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Josmar Jozino

"Tudo isso não passa de ficção. Em São Paulo não existe crime organizado": essas foram as palavras do secretário estadual da Administração Penitenciária paulista, à época da "publicação" do que seria o "estatuto do PCC", por volta de 1993, momento em que a imprensa já divulgava as ações do chamado "partido do crime", quando já atuava criando uma rede de influência entre os detentos de várias cadeias brasileiras. As ações criminosas que surgiram posteriormente, com autoria atribuída ao Primeiro Comando da Capital – rebeliões, atentados, homicídios, etc. – mostraram que há, sim, crime organizado não apenas em São Paulo, mas com tal forma e capilaridade que poder-se-ia dizer que ele existe em várias partes do Brasil. Esses fatos são trazidos pelo jornalista Josmar Jozino, no livro "Cobras e Lagartos", um histórico das ações do PCC através de fontes participantes ou próximas da facção. Com uma série de narrativas tratando de quando o repórter "Caveirinha", apelido de Jozino, recebia e divulgava informações sobre o PCC, de 1993 a 2005, ano em que foi publicado, Cobras e Lagartos expõe as estratégias utilizadas pela organização criminosa para se expandir e realizar atos ilícitos: - Estabelecimento de uma rede de contatos exterior aos presídios, principalmente através das mulheres dos detentos, que chegavam a operar centrais telefônicas fora das penitenciárias; - A utilização do caráter sindical para os membros do "partido". Ou seja, todos que desejem se proteger e gozar da estrutura oferecida pelo PCC devem pagar – estejam soltos ou presos; - O PCC forjou alguns princípios para parecer uma organização legítima, utilizando-se deles para cooptar membros, e convencer as esposas dos presos a agirem em seu favor. "Liberdade, justiça e paz" é o lema apregoado pela organização; - Finalmente, como não pode deixar de ser, a corrupção dos agentes do Estado. Sem a contribuição desses agentes o crime organizado não existe. Toda estrutura ilegal paraestatal fundamenta-se nesta premissa. Atualmente, é certo que nenhuma autoridade se aventurará a afirmar a inexistência do "crime organizado". Ou seja, não se pode ignorar a atuação planejada, o emprego de recursos sofisticados e a existência de uma distribuição funcional e hierárquica (os "cobras", ou chefes, e os "lagartos", os comandados) nas ações criminosas de hoje – principalmente as que envolvem o tráfico de drogas, onde o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho são sabidamente atuantes. Não obstante, é preciso não superdimensionar estas organizações, já que algumas ações atribuídas ao PCC, por exemplo, foram negadas pelos "chefes" da organização, como mostra Josmar Jozino. Além disso, sabe-se que participar dum grupo organizado e que, pelo menos midiaticamente, possui certo vulto na sociedade, mesmo que criminosamente, é algo que gera certo status ao jovem pobre das periferias, que muitas vezes fazem apologia a essas siglas (PCC, CV...) sem ter a exata noção do que se trata. Para se iniciar no estudo do crime organizado, sugiro a leitura da obra, indispensável principalmente a quem se interessar a entender o modus operandi do PCC.