Pesquisa no Rio estuda rejeição ao “Bandido Bom é Bandido Morto” 
Rio de Janeiro bate recorde de homicídios 
256 cidades do Estado de São Paulo não possuem Delegado 

Policiamento Comunitário

Muitos subestimam a complexidade da atividade policial. Consideram o policial como uma figura que aparece para intimidar potenciais autores de crimes, e, caso o crime seja flagrado, o policial se responsabiliza por transportar o infrator ao xadrez. Mas o policial deve ser considerado muito mais que um espantalho ou mero transportador de preso. Na prática, acabamos realizando trabalhos bem distantes até mesmo da formação técnica oferecida pelo Estado. Neste artigo vou descrever pelo menos 5 profissões que o policial acaba exercendo indiretamente durante o seu trabalho #1. Psicologia Muitas ocorrências são solucionadas com boas orientações e conselhos dos policiais. Outras tantas acabam bem porque o policial desconfia de uma mentira após analisar o gesto de um suspeito, por exemplo, e, após checar informações, encontra o autor de determinado delito. Seja o sujeito em depressão que pretendia suicidar ou o casal que discute em via pública. Muitos são os beneficiários dos "policiais-psicólogos". #2. Assistência Social O papel do Assistente Social é amparar pessoas que de alguma forma não têm total acesso à cidadania. Diariamente os policiais brasileiros lidam com inúmeras pessoas que se enquadram neste perfil. Ousaria dizer que nenhuma outra organização pública tem mais acesso a essa parcela da população que as polícias. Infelizmente, no Brasil, o Estado geralmente só se apresenta aos setores menos favorecidos da sociedade através da presença policial. Assistir essas populações da forma que é possível acaba sendo uma atividade da polícia. #3. Medicina Vejam esses policiais militares do Distrito Federal fazendo um parto em plena via pública: https://www.youtube.com/watch?v=em4RZLi9H3I Precisa dizer mais? #4. Pedagogia Como bem disse o Ex-secretário Nacional de Segurança Pública, Ricardo Balestreri, "Todo policial é um pedagogo da cidadania, à medida que todo policial interfere diretamente no inconsciente coletivo". Seja através do exemplo, seja como regulador dos direitos e deveres em determinada comunidade, o policial exerce grande influência pedagógica entre os cidadãos. #5. Administração Nenhuma polícia contrata administradores para gerir suas instituições - boa parte delas com dezenas de milhares de homens atuando em territórios maiores que vários países europeus. São os próprios policiais os responsáveis por administrar as corporações. Mesmo não sendo o Comandante Geral ou Delegado Chefe de uma polícia, é essencial conhecer de administração até em pequenos destacamentos e postos policiais. E mesmo sem conhecimento na área, aprender se torna uma obrigação para tornar mais eficiente o serviço. Concluindo... Considerar todas essas peculiaridades é importante não só para quem olha de fora a profissão policial, mas também para os próprios policiais que devem se preocupar com cada uma dessas áreas. Obviamente, nenhum policial deve se tornar um médico formado, um exímio psicólogo ou um assistente social de destaque. Mas entender os recursos básicos que cada uma dessas áreas tem a oferecer é muito importante.
No Brasil, falar de policiamento comunitário é ser entendido como leniente e pouco apto a agir repressivamente no trabalho policial. O senso comum, que desconsidera os elementos necessários para a atuação policial eficiente, não percebe a centralidade estratégica de ter policiais parceiros da comunidade. Ignoram que informação é o insumo básico de uma polícia competente, e que só há dois meios legais de obtê-la: através de ações de Inteligência e/ou da atuação policial aproximada, essa sim, a grande fonte de dados qualificados para que o policial possa prevenir o cometimento de ilícitos ou reprimi-los com qualidade e menor risco. Quando os policiais estão bem informados e situados em sua área de responsabilidade, têm maior capacidade de exercer seu ofício, e não agem apenas reativamente, sob a demanda do serviço de chamados, o famoso "190". "Falar de policiamento comunitário é falar de ações policiais inteligentes, eficientes e qualificadas" Se você é policial e não age somente quando a central de operações determina, provavelmente obteve informações qualificadas para prevenir ou reprimir ilícitos. Como se vê, falar de policiamento comunitário é falar de ações policiais inteligentes, eficientes e qualificadas. Neste artigo, vou sugerir 8 formas práticas de fazer Policiamento Comunitário, fazendo com que o policial, em vez de atuar desnorteado, tenha elementos concretos colhidos na própria comunidade para desenvolver melhor seu trabalho. #1. Pergunte como vai a segurança local Como já disse, informação é fundamental para policiar bem. Uma simples pergunta é o primeiro passo para um relacionamento profícuo com a comunidade. Nada custa ao policial, durante o serviço, parar a viatura e indagar sobre os problemas que o cidadão percebe em sua região. No início, pode haver alguma reserva ou estranhamento, mas a continuidade gerará confiança e informações cada vez mais preciosas para o policial. #2. Seja acessível Além de ter a iniciativa de ir ao encontro do cidadão, é importante que o policial esteja acessível. Rondar por horas seguidas na viatura sem se mostrar à comunidade é um desperdício de contatos produtivos. Um simples "bom dia" ou aceno já é uma demonstração de que o policial está aberto ao diálogo. Quanto mais se aprofunda o