modo, vamos esperar a estréia para comentar o conteúdo de Força Tarefa - e lembrar sempre que o fato da polícia ser discutida através de obras de ficção sempre é muito importante para a difusão de nossos acertos e alerta aos nossos erros. Clique aqui e veja mais sobre o Reality Show Policial da Medialand. Recapitulando: Minissérie Força Tarefa Emissora: Rede Globo Estréia: 16 de abril; Diretor: José Alvarenga Jr. Elenco: Tenente Wilson (Murilo Benício); Coronel Caetano (Milton Gonçalves); Samuca (Nando Cunha); Jonas (Rogério Trindade); Selma (Hermylla Guedes); Jorge (Rodrigo Einsfeld); Irineu (Juliano Cazarre); Oberdan (Henrique Neves); Genival (Osvaldo Barauna).