Os problemas com as armas Taurus 
Mulheres com medidas protetivas poderão acionar botão para chamar a polícia em Pernambuco 
Jovens são presos por desacato após comentar ações de policiais 

Twitter

Não há como negar: as redes sociais são parte do jornalismo do nosso século. E são essenciais para quem deseja se informar para além da hegemonia dos meios de comunicação de todo o país, concentradas nas mãos de seis famílias. Não raro, nestes momentos de manifestações por todo o Brasil a conduta de policiais e manifestantes são questionadas, julgadas, condenadas ou defendidas passionalmente. Um grande Fla x Flu. Mas quem ganha e quem perde com isso? Todos perdem. Caso emblemático, a repercussão imediata dos tweets do perfil da Polícia Militar do Rio de Janeiro em julho passado é um exemplo claro. Em um dia o perfil Institucional da PMERJ “comprou briga” com a OAB, Ministério Público, alguns deputados e parte da população. Fazer críticas é errado? É crime? Obviamente, não. Mas chamo a atenção para o fato de que a PMERJ é uma instituição política, e como tal, enfrenta respostas políticas. Passados alguns dias o Comandante Geral, Coronel Erir Ribeiro, foi substituído. Ele havia assumido que alimentava pessoalmente o perfil @PMERJ. "Há algo que 'Tiago Tiroteio' não poderia se esquecer: ele é o Estado e está a trabalho." Me lembro que à época questionei as frases passionais postadas e de pronto recebi respostas, do tipo “não acho. Eu faria o mesmo. A OAB realmente atrapalha o trabalho da polícia”. Não vou entrar no mérito do certo ou errado porque pra mim, soa óbvio. Como pessoa física, postar isso no seu perfil, é uma coisa. No perfil institucional, há consequências políticas e um desgaste de imagem desnecessário para uma instituição que já anda arranhada há muito. Interessante notar que dentro da própria instituição, o perfil do @Real_BOPE_RJ tem um posicionamento completamente diferente. É alimentando por uma Capitã que tem formação em jornalismo e que responde pela assessoria de imprensa do Batalhão. Eles ponderam e mantém a imagem do batalhão a salvo, apesar da complexidade do trabalho. Policial, pessoa física? Não é tão simples. O policial, pessoa física, claro, pode postar o que bem entende em seu perfil pessoal. Somos uma democracia, por óbvio. Mas lembremos de duas coisas: somos uma democracia cuja imprensa tem poder de juiz, condena e absolve em um plim-plim; e temos corporações que cerceiam a liberdade de seus comandados, punindo-os com prisão administrativa. Lembram dos casos? Leia: Capitão PMERJ é preso por comentário no Twitter. Vamos nos deter no poder de imprensa. Vimos há pouco dois casos que ganharam grande destaque: o capitão da Polícia Militar do Distrito Federal que virou piada e mene na internet com o “Porque eu quis”, e o policial “Tiago Tiroteio”, que publicou em seu perfil do Facebook uma foto onde aparecia com um cassetete quebrado em mãos, dizendo “foi mal, fessor”. Há crime constituído nas palavras dos dois? Não. É ofensivo? Sim. É desnecessário? Completamente. Quer dizer que ele não pode se expressar? Não. Quer dizer que ele está fardado, representando o Estado, em um período onde todos os ânimos estão exaltados e os holofotes estão concentrados e por óbvio, haverá consequências. E creio, sinceramente, que as pessoas não devam se portar por medo de consequência, mas por seriedade à carreira que escolheram e à sociedade. Há algo que “Tiago Tiroteio” não poderia se esquecer: ele é o Estado e está a trabalho. Imaginem outra situação. Você, cidadão, está na fila do Detran para renovar sua carteira. Horas na fila, calor, descaso e um servidor público ergue o dedo do meio ou dá um sorrisinho – como o de “Tiago Tiroteio” na foto -  como resposta quando você reclama que está perdendo um dia de trabalho por causa da burocracia. Um sorrisinho é crime? Não. Mas você se sente aviltado pelo Estado diante dele? Vale refletir. Há quem questione, “mas na página dos ‘baderneiros’ eles postam isso e aquilo e ninguém fala nada!”