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GRAER

Não minto que já enxerguei o emprego da aviação na atividade policial como algo secundário, um modo dos gestores públicos chamarem a atenção da população para os investimentos. Como dizemos muito no meio militar... Embuste. Mas depois de ter contato com profissionais do Grupamento Aéreo da Polícia Militar da Bahia (GRAER/PMBA), em palestras e visitas ao hangar da unidade, pude constatar o quanto estava errado - resumido à minha ignorância, na verdade. Além disso, tive a oportunidade de realizar um vôo a bordo do helicóptero do GRAER baiano, e, acreditem: trata-se de uma formidável ferramenta de patrulhamento, com visão estratégica e ampla, fazendo o que seria impossível ser feito em viaturas terrestres. Clique aqui e leia a entrevista que o Abordagem fez com o Comandante do GRAER da PMBA, o Major Lázaro. Depois de convencido intelectualmente e intuitivamente sobre a fudamental importância da utilização de aeronaves pelas polícias, não posso deixar de divulgar aqui, como fez meu amigo Jorge, em seu Repórter de Crime, o 2º Fórum Nacional de Aviação de Segurança Pública (2º FNAvSeg), que neste momento ocorre em Florianópolis, Santa Catarina. Leiam o release divulgado no site do Ministério da Justiça: "Com o objetivo de aumentar as formas de combate à criminalidade no país, o Ministério da Justiça realiza o 2º Fórum Nacional de Aviação de Segurança Pública em Florianópolis (SC). O evento reúne, até sábado (1ª), pilotos, operadores e mecânicos de vôo das polícias Federal, Militar e Civil e do Corpo de Bombeiros. Na abertura do encontro, nesta sexta (31), o governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira, enalteceu o uso da força aérea no combate à criminalidade, ao contrabando e nas operações de salvamento. Silveira lembrou do desastre causado pelas enchentes em Santa Catarina, em novembro e dezembro de 2008." * * * Aproveito o intento para divulgar um blog que acaba de surgir, e que é pioneiro na Blogosfera Policial, pela temática que aborda: o Piloto Policial, que trata de "notícias da aviação policial", vejam: "Esse site tem como objetivo reunir notícias, informações e artigos sobre a Aviação Policial no Brasil. Apesar de presente em muitos Estados brasileiros, a divulgação e compartilhamento de informações ainda está muito tímida. Portanto, sinta-se a vontade em deixar seu comentário ou entrar em contato para publicar seu artigo ou notícia. Lembrando ainda, que as opiniões e comentários aqui publicados NÃO REFLETEM NENHUMA OPINIÃO OFICIAL DE QUALQUER INSTITUIÇÃO. Bons vôos !" O blog é anônimo, mas provavelmente é administrado por algum policial com intimidade na área. Clique na imagem acima para visitar o blog.
As instituições responsáveis pela segurança pública e pela defesa civil nos estados brasileiros, a cada dia que passa, estão direcionando recursos e esforços à atuação de aeronaves (helicópteros e aviões) no policiamento ostensivo e no resgate e salvamento de vítimas de acidentes, dentre outras atividades peculiares. A Bahia, recentemente, aderiu aos métodos aeronáuticos, através da criação do Grupamento Aéreo da PMBA (GRAER), que passou a ser alvo de dúvidas e admiração, além de ser “guisada” por vários policiais que desejam ingressar na unidade. Para esclarecer as dúvidas e mistérios em torno da UOp, além de tratar da viabilidade do vetor aéreo na atividade policial, fizemos uma entrevista ao Comandante do GRAER da PMBA, o Major Lázaro Raimundo Oliveira Monteiro. Vejam: - Abordagem: O Sr. poderia fazer uma breve descrição de seu currículo e experiências profissionais? - Maj. PM Lázaro: Tenho 25 anos de serviço público policial militar, e sou egresso do Colégio da Polícia Militar – CPM (ali estudamos por cerca de 11 anos). Aspirante do ano de 1986 – TURMA Dr. ESTÁCIO LUIS VALENTE DE LIMA. Servi no 5º. BPM, EFAP, 16º. BPM, Esquadrão de Motociclistas Águia (por 8 proveitosos anos), Departamento de Modernização Tecnológica, onde chefiei o Serviço de Gestão da Qualidade e Coordenação do Policiamento Comunitário por 4 anos. Comandei a 12ª CIPM (policiamento comunitário nos bairros de Ondina e Rio Vermelho) e a 35ª CIPM (policiamento comunitário nos bairros do Iguatemi e Itaigara). Atualmente sou o Comandante do Grupamento Aéreo da PMBA (GRAER). Temos várias especializações, como o Curso de Motociclismo Militar na PMBA, o Curso de Especialização em Trânsito Rodoviário, o de Formação de Instrutor de Motorista Policial e o de Gestão Contemporânea pela