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Polícia Comunitária

  Seria muito bom se a ação da polícia pudesse eliminar todos os danos causados por um ato criminoso. Como isso não é possível, cabe ao policial ter o máximo de sensibilidade e dedicação àqueles que foram lesados em seus direitos. Nesta semana, policiais militares baianos, do município de Paulo Afonso, tiveram uma bela iniciativa por entender justamente a dor de uma garota de 14 anos que foi roubada. Com o desespero da jovem que perdeu seu tablet, os PMs resolveram surpreendê-la doando um novo. Entenda melhor os detalhes, publicados na página do Facebook da PMBA: Quando uma equipe do Grupamento Tático Móvel do 20º Batalhão de Polícia Militar (Paulo Afonso) foi chamada para constatar uma ocorrência de roubo na Sexta-feira Santa (3), no bairro Tancredo Neves II, não imaginava que a vítima seria uma adolescente de 14 anos, com problemas cardíacos. A jovem estava muito nervosa devido ao roubo de um tablet usado para estudo e lazer. Sensibilizado com a situação, um grupo de policiais militares deu de presente à vítima um novo equipamento. “Os policiais fizeram buscas na região, com o objetivo de capturar o assaltante, mas não obteve êxito. Como a garota estava emocionalmente abalada, não conseguiu passar informações do criminoso (altura, cor da pele, porte físico, vestimentas, entre outras) com clareza”, explicou o comandante do 20º BPM, tenente-coronel Bruno Lopes Sturaro. De acordo com ele, “as equipes ostensivas estão em alerta” e “o pessoal da inteligência se encontra atento para a possibilidade do tablet ser vendido no mercado negro”. O comandante também parabenizou a atitude da equipe, ressaltando que “essas ações aproximam a polícia da comunidade e ampliam a credibilidade da instituição”. Algumas pessoas até brincaram perguntando se, no caso de um roubo de carro, haveria policiais para doar um novo. O certo é que, caso tivessem condições financeiras para isso (como alguns figurões brasileiros), boa parte dos policiais que se sensibilizassem com situações parecidas fariam questão de ajudar a qualquer vítima. Algo maior - a vida - a tropa já coloca em risco.
Outro dia, ouvi de um colega policial uma reclamação curiosa, onde ele expressava certo sentimento de injustiça com o tratamento dado pela imprensa ao linchamento de um suspeito de roubo. Para ele, a mídia não condenava quando a população agredia o suspeito, mas, caso fosse um policial, "o linchamento seria sobre a ação dos policiais". Também já ouvi policiais dizerem que "todo mundo condena o policial quando recebe propina para liberar um motorista no trânsito, mas essas mesmas pessoas tentam corromper policiais quando são pegos em condição ilegal". Essas reclamações expressam uma confusão que muitas vezes nós, policiais,fazemos: entre nossa condição profissional e nossas concepções pessoais. Qualquer pessoa tende a se identificar com seus semelhantes e se voltar contra os diferentes. É sob essa regra que geralmente o senso comum tende a julgar o que a polícia faz, considerando justa ou injusta a ação policial. Por isso, ouvimos expressões como "vagabundo merece morrer" - quando o "vagabundo" é alguém que não conhecemos e se encaixa nos padrões que estabelecemos para nós mesmos como não "íntegros". Da mesma forma, as pessoas dizem que "aquele jovem (vizinho ou parente) que atropelou um mendigo, sem querer, estava apenas se divertindo, por isso acho que não deveria ser punido". Geralmente, quando a polícia incorpora os anseios vigentes na população, duas coisas costumam acontecer: ou se torna abusivamente repressiva ou age com leniência e excessiva flexibilidade. Isto porque, ao assumir os clamores do senso comum, o policial abdica de sua condição profissional, justamente o que o diferencia do popular, tornando-o um servidor especializado. É claro que nesta discussão "população" não quer dizer "sociedade", o grupo de pessoas organizado por leis com legitimidade política e representativa. "População" é o senso comum, que se deixa levar por movimentos emotivos e instintivos. Quanto menos profissional é uma polícia, quanto menos ciente de suas atribuições legais e institucionais, mais ela tenderá aos limites do abuso ou da omissão, ou seja, mais vai reproduzir o que o senso comum estabelece como adequado. Quando um policial se compara com um popular, quando reivindica o mesmo tratamento e cobrança, ele está rejeitando justamente o que deve alegar para ser valorizado: sua condição profissional, técnica. No final das contas fará o que as pessoas fazem em situações impensadas - tentarão dar um jeito de se livrar de um problema da maneira aparentemente mais simples possível, gerando efeitos perversos.