relacionamento, mais meios de disponibilidade podem existir (muitos policiais até trocam telefone com membros da comunidade para obter informações sobre a segurança local). #3. Identifique e reúna as lideranças Muitas lideranças comunitárias sequer percebem que têm esse papel. Comerciantes, organizadores de eventos, professores, agentes de saúde etc. O policial pode ter função fundamental para reconhecer essas lideranças e orientá-las a agir em prol da segurança da comunidade (mediando conflitos e indicando pontos vulneráveis na segurança). Além disso, o policial pode fazer com que essas lideranças se complementem em suas atuações comunitárias. Quando lideranças interagem a comunidade começa a encontrar força para realizar mudanças sociais. #4. Ensine algo à comunidade Quando o policial já está em contato com a comunidade essa sintonia pode ser aprofundada de diversas formas. Uma delas é se dispondo a ensinar algo à comunidade, lhe posicionando como uma referência de preocupação com o bem comum. O que ensinar? Dicas de segurança para quando os moradores forem viajar. Como evitar roubos em terminais bancários. Como os pais podem perceber que seus filhos estão sofrendo alguma violência. Se quiser, ensine conhecimentos mais particulares (artes marciais, música etc). #5. Aprenda algo com a comunidade Ao considerar a cultura e a forma de viver da comunidade você tem mais elementos para atuar com qualidade. Que tal organizar oficinas e minicursos ministrados por integrantes da própria comunidade? Esse pode ser um passo importante para entender as dinâmicas vigentes em sua área de atuação, conquistando confiança e legitimidade. "Atuando comunitariamente o policial garante acesso ao mapa da segurança pública em uma região. Quem rechaça esse conceito está à deriva" #6. Estabeleça pontes O policial é uma referência para solicitar medidas das diversas instâncias públicas e dos demais integrantes da comunidade. Alguns problemas básicos (como a troca da lâmpada de um poste, por exemplo) às vezes só depende da intervenção de alguém que possa falar pela comunidade. Caso o policial não se sinta à vontade para isso, ele pode provocar essas iniciativas através de outras lideranças. O importante é atuar como mediador visando a prevenção à violência. #7. Preserve os laços Todo o esforço para manter laços significativos com a comunidade será em vão caso o policial cometa ilegalidades, arbitrariedades e abusos. A retidão é pressuposto básico para obter um relacionamento profícuo (em qualquer contexto). Sem isso, não espere receber informações, ajuda e orientações de qualidade. #8. Pratique lealdade e imparcialidade No momento de aplicar a lei, não seja parcial. Isso pode minar a confiabilidade da comunidade em seu trabalho. Não precisa ter receio em ser rígido de acordo com o que está legalmente posto. Antes de tudo, o policial é um agente público, e não pode se arriscar com a parcialidade - que é sinônimo de desconfiança por parte de quem é prejudicado. Como disse Motesquieu: "A injustiça que se faz a um, é uma ameaça que se faz a todos". Concluindo... Percebam que estas práticas não custam nada para o policial ou para a Instituição. Mesmo que não haja apoio corporativo para agir conforme essas sugestões, é plenamente possível que o policial, individualmente, o faça. A vantagem é ter melhores informações para atuar, inclusive repressivamente. Atuando comunitariamente o policial garante acesso ao mapa da segurança pública em uma região. Quem rechaça esse conceito está à deriva.
O vídeo a seguir foi publicado pelo Ex-secretário Nacional de Segurança Pública, Ricardo Balestreri (mentor do PRONASCI, dos cursos EAD/SENASP e da Bolsa Formação), em seu perfil no Facebook. Sobre o vídeo ele comentou o seguinte: "Respeito e admiração não surgem por "geração espontânea". É preciso educar e estimular as pessoas a essa cultura de apoio à polícia. O modelo de intervenção policial tem tudo a ver com isso. Se é uma polícia "sequestrada" pelos governos, corporações e oligarquias, apartada e antagonista da população, reativa e com "ideologia de guerra", mesmo os cidadãos comuns vão desconfiar dela, ser-lhe indiferentes, às vezes mesmo odiá-la tanto quanto aos bandidos. Mas se for uma polícia preventiva e educativa (o que não a impede de ser tão enérgica quanto preciso nos momentos -coadjuvantes- em que a legítima repressão se faz necessária), uma polícia permanentemente presencial, "de proximidade", uma polícia que dialoga generosa e abertamente com os cidadãos honestos, a tendência, no mundo inteiro e também nos fragmentos experienciais desse tipo no Brasil, é o apoio popular à essa polícia. Isso não está apenas na teoria e nos livros. Está na vida real. Atuo com segurança pública e com polícias há 25 anos e sempre que encontrei e convivi com uma experiência de polícia de proximidade, encontrei e convivi com uma comunidade comprometida, grata e companheira da polícia. A atividade policial é tão nobre, tão socialmente protetora, que tem tudo para ser amada pela gente honesta e pacífica, a grande maioria. Mas precisa se apresentar tecnicamente correta, íntegra, legalista, ética, rigorosa mas sem abdicar dos valores humanistas. E não resolve condicionar isso a melhores salários. Sou e sempre fui parceiro notório das lutas salariais da polícia. Contudo, conduta moral não pode "depender" de salário. O policial serve ao povo e não ao governante.Uma polícia assim é rapidamente abraçada por esse povo, que a reconhece como parte sua. Isso se constrói. Não cai do céu..."
