Durante a crise, empresas de segurança privada crescem no Brasil 
Governo Temer planeja endurecimento de penas no Brasil 
Como as crianças brasileiras percebem a violência? 

Tática

"A defesa da agressão inicia-se antes que esta se concretize, precisamos educar o policial a estar sempre preparado, para que ele possa, através de treinamento, melhorar a sua capacidade de antever e prever uma situação de risco ou agressão" Na matéria publicada aqui no Blog no dia 13 de Julho de 2009, falei sobre a reportagem publicado no dia 16/05/2007, no site O GLOBO, onde o ministro da Justiça, Tarso Genro, determinou que a Polícia Federal crie um modelo de carro para transporte de presos (camburão) sem as gaiolas, porta-malas com grades instaladas na parte traseira das caminhonetes. Para o ministro, os novos camburões devem ter bancos e espaço suficiente para que os presos sejam conduzidos sentados. A idéia do ministro é evitar que os "presos sejam submetidos a sofrimentos desnecessários". Pois bem, após feitas algumas análises e várias pesquisas a respeito do assunto, resolvi voltar a tocar no assunto condução de presos, só que dessa vez, destacarei os riscos decorrentes dessa missão. Para minha surpresa, me deparei com pouquíssimas fontes onde pudesse buscar subsídios para escrever este artigo. Muito do que escrevi partiu de uma realidade constatada e vivenciada em quase 08 anos de serviços prestados à Polícia Militar, atuando inclusive como instrutor nos Centros de Formação de Policiais, Oficiais e Praças (Sargentos e Soldados) que compõem o quadro organizacional da Polícia Militar do Estado da Bahia. Como eixo principal busquei trazer informações a respeito das técnicas que pudessem melhor balizar o policial durante o cumprimento das missões, tais como, regras de utilização, dicas de manutenção e conservação das algemas, procedimentos para algemação, cuidados a serem observados no trato de pessoas custodiadas, os tipos e preços de algemas, forma correta de porte e tantos outras questões que são debatidas nos corredores e nas salas de aula. Não entrarei em detalhes sobre a legalidade, ou não, do uso de algemas, que inclusive, o Supremo Tribunal Federal chegou até a editar o verbete nº 11 da chamada Súmula Vinculante. Em outra oportunidade tratarei dessa questão. Para melhor orientá-los, deixarei disponível alguns links de vídeo-treinamento e alguns vídeos policiais que tratam do assunto ora tratado. Com certeza, se as informações que estou transmitindo forem absorvidos, praticados e utilizados no que se refere a custódia de presos, você poderá aguçar ainda mais o seu estado de alerta para sinais de perigo precoce e melhorar a sua capacidade de antever e prever uma situação de risco ou agressão.
Tive o prazer de receber em minha residência, na última semana, dois exemplares do livro "Técnicas Policiais - Uma questão de sobrevivência", de autoria do Capitão da Brigada Militar do Rio Grande do Sul (BMRS) Paulo Franco, juntamente com o Tenente Cruz, Sargento Leal e Soldado Rubens, que trata de procedimentos e técnicas operacionais para a atividade policial. Trata-se de um livro simples, pequeno (com cerca de 100 páginas), mas com um conteúdo muito relevante para qualquer policial brasileiro. A equipe de policiais que citamos, possui vasta formação, com cursos referências no Brasil e no mundo, como o Curso de Operações Policiais Especiais (SWAT/Flórida), Curso de Ações Táticas Especiais (TIGRE/PCPR) e o Curso de Ações Táticas (GATE/PMMG). Com fotos e figuras ilustrativas, Técnicas Policiais foi feito para o policial ler no dia-a-dia, relembrando procedimentos de maneira rápida, através de explicações suscintas. Vejam abaixo o release com o conteúdo da obra: O livro TÉCNICAS POLICIAIS - UMA QUESTÃO DE SEGURANÇA, de autoria do Cap Franco, 1° Ten Cruz, 1° Sgt Leal e Sd Rubens, todos da Brigada Militar/RS é ilustrado com várias fotos e com conteúdos muito bons para instrução e treinamento, tais