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Minissérie

O plano de fundo é conhecido e previsível: dois personagens que se encontram no início da trama acabam traçando trajetórias avessas uma à outra, e assim que cada um alcançar o ápice de suas escaladas se encontrarão e entrarão em confronto. Basicamente, "A Lei e o Crime", exibido na última segunda (05/01) na Rede Record, gira em torno desse contexto. Nando (Angelo Paes Leme) – que foi mal treinado para interpretar um ex-paraquedista do Exército – perdeu o emprego, matou o sogro e foi se esconder do cunhado policial no morro, onde acabou se tornando o "dono da boca". Catarina (Francisca Queiroz), uma dondoca rica, formada em Direito, que resolve se tornar delegada de polícia após ter o pai morto. Por quem? Por Nando. Numa entrevista dada no enterro de seu pai ela desabafa dizendo que vai agir para mudar a situação da violência no país. O repórter, depois dos lamentos da moça, pergunta o que ela pretendia fazer – numa cena um tanto patética, como se estivesse entrevistando o Superman, ou, no mínimo, o Presidente da República -, e ela diz que não sabe, mas que vai fazer. Acaba se tornando delegada, apesar da linhagem nobre de sua família. Alguns erros e peculiaridades demonstram certa falta de cuidado na elaboração da minissérie: - Catarina aparece no stand de tiro da Polícia Civil (?) atirando, mas quando pára de atirar ela tira o abafador de ruídos, enquanto os demais atiradores continuam disparando – o que faz parecer que apenas os tiros dela produzem ruído; - Angelo Paes Leme está mal preparado, é um Capitão Nascimento piorado – talvez os autores não tiveram assessores com a noção do preparo dum Cabo PQD do Exército. Até no modo de segurar o fuzil ele erra; - O confronto entre os traficantes tem a mesma irrealidade de muitos filmes americanos mal preparados – mas A Lei e o Crime perde por não conseguir passar muita emoção ao espectador. Como sempre, o efeito e a capacidade real dos armamentos são ignorados; - Catarina, que se diz formada em Direito, diz num dado momento que está sendo acusada de "crime de morte", o que provavelmente deve querer dizer "homicídio"; - Quando Nando vai matar o traficante rival na favela, é inevitável o paralelo entre aquela cena e o final de Tropa de Elite, onde ficou célebre a frase: "na cara não, chefe, pra não estragar o velório". O primeiro episódio não mostrou muita coisa relacionada ao dia-a-dia policial, à essência da profissão, por assim dizer. Ainda fica a expectativa de ver abordada uma problemática típica das polícias civis brasileiras: uma delegada sem formação policial, nem qualquer experiência na área, assumindo uma delegacia com vícios, problemas e poucas soluções. Não me parece que A Lei e o Crime tem muito mais do que isso para oferecer nos próximos capítulos, a não ser os joguetes novelescos comuns. Mas vou assistir pelo menos o próximo episódio para confirmar, ou não, a suspeita.