. Tais paralelos são infrutíferos. Só mais um tempo do Fla x Flu. Mais uma vez façamos o exercício de pensar. Vale a pena se nivelar? A exposição tem preço? Os holofotes midiáticos estão apontados para a polícia, como deve ser. O genuíno papel da imprensa é exatamente fiscalizar o Estado. Mas lembremos: ela o faz, na maioria das vezes, como bem deseja. Não nos esqueçamos do caso da Escola Base, onde pessoas foram sacrificadas injustamente. Jornalistas que cobriram tal caso continuam trabalhando, como se não tivessem cometido um erro que devastou vidas. E neste caso, não apenas erro, mas crime. Repito, não vou entrar no mérito do certo ou errado porque pra mim, soa óbvio. Mas façamos o exercício diário de refletir sobre o conveniente, o passional, os holofotes e suas consequências. Acontece o mesmo fora do Brasil Isso não é exclusividade da polícia ou redes sociais do Brasil. O perfil da polícia de Sussex (@Sussex_Police), condado localizado ao sudeste da Inglaterra, passou por algo muito semelhante ao que passou a PMERJ, em agosto. Havia protestos e campanha anti-fracking (técnica pata extrair gás natural da terra, questionado por ambientalistas) e a polícia estava fazendo guarda junto à entrada do local da perfuração para extração. Como pode ser visto na imagem abaixo, a polícia postou “Preferimos falar com as pessoas e convencê-las sair dali do que ter de recorrer à força e fazer prisões”. Imediatamente, o internauta David Davis questionou: “Isso quer dizer que vocês estão se infiltrando nos grupos de protesto e fazendo filhos com eles?". David fazia referência às notícias recentes de que policiais ingleses se infiltraram por anos em grupos de protestantes, a ponto de se relacionarem e até terem filhos com eles. É algo como se alguma pessoa perguntasse à PMERJ sobre o uso da P2, como vimos aos montes. A resposta da polícia inglesa foi um simples “=)”. David respondeu: “Vou tomar isso como um sim! Não se preocupe, seu segredo está seguro comigo :)”. O resultado já sabem: repercussão, desgaste e debates. Abaixo segue o diálogo entre twitters: Jess:  Você está sabendo que a Polícia de Sussex apagou o “=)” que enviou a você em resposta, depois de reclamações, por completa insensibilidade? David: na verdade, não, eu não sabia. Rápido! alguém tem que chamar um jornalista do Guardian! Jess: Acho que alguém já fez isso... Jess: Eu disse que alguém tinha chamado o Guardian: http://dlvr.it/3rMvQN Clique e veja todo o diálogo! Ao ler a matéria do Guardian, vimos que os questionamentos são os mesmos, com o mesmo embasamento. "Isto não é apenas sobre causar ofensa", disse Danny Chivers, do Reclaim the Power, que foi criado na semana passada na cidade de West Sussex. "É uma visão da mentalidade da Sussex Police e do quão a sério - ou não - eles levam essas questões." Ele acrescentou: "Se seus oficiais de mídia estão rindo e fazendo piada sobre causar dor física aos manifestantes e a devastação causada ​​à vida das pessoas pelo comportamento dos policiais infiltrados, então o que dizer sobre a cultura e atitude da força policial como um todo? " A diferença está no fechamento da situação. A polícia pediu desculpas pela resposta e considerou o tweet como “inadequado”. "A resposta para este tweet foi claramente inapropriada", disse um porta-voz da força de Sussex. "Foi um erro de julgamento pessoal momentâneo sobre a natureza do cargo e o impacto que estes eventos tiveram". Admitir erros não faz uma corporação, um profissional ou um segmento mais fraco. O faz mais forte, mais respeitado e mais próximo da população.