Qualidade, estes feitos na Polícia Militar do Estado de São Paulo. Especialização em Língua Estrangeira – Inglês feito na FAB – CIEAR – RJ, na Associação Cultural Brasil – Estados Unidos e na Universidade Mount Saint Vincent em New York – USA. Também temos a Formação e Especialização de Piloto Comercial de Helicóptero, além dos Cursos na área de Segurança Operacional de Vôo e Gestão de Unidade Aérea, todos feitos em Minas Gerais. Também fizemos todos os cursos de carreira – CFO-1986, CAO-2000, e CSP (CEGESP)-2008, todos na APM- BA, além da pós-graduação em Gestão de Segurança Pública pela UNEB. Sou bacharelando em Engenharia de Produção Civil pela UNEB. Temos uma boa expertise em assuntos ligados a Gestão Pública, Qualidade, Policiamento Comunitário, Gestão de Projetos e por último em implementação e desenvolvimento de uma Unidade Aeropolicial, já tendo sido palestrante e participante em diversos seminários, congressos e eventos do tipo, tanto na Bahia como em diversos estados brasileiros. - Abordagem: Qual a importância do policiamento realizado através de aeronaves? - Maj. PM Lázaro: Entendemos que a importância é muito significativa. Lembramos que o Brasil é um país de dimensões continentais e que a importância de que se tenha um serviço público eficiente é grande. O vetor aéreo é uma ferramenta significativa tanto pela capacidade operativa, considerando a sua posição privilegiada, quanto pela sua rapidez, passando pela ação de presença. Já existem dados acadêmicos que comprovam esta importância e que sinalizam o vetor aéreo como uma das vertentes essenciais para um modelo de gestão operacional da segurança que deseje bons resultados. - Abordagem: Como surgiu o GRAER? - Maj. PM Lázaro: O GRAER surgiu a partir da inquietação de um grupo de oficias que no ano de 2002 se questionava por que não tínhamos um serviço aéreo à disposição da Segurança Pública. Éramos nove, e fiz parte daquele grupo. Da análise vimos que o que faltava era um projeto que desse ao escalão superior as informações claras e alinhadas a um projeto de trabalho que possibilitasse uma decisão política segura de realizar o que se fazia necessário. Desta forma fomos a campo e fizemos um trabalho técnico com bastante fundamento, tendo sido apresentado em 2003 ao Comando Geral que, ciente da importância, apresentou ao Governo do Estado. Com a decisão política positiva de se realizar foram viabilizados os recursos, bem assim as providências necessárias para que a Unidade GRAER existisse, atendendo aos padrões técnicos e de segurança de vôo, alinhado a uma política de resultados. Neste sentido, entre 2003 e 2006 fizemos a seleção, formação e treinamento de pessoal, aquisição de aeronaves, viaturas, equipamentos e sistemas, construção de instalações, dentre outras providencias, vindo a Unidade a ser inaugurada em 08 de dezembro de 2006, quando se iniciou as operações. Estou no projeto desde o seu início e participei de todas as suas fases. - Abordagem: Grande parte das ocorrências atendidas pelo GRAER são de caráter da defesa civil. Não seria mais lógico que o GRAER estivesse ligado ao Bombeiro Militar? - Maj. PM Lázaro: O conceito de operação que o GRAER emprega é o de MULTIMISSÃO. Ou seja, nosso pessoal está devidamente treinado e equipado para atender a toda e qualquer ocorrência, independente de sua “fotografia”. Temos hoje cerca de 3000 horas de vôo empregadas em operações aeropoliciais de todo o tipo. Deste número, cerca de 56% são referentes a emprego de caráter policial (apoio aéreo a ocorrências de alta complexidade como assalto a banco, grandes eventos como Carnaval e eventos desportivos, sequestros, rebeliões, dentre outras ocorrências do gênero). Cerca de 15% representam nossa participação em ocorrências típica de Bombeiros e Defesa Civil, como Salvamentos em ambiente líquido, resgates aeromédicos, combate a incêndio florestal, dentre outros. Importante frisar que a ocorrência de bombeiro naturalmente tem um maior apelo, consequentemente maior visibilidade, porém para nós o mais importante é estar em condições de atender aquilo que a necessidade do serviço assim determinar. Quanto ao fato de estar ou não no bombeiro, importante frisar que o nosso bombeiro integra a PM, logo estamos falando de uma só instituição, pelo menos enquanto o modelo assim permanecer. - Abordagem: Existe uma comparação comum entre o custo de uma aeronave e o número de viaturas ou armamentos que se poderia comprar com esse valor. Essa comparação é justa? - Maj. PM Lázaro: Essa