  A qualidade da relação entre a polícia e a comunidade costuma gerar discussões típicas de torcida de futebol em final de campeonato. Basta uma matéria de manchete impactante ser publicada sobre desentendimentos na relação entre um policial e um membro da comunidade (preferencialmente recheada por um vídeo de embate físico) que logo surgem as disputas por definir quem está certo e quem está errado. Embora tenha importância que a ação da polícia seja debatida publicamente, é ainda mais importante aprofundar o olhar sobre os elementos que levam a polícia a garantir uma atuação que, por um lado, tenha menos necessidade de uso da força, e, por outro, que tenha menos questionamentos e resistência por parte da comunidade. Chamo de legitimidade policial a capacidade da polícia atuar em determinada comunidade sendo apoiada pela população, usando o mínimo de força possível para previnir violências e delitos em sua área de atuação. Quanto mais legitimidade tem um grupamento policial, menos os próprios policiais e os demais cidadãos são expostos a riscos, e mais as relações sociais fluem sem intervenção da força. Neste artigo pretendo discutir alguns fatores essenciais para a construção de legitimidade policial. Legalidade não é Legitimidade Muitos policiais confundem legalidade com legitimidade. Embora seja o primeiro passo para o desenvolvimento de sua ação, a legalidade não é suficiente para que um policial tenha legitimidade. Talvez um Juiz possa atuar sem muitos embaraços se apenas for legalista. O policial precisa de algo mais. Uma simples ordem dada por um policial, mesmo sendo perfeitamente legal, pode se tornar ilegítima por causa da forma como se dá a ordem. Se usa arrogância ou desprezo, por exemplo, a ordem passa a ser questionada não pela sua legalidade, mas por sua legitimidade. Talvez um Juiz possa atuar sem muitos embaraços se apenas for legalista. O policial precisa de algo mais. Honestidade e sinceridade Não é possível garantir que a ação da polícia seja respeitada quando sabe-se que, na condição de cidadão, o policial não cumpre seu dever. Da mesma forma, o policial não pode voltar atrás de sua ação legal, qualquer que seja a razão. A comunidade deve enxergar no policial uma figura que, além de cumprir seus deveres, não permitirá que direitos sejam desrespeitados por quem quer que seja. Por isso, mesmo o mais destacado membro da comunidade - lideranças comunitárias incluídas - devem saber, com sinceridade, que os valores da integridade social estão acima de qualquer relação individual. Para alcançar legitimidade não é preciso ser leniente. Ao contrário. Capacidade de ouvir Toda organização bem-sucedida deve ser sensível às impressões e opiniões que o público tem dos serviços prestados. Parece óbvio e redundante, mas nem sempre é colocado em prática pelas unidades policiais o acolhimento do feedback visando fortalecer o que há de bom, extinguir o que há de ruim e aperfeiçoar o que há de defeituoso. Saber a opinião da comunidade também faz com que ela se sinta parte das políticas desenvolvidas pelos policiais, evitando oposição à atuação. Respeito à cultura e hábitos É comum (por ser mais fácil e cômodo) que a atuação policial em uma comunidade tenha a natureza de um "choque de ordem", assumindo o tom meramente proibitivo, desconsiderando os hábitos da população e sua cultura. Dizer "não" a tudo certamente evita que delitos ocorram, mas também evita que a vida social das pessoas se realize. Dizer "não" a tudo certamente evita que delitos ocorram, mas também evita que a vida social das pessoas se realize. O desafio é garantir  que a sociabilidade da comunidade se mantenha prevenindo a incidência de violências. Cada comunidade tem uma dinâmica de horários, de formas de divertimento e interação. Ao considerar tudo isso, a polícia se integra ao contexto social e é mais reconhecida pela comunidade. Capacidade de mediação e prevenção Em toda relação humana ocorrem desacordos, disputas e desentendimentos. A incapacidade de lidar com essas questões, em último grau, pode levar à violência. Considerando o papel preventivo que deve ter a atividade policial, mediar adequadamente os conflitos que nascem em uma comunidade é algo central. Essas pequenas mediações são a principal tarefa que a maioria dos policiais já fazem nas ruas, o que acentua a necessidade de preparo e aprofundamento nas técnicas de mediação. Quanto mais mediações bem-sucedidas o policial faz, menos precisa usar a força, eliminando os riscos para todas as partes (policiais incluídos). Efetividade na ação Entre todos os aspectos mencionados neste artigo este certamente é o que menos depende do policial, individualmente, já que se refere ao desdobramento que é dado à ação policial legal. Por defeitos estruturais nos modelos das polícias brasileiras, com o ciclo dividido entre as polícias civis e as polícias militares, é difícil ter a garantia de que as ações policiais terão alguma efetividade. Com o atual sistema, o policial militar é desencorajado de autuar em uma simples perturbação do sossego, pois evita o ônus logístico (distância, demora) e interpessoal (rivalidade, corporativismo) de encaminhar o caso à delegacia de Polícia Civil. Além disso, o policial precisa lidar com a desastrada política de drogas praticada no país, apreendendo quantidades cada vez maiores de drogas ilícitas e testemunhando o quão inócuo é seu esforço para resolver um problema da área de saúde com ferramentas da área de segurança. Nesse cenário desgastante, a atuação policial acaba sendo seletiva, transmitindo a sensação (aos policiais e à comunidade) de falta de efetividade e utilidade no trabalho da polícia. Concluindo... Como se vê, não é simples conquistar legitimidade para um grupamento policial em uma comunidade. Os fatores citados neste artigo sequer são os únicos que compõem esse precioso troféu, mas provavelmente estão entre os principais para fazer com que a ação da polícia seja bem aceita e que use o mínimo de força possível. Quanto mais legitimidade, menos resistência, menos força, menos risco, mais segurança e mais paz pública.
