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Internet

Não é de hoje que se fala que a internet favoreceu o acesso à informação e, ao mesmo tempo, precipitou uma enxurrada de produção duvidosa de conteúdo, que muitas vezes se massifica quase irreversivelmente, gerando ondas de desconhecimento. É o que parece estar ocorrendo em torno do super badalado vídeo da reação de um policial militar do estado de São Paulo contra um assaltante de moto - muitas vezes como forma de encontrar um encaixe entre a realidade e nossos próprios preconceitos. Primeiro, milhares de pessoas divulgaram um post de um blog com intenções humorísticas(?) que tinha a seguinte manchete: O tal texto se referia à Ministra da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, e dizia que, entre outras coisas, ela tinha declarado que "O pior não é nem o ato em si, a violência gratuita praticada pelo policial. O que é mais chocante é a reação das pessoas, habituadas à cultura da violência, acabam reproduzindo o discurso elitista, reacionário, neo-liberal e fascista de que bandido bom é bandido morto". Tudo mentira, que muita gente compartilhou como verdade, adicionando comentários de revolta contra esse tal "Direitos Humanos". A Ministra, e sua assessoria, esclareceram a difamação: A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) informa que a ministra Maria do Rosário solicitou à Polícia Federal criteriosa investigação e responsabilização dos autores da notícia mentirosa publicada no blog http://joselitomuller.wordpress.com/ e amplamente repercutida na internet desde ontem (15). Da mesma forma, estamos solicitando à empresa que hospeda o site que retire o conteúdo difamatório do ar. Ao atribuir falsas declarações à ministra, o blog comete um ato criminoso e fere princípios éticos fundamentais. “Sou defensora plena da liberdade de expressão, mas a manipulação é inadmissível”. O blog inventou declarações da ministra sobre o caso de um assaltante que foi baleado por um policial. “No caso específico, minha opinião é clara: o policial agiu dentro da lei”, disse a ministra. A ministra alertou ainda que a internet tem, na maioria das vezes, se tornado uma aliada essencial para democratização da informação. No entanto, não pode converter-se em um território de espionagem nem tampouco de difusão de informações que violem os direitos das pessoas. Brasília/DF, 16 de outubro de 2013. O outro "boom" de desinformação está se dando, também em relação ao vídeo da motocicleta, por causa de uma declaração prestada por um Deputado Estadual e major da PMESP, afirmando que o policial que agira no assalto ao motociclista tinha sido "punido", quando, na verdade, o policial foi encaminhado para uma avaliação de ingresso no Programa de Acompanhamento e Apoio ao Policial Militar (PAAPM), criado para cuidar psicologicamente de policiais que se envolvem em ocorrências traumáticas (principalmente aquelas com efeito morte). Para quem não conhece uma coisa chamada transtorno do estresse pós-traumático, favor acessar esse link. Após a avaliação, a PMESP entendeu que não seria necessária a participação do policial no Programa: A Polícia Militar esclarece que a ocorrência policial registrada em vídeo e amplamente divulgada, envolvendo um capitão, não está relacionada nos casos que determinem avaliação psicológica para inclusão no Programa de Acompanhamento e Apoio ao Policial Militar (PAAPM). Assim sendo, ele não será afastado de suas atividades funcionais, não frequentará o referido programa, nada mudará em sua rotina diária. O Comando da Instituição reforça o posicionamento de que as imagens mostram uma ação legítima, praticada segundo o procedimento operacional padrão. A postura do oficial, em seu horário de folga, pondo em risco a própria vida, demonstra profissionalismo e devoção à causa pública. O pior é que, como disse a professora Silvia Ramos (CESeC-RJ), vi (e estou vendo) muita gente "séria" e "esperta" compartilhando as "notícias" como se tivessem paralelo com a realidade. Infelizmente, a reparação da difamação nunca é proporcional ao agravo. Mas sigamos, pois antes viver com a liberdade correndo o risco de acidentes do que não ter liberdade, não é mesmo?