como: Abordagem (conceito, base legal, conceitos gerais, princípios da abordagem, fases da abordagem), Tipos de Busca (busca rápida, minuciosa, em delinqüente e em mulheres), Procedimentos na abordagem, Posições para busca pessoal (de pé com apoio, sem apoio, de joelhos, deitado), Abordagens em veículos, Uso de Algema, Tipos de algemas e técnicas diversas para algemar) Condução de Detido, Abordagem a Ônibus, Abordagem em Locais Hostis, Abordagem em Locais com Aglomeração de Pessoas, Abordagem em Edificações, Uso da Lanterna, Ocorrência de Alto Risco (Gerenciamento de Crise - conceito, características, procedimentos do policial, Síndrome de Estocolmo, O que pode ou não ser negociado, Contato com o Captor, Condutas Importantes, Isolamento do Ponto Crítico, Concepção e Técnica de Isolamento, Classificação da Crise, Níveis de Resposta, Principais Fontes de Informação, Tipologia dos Causadores do Evento Crítico, Regras Básicas para a Negociação, Ocorrência com Explosivos – Aspectos Legais, Classificação, Fiscalização, Características físicas e químicas, Classificação quanto a velocidade de detonação, Explosão, Procedimentos quando da ameaça de Bomba (falsa ou real), Técnicas de varredura e muito mais. Do conteúdo destaco dois tópicos interessantíssimos: o Capítulo 9, que trata do Uso da Lanterna, e o Capítulo 11, "Ocorrência com Explosivos", dois assuntos que são pouco tratados na literatura policial - e mesmo nos cursos de formação. Vale a pena conferir. Para comprar o livro, obviamente, você tem que ser policial. O site www.tecnicaspoliciais.com.br disponibiliza informações sobre a obra e o contato do Capitão Franco, para os interessados em adiquirí-la: Capitão Franco - Brigada Militar/RS Fones: 0XX51-9958 1728 - Porto Alegre/RS Email: prpfranco@ibest.com.br PS: Como comumente perguntam os leitores, informo que este post NÃO FOI PAGO, e que nossa intenção aqui é divulgar trabalhos que contribuam para o aperfeiçoamento da atividade policial, como é o caso. Se algum dia receber algo para escrever sobre um produto, deixarei isso bem claro no post.
A técnica é uma das principais aliadas dos direitos humanos no âmbito policial. Aliada à legalidade e à ética, temos a plenitude do respeito ao que humanamente é aceitável e digno de elogio. Digno de elogio como a ação desencadeada pela Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro na última sexta-feira, onde um criminoso foi morto quando, imobilizando uma refém, ameaçava explodir uma granada. Não que a morte do assaltante seja algo positivo, mas as vidas que foram preservadas mediante a ação da PM, caso a granada fosse acionada, devem ser comemoradas. A técnica utilizada foi o tiro de comprometimento disparado por um atirador de elite (sniper). Quando a refém estava continuamente desfalecendo, o Major Busnello, chefe de Planejamento de Operações do 6º Batalhão (Tijuca), atingiu o meliante na cabeça. Abaixo, comentários do Jornal do Brasil sobre a ação do Major: “O policial (Major Busnello), com 16 anos de corporação, já fez curso no Batalhão de Operações Especiais da Polícia, (BOPE). Segundo ele, foi a primeira vez que trabalhou numa situação dessas. – Foi difícil, ela poderia desfalecer a qualquer momento. [...] O major Busnello afirmou que o tiro tinha que incapacitar o bandido, já que ele estava muito agressivo e impedia com o dedo a explosão da granada. A arma usada na operação foi um fuzil adaptado Para-Fal, da Imbel, de uso exclusivo das Forças Armadas.” Parabéns aos policiais empregados na ocorrência, e à PMERJ como um todo. É através de ações como essas, pautadas no trinômio “técnica, ética e legalidade”, que as polícias brasileiras vão ser, como neste caso, aplaudidas pela sociedade brasileira. Assista ao vídeo da ação da PMERJ:
Durante minhas aulas e explanações sempre faço reiteradas afirmações acerca dos riscos da atividade policial. Muitos me chamam de "Tenente Morte", pois sempre falo que "Hoje pode ser mais um dia normal na sua vida, ou pode ser o dia em que você será testado sobre tudo o que aprendeu. A partir de hoje, vida e morte serão faces da mesma moeda!". Digo-lhes que muitas vezes durante a nossa caminhada em direção ao aperfeiçoamento eu os xingarei, darei sermão e, se necessário for, baterei neles, não por raiva ou outro sentimento menor, mas em respeito a eles mesmos, em respeito ao seu pai/mãe, esposo/esposa, irmão/irmã, tio/tia, namorado/namorada, enfim, em respeito às suas famílias que confiaram em nós (instrutores, mestres, professores) as suas vidas profissionais, garantido-lhes o direito ou a oportunidade de voltar para casa sãos e salvos. Certa vez, quando ainda me encontrava nos bancos acadêmicos, um grande instrutor que sabia da minha inclinação para a área pedagógica me disse: "Você tem idéia do quão duro seria viver consigo mesmo se seus entes queridos fossem atacados e mortos, e você ficasse ali impotente porque está despreparado para aquele dia?". Essas palavras me marcaram, e sempre que vejo um companheiro morto em combate, ou em decorrência do serviço, fico imaginando se um pouco de conhecimento e técnica poderia tê-lo salvado. E se houvesse uma segunda chance, faria diferente? Mas antes de voltarem vivos, são e salvos para seus lares, digo-lhes que é preciso se superar, e muito!, física, emocional, espiritual e legalmente! É preciso vencer! Lembremo-nos, de uma vez por todas, que segurança pública é coisa séria e não se constitui em tarefa para profissionais improvisados! Quem quer que planeje um assalto a banco ou um atentado contra autoridade pode até tentar numa segunda chance... Nós, que protegemos a sociedade, ao menos teoricamente, não podemos errar uma única vez! Imaginem o policial militar que durante uma diligência atira e mata uma pessoa inocente, o que dirá ele aos amigos e familiares da vítima? "Me desculpe"? Nossa função como instrutor, é a de mostrá-los que policiais de verdade são profissionais pagos para acreditar que a qualquer momento poderão ser exigidos a ganhar o seu dinheiro da forma mais dura e arriscada possível. Mostrá-los que em todo planejamento de segurança existe uma possibilidade de falha impossível de ser eliminada, e tal constatação apenas justifica todo um redobrar de cuidados, o qual nem sempre é compreendido, tanto pelos policiólogos quanto pelo público em geral. Trabalhamos muito para conduzir e manter cada futuro policial neste estado mental de alerta, de vencedor, ao longo do curso. Já no primeiro minuto, mostramos uma fotografia dramática ou um vídeo de um policial que não venceu e que foi morto em um encontro cruel e sem sentido com criminosos. E você, já pensou sobre o que o motiva a vencer? O que força você a seguir em frente? Isso é algo que você deve descobrir e treinar mentalmente, e é algo que pode mudar completamente sua carreira policial e sua vida. Mas agora é hora de pensar seriamente no seu próprio motivo para vencer. Você precisa descobrir aquilo que vai lhe deixar mais alerta, mais forte, capaz e orientado para triunfar diante do perigo que ronda sua profissão. Ou seja, o que motiva você quando as coisas saem do controle? Quanto vale sua vida? Quantas vidas você têm? Quanto vale sua vida? O que o motiva a voltar são e salvo para sua casa? O que alimenta a sua vontade de viver ou de sobreviver? Essas são perguntas que faço para todos os policiais com quem tenho oportunidade de ministrar aulas de Tiro ou de Procedimentos Operacionais. A profissão policial engloba riscos que a maioria das profissões não têm. Ao cometer um engano - ou por não saber resolver um problema - o policial pode causar a perda de uma vida inocente. Pode ser a vida da vítima, de um companheiro ou a sua própria. Quantas vidas tenho? Com certeza, apenas uma. Quantas vezes posso cometer enganos? Não há número exato. Posso ser desleixado com minha segurança, confiar sempre na sorte e passar vinte ou trinta anos de minha carreira sem cometer