Pesquisa no Rio estuda rejeição ao “Bandido Bom é Bandido Morto” 
Rio de Janeiro bate recorde de homicídios 
256 cidades do Estado de São Paulo não possuem Delegado 

Inteligência Policial

No Brasil, falar de policiamento comunitário é ser entendido como leniente e pouco apto a agir repressivamente no trabalho policial. O senso comum, que desconsidera os elementos necessários para a atuação policial eficiente, não percebe a centralidade estratégica de ter policiais parceiros da comunidade. Ignoram que informação é o insumo básico de uma polícia competente, e que só há dois meios legais de obtê-la: através de ações de Inteligência e/ou da atuação policial aproximada, essa sim, a grande fonte de dados qualificados para que o policial possa prevenir o cometimento de ilícitos ou reprimi-los com qualidade e menor risco. Quando os policiais estão bem informados e situados em sua área de responsabilidade, têm maior capacidade de exercer seu ofício, e não agem apenas reativamente, sob a demanda do serviço de chamados, o famoso "190". "Falar de policiamento comunitário é falar de ações policiais inteligentes, eficientes e qualificadas" Se você é policial e não age somente quando a central de operações determina, provavelmente obteve informações qualificadas para prevenir ou reprimir ilícitos. Como se vê, falar de policiamento comunitário é falar de ações policiais inteligentes, eficientes e qualificadas. Neste artigo, vou sugerir 8 formas práticas de fazer Policiamento Comunitário, fazendo com que o policial, em vez de atuar desnorteado, tenha elementos concretos colhidos na própria comunidade para desenvolver melhor seu trabalho. #1. Pergunte como vai a segurança local Como já disse, informação é fundamental para policiar bem. Uma simples pergunta é o primeiro passo para um relacionamento profícuo com a comunidade. Nada custa ao policial, durante o serviço, parar a viatura e indagar sobre os problemas que o cidadão percebe em sua região. No início, pode haver alguma reserva ou estranhamento, mas a continuidade gerará confiança e informações cada vez mais preciosas para o policial. #2. Seja acessível Além de ter a iniciativa de ir ao encontro do cidadão, é importante que o policial esteja acessível. Rondar por horas seguidas na viatura sem se mostrar à comunidade é um desperdício de contatos produtivos. Um simples "bom dia" ou aceno já é uma demonstração de que o policial está aberto ao diálogo. Quanto mais se aprofunda o relacionamento, mais meios de disponibilidade podem existir (muitos policiais até trocam telefone com membros da comunidade para obter informações sobre a segurança local). #3. Identifique e reúna as lideranças Muitas lideranças comunitárias sequer percebem que têm esse papel. Comerciantes, organizadores de eventos, professores, agentes de saúde etc. O policial pode ter função fundamental para reconhecer essas lideranças e orientá-las a agir em prol da segurança da comunidade (mediando conflitos e indicando pontos vulneráveis na segurança). Além disso, o policial pode fazer com que essas lideranças se complementem em suas atuações comunitárias. Quando lideranças interagem a comunidade começa a encontrar força para realizar mudanças sociais. #4. Ensine algo à comunidade Quando o policial já está em contato com a comunidade essa sintonia pode ser aprofundada de diversas formas. Uma delas é se dispondo a ensinar algo à comunidade, lhe posicionando como uma referência de preocupação com o bem comum. O que ensinar? Dicas de segurança para quando os moradores forem viajar. Como evitar roubos em terminais bancários. Como os pais podem perceber que seus filhos estão sofrendo alguma violência. Se quiser, ensine conhecimentos mais particulares (artes marciais, música etc). #5. Aprenda algo com a comunidade Ao considerar a cultura e a forma de viver da