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Tropa de Elite

Teve repercussão nacional o triste caso de dois policiais militares baianos que morreram após realizarem o Teste de Habilidades Específicas (THE) do Curso de Operações Especiais (COPES). Como ocorre em toda tragédia, o momento é de especulação e conjecturas a respeito da responsabilidade das mortes: teria havido abuso durante a atividade? Os policiais tomaram algum tipo de substância que geraram as complicações? Faltou estrutura de apoio médico? Essas perguntas só poderão ser plenamente respondidas com o resultado da perícia médica que está sendo realizada, onde se definirá a causa do mal sofrido por cada um dos policiais (outros dois permanecem internados). A despeito disso, vale atentar para o seguinte: um teste promovido por uma instituição policial não é um evento que possa estar fora de controle. Ao realizar esse tipo de atividade, tudo deve estar milimetricamente organizado. Ao contrário do que alguns pensam, não deve haver risco de morte em um teste físico, que tem uma natureza distinta da atividade policial em si - essa sim, nem sempre controlável nos cenários urbanos ou rurais em que ocorre. "Nenhum sonho (inclusive o de se tornar um 'caveira') é maior que nossa própria vida" Sobre esse "detalhe", a própria Polícia Militar tem concordado. Várias notas foram publicadas, algumas assinadas pelo próprio Comandante da PM, no sentido de apurar as causas reais do ocorrido, sem a naturalização ou banalização das mortes. Segundo policiais que participaram do teste, ouvidos pelo Abordagem Policial, havia ambulâncias com equipe de prontidão e água para hidratação dos candidatos. Há fotos dos policiais sendo atendidos no interior da ambulância, após se sentirem mal. Mas, se é precipitado dizer que houve falha na organização ou execução do teste, que, nesse sentido deve ser investigado por todas as instâncias jurídicas e técnicas possíveis, por outro também não é razoável acusar os policiais, dois deles falecidos, de uso de qualquer tipo de substância inadequada. O momento é de recolher os cacos desse grande impacto na Polícia Militar da Bahia, apoiar os familiares das vítimas e acompanhar as apurações para esclarecer um fato inaceitável. Antes de nos tornarmos guardiões de vidas devemos ter nossas vidas guardadas. As instituições policiais devem entender isso e nós mesmos, policiais militares, precisamos nos conscientizar. Nenhum sonho (inclusive o de se tornar um "caveira") é maior que nossa própria vida. Fica expressa nossa manifestação de lamento.
Falam que o cangaço foi coisa do passado... será? Eu penso que temos coisa pior por aqui. O maior desrespeito à sociedade é o tal do assalto a banco, sobretudo da forma como vem sendo realizado. É a maior desmoralização que as cidades do interior da Bahia estão passando ultimamente. Mas tem jeito. Realmente é preciso ações conjuntas dos órgãos que integram o sistema de segurança pública, mas, sem dúvidas, um dos maiores empecilhos hoje para os assaltantes de banco são as Companhias Especializadas, as quais se forem objetos de reforma urgente, certamente reduzirão a quase zero essas ocorrências. Viaturas da Polícia Militar e sedes de Unidades destacadas sendo metralhadas; uniformes camuflados; coletes balísticos; viatura de Unidade Especializada sendo clonada; utilização de armas de grosso calibre; carros potentes de fuga, e pessoas reféns são algumas variáveis identificadas nos assaltos a banco, cujos meliantes também investem, e muito bem, em apoio logístico e comunicação. Não raro os integrantes do assalto são recrutados às vésperas da ação, sem saber realmente quem é o líder da quadrilha: tudo é articulado por telefone. As armas dos assaltos são alugadas e o dinheiro roubado é revertido para o crime, cujo mentor, muitas vezes, cumpre pena em presídios. Como parece fácil e é rentável, sempre retornam com o mesmo modo operacional. (mais…)
"O que pensou? Que é um policial comum? Você é nosso produto. E nosso produto não pode se voltar contra nós, pode?" Um policial perfeito, exato, que não se excede nem se esquiva de suas funções, um policial que não se cansa nem possui necessidades emocionais, um policial que não precisa de salário e que não morre. Enfim, este é o Robocop, o policial do futuro, uma criação cinematográfica clássica, lançado em 1987, que divertiu muitos espectadores atentos às suas três versões (Robocop, 1987, Robocop 2, 1990, e Robocop 3, 1993). Ao reassistir a primeira versão da trilogia, me dei conta da grande metáfora policial trazida pelo filme, que é mais profundo do que o que pensa o público que procura meramente diversão em Robocop. Na verdade, o filme antecipa uma discussão trazida atualmente pelos brasileiros Tropa de Elite e Tropa de Elite 2, não sendo à toa o convite ao Diretor José Padilha para direção da quarta versão de Robocop. Robocop, com a citada perfeição, é o modelo de policial escolhido para solucionar a questão da criminalidade em Detroit. A empresa gestora da polícia, a OCP, sigla de "Omni Consumer Products", pretende criar um empreendimento para refundar as estruturas da cidade, mas só poderão fazê-lo após reduzirem o problema da criminalidade. Na ânsia das suas intenções capitalistas, a OCP testa soluções imediatas para a violência, e acaba chegando ao Robocop, um robô meio-humano criado a partir do corpo de um policial tido como morto em uma ocorrência, Murphy. (mais…)