Discutir qual a essência do trabalho policial é fundamental para definir suas prioridades. Falar de essência é definir o que deve permear todos os seus procedimentos, o que deve ser transversal ao seu trabalho e, consequentemente, o que deve ser prioritário para as corporações. Ao desvendar a essência, é possível encontrarmos "não essências", ou seja, aquilo que está posto como prioritário e transversal mas que não deveria ter sido colocado nesse patamar. Neste texto pretendo fazer o contrário. Primeiro vou apontar o que parece não ser essencial, mesmo que seja necessário e faça parte do ofício policial, para então revelar o que pode ser considerado a essência do trabalho policial. O trabalho policial não é essencialmente "burocrático" O termo burocracia tem um sentido técnico específico para os teóricos da Administração, mas aqui estamos nos referindo à obsessão pelos procedimentos por vezes repetitivos e desconectados com a necessidade de objetividade, pragmatismo e foco nos resultados. Há policiais que preferem se dedicar a amontoados de papéis em vez de se lançarem ao relacionamento com as pessoas, geralmente mais produtivo e eficiente. Internamente, privilegiar a burocratização torna tudo difícil, principalmente para aqueles que ocupam os níveis hierárquicos inferiores, mais ligados à execução prática do serviço policial. Não se trata de abrir mão da segurança jurídica necessária ao trabalho policial, mas de torná-lo o mais dinâmico possível. O trabalho policial não é essencialmente belicista Os últimos anos têm se caracterizado pelo aumento da violência no Brasil - a quantidade de homicídios é o principal diagnóstico para essa realidade. Mas diferente de uma realidade de guerra, onde simplesmente demonstração de força bélica garante uma "vitória", não é tão simples lidar com a violência em uma sociedade democrática. Aliás, até mesmo a guerra contemporânea contém elementos não bélicos em jogo (econômicos, político-diplomáticos etc). Se a questão fosse de demonstração de força, resultados significativos teriam sido alcançados, já que até mesmo as Forças Armadas estão entrando no jogo da segurança pública no país ultimamente. Além do mais, qualquer policial que atua no serviço ordinário sabe que, apesar da escalada da violência, a maior parte do trabalho policial se refere à resolução de pequenos conflitos. Negociações e intervenções onde é preciso mediar interesses de partes. Desse modo, embora seja fundamental que o policial esteja preparado para situações de risco, fica claro que o belicismo não é a essência da atividade. O trabalho policial não é essencialmente político Também desconsiderando os diversos conceitos utilizados pela teoria política, é preciso evitar situar o trabalho policial como instrumento dos poderes políticos, no sentido eleitoreiro. Não pode ser foco da atuação policial a satisfação das vontades políticas de ocasião, em detrimento das demandas legais e sociais que são superiores a qualquer autoridade. Nesse sentido vale a pena discutir a quantidade de orientação política na atuação policial, que geralmente é diretamente proporcional à incapacidade das polícias se mostrarem com isonomia e imparcialidade. Quanto mais afundada em politicagens, mais os profissionais policiais desconhecem a verdadeira natureza de seu ofício, pois precisam estar atentos aos sopros dos ventos do poder circunstancial. O trabalho policial é essencialmente social Após considerar o que não é a essência do trabalho policial, vamos à sua essência: o social. O social no sentido da construção de laços em uma comunidade, garantindo não apenas que a polícia seja bem vista pelas pessoas, mas que os policiais sejam capazes de mediar conflitos e incentivar aproximações em alternativa à violência - fruto do distanciamento, do desconhecimento, da falta de alteridade entre os indivíduos. Como representante do Estado mais presente nas redes sociais (há polícia nas ruas de todos os municípios do Brasil), é indispensável assumir essa responsabilidade que, para além da presença, garanta infiltração e construção social. O policial é um fomentador social em uma comunidade, que tem tanto sucesso em sua missão quanto mais integração ele consegue fazer crescer. Isso é prevenir as violências. O policial de sucesso é um líder, um "hub", uma referência para os cidadãos no seu espectro de atuação. Embora esse artigo não pretenda discutir as carências e necessidades para que essa essência tome seu devido lugar, obviamente é preciso que tais homens e mulheres sejam valorizados, tenham direitos cidadãos garantidos e tenham a necessária segurança para atuar. Também não é preciso dizer que essa essência não elimina a necessidade de tecnologia, equipamentos (inclusive armamento), inteligência, preparo técnico-jurídico etc. Como toda essência, essa deve ser a prioridade e a urgência para o trabalho das polícias. Quem considera esse entendimento sonhador não quer admitir o quanto temos dificuldade em sua implementação, ao tempo em que sonhamos ingenuamente, aí sim, com a repressão que ponha fim a todas as violências. Milhares de vidas e bilhões de reais gastos e, por décadas a fio, só vemos o problema se aprofundar.