comunidade você tem mais elementos para atuar com qualidade. Que tal organizar oficinas e minicursos ministrados por integrantes da própria comunidade? Esse pode ser um passo importante para entender as dinâmicas vigentes em sua área de atuação, conquistando confiança e legitimidade. "Atuando comunitariamente o policial garante acesso ao mapa da segurança pública em uma região. Quem rechaça esse conceito está à deriva" #6. Estabeleça pontes O policial é uma referência para solicitar medidas das diversas instâncias públicas e dos demais integrantes da comunidade. Alguns problemas básicos (como a troca da lâmpada de um poste, por exemplo) às vezes só depende da intervenção de alguém que possa falar pela comunidade. Caso o policial não se sinta à vontade para isso, ele pode provocar essas iniciativas através de outras lideranças. O importante é atuar como mediador visando a prevenção à violência. #7. Preserve os laços Todo o esforço para manter laços significativos com a comunidade será em vão caso o policial cometa ilegalidades, arbitrariedades e abusos. A retidão é pressuposto básico para obter um relacionamento profícuo (em qualquer contexto). Sem isso, não espere receber informações, ajuda e orientações de qualidade. #8. Pratique lealdade e imparcialidade No momento de aplicar a lei, não seja parcial. Isso pode minar a confiabilidade da comunidade em seu trabalho. Não precisa ter receio em ser rígido de acordo com o que está legalmente posto. Antes de tudo, o policial é um agente público, e não pode se arriscar com a parcialidade - que é sinônimo de desconfiança por parte de quem é prejudicado. Como disse Motesquieu: "A injustiça que se faz a um, é uma ameaça que se faz a todos". Concluindo... Percebam que estas práticas não custam nada para o policial ou para a Instituição. Mesmo que não haja apoio corporativo para agir conforme essas sugestões, é plenamente possível que o policial, individualmente, o faça. A vantagem é ter melhores informações para atuar, inclusive repressivamente. Atuando comunitariamente o policial garante acesso ao mapa da segurança pública em uma região. Quem rechaça esse conceito está à deriva.
Todo policial brasileiro provavelmente já recebeu uma mensagem com a última notícia do momento que inicia com os termos "segundo informações". Essas duas palavras são usadas para justificar a autoria de alguma narrativa. Por exemplo: "Segundo informações, o policial fulano de tal realizou a prisão de um autor de roubo na rua tal". Como se "informações" fosse um ser humano, uma fonte legítima e confiável que sustentasse o que está sendo "repassado". Em tempos de WhatsApp está cada vez mais difícil lidar com conceitos como segurança da informação, sensação de segurança, credibilidade da informação etc. A quantidade e a rapidez tem ganhado prioridade sobre a qualidade. No contexto policial isso se agrava porque informações sobre ocorrências ou problemas internos às polícias geralmente estão ligadas a direitos individuais ou coletivos, o que possibilita o dano a reputações ou a desnecessárias mudanças de comportamento pautadas no medo. "Não é pequena a possibilidade de aproveitadores manipularem a manada dos desavisados para garantir a propagação de inverdades" Se qualquer organização do mundo atual precisa orientar seus integrantes sobre a forma de lidar com informações, nas polícias isso é condição indispensável para o exercício da profissão. Não é pequena a possibilidade de aproveitadores manipularem a manada dos desavisados para garantir a propagação de inverdades. Diferentemente do que pensam alguns, esse não é um problema para lidar de maneira disciplinar, mas através de orientação e esclarecimento. Sem ter a ambição de controlar o incontrolável, vale a pena ensinar a tropa a usar os meios de comunicação à sua disposição com inteligência.