um erro que custe minha vida. Posso também estar saindo na minha primeira diligência de rua e enfrentar uma situação que pode ser fatal para mim. Quanto vale minha vida? É o bem mais precioso que possuo. Sem vida não existe mais nada. Se a carreira que escolhi implica em risco de morte, tenho que estar preparado o melhor possível para enfrentar estes riscos. Treinamento e equipamento são fatores fundamentais para minha sobrevivência. Tenho que possuir o equipamento adequado para minha tarefa e empregar a técnica correta ao utilizá-lo. Mas, por melhor que eu esteja preparado, acidentes acontecem. Quando lidamos com situações-limite, que envolvem riscos de morte, devemos estar preparados para o inesperado. Utilizar equipamentos de segurança é uma regra obrigatória em diversas atividades perigosas. Ao realizar um salto de pára-quedas, normalmente utilizamos um pára-quedas reserva. Em alguns esportes náuticos, é obrigatório o uso de coletes salva-vidas. Outras atividades mais simples também requerem equipamentos de segurança. Ao andar de moto é obrigatório o uso de capacete. Ao andar de carro, é obrigatório o uso de cinto de segurança. Na atividade policial, vemos nos últimos anos uma maior preocupação quanto à segurança do próprio profissional de polícia. O uso de colete à prova de balas, em algumas polícias do Brasil, é obrigatório. Esperamos que, daqui a mais alguns anos, isso seja realmente um procedimento padrão em todo território nacional. Usar um colete à prova de balas não torna o Policial imune ao risco de ser atingido, mas com certeza reduz bastante o risco deste morrer ou ser seriamente ferido, lhe dando alguma chance a mais de sobrevivência, se algo der errado. E se a arma falhar? Já afirmamos em outras oportunidades que, quando o policial precisa usar sua arma de fogo, ele o está fazendo porque vidas dependem disso. Se ele não atirar poderá morrer ou uma pessoa inocente pode perder a vida. E se a arma dele falhar no pior momento? Qual a alternativa que ele possui? Quando falamos em falha de uma arma de fogo, temos várias possibilidades para esse problema: pode ser um problema de munição, como uma simples nega em que, extraindo-se o cartucho negado, normalmente soluciona-se o problema; pode haver um problema de ejeção ou de alimentação, em que manobrando-se o ferrolho da arma pode-se colocá-la em condições de funcionamento; pode haver um problema mais sério em que o projétil não teve força suficiente para sair do cano, ficando preso em seu interior. Posso ter problemas com arma onde há quebra do percussor, quebra da garra do extrator, quebra do impulsor do tambor, quebra do impulsor do cão, sujeira acumulada na rampa da câmara, problemas com o carregador. Cito genericamente problemas que podem ocorrer com o revólver, com a pistola, com a metralhadora de mão ou com outros tipos de armas longas, pois estas situações podem acontecer com maior ou menor possibilidade, em todo tipo de arma de fogo. Algumas dessas situações podem ser facilmente resolvidas, principalmente se for com relação à munição e se o atirador estiver treinado para resolvê-las. Esqueci de mencionar um detalhe. Lembre-se de que em um tiroteio devemos acrescentar um fator a esses problemas: o stress, pois se o policial não conseguir solucionar rapidamente um problema que, no estande de tiro, pode parecer tão simples, em uma troca de tiros ele poderá morrer. E se o problema for com a arma? E se alguma peça importante quebrou, e naquele momento ela é insubstituível? Estamos pensando em situações difíceis de acontecer ou improváveis? O que Você faria? Já pensou na resposta? Não? Então, muito provavelmente, nesta fração do segundo em que você levou para decidir o que fazer o pior já aconteceu. A resposta imediata seria deixar a arma que quebrou de lado e sacar sua arma reserva. Você não tem arma reserva? Meus pêsames...não há uma segunda chance! *  *  * Com o intuito de suprir o leitor de informação e conhecimento