De maneira geral, as polícias brasileiras e as mídias dão peculiar atenção às ações e à estética das unidades policiais responsáveis por realizar ações repressivas - aquelas que resultam em prisão e/ou apreensão. Obviamente, operações de repressão a práticas criminosas, quando realizadas de maneira qualificada e legal, merecem elogio e suporte positivo, entretanto, não deveriam anular o fortalecimento, a afirmação e a prioridade das ações preventivas, que constituem a razão de ser da atividade policial. Considerando essa falta, destacamos aqui quatro tipos de atuação policial que merecem atenção midiática e investimento por parte das polícias, pois possuem significativo potencial de fomentar a interação produtiva entre policiais e demais cidadãos. Ao garantir espaço prioritário a essas ações é possível posicionar os policiais muito além da condição de quem nega comportamentos, mas de quem orienta, compartilha e incentiva práticas: Policiamento Ambiental Realizar policiamento ambiental é orientar a atuação policial para o respeito à vida de maneira ampla. Unidades de policiamento ambiental, além de coibirem ações criminosas contra o meio ambiente, também podem se relacionar com a comunidade realizando educação ambiental e ações lúdicas/interativas tendo como foco o respeito à vida. Todos os ingredientes necessários para fortalecer a condição do policial como liderança comunitária. Policiamento Ciclístico São vários os motivos pelos quais o Policiamento Ciclístico é muito interessante para a atuação preventiva das polícias (clique aqui e leia nosso post sobre o assunto). Dois pontos a se destacar: 1. "A tendência é que policiais em bicicletas interajam mais com a população, que terá mais facilidade de reconhecer o policial que faz policiamento naquela região, bem como poderá solicitá-lo com muito mais facilidade do que em uma viatura motorizada. Em unidades policiais que se interessem por aproximação e relacionamento profícuo entre a comunidade e o policial, bicicletas são muito vantajosas"; 2. "Policiais de bicicleta nas ruas incentivam também o próprio uso da bicicleta como meio de transporte e a criação de uma unidade especializada, colocaria em relevo a própria discussão acerca da mobilidade urbana: as ruas tomadas por policiais de bicicleta poderia ser o início de uma conscientização quanto ao uso exagerado do automóvel, forçando a infra-estrutura municipal a se adaptar ao modelo de ciclovias. Policiamento ciclístico não é só segurança, é antes de tudo educação!" (comentário de Orlando Junior em nosso post). Núcleos Desportivos O esporte ensina algo que é muito útil para evitar a violência: estar em pólos opostos, discordar e disputar algo não significa ser inimigo ou ter que usar métodos violentos para alcançar a vitória. As atuações de núcleos desportivos fomentam o "Fair Play" no seio da comunidade e entre a comunidade e os policiais. Quem não entende o que é Fair Play, assistam o vídeo a seguir, e considerem a instalação desse espírito nas relações polícia-comunidade: httpv://www.youtube.com/watch?v=BWhjjonVGkM Banda de Música Policial Outra forma de fazer policiamento preventivo é inserindo música entre policiais e a comunidade. As bandas de música, quando consideram a cultura local, têm um potencial enorme de engrandecimento da condição policial em determinada localidade. Já escrevemos sobre o tema aqui: "Qual seria o problema das bandas policiais formarem subgrupamentos que se dediquem ao rock, ao reggae, ao hip hop, ao samba, ao choro, axé music e outros gêneros que dialoguem de modo eficiente com a população local – principalmente com os jovens? É um desafio atualíssimo para as polícias brasileiras entenderem, se aproximarem e manterem laços e diálogos permanentes com as comunidades, principalmente as periféricas. A música pode ser um elemento diferenciador e facilitador desse desafio. Que as polícias do povo mais musical do mundo aproveitem nossa característica para fazer policiamento!" O leitor considera outras formas de atuação policial se encaixam nesses princípios?
Ao se tornar policial o cidadão é promovido à condição de liderança comunitária: aquele que será responsável por influenciar pessoas e, consequentemente, ser alvo de críticas, reações e insultos. Quanto mais influenciador e maior o papel de liderança de um policial mais ele estará exposto a essas possibilidades. Daí segue a pergunta, feita pelo Coaching Silvio Celestino em recente artigo: "Você consegue ouvir um insulto sério sem explodir?". Talvez esteja na discussão desse ponto a fórmula para evitar que policiais abusem da força: Se, em algum momento em sua carreira de líder, você se sentir insultado, seja bem-vindo à liderança! Líderes são insultados! É só você observar quem são as pessoas mais insultadas do planeta: juiz de futebol, gerentes, donos de empresas e, é claro, presidentes. Por que isso acontece? Ao liderar, você poderá, eventualmente, provocar emoções indesejáveis nas outras pessoas, como: ansiedade, frustração e raiva. Se isso ocorrer, o indivíduo, ou grupo de indivíduos, poderá querer expressar essa emoção de muitas formas, até mesmo com um insulto. Portanto, o primeiro elemento do cenário no qual a liderança é exercida é: a emoção das outras pessoas. Sua capacidade de lidar com esse contexto depende de como você lida com sua própria emoção. Ela é o segundo elemento desse cenário. Ser capaz de lidar com esses dois fatores requer preparo e experiência. Por essa razão que não é muito aconselhável a ascensão de pessoas imaturas a cargos de liderança. Elas irão se perder em meio a essas questões. Qualquer policial sabe bem o quanto em seu cotidiano (mesmo fora de serviço) é alvo de piadas, críticas (construtivas e destrutivas) e acusações. Quem se comporta como aquele que "não leva desaforo para casa" e não se coloca acima desses ataques acaba fazendo besteira. Da próxima vez que estiver lidando com algo assim considere seu papel de liderança. Isso pode salvar sua carreira! Leia o artigo completo: "Você consegue ouvir um insulto sério sem explodir?".