Todas as polícias do mundo contam com setores de inteligência: seções compostas por policiais que geralmente atuam de maneira velada visando produzir conhecimento para que os gestores policiais tomem medidas institucionais acertadas. Obviamente, medidas institucionais que estejam de acordo com os princípios que regem, ou devem reger, as polícias: no caso do Brasil, democráticas, cidadãs, legais. Com a onda de protestos que inundou o Brasil, muito se tem questionado sobre a atuação de policiais "infiltrados" nas manifestações. No caso mais recente, ocorrido no Rio de Janeiro, estão acusando a "P2" carioca até mesmo de ser autora de ataques contra os próprios policiais, visando desqualificar o movimento das ruas: Vídeos levantam hipótese de que PM infiltrado em protesto atacou policiais com bomba RIO - O Ministério Público vai investigar vídeos divulgados nesta terça-feira nas redes sociais, em que supostos policiais do serviço reservado (P-2) da Polícia Militar aparecem infiltrados no protesto feito em Laranjeiras, na noite de segunda-feira, durante a recepção ao Papa Francisco. Ao longo do dia, uma série de vídeos circulou na internet, mostrando homens fortes, com cortes de cabelo do tipo militar, transitando com facilidade pelas barreiras policiais. Três vídeos se destacaram nas redes. No primeiro, divulgado pela própria PM, um homem de camiseta preta, com estampa no peito e tecido claro escondendo o rosto, lança um dos primeiros coquetéis molotov arremessados durante o conflito entre manifestantes e policiais. Num segundo vídeo, dois supostos policiais passam pela barreira de PMs e, ao serem interceptados por soldados, mostram documentos e são liberados. Um desses homens veste camiseta preta com estampa parecida com a do manifestante da gravação anterior. No terceiro vídeo, um outro homem, com roupa parecida, corre com os policiais e aponta para um manifestante, que é derrubado e chutado. Mais tarde, a mesma pessoa tira a camiseta e cruza a barreira policial. Até então, a tropa proibia o avanço de quase todos. A PM reconhece o uso de agentes da P-2 nos protestos. Informa que eles filmam as manifestações, coletam provas e efetuam prisões. Em nota, a corporação diz ainda que “não há a menor dúvida” de que “não partiu de qualquer profissional da PM o ataque à tropa” — suspeita levantada ontem na internet. A Polícia Militar acrescenta não ser possível dizer que as pessoas filmadas seguindo rumo à tropa são do serviço de inteligência. Diz ainda que o vídeo postado pela corporação foi retirado devido a “um ataque em massa” contra ele. A investigação das cenas será feita pela Comissão Especial de Investigação de Atos de Vandalismo em Manifestações Públicas, que foi criada na sexta-feira e se dividiu em duas frentes: uma para cuidar dos inquéritos e outra para atuar na área de inteligência. — É importante deixar claro que não se trata de uma investigação paralela e que tudo que for apurado irá para os inquéritos — disse o procurador-geral de Justiça, Marfan Martins Vieira. — Que há PMs infiltrados, não há dúvida. Mas daí a afirmar que são responsáveis é outra história. Procurado pelo GLOBO, o perito forense Maurício de Cunto não descartou a possibilidade de o homem que lançou a bomba incendiária ser um dos que cruzaram a barreira da polícia: — Os detalhes mostrados no vídeo podem sugerir que as camisetas são as mesmas, porém essa informação é inconclusiva, por não se ter uma visão clara da estampa da camiseta. Esta possibilidade gerou repercussão internacional, e o The New York Times fez todo o levantamento considerando a potencial ação antiética - para dizer o mínimo. O Serviço de Inteligência é necessário? Para entender a dinâmica dos protestos, seus locais de organização, as intenções de seus participantes e a estrutura a se disponibilizar para garantir que tudo corra bem, é de extrema necessidade que as polícias monitorem, através de meios legais, os acontecimentos antes, durante e após os protestos. Alguém que participa de um movimento e inicia a planejar atos de depredação precisa ser detectado e identificado até mesmo para garantir que o direito à livre expressão se consolide. Se a inteligência funcionar, ganha a polícia, que precisará usar menos a força nas manifestações, os manifestantes, que não terão seus protestos negativados, e a população no geral, que não terá prejuízos com os abusos cometidos por quem se utiliza de manifestações legítimas para cometer irresponsabilidades. O que o Serviço de Inteligência não pode fazer? O óbvio é que os serviços de inteligência, assim como qualquer instância das organizações policiais, não podem tomar parte ideológica das manifestações. O policial que age para desqualificar um protesto popular, visando desmobilizá-lo, fere frontalmente a imparcialidade necessária para o profissionalismo policial. Atuar considerando a vontade dos governos que não querem que protestos ocorram não é atividade policial: é atividade político-partidária (em serviço!) das mais mesquinhas. Polícia presta segurança pública, que embora tenha um governo como gestor não deve se agarrar aos objetivos de poder do chefe governamental de ocasião. Quem age assim pode ser comparado, por exemplo, ao policial homofóbico que atua na parada gay e resolve agredir um homossexual gratuitamente. O envolvimento de seções de inteligência das polícias com o mérito dos protestos demonstra a imaturidade que determinados setores policiais ainda possuem em relação ao conceito de democracia, cidadania, profissionalismo e serviço público. Fora isto, o serviço de inteligência qualificado, tecnologicamente aparelhado e alinhado com a legalidade é muito bem vindo. Para todos!