de qualidade, transcrevi alguns trechos de artigos anônimos encontrados na WEB - como tamos que por aí vemos. O leitor Humberto Wendling, agente da Polícia Federal, se identificou como autor dos seguintes trechos: "Hoje pode ser mais um dia normal na sua vida, ou pode ser o dia em que você será testado sobre tudo o que aprendeu." "...física, emocional, espiritual e legalmente!" "Trabalhamos muito para conduzir e manter cada futuro policial neste estado mental de alerta, de vencedor, ao longo do curso. Já no primeiro minuto, mostramos uma fotografia dramática ou um vídeo de um policial que não venceu e que foi morto em um encontro cruel e sem sentido com criminosos." "E você, já pensou sobre o que o motiva a vencer? O que força você a seguir em frente? Isso é algo que você deve descobrir e treinar mentalmente, e é algo que pode mudar completamente sua carreira policial e sua vida." "Mas agora é hora de pensar seriamente no seu próprio motivo para vencer. Você precisa descobrir aquilo que vai lhe deixar mais alerta, mais forte, capaz e orientado para triunfar diante do perigo que ronda sua profissão. Ou seja, o que motiva você quando as coisas saem do controle?" Além disso, expressou sua benevolência e compromisso com a causa policial: "O caro colega Alden José poderia utilizar os mesmos trechos do artigo "Por que você quer viver?", bastando que desse o devido crédito a quem de direito". Clique aqui e visite o blog Sobrevivência Policial, de Humberto Wendling. Que me desculpe o autor dos trechos e os leitores pelo equívoco...
"A defesa da agressão inicia-se antes que esta se concretize, precisamos educar o policial a estar sempre preparado, para que ele possa, através de treinamento, melhorar a sua capacidade de antever e prever uma situação de risco ou agressão" A Polícia Militar, na qualidade de instituição responsável pelo policiamento ostensivo destinado à preservação da ordem pública, enfrenta o árduo desafio de proteger os cidadãos contra a violência em suas diversas e modernas acepções. Assim, para atender às crescentes exigências sociais na área da segurança pública, é indispensável o desenvolvimento, aperfeiçoamento e implantação de táticas e técnicas policiais de alto nível, possibilitando o exercício eficaz, eficiente e efetivo do policiamento. O policial militar passou a exercer funções que extrapolam sua singular condição de guardião da sociedade. Hoje ele aconselha, orienta, assiste, socorre e, principalmente, se insere em todas as camadas de nossa sociedade, constituindo-se num elo entre o povo e o Governo, exercendo sem sombra de dúvida o papel de agente social do Estado, se constituindo num grande anteparo do Estado para conter as condutas perniciosas, fazer cumprir a Lei e manter a Ordem Pública. Sendo justamente com tal finalidade que a sociedade organizada outorgou ao Estado, através do Instituto Polícia, o monopólio do uso da força... No entanto, não raras vezes, pela desqualificação técnica, fazem ou se tornam vítimas do insucesso de suas ações, acarretando em prejuízo de várias ordens, quer pessoal, quer social, respondendo diretamente pelos erros advindos do mau uso da força que venha a empreender, discricionariamente, em sua atividade profissional. É muito expressivo o número de Policiais que, no Brasil inteiro, respondem criminalmente por ter utilizado inadequadamente o uso da força no exercício de sua profissão, arbitrariedades, lesões corporais graves ou morte de pessoas em confronto com policiais. A própria morte de policiais em ações mal realizadas, poderia ser minimizada com o aprimoramento do profissional proporcionado por treinamento especializado através da prática de Defesa Pessoal, que mais do que uma mera capacitação física e motora, objetiva implementar uma cultura de sobrevivência, em que a força, absolutamente traduzida pela técnica, é um recurso na resolução dos conflitos, e cingida à dimensão de, tão-somente, neutralizar a resistência