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Policiamento Ciclístico

A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro resolveu enfatizar o policiamento ciclístico, uma forma alternativa de policiamento ainda pouco utilizado no Brasil. Leia: "Em defesa do Policiamento Ciclístico" De acordo com a Agência Brasil, "o Rio de Janeiro vai ganhar mais 500 bicicletas para o patrulhamento da Polícia Militar (PM). O anúncio foi feito pelo chefe de Planejamento da PM, major Alexandre Leite, que participou hoje (27) da audiência pública na Comissão de Segurança Pública e Assuntos de Polícia da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), que discutiu a violência contra ciclistas. O debate ocorre um dia depois da Alerj aprovar, em primeira votação, o projeto de lei que cria a tipificação do crime de roubo de bicicleta". De acordo com o major, o policiamento com o uso de bicicleta é feito desde 2012. “Temos algumas turmas já formadas, alguns policiais já estão em atuação, principalmente no Batalhão de Turismo, e há um projeto de ampliação desse trabalho com a aquisição de mais 500 bicicletas. As áreas serão definidas pelo planejamento estratégico da PM”. De acordo com a Polícia Militar, o ciclopatrulhamento é empregado para “reforçar pontos com grande movimento de pedestres”, como as orlas de Copacabana, Leblon e Ipanema, o Aterro do Flamengo, o entorno do Cristo Redentor, a Lagoa Rodrigo de Freitas e o centro da cidade. Via Agência Brasil
De maneira geral, as polícias brasileiras e as mídias dão peculiar atenção às ações e à estética das unidades policiais responsáveis por realizar ações repressivas - aquelas que resultam em prisão e/ou apreensão. Obviamente, operações de repressão a práticas criminosas, quando realizadas de maneira qualificada e legal, merecem elogio e suporte positivo, entretanto, não deveriam anular o fortalecimento, a afirmação e a prioridade das ações preventivas, que constituem a razão de ser da atividade policial. Considerando essa falta, destacamos aqui quatro tipos de atuação policial que merecem atenção midiática e investimento por parte das polícias, pois possuem significativo potencial de fomentar a interação produtiva entre policiais e demais cidadãos. Ao garantir espaço prioritário a essas ações é possível posicionar os policiais muito além da condição de quem nega comportamentos, mas de quem orienta, compartilha e incentiva práticas: Policiamento Ambiental Realizar policiamento ambiental é orientar a atuação policial para o respeito à vida de maneira ampla. Unidades de policiamento ambiental, além de coibirem ações criminosas contra o meio ambiente, também podem se relacionar com a comunidade realizando educação ambiental e ações lúdicas/interativas tendo como foco o respeito à vida. Todos os ingredientes necessários para fortalecer a condição do policial como liderança comunitária. Policiamento Ciclístico São vários os motivos pelos quais o Policiamento Ciclístico é muito interessante para a atuação preventiva das polícias (clique aqui e leia nosso post sobre o assunto). Dois pontos a se destacar: 1. "A tendência é que policiais em bicicletas interajam mais com a população, que terá mais facilidade de reconhecer o policial que faz policiamento naquela região, bem como poderá solicitá-lo com muito mais facilidade do que em uma viatura motorizada. Em unidades policiais que se interessem por aproximação e relacionamento profícuo entre a comunidade e o policial, bicicletas são muito vantajosas"; 2. "Policiais de bicicleta nas ruas incentivam também o próprio uso da bicicleta como meio de transporte e a criação de uma unidade especializada, colocaria em relevo a própria discussão acerca da mobilidade urbana: as ruas tomadas por policiais de bicicleta poderia ser o início de uma conscientização quanto ao uso exagerado do automóvel, forçando a infra-estrutura municipal a se adaptar ao modelo de ciclovias. Policiamento ciclístico não é só segurança, é antes de tudo educação!" (comentário de Orlando Junior em nosso post). Núcleos Desportivos O esporte ensina algo que é muito útil para evitar a violência: estar em pólos opostos, discordar e disputar algo não significa ser inimigo ou ter que usar métodos violentos para alcançar a vitória. As atuações de núcleos desportivos fomentam o "Fair Play" no seio da comunidade e entre a comunidade e os policiais. Quem não entende o que é Fair Play, assistam o vídeo a seguir, e considerem a instalação desse espírito nas relações polícia-comunidade: httpv://www.youtube.com/watch?v=BWhjjonVGkM Banda de Música Policial Outra forma de fazer policiamento preventivo é inserindo música entre policiais e a comunidade. As bandas de música, quando consideram a cultura local, têm um potencial enorme de engrandecimento da condição policial em determinada localidade. Já escrevemos sobre o tema aqui: "Qual seria o problema das bandas policiais formarem subgrupamentos que se dediquem ao rock, ao reggae, ao hip hop, ao samba, ao choro, axé music e outros gêneros que dialoguem de modo eficiente com a população local – principalmente com os jovens? É um desafio atualíssimo para as polícias brasileiras entenderem, se aproximarem e manterem laços e diálogos permanentes com as comunidades, principalmente as periféricas. A música pode ser um elemento diferenciador e facilitador desse desafio. Que as polícias do povo mais musical do mundo aproveitem nossa característica para fazer policiamento!" O leitor considera outras formas de atuação policial se encaixam nesses princípios?