A redução dos altos índices de violência requer o imediato resgate e correto direcionamento da participação de cada policial. Isso porque urge o fim da mortandade humana em que a inversão de valores se fez notar na pior de suas consequências, e a efetiva contribuição deste profissional é a arma certa contra o crime organizado. Todavia, como incentivá-lo ante a desmotivação funcional que assola esta classe? Certamente não será apenas recompensando-o pelo bolso. Os baixos salários, com a consequente favelização e falta de condições de vida condizentes com a realidade policial, desestimula-o, mas nada é tão prejudicial quanto a inversão de valores que torna este profissional o monstro no conflito dos direitos de cada humano. Hoje, suas vidas são números, estatística na mídia, a qual faz do usuário de drogas – motriz do sistema criminoso – a vítima, enquanto igual espetáculo é feito sobre o erro isolado de alguns da grande massa defensora da lei. Traficar é crime, comprar não; e o pacto não é pela vida do policial. Igualmente controvertido fica o ímpeto humano na sociedade da banalização do crime, e a contribuição do policial também pode tomar outro norte. Quem chega ao ponto de ouvir de um governador que o alto número de mortes entre seus colegas é normal fica, no mínimo, horrorizado e erroneamente atiçado a fazer a "justiça" velada. Contra isso, no entanto, existe o Serviço de Inteligência, cuja eficiência só não desarticula organizações criminosas apagadoras de vidas verdadeiramente inocentes porque nele não se investe tanto quanto nas viaturas e contingentes ostensivos traduzíveis em votos. Sobreviver passa a ser uma questão de sacar primeiro a arma neste "novo oeste". O controle efetivo do crime depende do retomar da legitimação e a canalização adequada da força policial. Enquanto não for devidamente valorizada, ela se tornará dispersa ou mesmo apagada ante ao óbice político reticente. O caminho é esse, tão claro quanto o dia, mas tão especulado quanto o número de vítimas do crime.
Sobre a reportagem do último sábado, entrevista concedida a George Brito, quando me referi ao Processo Cultural, não falei que as Ações eram abusivas e que o fato de serem mortos 10 ou 15, era um tipo de vingança. O que de fato relatei é que a polícia "descobre rapidinho" onde estão os assassinos, citei por exemplo o caso do Policial Federal que foi entregar um Mandado no IAPI e foi confudido com um Policial Civil, após a morte do colega, a Polícia Civil e a Militar, em minutos, chegaram aos meliantes... Vale a máxima de que "brasileiro só fecha a porta depois que ela é arrombada"... O que quero dizer, é que se o Serviço de Inteligência das Polícias - Militar e Civil - sabem onde as "cobras dormem", por que esperar a morte de um colega para agir desesperadamente? Em suma, não estou dizendo que sempre há vingança, olho por olho, dente por dente, entretanto, quando as ações são motivadas pela emoção e pela dor, estas por sua vez são desenfreadas, e no calor da dor de perder um colega, põe em risco a vida dos policiais e da própria população. Se houvesse um maior investimento na PREVENÇÃO da Violência, certamente sairíamos desta "Faixa de Gaza" e estado de sítio em que vivemos. Enquanto isso, o Poder Público em todo o País está preocupado em investir no aparelho policial para combater e prevenir a violência, investindo em viaturas, armamento e efetivo, tudo isso MUITO BARATO e IGUALMENTE INEFICAZ, um mero paliativo, se comparado com a verdadeira solução: Políticas Públicas Sociais. (mais…)