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Salve Geral

O Brasil já tem seu representante no Oscar 2010, "Salve Geral", protagonizado por Andréa Beltrão e dirigido por Sérgio Rezende. O filme se passa em maio de 2006, quando o Primeiro Comando da Capital sitiou a cidade de São Paulo, com mais de 25.000 presos rebelados, 251 ataques (inclusive a unidades policiais) e centenas de mortos. Leia o texto Ataques do PCC em São Paulo: 3 anos. "Salve Geral" está sendo acusado, antes mesmo de ter sido lançado nos cinemas, de criar um vínculo afetivo entre o público e os presidiários, crítica que é rebatida de modo veemente pelo blogueiro Jorge Antônio de Barros, o Repórter de Crime: Assim como "Tropa de Elite" foi considerado fascista porque mergulhou na visão estereotipada de um policial de unidade especial, há quem vá considerar "Salve Geral" um filme liberal por mostrar as estranhas do crime organizado. Esse caráter documental é que faz dele um filme excepcional. Quatro meses após os ataques de São Paulo, Sérgio Rezende decidiu fazer o filme concluído apenas três anos após o episódio. É o que eu chamaria de "instant-movie", um filme baseado em fatos reais. A realidade brasileira tem assunto para um "instant-book" por mês e um "instant-movie" por ano. Está aí o grande crítico de cinema José Carlos Avellar, que participou da conversa com Sérgio Rezende, no café do Unibanco Artplex, quinta-feira passada: - Nos últimos dez anos, o cinema brasileiro tem se especializado em histórias baseadas em fatos reais - diz Avellar. Assista a entrevista que o Jorge fez ao diretor Sérgio Rezende "Salve", na gíria de criminosos paulistas, significa "recado", o que nos leva a compreender bem o porquê de chamar aquele "11 de setembro brasileiro" como um "Salve Geral", título do thriller de Rezende. Leia a Sinopse do filme: No Dia das Mães de 2006, a cidade de São Paulo está sitiada. Ataques a delegacias de polícia, ônibus incendiados, ameaças a shoppings, metrô e aeroportos. Quem lidera a ação é o Comando, uma poderosa organização criminosa. No meio do caos está a viúva Lucia, uma professora de piano, de classe média, que passa por dificuldades financeiras e tem uma missão: tirar o filho adolescente da cadeia. Rafael, 18 anos, está preso por ter se envolvido num incidente que terminou com a morte de uma jovem. Nas visitas ao filho na penitenciária, Lúcia conhece Ruiva, advogada do Professor, líder do Comando. A empatia entre as duas é imediata e Ruiva começa a usar Lúcia em missões ligadas à sua organização. Lúcia precisa de dinheiro e por isso vai aceitando os desafios, no limite entre a legalidade e o crime. Paralelamente, o Comando vive uma acirrada luta interna de poder e ao mesmo tempo enfrenta o inimigo comum: o sistema penitenciário. A crise entre prisioneiros e o sistema carcerário se agrava e, numa demonstração de força, o governo transfere de uma só vez centenas de presos de alta periculosidade para presídios de segurança máxima do interior de São Paulo. A reação é imediata. O Comando envia seu código: Salve Geral. E São Paulo vira um inferno. Inspirado em fatos verídicos, ‘Salve Geral’ conta uma história de ficção das mulheres por trás do Comando e mostra que quando a lei e a ética são postas em questão o que impera é a força. Assista ao trailer de Salve Geral Seja qual for a visão estabelecida por Salve Geral, ter os holofotes na discussão dos problemas relacionados à segurança pública brasileira, notadamente ao sistema penitenciário, é sempre positivo. Recentemente, em Salvador, passamos por problemas parecidos aos de São Paulo, mas em menor escala. Isso demonstra que a sociedade brasileira ainda está sujeita a esse tipo de barbaridade, não obstante já passados três anos do ocorrido. A princípio, o filme já é um sucesso, pela discussão estabelecida. Falta ver, a partir de 02 de outubro nos cinemas, em quais perspectivas ela se localiza.