O tempo vai passando e os observadores da iniciativa das Unidades de Polícia Pacificadora no Rio de Janeiro lamentam o desgaste ascendente que as UPPs vêm sofrendo. Ao que parece, nem os policiais nem as comunidades conseguem enxergar um alinhamento justo entre o que a propaganda governamental publica e o que se vive na prática. Não é por falta de torcida: desde quando o modelo foi divulgado comemorou-se a guinada da política de segurança pública para iniciativas comunitárias, não repressivas, com foco no respeito à cidadania e aos direitos fundamentais. O ponto fraco das UPPs, entretanto, foi acusado também desde o início, e se refere à capacidade de sustentabilidade das iniciativas. As polícias possuem em sua cultura, organicamente, os mesmos princípios teóricos das UPPs? Seria possível, de fato, após a ocupação militar, que serviços públicos diversos fossem implantados permanentemente nas comunidades? A atuação de gangues armadas seria definitivamente anulada com a implantação das unidades? As condições de atuação e a segurança dos policiais possuem o mínimo necessário de atenção? Todas essas perguntas ou não foram respondidas pela experiência até agora ou suas respostas apontaram para a fragilidade do projeto das UPPs. "Em que pé anda a transformação da polícia e das comunidades para que as UPPs valham a pena?" Segundo pesquisa recentemente divulgada pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania  do Rio de Janeiro (CESeC), a identificação dos policiais que trabalham nas Unidades com o projeto é bastante vulnerável: A falta de adesão da tropa não se resume a simples anomia e indiferença, mas também a posturas inversas ao que é proposto pelo conceito das UPPs, minando assim a relação entre policiais e comunidade. O Jornal Publico, de Portugal, publicou uma reveladora matéria mostrando a desgaste da relação entre policiais e os moradores da Rocinha, uma das favelas "agraciadas" com uma Unidade de Polícia Pacificadora. Foi lá que ocorreu o caso Amarildo, que ganhou repercussão nacional e foi tema de protestos em todo o país. Alguns pontos destacáveis do texto: Com o desaparecimento do Amarildo, a opinião pública se coloca contra a polícia e agora o tráfico está dando cartas de novo. Tirando as ruas principais, eles é que estão dando as ordens; Roberto (líder comunitário da Rocinha) acha que, de qualquer forma, as UPP “têm prazo de validade, a Copa e as Olimpíadas”, que a polícia está segurando o projecto até lá. “E já está ruindo.” Martins acrescenta: “O interesse em que dê certo é de todo o mundo, mas a UPP Social só ficou no nome.”; “Tem cachorro morto, gato morto, sofá, lixo, baratas, doenças...”, diz Roberto. Há cartazes contra a tuberculose por toda a parte. Nas encostas a pique da Rocinha há casas e becos húmidos onde não chega luz. Há, por exemplo, esta boca do inferno que é o esgoto onde dois caminhos se bifurcam, um buraco negro, jorrando lixo, cheiro de podre; O governo anuncia um teleférico para a Rocinha, mas não é o que a Rocinha precisa. “As pessoas não querem teleférico, querem saneamento”, diz Roberto. “Teleférico dá voto, saneamento não”. Sob a pressão para a realização ordeira da Copa do Mundo e das Olímpiadas é bem possível que o governo do Rio de Janeiro mantenha os esforços de financiamento da política das UPPs, que até 2016 pode servir de medida emergencial de contenção das favelas. Mas após isso será que haverá insistência? E mesmo que haja, em que pé anda a transformação da polícia e das comunidades para que as UPPs valham a pena? Hoje uma equipe de policiais civis foi encurralada no morro do Pavão-Pavãozinho por homens armados. Lá está instalada uma UPP, o que parece não garantir a estabilidade na comunidade. Para onde caminham as Unidades de Polícia Pacificadora?
Certamente a Guerra Fria é o grande exemplo histórico onde se nota uma singular forma de exercício de poder, distinta do que tradicionalmente se entendia como "guerra". Nada de combate sangrento, nada de campo de batalha, nada da guerra que o mundo até então conhecia. Embora aparatos bélicos tenham sido criados para um possível embate, tudo não ficou muito além do simbólico. Durante esse período, não foram as unidades de infantaria que se tornaram o "braço direito" dos governos, mas as seções de inteligência. No mundo capitalista a "Central Intelligence Agency" (CIA), no lado socialista, o Komite Gosudarstvennoi Bezopasnosti (KGB). Estados Unidos e União Soviética travaram a batalha do marketing: ganhava quem convencesse seus clientes - a população mundial, com ênfase nos governantes - qual era o melhor regime. *** Tomando o conceito de poder como a capacidade de fazer com que outras pessoas façam ou deixem de fazer algo, vale perguntar como as polícias brasileiras estão exercendo o seu poder, que tem como objeto levar a população a práticas pacíficas, não-violentas, isentas do uso da força. "Enquanto exercermos apenas o poder da proibição e da ameaça, não conseguiremos ingressar nas casas e nas consciências das pessoas" Se considerarmos a atuação policial tradicional, que propõe que o trabalho policial se caracterize como uma ameaça do uso da força - e com o uso da força como instrumento inibidor de práticas violentas - flagramos alguns paradoxos e ineficiências. Por exemplo: 1. Basta que o cidadão circunstancialmente não esteja submetido à ameaça/presença policial para que pratique violências sem ressentimento; 2. O sucesso da ação policial em contraposição aos autores de violência passa a depender da escala do aparato bélico. Se uma organização criminosa possui mais força bruta (armas, explosivos etc) do que a polícia, a "ameaça" policial não terá resultado; 3.  Em uma relação de mera ameaça do uso da força não há possibilidade de "confiança", insumo tão reivindicado nos discursos policiais oficiais. *** Muitos se perguntam como a polícia pode inibir que um homem que sofreu adultério, no aconchego de sua casa, determinado a matar sua esposa, cometa o crime. Como prevenir acessos de fúria, descontroles momentâneos? E o crime organizado? Aquele em que estruturas financeiras e logísticas significativas são formuladas visando garantir práticas violentas? Como evitar que indivíduos intelectualizem essas estruturas, como evitar que jovens ingressem nelas? *** O exercício do poder pautado no uso máximo da força - modelo político conhecido desde a antiguidade - não tem previsão para deixar de existir. Mas também há muito já não é a única forma de exercício de poder. Quem possui mais poder: uma liderança comunitária conhecida em um bairro, reconhecido como voz representante da comunidade ou um policial fortemente armado e capaz de usar a força? Percebamos o quanto os poderes de cada um desses personagens é distinto em natureza, escala, capacidade. Sem dúvida, um policial armado tem o poder de cessar agressões iminentes, violências em ascensão, crimes em andamento. Mas não tem a capacidade de mobilizar comunidades em rede, de convencer e motivar em favor da paz, independentemente da presença física policial. É claro que a polícia é apenas uma das várias possíveis instâncias desse neopoder em favor da paz. Mas somos uma instância central, importantíssima, e talvez uma mediadora entre as demais instâncias. Enquanto exercermos apenas o poder da proibição e da ameaça, não conseguiremos ingressar nas casas e nas consciências das pessoas. Fracassaremos enquanto autoridades. Definharemos enquanto organização.
