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Repressão

Um dos principais objetivos deste blog é fomentar discussões sobre o modo de agir policial. Independentemente das carências institucionais, das limitações do Estado em prover a atuação dos agentes de segurança pública com os recursos materiais e educacionais necessários, é indispensável para o policial adquirir certos conhecimentos básicos que servirão para preservar sua vida e a de terceiros. Nesse sentido, aprender defesa pessoal, tiro, técnica, tática, e conhecimentos acerca dos equipamentos utilizados em seu dia-a-dia, é fundamental. Pensando nisso, resolvemos criar no Abordagem Policial a Coluna Estratégia, que visa discutir os aspectos ligados à atuação operacional das polícias – sejam elas federais, estaduais ou municipais – dando dicas, criando debates, tutoriais, e ensinamentos neste campo. Sabemos que a repressão é, em todo o mundo, uma das formas de atuar da polícia, que por mais eficiente que seja no exercício da prevenção, sempre precisará de meios coercitivos para fazer valer o poder do Estado. Se a repressão não for qualificada, abusos podem ser cometidos, arbitrariedades podem vir à tona. Estudar, treinar, simular e discutir as técnicas de repressão é essencial, evitando que distorções venham ocorrer no processo. A Coluna Estratégia surge da intenção deste blog de criar um ambiente favorável para o estudo e a discussão da repressão policial. Além disso, preenchemos uma lacuna neste espaço, que costuma abordar pouco os temas ligados ao assunto. Para comandar a coluna resolvemos convidar uma das referências em operacionalidade da Polícia Militar da Bahia, o Tenente Alden José, que serve no Esquadrão de Motociclistas Águia, onde exerce a função de Chefe do CIETRU (Centro de Instrução Especializado em Trânsito Urbano). Além de ser instrutor de Legislação de Trânsito e Direção Defensiva, ele ministra aulas de Defesa Pessoal na APM-BA, é praticante de Hapkido, bacharelando em Direito e possui vários cursos na área operacional. Quem conhece o Ten. Alden sabe que a coluna estará em boas mãos. Lembro que a participação dos leitores é fundamental, mandando dúvidas, adendos e outras contribuições para o Tenente Alden. Em breve publicaremos o primeiro post da Coluna. Aguardem...
Passa pela cabeça de muitos policiais militares que o sucesso do serviço está ligado a uma grande prisão, à captura de um criminoso muito procurado, ou ao encontro de uma grande carga de drogas, produtos de roubo, contrabando, armas etc. Em parte é um ideal louvável, a concretização da parcela repressiva da missão, porém, sob uma ótica mais crítica, é preocupante. Tomemos como exemplo uma manchete relevante da semana, tratando da apreensão de cocaína feita pelo BOPE - Batalhão de Operações Policiais Especiais da PMERJ em morro carioca onde foram encontrados 174 quilos da droga, além de bastante munição. A guarnição merece os parabéns, mas a conjuntura da segurança deve sentir a crítica. Operação em que o BOPE apreendeu 174 Kg de droga - Foto: Pablo Jacob/O Globo Decerto esta droga não foi produzida nas redondezas, então falhou todo o monitoramento das fronteiras, a fiscalização nos limites estaduais, nas rodovias, o trabalho investigativo e preventivo da inteligência, para que a fabricação ou o transporte fosse interrompido na origem. Não fosse o sucesso da ação, em questão de dias ou até mesmo horas a droga estaria sendo distribuída nos locais de venda e consumida pelos usuários. O trabalho tem que buscar o combate ao mal pela raiz, os traficantes estão cada vez mais audazes, a edição de VEJA desta semana (Nº 2061) denuncia que as Farc - Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia já utilizam submarinos no transporte de cocaína até os EUA, capazes de transportar toneladas de uma só vez, inclusive tendo construído modelos simulacros de baleias para dificultar identificação e rastreamento. Rotas do narcotráfico: clique na imagem para ver mais - Quadro: Revista Veja. A atividade repressiva tem sido divulgada e incentivada, ainda citando o Rio de Janeiro surgiu também a notícia de que serão adquiridos em breve oito novos veículos blindados, além de um helicóptero que tem recebido a alcunha de caveirão voador. Há quem tenha se acostumado com notícias como estas, mas a verdade é que representam cada vez mais o estado de calamidade do panorama da segurança, distanciado dos ideais de policiamento comunitário difundidos mundialmente. Resta crer que "depois da tempestade vem a bonança", talvez com ofensivas enérgicas, decisivas e definitivas consiga-se restabelecer a ordem pública e a paz social, até o dia em que os policiais militares passem a se queixar do baixo índice de ocorrências e da falta do que fazer, tendo apenas que resolver pequenos conflitos e manter a atividade proativa, porquanto a reativa traz impactos sobre os cofres públicos, o stress social e ameaça à vida dos homens da lei.