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A parcela da população brasileira que já utilizou a internet ainda é minoria. De acordo com pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI), 39% da população brasileira afirma já ter navegado na WEB pelo menos uma vez na vida. Pode parecer pouco, mas isso representa aproxidamente 74 milhões de pessoas, para um país que não realizou qualquer política pública profunda voltada à democratização da internet, tornando os brasileiros praticamente autodidatas virtuais. Para o objetivo deste texto, é importante ressaltar um outro indicador: 89% da população brasileira que possui ensino superior já acessaram a internet, também de acordo com o CGI, sendo que 76% deles o fazem diariamente. Isso significa que a maioria esmagadora dos formadores de opinião brasileiros estão conectados à rede, sendo indispensável para qualquer um que se disponha a dialogar com esse público usar a rede para isso. Este é um ponto pacífico entre os profissonais de publicidade e propaganda e especialistas em comunicaçao social e relações públicas. E as polícias brasileiras? Como estão utilizando a internet para se comunicar com a sociedade? Como estão se divulgando na WEB? Tomando algumas polícias estrangeiras como exemplo, percebemos o quanto há de defasagem no exercício da comunicação on-line dos órgãos de segurança brasileiros. Nesse sentido, o Departamento de Polícia de Nova York (NYPD) é um bom modelo a ser seguido. O site possui tantos recursos agregados, que penso como seria difícil fazer um blog por lá, já que aqui no Brasil boa parte do conteúdo dos blogs policiais suprem muitas lacunas deixadas pelos sites de polícia. Além de estatísticas, divulgação de programas, como o Cash for Guns (no qual a polícia compra armas dos cidadãos), vídeos institucionais, homenagens a policiais, artigos relacionados à profissão, o site do NYPD traz dois espaços que considero brilhantes idéias. O primeiro, uma espécie de site de recrutamento, ou "NYPD Career Site", onde os aspirantes à profissão podem saber de tudo — tudo mesmo — sobre a polícia nova-iorquina. Eles disponibilizam para o candidato até mesmo um chat com policiais, para que o interessado tenha contato com um depoimento de quem vive a polícia em seu dia-a-dia. Testes vocacionais, dicas para o concursos e vídeos mostrando o dia-a-dia da polícia são outros recursos encontrados (o que fez a Academia Internacional de Ciências e Artes Digitais selecionar o site para receber o Webby Awards, o oscar da internet mundial. Outra grande idéia é a loja virtual do NYPD, que vende produtos que divulgam a instituição. Canecas, casacos, bonés e até ursos de pelúcia, dentre muitos outros produtos, integram a galeria do site, que usa até mesmo serviço de links patrocinados. Ao mesmo tempo que o site gera recursos extra para a polícia, faz com que a instituição seja divulgada pelos cidadãos. Abaixo, imagens dos produtos vendidos em www.nypd.com: A Polícia de Nova York não é a única a ter um espaço virtual exclusivo para divulgar a carreira policial: o Departamento de Polícia de Los Angeles fez o mesmo, lançando até um Programa para isso, o "Police Oficcer Recruitment Incentive Program" (PORIP), que paga até $1000,00 para quem indicar um candidato apto para o serviço policial. Claro que o responsável pela indicação só recebe o dinheiro após o candidato passar por TODOS os critérios de recrutamento — que não devem ser tão simples assim. Aqui no Brasil considero o site da Polícia Militar de Goiás o melhor de todos, apesar de estar distante do que se vê nos exemplos citados. Para quem ainda não sabe, a PMGO possui o primeiro blog institucional de polícia da América Latina, bem como o primeiro blog comandado por um Comandante Geral, o Coronel Antonio. Acredito que a defasagem no uso da internet pelas polícias é um reflexo da atitude hermética que ainda temos enquanto organização pública. Nossas práticas como servidores da sociedade, nossos métodos, o tipo de formação que ministramos a nossos recrutas podem até estar disponíveis, mas ainda não são acessíveis. Isso faz com que os estereótipos se mantenham, as distâncias se acentuem e os medos mútuos (do cidadão em relação ao policial e do policial em relação ao cidadão) se potencializem. Os exemplos estrangeiros, adequados à realidade brasileira, deveriam ser considerados pelos setores de comunicação social de nossas polícias. PS1: Post feito via indicação do Tenente Alden.