comparação existe onde quer que haja aeronave. Naturalmente não é uma comparação justa do ponto de vista da gestão. Se você quiser pensar a segurança pública como algo menor, sem perspectiva, sem crescimento, sem nenhuma política de resultado, procurando desculpas para eventuais deficiências, esta tese pode até prosperar. Porém, se o objetivo é dotar a segurança pública das ferramentas necessárias a fazer frente ao desenvolvimento do estado, esse dado nem se comenta. Estamos falando da Bahia, o maior Estado da região nordeste. A França cabe aqui dentro. Dos grandes estados do país, até 2006, a Bahia era o único estado que não dispunha desta ferramenta. Me refiro aos grandes. Hoje, depois dos investimentos feitos na ordem de 14 milhões de dólares, a PMBA tem a sua unidade área, que juntando as unidades de terra e também no mar (a nossa COPPA e o nosso Bombeiro também possuem embarcações), levam a PM aonde for necessária a sua presença. Leva não só a PM, como temos dado apoio a diversas instituições que desenvolvem ações de interesse público, como o Ministério Público em operações visando a prevenção e repressão em crimes ambientais, como a Secretaria da Fazenda em operações para coibir a crimes fiscais no transporte de combustíveis, dentre outros. O universo é muito grande e disso decorre uma importância significativa termos uma unidade aérea na nossa instituição. Valeu a pena o investimento. - Abordagem: Quais são os casos que comprovam a eficiência do GRAER? Quantas ocorrências já foram atendidas? - Maj. PM Lázaro: Como já dito, estamos em operação desde dezembro de 2006. Neste período já atendemos a cerca de 3.000 missões, em 3.000 horas de vôo. É um dado significativo em se falando de unidade aeropolicial. Para se ter uma idéia, cerca de 115 pessoas já foram salvas através de nossas aeronaves em situações de resgates. Esse número dá uma média de 5 atendimentos por mês, um por semana. Muitas vítimas de acidentes de trânsito, por exemplo. Com o uso da aeronave se dá mais agilidade e eficiência ao socorro no período que se costuma chamar de “hora de ouro”, aumentando significativamente a possibilidade de salvamento das vítimas. De levantamento preliminar feito, cerca de 90% das pessoas se recuperaram, apesar da gravidade dos ferimentos ou das circunstâncias do salvamento. Com uma linguagem bem mesquinha, diria que com a primeira vida salva já pagamos o investimento feito. Está demonstrada a eficiência. - Abordagem: Como é a formação e o ingresso no Grupamento Aéreo da PMBA? Há quem observe a seleção pela cultura do "peixe", do apadrinhamento, isso ocorre na prática? - Maj. PM Lázaro: Sua observação é importante e decorre de algumas experiências que passamos em toda administração pública, não apenas na PM, é bom que se frise. No nosso caso a política do apadrinhamento é extremamente nociva e desde o início tem sido rechaçada, apesar das tentativas. Quem serve no GRAER o foi mediante concurso público interno, o qual procurou identificar, dentre outros aspectos, o perfil psicológico-profissiográfico para o desenvolvimento da atividade aérea. Importante frisar que quando entramos na PM fizemos concurso para desempenhar ações de segurança pública. No nosso caso, além desta, temos que desenvolver a atividade aeronáutica, a qual possui características próprias, inclusive legais, que devem ser atendidas. Sabemos do apelo lúdico que a atividade aérea às vezes desperta. Porém, este sentimento não é suficiente e decisivo para que se atenda ao perfil necessário para desenvolvimento das nossas atividades. Uma pessoa emocionalmente desequilibrada naturalmente não pode estar operando em uma aeronave (ou qualquer outro meio de locomoção, diríamos). Foram e estão sendo adotadas todas as medidas para garantir que a saúde física e mental dos aeronautas membros do GRAER estejam sempre em boas condições de garantir uma operação eficiente e segura. - Abordagem: Como é realizada a formação dos policiais do GRAER? Comparada com a de outras polícias, está em que patamar? - Maj. PM Lázaro: Com satisfação informamos que o padrão de excelência do nosso GRAER tem sido reconhecido nacionalmente. Tivemos no projeto de trabalho que alicerçou a criação da unidade a humildade de reconhecer erros e acertos das grandes referências nacionais e internacionais na atividade. O que é bom copiamos e aperfeiçoamos. O que não deu certo, estudamos para colher da experiência negativa as lições, a fim de que não incorramos no mesmo erro. Desta forma, no processo de implementação