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Metas

Existem muitos discursos defendendo quais devem ser as prioridades das polícias. Uns tratam as organizações policiais como meio para se alcançar determinado objetivo, outros entendem a polícia como um fim, um monumento a ser cultivado e perpetuado como se tivesse vida própria e autônoma. Esses últimos são adeptos do bordão “as pessoas passam, mas a instituição fica”, como se as polícias não fossem entidades criadas e mantidas apenas por pessoas, passando por transições constantes — a depender dos problemas a se enfrentar e das intenções de seus participantes. Há quem trate as polícias como meras ferramentas para obtenção de vantagens pessoais; trata-se daquele policial que tem como máximo de esforço o cansativo trabalho de receber seus honorários no banco mensalmente. “Só estou na polícia por causa do dinheiro”, ele diz (para espanto do leitor que sabe dos indignos salários das polícias brasileiras). Polícia Civil do Paraná em treinamento: qual a direção dos esforços das polícias? - Foto: Site da PCPR Outra frase comum, e que também é um símbolo do direcionamento de esforços por parte do policial, é a que afirma que “o comandante é o homem mais sábio do mundo”, num exagero que passa a canalizar a atuação dos policiais às vontades do seu superior, incondicionalmente. Esse é um posicionamento que pode levar à subserviência, onde erros são ignorados, a depender de quem erra — problema peculiar entre as organizações com rígida hierarquia, como as polícias militares brasileiras. Ao mesmo tempo, a obediência cega é um meio vulgar de se tentar alcançar privilégios, em que se cria a tradicional figura do lacaio servindo aos devaneios do amo. Recapitulando, essas foram as três idéias, no meu ver equivocadas, que comentei aqui, todas elas representando direcionamento de esforços nas polícias: 1 - “As pessoas passam e a instituição fica”; 2- “Só estou na polícia por causa do dinheiro”; 3 - “O comandante é o homem mais sábio do mundo”. Não defendo o desapego às corporações policiais, ao contrário: devemos fazer com que elas se adequem ao ambiente em que estão inseridas, sob pena de morrerem caducas. Tampouco quero dizer que os policiais não devem ser recompensados pelo complexo serviço que prestam, já que todos concordamos com a defasagem salarial da categoria. Por fim, não prego a indisciplina nem a insubordinação, mas o relacionamento profissional onde todos possam se posicionar crítica e abertamente. O foco das polícias, e dos policiais, individualmente, deve ser a excelência do serviço prestado à sociedade, de modo que as corporações se adequem e não “resistam” a ela. Os policiais devem ser motivados para que atuem bem em seu mister, e os comandantes (dentre eles os chefes do Poder Executivo), estarão corretos somente se estiverem despendendo seus esforços para servir nosso cliente: o cidadão.