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RONDESP

A profissão de policial tem muitos riscos, fartos momentos de poder ajudar várias pessoas ao mesmo tempo, muitas emoções positivas e muitos momentos para se fazer reflexões de como se comporta um grupo social. A visão do policial sobre sua comunidade, seja ela em um bairro pobre ou nobre, um conjunto de bairros, estradas ou qualquer outro espaço de atuação, deve ser sempre a visão do guardião, do grande protetor-legal do ser humano, do patrimônio de todos, pois ele é um representante do Estado, que na maioria das vezes chega primeiro ao local da crise e todos colocam nele ou nela policial, um monte de esperanças para as soluções do cotidiano. Dessas enormes emoções, também temos as negativas, que volta e meia chegam para a sociedade e para nós, como uma verdadeira bomba. Elas fazem parte do grosso do nosso trabalho! Resolver crises da população! Acidentes, roubos, furtos, suicídios, homicídios, brigas de família, menores perdidos ou em ato infracional, outros delitos e ações que não chegam a se constituir crimes, mas geram grandes crises. No início da carreira, nunca imaginava como deveria ser a dor de um passamento de um colega de farda da mesma Unidade, estando você na posição de Comandante. Principalmente se essa morte ocorre de uma forma que tanto combatemos, que é o crime violento, covarde, que deixa rastro de consternação em muitos e por muito tempo. Caro leitor, quantos enterros de colegas, por acidente de trabalho, você já foi na sua vida? Lembro que fui fazer uma inspeção administrativa em Paulo Afonso, e tive que participar de dois enterros de dois colegas. Um PM, o outro da Polícia Civil, que foram mortos por marginais em um assalto a banco, em uma cidade próxima. Foi pesado! Quando a morte de um policial ocorre em outra Unidade da PM, Instituição policial ou localidade, também existe dor e muitas vezes as lágrimas vêm aos nossos olhos, encharcando os nossos corações de amargura e angústia com aquele fato. Dizem que a morte é a única certeza que temos, e ela é bastante "democrática", pois é para todos, em qualquer lugar do mundo, sem observar cor, raça, hora, local, credo, posição econômica, ângulos ou motivos que separam as classes de uma complexa sociedade, como é a nossa. Crimes, guerras, pessoas dadas a andarem as margens das leis, sempre existirão em todos os locais! A paz mundial é uma utopia eterna! Como tudo tem a primeira vez, essa dor começa a acontecer na nossa profissão com os colegas, que morrem nos combates. Vem o aviso, o deslocamento para hospital ou local onde está o corpo, as primeiras lágrimas, a angústia do corredor frio dos hospitais, as primeiras orações, o esforço da equipe médica que não tem partido, os depoimentos a favor, os nervosos – que atrapalham mais do que resolvem algo! – a imprensa, os curiosos, as ligações para saber a situação e a espera! A longa espera! No Hospital a sua dor se mistura a dor de outros que já estão lá, e aos demais que chegam nas ambulâncias. O que você não quer ouvir, é dito, seja por telefone ou lá mesmo. "Ele não agüentou!" Mais dor, mais tristeza! Mais esforços junto aos colegas do DPT/IMLNR nos trabalhos legais. Todo ser humano deveria um dia assistir uma necropsia! Talvez houvesse mais valor pela vida! Muitos dizem: "Já não tenho mais força para assistir esses pesados momentos!" Como é duro escrever sobre esse passado e pesado momento! Escolha do cemitério pela família, a funerária, tamanho da urna, as flores, os deslocamentos, a imprensa, curiosos, família, amigos e colegas. Mais dor e mais lágrimas! Na cerimônia fúnebre, você é mais um, pois perdeu um colega da tropa da RONDESP, um parceiro que morreu cumprindo o seu dever, "defender a sociedade, mesmo com o risco da própria vida"! Notamos mais as ausências, do que as presenças, pois sempre pensamos que é uma obrigação daquele que faltou está ali, ao seu lado, mas quantas vezes eu e você faltamos? Será que é obrigação? E a hora que não passa? Lágrimas, orações, entrevistas, palavras de carinho para a família e até o Comandante recebe os sentimentos. Consternado e sem palavras, agradece as presenças. As palavras e orações ditas pelo Capelão! E a hora chega, a tampa da urna se fecha, o cortejo sai pelos caminhos sinuosos e estreitos do cemitério. Palavras de ordem são ditas, em respeito ao servidor público morto, o canto da PM, o Hino da Força Invicta é entoado com ardor e calor! É mais um da nossa Centenária Milícia de Bravos que passou para o outro lado da história da vida! Salva de tiros, torque de corneta, sirene de viaturas e lágrimas, nada disso vai trazer o nosso herói da sociedade de volta, mas é um bálsamo em nossos corações. Mais lágrimas! Obrigado para o colega! O Comandante pega a alça do caixão. É como se fosse seu amigo, irmão ou seu filho! Mas, é tudo isso, pois no fundo do coração, todos sabem a importância que teve seu comandado que passou para o outro lado da vida, pois todos somos filhos de um Grande Pai! A urna chega ao seu destino! É carregada e nada acaba ali, pois a saudade continua, os trabalhos, as rondas, os crimes, a dor da família do falecido, enfim, parecem um filme inacabado. Fica na memória o toque solitário do corneteiro! Palmas e lágrimas se misturam! Flores acompanham a urna! Algumas palavras que vem do fundo do coração! Prefiro o silêncio! Prefiro a oração! A sociedade precisa valorizar a sua polícia! Valter Souza Menezes – Major PM Comandante da Rondesp/Atlântico *Esse texto é uma homenagem ao o soldado da PM Genésio Neves Conceição, que era lotado na RONDESP/Atlântico. Ele tomou um tiro durante um ataque de marginais, no Dique do Tororó, em uma noite da sexta-feira e morreu no dia 18/07/2009, no Hospital Geral do Estado – SSA - Bahia.