Atualmente não é absurdo dizer que a Polícia Militar da Bahia é uma das mais "conectadas" do Brasil: institucionalmente, através dos veículos de informação corporativos online, e informalmente, pela presença da tropa na internet, principalmente nas redes sociais, discutindo assuntos relativos a seu ofício. É difícil que um fato envolvendo a corporação não se desdobre em debate público na rede. O próprio Comando da PMBA vem se apropriando de todas as ferramentas possíveis para manifestar esclarecimentos e posicionamentos públicos: além do site corporativo e da Intranet, a corporação conta com um blog institucional, a Página Oficial do Facebook, atualmente com mais de 27 mil curtidores, e um perfil no Twitter, com mais de 4 mil seguidores. Mais: o próprio Comandante Geral conta com um perfil no Facebook, onde posta mensagens e saudações à tropa, além de receber feedback dos amigos e seguidores (segundo o próprio Comandante Geral vem dizendo publicamente, já chegou a conceder transferências solicitadas através da rede social). As associações e líderes classistas não são menos conectados. A Associação dos Oficiais da PMBA, por exemplo, conta com site corporativo e página no Facebook, e seus dirigentes, como o TC PM Edmilson Tavares e o Maj PM Hilberto Rêgo, são bastante engajados nas redes sociais. Já a ASPRA, associação de praças que tem dominado o espaço político entre a tropa, até comemorou 100.000 acessos em três meses em seu site institucional e 10 mil compartilhamentos em sua fanpage. Os políticos da categoria, naturalmente, se utilizam bastante das novas mídias para promover suas ações/opinões: o Deputado Estadual Capitão Tadeu, com seu site e seu perfil no Facebook, o Vereador Soldado Prisco, com seu blog e perfil no Facebook, além de outros vereadores e lideranças que fazem parte do cenário político da corporação. É claro: há muitos grupos, perfis, páginas e veículos descentralizados, que não são mantidos com fins institucionais - seja para a própria PMBA, seja para uma associação, seja para um mandato político. Iniciativas de policiais militares que resolvem discutir a Polícia Militar e a Segurança Pública por se sentirem provocados com o tema. Este blog, com mais de 10 mil visitas diárias, embora discuta principalmente temas de interesse nacional, faz parte desta "blogosfera policial baiana" independente. É importantíssima toda esta multiplicidade de iniciativas, com interesses, opiniões e alcance diferentes. No passado recente da corporação, ainda era difícil que os policiais militares se afirmassem com a expressão dos seus pensamentos. Felizmente hoje há (muitas!) iniciativas e possibilidades institucionais e informais de comunicação. Que esta evolução alcance - e ajude a alcançar - outras áreas.
Quem acompanha este blog a algum tempo sabe da nossa permanente militância na defesa do direito fundamental à liberdade de expressão entre os policiais brasileiros, principalmente entre os militares, que são submetidos a normas explicitamente contrárias ao que estabelece a Constituição Federal no que se refere aos Direitos Fundamentais, tolhendo, assim, a condição de cidadão desses profissionais que, paradoxalmente, tem grande responsabilidade cidadã. Deste modo, é com muita tranquilidade que comento o recente caso da exoneração do Delegado Pinho, da 9ª Delegacia de Polícia do Rio de Janeiro (Catete). Segundo se noticia, o delegado teria sido destituído do seu cargo de titular da unidade por ter postado os seguintes tweets: Pergunta-se: este trata-se de um caso de cerceamento da liberdade de expressão do delegado? Julgo que não. Simplesmente porque, na condição de chefe da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro a Delegada Martha Rocha tem o DIREITO de nomear para funções específicas policiais que estejam adequadamente alinhados com o que ideologicamente a chefe da Polícia entende como ideal. Se fosse aberto procedimento disciplinar contra o Delegado visando impedir que se manifestasse, ou se fosse transferido para local distante de sua família, visando "castigá-lo" ou coisa do tipo (como já ocorreu com alguns policiais brasileiros), aí sim, trataria-se de explícito cerceamento da livre opinião. Não é o caso. O Delegado se posicionou em relação à atuação da mulher policial, sugeriu o que pensava sobre o assunto, arcou com a posição que adotou - incompatível com a função que exercia, segundo parece apontar o entendimento da Chefe da Polícia Civil. Cá para nós, concordo com ela.