Atualmente não é absurdo dizer que a Polícia Militar da Bahia é uma das mais "conectadas" do Brasil: institucionalmente, através dos veículos de informação corporativos online, e informalmente, pela presença da tropa na internet, principalmente nas redes sociais, discutindo assuntos relativos a seu ofício. É difícil que um fato envolvendo a corporação não se desdobre em debate público na rede. O próprio Comando da PMBA vem se apropriando de todas as ferramentas possíveis para manifestar esclarecimentos e posicionamentos públicos: além do site corporativo e da Intranet, a corporação conta com um blog institucional, a Página Oficial do Facebook, atualmente com mais de 27 mil curtidores, e um perfil no Twitter, com mais de 4 mil seguidores. Mais: o próprio Comandante Geral conta com um perfil no Facebook, onde posta mensagens e saudações à tropa, além de receber feedback dos amigos e seguidores (segundo o próprio Comandante Geral vem dizendo publicamente, já chegou a conceder transferências solicitadas através da rede social). As associações e líderes classistas não são menos conectados. A Associação dos Oficiais da PMBA, por exemplo, conta com site corporativo e página no Facebook, e seus dirigentes, como o TC PM Edmilson Tavares e o Maj PM Hilberto Rêgo, são bastante engajados nas redes sociais. Já a ASPRA, associação de praças que tem dominado o espaço político entre a tropa, até comemorou 100.000 acessos em três meses em seu site institucional e 10 mil compartilhamentos em sua fanpage. Os políticos da categoria, naturalmente, se utilizam bastante das novas mídias para promover suas ações/opinões: o Deputado Estadual Capitão Tadeu, com seu site e seu perfil no Facebook, o Vereador Soldado Prisco, com seu blog e perfil no Facebook, além de outros vereadores e lideranças que fazem parte do cenário político da corporação. É claro: há muitos grupos, perfis, páginas e veículos descentralizados, que não são mantidos com fins institucionais - seja para a própria PMBA, seja para uma associação, seja para um mandato político. Iniciativas de policiais militares que resolvem discutir a Polícia Militar e a Segurança Pública por se sentirem provocados com o tema. Este blog, com mais de 10 mil visitas diárias, embora discuta principalmente temas de interesse nacional, faz parte desta "blogosfera policial baiana" independente. É importantíssima toda esta multiplicidade de iniciativas, com interesses, opiniões e alcance diferentes. No passado recente da corporação, ainda era difícil que os policiais militares se afirmassem com a expressão dos seus pensamentos. Felizmente hoje há (muitas!) iniciativas e possibilidades institucionais e informais de comunicação. Que esta evolução alcance - e ajude a alcançar - outras áreas.
Discutir Segurança Pública sem cair no desespero e sensacionalismo que a mídia e o senso comum costumam adotar é algo raro e destacável. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública, uma organização não-governamental que reúne lideranças e profissionais reconhecidos das organizações policiais, secretarias de segurança pública, centros de pesquisa e organizações não-governamentais de todo o país, vem se firmando, cada vez mais, como uma das principais organizações responsáveis por gerar debates sérios e responsáveis sobre o tema. A internet tem sido um dos meios para favorecer essa discussão, e para isso o Fórum acaba de lançar um novo site, com novos recursos, interface e muita interatividade: Nos últimos anos, o FBSP cresceu como instituição, ganhando cada vez mais repercussão em todo o país. Era preciso que o site refletisse sua nova dimensão, reservando um espaço maior à parte institucional, assim como à divulgação séria e consistente de assuntos relevantes da segurança pública. Manteve-se a parte colaborativa, essencial para incentivar o debate entre diferentes vozes da segurança no Brasil. Modernizaram-se as ferramentas para atrair usuários, que poderão, de forma mais prática e ágil, votar em outros textos, postar comentários e artigos, indicar links e divulgar eventos. Para facilitar seu reconhecimento pelo usuário, a parte colaborativa passa a se localizar dentro de um boxe à esquerda da home, sob o ícone "Colabore". Teremos, ainda, uma novíssima área intitulada "Notícias". Além do tradicional espaço para assuntos ligados ao Fórum e o clipping nacional, teremos as seguintes seções: Entrevista do Mês – Neste coluna, a equipe do Fórum convida especialistas na área da segurança para uma conversa franca sobre suas carreiras e assuntos quentes da atualidade. Na estreia, entrevistamos Jésus Trindade Barreto Junior, delegado-geral da polícia de MG e atual presidente do Fórum. Giro pelo Mundo – Um panorama do que acontece de mais relevante em segurança no Brasil e no mundo. Pergunte a um Associado – O Fórum é composto por 69 associados, todos experts em segurança pública. Nesta seção, eles respondem a dúvidas sobre temas nos quais são especialistas. Aqui, os usuários são convidados a enviar quantas perguntas quiserem. Dessa forma, divulga-se a expertise dos integrantes do Fórum de maneira envolvente e informativa. Veja a lista de associados, dentre os quais este blogueiro que vos escreve, e interaja com eles. Assine o feed do site,  siga o Fórum no twitter. Explore as novas possibilidades que o novo site oferece, bem de acordo com a proposta do FBSP. Finalmente, parabéns à equipe responsável pela reformulação do site, que soube adequar as várias vertentes que o Fórum pretende incluir num único espaço virtual. Em breve, trarei mais novidades publicadas no site do Fórum. Aguardem...