Há entre alguns policiais, em todos os escalões hierárquicos, certo entendimento de que os problemas sociais de responsabilidade da polícia são tal qual uma receita de bolo, que exige apenas três ingredientes para serem solucionados: viatura, arma e colete. Para estes arautos, não há outro insumo que garanta eficácia ou eficiência às atividades policiais - basta colocar o policial na rua munido destes três itens e então a polícia terá feito o que lhe compete, eis tudo. Policiais que somos, devemos desconfiar sempre do que se vê, de modo que defesas deste tipo, embora ao primeiro golpe de vista nos pareçam ingênuas e pouco refletidas, são, ao contrário, maldosas e convenientemente "preguiçosas". Ora, se apenas "viatura, arma e colete" como "política" de segurança pública vem sendo um desastre em termos empíricos pelo Brasil afora, é de se estranhar que continuemos insistindo na exclusividade deste paradigma. Não se quer aqui afirmar que todo policiamento deve ser feito a pé, ou que os policiais devam andar desarmados e sem coletes a prova de bala: este seria o argumento pouco criativo dos opositores ao que apontamos neste texto. Trata-se de ampliar as possibilidades de atuação, ou melhor, de praticar o que deveria ser fundamento e é tratado como acessório, fazendo com que o secundário assuma seu justo lugar. Antes da viatura, do colete e do armamento, três pontos devem ser sustentados por qualquer lógica de atuação policial: (mais…)
A Polícia Metropolitana de Londres (Metropolitan Police) encontrou uma alternativa peculiar para ajudar a resolver duas demandas que costumam acometer as polícias brasileiras, a falta de efetivo e a ausência de interação entre a polícia e as comunidades em que atuam. Os ingleses criaram os Special Constables, policiais voluntários que trabalham 16 horas por mês sempre acompanhados por um policial de carreira, atuando em patrulhas a pé, gerenciando o trânsito, e prestando socorro e auxílio aos demais cidadãos. Sim, os policiais voluntários usam farda, e são treinados durante 23 dias para fazer trabalho semelhante ao dos policiais convencionais (desaramados, como boa parte dos policiais ingleses). Abaixo, treinamento de busca pessoal ministrado a uma voluntária: httpv://www.youtube.com/watch?v=7iJjkPrjJ0E No site da Metropolitan Police, os argumentos utilizados para angariar adeptos ao trabalho voluntário são mais ou menos os seguintes: Treinando para ser um policial voluntário da Polícia Metropolitana de Londres, você terá as habilidades e competências necessárias para colaborar com nossa cidade, passando a ter um papel de relevância na sociedade. Os policiais voluntários – que sempre são empregados com policiais de carreira - vestem os mesmos uniformes que estes, têm os mesmos poderes e responsabilidades, participa de várias modalidades de policiamento em Londres (patrulha a pé, segurança em eventos etc), e podem ter qualquer profissão ou estilo de vida e atuam apenas 16 horas por mês. O curso de formação dura 23 dias, onde o voluntário terá noções de legislação, procedimentos e segurança policiais, relacionamento interpessoal e técnicas salva-vidas. Estes policiais não recebem qualquer remuneração pelo trabalho nas 16 horas mensais, e geralmente são empregados em áreas onde possuem algum vínculo comunitário - é uma forma da polícia londrina incluir pessoas que conhecem dos problemas de segurança local em seus quadros. A pergunta que sempre surge é se o Brasil comportaria uma medida semelhante. Por um lado, temos cidadãos que realmente se adequam ao perfil de um policial voluntário, que realizariam o serviço por honra e admiração à profissão policial. Por outro, há uma série de aproveitadores que já tentam se utilizar dos serviços policiais para garantir perversões criminosas. Também há que se considerar que mesmo no quadro das nossas polícias existem esses dois modelos de profissionais. Talvez esta seja uma discussão para o futuro: às vezes é preciso cuidar do quintal para só então receber visitas.
Para quem assimilou somente um traço repressivo da "defesa da ordem" em passado recente no Brasil, os valores da cidadania e dos direitos humanos podem parecer distantes da polícia, até mesmo antagônicos. Mas ocorreu uma rápida e perceptível mudança da realidade social e política no país de jovem democracia, assim como evoluíram na mesma velocidade os órgãos policiais que constituem parcela inseparável de sua sociedade. Apesar disso, por um inexplicável interesse em focar o passado e não mirar o futuro, muitos dos "novos-velhos" cidadãos não despertaram para o alvorecer da cortejada Constituição Cidadã que trouxe direitos e garantias individuais para todos, indistintamente. No longo caminho de uma cidadania plena, diante das dimensões de exercício de direitos civis, políticos e sociais, também os policiais militares enfrentaram tempos difíceis: a maior parte do efetivo (todos os cabos e soldados) não podia votar até 1988 de acordo com a Constituição anterior, de 1967 (artigo 142). Passados os episódios do período de transição e a queda (implosão) "do muro" do famoso presídio da Zona Norte de São Paulo, ocorreram rápidas transformações dentro e fora dos intactos e centenários quartéis. A aproximação da Polícia com a Comunidade, marca da filosofia e também da estratégia operacional da Polícia Militar a partir da década de 1990, trouxe uma nova perspectiva que frutifica no século XXI, coroada por uma bem-vinda redução da criminalidade nos espaços em que se estabeleceu. (mais…)
"O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio depende das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo" - (Bertolt Brecht) Você pode achar que o tema não tem nada a ver com Segurança Pública, mas a sua opinião mudará ao longo do texto. Muitos desconhecem a importância do Grêmio Estudantil na formação do cidadão, ignorando que a escola é um meio de formar eleitores conscientes. Antes de prosseguir é de extrema importância abordar a questão da família. É nela que acontecem as primeiras experiências sociais e são vivenciados valores que influenciarão as futuras relações estabelecidas entre o indivíduo e a sociedade. É uma forma de "I treinamento" para que o indivíduo tenha noção de como a sociedade funciona, sendo a escola o "II treinamento". É na família que o indivíduo, cidadão em formação, tem, ou deveria ter o primeiro contato com regras de convivência. Com minha mãe aprendi a respeitar aos demais, aprendi que há horários e prazos a serem cumpridos, tarefas a serem executadas, aprendi a lidar com perdas, com vitórias, com as limitações no orçamento que impedem que você tenha tudo o que quer. Aprendi a compartilhar os meus brinquedos, lá em casa era um velotrol para três, depois, uma bicicleta para três. Em casa você tem (ou deveria ter) pessoas que te amam e que buscam compreender os seus erros, que são tolerantes até que você aprenda o correto. No "II treinamento" as coisas começam a estreitar. A escola é uma mini-cidade. Na escola você tem que conviver com um número maior de pessoas. Nesse meio é preciso ser cultivado valores como a amizade, tolerância, solidariedade respeito e cooperação. (mais…)