Você sai de casa aborrecido com algum problema e resolve sentar no banco de uma praça para espairecer. A alguns metros de distância, você ouve um samba antigo tocado por um grupo de senhores (provavelmente aposentados que se reúnem ali para socializar). Inicialmente, chama a atenção a musicalidade, a disposição daquelas pessoas, mas o problema que lhe fez sair de casa persiste martelando em sua cabeça. O tempo vai passando e, automaticamente, você vai batendo o pé no chão, acompanhando o ritmo da música. Mais um tempo e você está em pé, junto com outros curiosos, vendo a arte se manifestar em praça pública. O problema? Ficou pra depois. Não é de hoje que a música é utilizada como ferramenta de transformação emocional das pessoas. Da trilha sonora dos filmes que assistimos, que associam as características da cena (suspense, humor, horror) ao tipo de música, até o "background" musical das lojas modernas, que pretendem associar o conceito da marca a determinado estilo musical, a música é vastamente utilizada para convencer os indivíduos. Inclusive, existem muitos estudos pesquisando a associação de gêneros musicais a comportamentos e sensações, e muito dessas associações estão disseminadas na sociedade: quem ouve música erudita é preconcebido deste ou daquele modo, diferentemente de quem ouve rock, por exemplo. Mas não pretendemos avançar nessa seara, por enquanto. Hoje pretendemos sugerir a reflexão sobre o potencial das bandas de música nas polícias brasileiras, principalmente entre as polícias militares e guardas municipais, que lidam cotidianamente com o público nas ruas. "Qual seria o problema das bandas policiais formarem subgrupamentos que se dediquem ao rock, ao reggae, ao hip hop, ao samba, ao choro, axé music e outros gêneros que dialoguem de modo eficiente com a população local - principalmente com os jovens?" Parece que todas as polícias militares brasileiras possuem banda de música, geralmente constituída formalmente em lei, com chefia própria e um corpo de músicos que podem ser selecionados através de concurso externo (é feito um concurso específico para cada tipo de instrumentista) ou seleção interna (verifica-se entre os policiais quem é voluntário e possui conhecimento musical adequado). Isso significa que do ponto de vista estrutural as bandas já possuem, em todo o país, uma concepção formal mínima. Em rápida pesquisa na internet descobrimos que a banda policial mais antiga do país é da Polícia Militar do Paraná, fundada em 12 de março de 1857. A partir disso, um segundo desafio se impõe: como fazer que a música das polícias seja uma "ponte" de aproximação emocional entre os policiais e a população? Para além da musicalização marcial das solenidades militares, o que é possível fazer para que nossas bandas de música sejam disseminadas como instrumentos de visibilidade institucional e convencimento, principalmente entre os jovens? Muito já tem sido feito. A Polícia Militar do Espírito Santo (PMES), por exemplo, desde 1999 criou uma "Banda Junior", composta atualmente por mais de 250 jovens: Formada por crianças e adolescente da Grande Vitória a Banda Mirim passou a ser um serviço oferecido à sociedade capixaba pela Polícia Militar, no Quartel do Comando Geral, em Vitória. Em 2003, com sua evolução técnica, surge o “Projeto Cultural Banda Júnior da PMES”, que busca oportunizar o acesso de crianças e adolescentes a um novo cenário sociocultural e promover a valorização das principais instituições sociais. A capacitação dos alunos, que ingressam entre 11 e 14 anos de idade e podem participar da iniciativa até aos 18 anos, é desenvolvida ao longo de três anos. Neste período os 15 policiais militares responsáveis pela formação têm a missão de contribuir para o desenvolvimento sócio-cultural e humano de crianças e adolescentes, transmitindo valores como disciplina, ética e respeito ao próximo. No Rio de Janeiro, neste mês, policiais militares do 12º BPM (Niterói) foram destaque no jornal "O São Gonçalo" por desenvolverem o projeto "Tocando com a PM", de iniciação musical para crianças de escolas públicas. Mostraram que é possível figurar na capa de um jornal de grande circulação sem fazer parte do BOPE: Da Bahia, recentemente, o Cabo PM José Carlos foi destaque nacional no programa "Encontro", apresentado por Fátima Bernardes, cantando e emocionando o país: httpv://youtu.be/B3lJLcV5M90 *** Algumas polícias dividem sua estrutura musical em bandas, conjuntos ou seções. A Polícia Militar de Minas Gerais, por exemplo, faz uma interessante divisão, considerando as possibilidades de apresentação e o gênero musical. Fazem parte da Banda da PMMG, entre outras composições, as seguintes: Saxofonista; Saxofonista e Tecladista; Quarteto de Cordas; Quinteto de Sopros; Sexteto de Metais; Conjunto de Câmara; Bandas de Música; Banda Sinfônica; Big Band; Orquestra Show; Orquestra Sinfônica. Esse modelo chama a atenção pelas diversas possibilidades de atuação, a depender do contexto exigido para a apresentação. Aliás, há aí um princípio que deve ser expandido considerando as peculiaridades e popularidades locais onde atuam as polícias. Qual seria o problema das bandas policiais formarem subgrupamentos que se dediquem ao rock, ao reggae, ao hip hop, ao samba, ao choro, axé music e outros gêneros que dialoguem de modo eficiente com a população local - principalmente com os jovens? É um desafio atualíssimo para as polícias brasileiras entenderem, se aproximarem e manterem laços e diálogos permanentes com as comunidades, principalmente as periféricas. A música pode ser um elemento diferenciador e facilitador desse desafio. Que as polícias do povo mais musical do mundo aproveitem nossa característica para fazer policiamento!