A parcela da população brasileira que já utilizou a internet ainda é minoria. De acordo com pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI), 39% da população brasileira afirma já ter navegado na WEB pelo menos uma vez na vida. Pode parecer pouco, mas isso representa aproxidamente 74 milhões de pessoas, para um país que não realizou qualquer política pública profunda voltada à democratização da internet, tornando os brasileiros praticamente autodidatas virtuais. Para o objetivo deste texto, é importante ressaltar um outro indicador: 89% da população brasileira que possui ensino superior já acessaram a internet, também de acordo com o CGI, sendo que 76% deles o fazem diariamente. Isso significa que a maioria esmagadora dos formadores de opinião brasileiros estão conectados à rede, sendo indispensável para qualquer um que se disponha a dialogar com esse público usar a rede para isso. Este é um ponto pacífico entre os profissonais de publicidade e propaganda e especialistas em comunicaçao social e relações públicas. E as polícias brasileiras? Como estão utilizando a internet para se comunicar com a sociedade? Como estão se divulgando na WEB? Tomando algumas polícias estrangeiras como exemplo, percebemos o quanto há de defasagem no exercício da comunicação on-line dos órgãos de segurança brasileiros. Nesse sentido, o Departamento de Polícia de Nova York (NYPD) é um bom modelo a ser seguido. O site possui tantos recursos agregados, que penso como seria difícil fazer um blog por lá, já que aqui no Brasil boa parte do conteúdo dos blogs policiais suprem muitas lacunas deixadas pelos sites de polícia. Além de estatísticas, divulgação de programas, como o Cash for Guns (no qual a polícia compra armas dos cidadãos), vídeos institucionais, homenagens a policiais, artigos relacionados à profissão, o site do NYPD traz dois espaços que considero brilhantes idéias. O primeiro, uma espécie de site de recrutamento, ou "NYPD Career Site", onde os aspirantes à profissão podem saber de tudo — tudo mesmo — sobre a polícia nova-iorquina. Eles disponibilizam para o candidato até mesmo um chat com policiais, para que o interessado tenha contato com um depoimento de quem vive a polícia em seu dia-a-dia. Testes vocacionais, dicas para o concursos e vídeos mostrando o dia-a-dia da polícia são outros recursos encontrados (o que fez a Academia Internacional de Ciências e Artes Digitais selecionar o site para receber o Webby Awards, o oscar da internet mundial. Outra grande idéia é a loja virtual do NYPD, que vende produtos que divulgam a instituição. Canecas, casacos, bonés e até ursos de pelúcia, dentre muitos outros produtos, integram a galeria do site, que usa até mesmo serviço de links patrocinados. Ao mesmo tempo que o site gera recursos extra para a polícia, faz com que a instituição seja divulgada pelos cidadãos. Abaixo, imagens dos produtos vendidos em www.nypd.com: A Polícia de Nova York não é a única a ter um espaço virtual exclusivo para divulgar a carreira policial: o Departamento de Polícia de Los Angeles fez o mesmo, lançando até um Programa para isso, o "Police Oficcer Recruitment Incentive Program" (PORIP), que paga até $1000,00 para quem indicar um candidato apto para o serviço policial. Claro que o responsável pela indicação só recebe o dinheiro após o candidato passar por TODOS os critérios de recrutamento — que não devem ser tão simples assim. Aqui no Brasil considero o site da Polícia Militar de Goiás o melhor de todos, apesar de estar distante do que se vê nos exemplos citados. Para quem ainda não sabe, a PMGO possui o primeiro blog institucional de polícia da América Latina, bem como o primeiro blog comandado por um Comandante Geral, o Coronel Antonio. Acredito que a defasagem no uso da internet pelas polícias é um reflexo da atitude hermética que ainda temos enquanto organização pública. Nossas práticas como servidores da sociedade, nossos métodos, o tipo de formação que ministramos a nossos recrutas podem até estar disponíveis, mas ainda não são acessíveis. Isso faz com que os estereótipos se mantenham, as distâncias se acentuem e os medos mútuos (do cidadão em relação ao policial e do policial em relação ao cidadão) se potencializem. Os exemplos estrangeiros, adequados à realidade brasileira, deveriam ser considerados pelos setores de comunicação social de nossas polícias. PS1: Post feito via indicação do Tenente Alden.