Tradicionalmente, as polícias ostensivas brasileiras não possuem unidade ciclística formalmente estabelecida - uma companhia ou batalhão ciclístico, por exemplo. Diferentemente do policiamento montado, que possui unidades especializadas em provavelmente todas as polícias militares brasileiras, o policiamento ciclístico não guarda qualquer relação com a estrutura operacional do Exército Brasileiro, instituição da qual as PMs são forças auxiliares e ainda possuem muitas semelhanças estruturais (a designação "P1", "P2", "P3" etc é uma adaptação do "S1", "S2" e "S3" do Exército, por exemplo). Nos dias de hoje, entretanto, passou do tempo das polícias brasileiras atentarem para a criação de unidades de policiamento ciclístico, com estrutura organizacional, pessoal especializado e doutrina própria. Antes de falar de algumas vantagens do policiamento ciclístico, é bom frisar que nenhum vetor de policiamento se basta. A viatura "quatro rodas" possui sérias desvantagens em relação às motocicletas, por exemplo, que já não alcançam as características de uma aeronave, ao tempo que essa não consegue potencializar certos elementos conseguidos com o policiamento a pé. Desse modo, o que aqui discutimos é sobre um potencial muito pouco aproveitado pelas polícias brasileiras, que geralmente privilegiam as viaturas motorizadas. Entendam um pouco mais esse potencial: Capacidade de permanência e agilidade moderada O policiamento ciclístico é ideal para o patrulhamento de áreas de média extensão (raio de 2 a até 5 quilômetros). Para atender um chamado a dois quilômetros de distância, policiais em bicicletas chegam em menos de 10 minutos, um tempo razoavelmente adequado se considerarmos a realidade do trânsito em grandes cidades. Mas independentemente do tempo-resposta, as bicicletas possuem como grande vantagem seu potencial de permanência intensa em áreas específicas: um policial não poderá ir muito longe pedalando, e, por isso, a tendência é que lhe sejam designadas áreas com extensão reduzida. Até mesmo a fiscalização e supervisão do policiamento fica facilitada, nesse caso. Proximidade com a população Por essa capacidade de permanência, a tendência é que policiais em bicicletas interajam mais com a população, que terá mais facilidade de reconhecer o policial que faz policiamento naquela região, bem como poderá solicitá-lo com muito mais facilidade do que em uma viatura motorizada. Em unidades policiais que se interessem por aproximação e relacionamento profícuo entre a comunidade e o policial, bicicletas são muito vantajosas. Privilégio à saúde do policial Policiais que trabalham com policiamento ciclístico têm a oportunidade de realizar uma atividade saudável durante o serviço, já que a prática ciclística pode queimar mais calorias até mesmo do que a corrida e a natação. Uma boa oportunidade para o policial com sobrepeso. Veículo "limpo" Atualmente existe toda uma militância em torno do ciclismo, por se tratar de um meio de transporte relativamente ágil e não agressor do meio ambiente. Diferentemente dos veículos motorizados, a bicicleta não emite gases prejudiciais à atmosfera. Uma grande oportunidade para que as polícias assumam seus compromissos com meios de transporte sustentáveis. Ostensivamente significativo O policiamento a pé tem sua capacidade ostensiva bastante restrita no período noturno, além de sua limitação de mobilidade. Ambas restrições são superadas pelo policiamento ciclístico, que utiliza-se de luzes de alerta e é capaz de se movimentar com relativa flexibilidade. O policiamento ciclístico dificilmente não é percebido quando está sendo executado. *** Essas são algumas das grandes vantagens desse vetor de policiamento, hoje presente em algumas polícias e guardas municipais brasileiras, embora geralmente não "institucionalizadas", como dissemos, na forma de uma unidade especializada na modalidade. Com a presença de toda essa militância em favor de meios de transporte alternativos, tornar a bicicleta um dos veículos-padrão das polícias ostensivas brasileiras será uma grande oportunidade de ganhar eficiência, contribuir com a preservação do meio ambiente, com a melhoria da saúde dos policiais e se comunicar com a sociedade. Nada que já não seja feito em outros países - com muito sucesso.