à ação legal, acompanhada ou não de agressão física. Levando tudo isso em consideração, meu primeiro artigo aqui na Coluna Estratégia tem como objetivo refletir sobre as práticas policiais militares decorrentes do uso da força. O tema invoca a multidisciplinaridade do conhecimento com enfoque no Uso da Tonfa pelos comandantes de patrulha em eventos especiais. O estudo foi sistematizado em duas partes: a primeira contextualiza a função policial, uso da tonfa no serviço policial e seu histórico no Brasil, possibilidades e limitações; na segunda parte são apresentadas algumas sugestões. Vejam os tópicos: Histórico da Tonfa; Uso da força progressiva na atividade policial; Como a tonfa entrou para o universo policial; Os paradigmas quanto ao uso da Tonfa na PMBA; Principais argumentos utilizados por aqueles que são contra o uso da tonfa por comandantes de patrulha; Avaliação do uso da tonfa em conjunto com os demais equipamentos utilizados pelo policial militar; Pesquisa feita aos alunos-a-oficiais, após o serviço, sobre a utilização da tonfa. O estudo multidisciplinar do tema se justifica devido a atual realidade brasileira, em que o policial recebe uma tonfa e uma capacitação com baixo conteúdo prático e significativo. Ocorre insegurança no momento de decidir entre manter a arma na cintura ou sacá-la, e ao sacá-la, se vai "apertar o gatilho" ou não. Em instantes, os destinos dos envolvidos são lançados ao acaso. O policial toma decisões de vida e morte em frações de segundo, o resultado positivo torna-se mais uma ocorrência de rotina, já o erro pode ser irreparável e condenado com a perda da vida ou liberdade para ambos os lados. Clique na imagem abaixo para fazer o download do arquivo completo:
Um dos principais objetivos deste blog é fomentar discussões sobre o modo de agir policial. Independentemente das carências institucionais, das limitações do Estado em prover a atuação dos agentes de segurança pública com os recursos materiais e educacionais necessários, é indispensável para o policial adquirir certos conhecimentos básicos que servirão para preservar sua vida e a de terceiros. Nesse sentido, aprender defesa pessoal, tiro, técnica, tática, e conhecimentos acerca dos equipamentos utilizados em seu dia-a-dia, é fundamental. Pensando nisso, resolvemos criar no Abordagem Policial a Coluna Estratégia, que visa discutir os aspectos ligados à atuação operacional das polícias – sejam elas federais, estaduais ou municipais – dando dicas, criando debates, tutoriais, e ensinamentos neste campo. Sabemos que a repressão é, em todo o mundo, uma das formas de atuar da polícia, que por mais eficiente que seja no exercício da prevenção, sempre precisará de meios coercitivos para fazer valer o poder do Estado. Se a repressão não for qualificada, abusos podem ser cometidos, arbitrariedades podem vir à tona. Estudar, treinar, simular e discutir as técnicas de repressão é essencial, evitando que distorções venham ocorrer no processo. A Coluna Estratégia surge da intenção deste blog de criar um ambiente favorável para o estudo e a discussão da repressão policial. Além disso, preenchemos uma lacuna neste espaço, que costuma abordar pouco os temas ligados ao assunto. Para comandar a coluna resolvemos convidar uma das referências em operacionalidade da Polícia Militar da Bahia, o Tenente Alden José, que serve no Esquadrão de Motociclistas Águia, onde exerce a função de Chefe do CIETRU (Centro de Instrução Especializado em Trânsito Urbano). Além de ser instrutor de Legislação de Trânsito e Direção Defensiva, ele ministra aulas de Defesa Pessoal na APM-BA, é praticante de Hapkido, bacharelando em Direito e possui vários cursos na área operacional. Quem conhece o Ten. Alden sabe que a coluna estará em boas mãos. Lembro que a participação dos leitores é fundamental, mandando dúvidas, adendos e outras contribuições para o Tenente Alden. Em breve publicaremos o primeiro post da Coluna. Aguardem...