e desenvolvimento da nossa unidade sempre temos sido consultados e apresentamos nosso testemunho para outras instituições no país, muito embora tenhamos pouco tempo de operação. Nossa formação parte do conceito de que quanto melhor for a formação do aeronauta, melhor será o desenvolvimento da sua atividade. Neste sentido a matriz curricular exigida das escolas que formam o nosso pessoal garante uma excelência na formação. A experiência até então tem comprovado esta premissa. - Abordagem: Sabe-se que o custo para se formar um piloto, por exemplo, é muito alto. Qual a garantia que a Polícia Militar possui de que esses profissionais não vão deixar a Corporação, haja vista os salários atraentes do mercado da aviação? - Maj. PM Lázaro: A garantia de que A ou B não vai deixar a corporação é utópica, mesmo porque o estado de direito que vivemos não permite que se prenda uma pessoa a algo que esta não deseja. Isso não é legal nem moralmente aceito. Porém é importante frisar que para servir no GRAER uma avaliação prévia é feita com recursos garantidos pela ciência de forma a fazer com que a administração se proteja de eventuais aproveitadores. Afirmo-lhe que a experiência até então tem sido ao contrario. Há uma busca significativa de profissionais que desejam servir na nossa unidade. - Abordagem: Quando haverá uma próxima seleção para ingresso no GRAER? - Maj. PM Lázaro: Já está em avaliação na PGE a minuta para o próximo concurso púbico interno visando a formação de um cadastro de nomes para cursos de formação para todas as funções técnicas da atividade aeropolicial, a saber: Piloto de avião e helicóptero, Tripulante Operacional, Mecânico Aeronáutico, Operador de Apoio de Solo. Acredito que no próximo semestre já teremos o concurso. - Abordagem: A unidade, naturalmente, tende a se expandir... Quais são os próximos passos? - Maj. PM Lázaro: A visão de futuro nossa está gradativamente sendo contemplada. Conseguimos aprovar um projeto na SENASP e iremos receber mais um helicóptero até o final do ano. Também já está sendo providenciado, como já dito, a seleção e formação de novos técnicos. Esta é uma expansão gradativa, e deve ser feita sem atropelos a fim de garantir um sucesso na sua implementação como ocorreu até agora. - Abordagem: Qual a diferença da formação do piloto policial para o piloto das Forças Armadas? - Maj. PM Lázaro: Conceito de missão. O chamado “pé e mão” do vôo é o mesmo, porém, somos treinados para missões distintas, com equipamentos, informações e cenários distintos. A formação dos militares também é mais demorada. - Abordagem: Percebe-se que as unidades especializadas, como o GRAER, possuem policiais mais motivados do que a tropa como um todo. Como transferir esse sentimento às unidades ordinárias? - Maj. PM Lázaro: Tudo é uma questão de gestão. São tropas diferentes em que no caso das especializadas o objetivo é melhor definido, com um foco particularmente do ensino e da instrução, melhor delineado. Isso garante um resultado mais eficaz, dentre outras variáveis. A transferência desse ambiente para as unidades de policiamento ordinário é mais complexa pela própria natureza do serviço que não garante um contato mais direto dos profissionais com os procedimentos de capacitação, nem com suas lideranças. Comandei durante cerca de 5 anos unidades operacionais de área, e mantive um política de capacitar sempre a tropa. Auferi bons resultados no controle efetivo da criminalidade no período e isso só foi possível pela efetiva participação da nossa tropa, aliada a ação proativa da comunidade na época. Mas não é fácil não. - Abordagem: Abrimos espaço para que o Sr. faça as considerações finais e para a indicação de qualquer leitura, filme, site, etc. para os leitores do Abordagem... - Maj. PM Lázaro: Primeiro parabenizo pela iniciativa do blog. Informações claras e textos muito bem redigidos que naturalmente tem contribuído para melhor compreensão e estudo das questões que nos cercam. Parabéns. Também o congratulo-os pela formatura do Aspirantado. Muita sorte e luz nas suas vidas. É um momento ímpar em nossas vidas. Um rito de passagem. Aproveitem bastante. Curtam o seu momento e estejam prontos para os novos desafios que lhes esperam. Aproveito para deixar a vocês e aos leitores a indicação de um livro, “Liderança e Ética”, de autoria de Emiliano Gonzalez, economista espanhol. É uma leitura muito agradável e nos leva a uma reflexão sobre a importância da liderança pautada por preceitos éticos e de conteúdo. Vale a pena.