Tradicionalmente, as polícias ostensivas brasileiras não possuem unidade ciclística formalmente estabelecida - uma companhia ou batalhão ciclístico, por exemplo. Diferentemente do policiamento montado, que possui unidades especializadas em provavelmente todas as polícias militares brasileiras, o policiamento ciclístico não guarda qualquer relação com a estrutura operacional do Exército Brasileiro, instituição da qual as PMs são forças auxiliares e ainda possuem muitas semelhanças estruturais (a designação "P1", "P2", "P3" etc é uma adaptação do "S1", "S2" e "S3" do Exército, por exemplo). Nos dias de hoje, entretanto, passou do tempo das polícias brasileiras atentarem para a criação de unidades de policiamento ciclístico, com estrutura organizacional, pessoal especializado e doutrina própria. Antes de falar de algumas vantagens do policiamento ciclístico, é bom frisar que nenhum vetor de policiamento se basta. A viatura "quatro rodas" possui sérias desvantagens em relação às motocicletas, por exemplo, que já não alcançam as características de uma aeronave, ao tempo que essa não consegue potencializar certos elementos conseguidos com o policiamento a pé. Desse modo, o que aqui discutimos é sobre um potencial muito pouco aproveitado pelas polícias brasileiras, que geralmente privilegiam as viaturas motorizadas. Entendam um pouco mais esse potencial: Capacidade de permanência e agilidade moderada O policiamento ciclístico é ideal para o patrulhamento de áreas de média extensão (raio de 2 a até 5 quilômetros). Para atender um chamado a dois quilômetros de distância, policiais em bicicletas chegam em menos de 10 minutos, um tempo razoavelmente adequado se considerarmos a realidade do trânsito em grandes cidades. Mas independentemente do tempo-resposta, as bicicletas possuem como grande vantagem seu potencial de permanência intensa em áreas específicas: um policial não poderá ir muito longe pedalando, e, por isso, a tendência é que lhe sejam designadas áreas com extensão reduzida. Até mesmo a fiscalização e supervisão do policiamento fica facilitada, nesse caso. Proximidade com a população Por essa capacidade de permanência, a tendência é que policiais em bicicletas interajam mais com a população, que terá mais facilidade de reconhecer o policial que faz policiamento naquela região, bem como poderá solicitá-lo com muito mais facilidade do que em uma viatura motorizada. Em unidades policiais que se interessem por aproximação e relacionamento profícuo entre a comunidade e o policial, bicicletas são muito vantajosas. Privilégio à saúde do policial Policiais que trabalham com policiamento ciclístico têm a oportunidade de realizar uma atividade saudável durante o serviço, já que a prática ciclística pode queimar mais calorias até mesmo do que a corrida e a natação. Uma boa oportunidade para o policial com sobrepeso. Veículo "limpo" Atualmente existe toda uma militância em torno do ciclismo, por se tratar de um meio de transporte relativamente ágil e não agressor do meio ambiente. Diferentemente dos veículos motorizados, a bicicleta não emite gases prejudiciais à atmosfera. Uma grande oportunidade para que as polícias assumam seus compromissos com meios de transporte sustentáveis. Ostensivamente significativo O policiamento a pé tem sua capacidade ostensiva bastante restrita no período noturno, além de sua limitação de mobilidade. Ambas restrições são superadas pelo policiamento ciclístico, que utiliza-se de luzes de alerta e é capaz de se movimentar com relativa flexibilidade. O policiamento ciclístico dificilmente não é percebido quando está sendo executado. *** Essas são algumas das grandes vantagens desse vetor de policiamento, hoje presente em algumas polícias e guardas municipais brasileiras, embora geralmente não "institucionalizadas", como dissemos, na forma de uma unidade especializada na modalidade. Com a presença de toda essa militância em favor de meios de transporte alternativos, tornar a bicicleta um dos veículos-padrão das polícias ostensivas brasileiras será uma grande oportunidade de ganhar eficiência, contribuir com a preservação do meio ambiente, com a melhoria da saúde dos policiais e se comunicar com a sociedade. Nada que já não seja feito em outros países - com muito sucesso.